Os Deuses da Mitologia

159 PERCY - Sem Tempo para Férias


Notas iniciais
bem vindos a mais um cap! espero q gostem! no momento, estão em locomoção os grupinhos: — Indo pra o Sudão: Carter, Zia, Paulo, Drew — saindo do Brasil: Leo, Calipso,Magnus, Jacques, Alex, Festus, André (Brasileiro que tava na Nigéria e não sabe jogar futebol), Meg e Apolo no momento, estão na ÁSIA, os grupinhos: — Indonésia: Lavínia, Hazel, Annabeth, Kayla, Grover, Percy, Piper, no momento, estão na ÁFRICA, os grupinhos: — Nigéria : Olujime no momento, os grupos que estão na EUROPA são: — Indo para a Itália: Caçadoras de Ártemis (Thalia, Ártemis, etc), Clarisse, Reyna, Ciara — Inglaterra: Blitzen, Hearthstone, Mestiço, Mallory — Turquia : Sam, Anúbis, Sadie, Will, Nico — Alemanha: Maias-Astecas: Victoria, Micaela (a menina q parece Annabeth) e Eduardo (guri chato que o Mestiço deve estar querendo esganar)

PERCY

Acho que todos nós gostaríamos de estar ali em férias, não em busca de um cara que chupa o dedo e subitamente sendo atacados por uma recepcionista de hotel. Uma hora a recepcionista tava ali, fazendo as coisas de recepcionista (só que meio desconfiada da gente) e na outra estávamos sendo atacados por tigres. Não precisava ser filho de Atena para perceber que algo estava errado. Mas com tantos tigres, com presas e garras afiadas para todo lado, não havia muito tempo para pensar.

Os rugidos dos tigres ressoaram pelo saguão do hotel, eu mal havia tido tempo de pegar minha espada antes que o caos começasse. Eu ficava tentando fugir das garras assustadoramente grandes dos tigres e procurando água, suspeitando já que alguma coisa estava errado, quando o chão se abriu aos pés de Hazel, a engolindo por completo.

— HAZEL! — gritei.

Antes que eu pudesse reagir, ouvi Annabeth gritar por cima do rugido de um tigre que quase me derrubou:

— PARTE DOS TIGRES SÃO ILUS- gritou Annabeth antes de sua voz ser cotada quando ela foi engolida pelo chão também.

— ANNABETH! — berrei com pânico e memórias vindo até mim e imediatamente tentei ir em direção ao buraco que engoliu Annabeth, querendo pular dentro dele, mas acabei só pulando no chão, já que o buraco se fechou mais rápido do que eu.

Eu nem tive tempo de fazer nada, pois logo um buraco só pra mim abriu e me engoliu também assustadoramente rápido. Eu me assustei rapidamente quando o chão abriu sob meus pés, a sensação de estar suspenso no meio do ar por um milésimo de segundo não era das melhores, mas nem gritei quando a escuridão repentinamente me engoliu.

Cair não era exatamente uma experiência nova para mim, mas isso não tornava a situação menos desconfortável. Pelo menos, preferia estar caindo junto com Annabeth. Quem sabe, de alguma forma, nossos buracos tivessem se conectado? Torci para isso ter acontecido já que o meu buraco abriu no mesmo ponto que o dela, mas imaginei que fosse pedir demais da sorte.

Olhei ao redor rapidamente, tentando achar algo para parar minha queda, mas não havia nada. Literalmente nada. Era só o vazio. Eu caí, meu coração já se preparava para a dor da queda, mas quando eu caí no chão cheio de água, me molhando toda, eu sofri o total de 0 machucados. O que não era tão novidade considerando que havia água envolvida, mas eu esperava ao menos algum baque, pancada, dor… qualquer coisa decorrente de uma queda.

Eu me levantei com cuidado, com medo de sentir alguma dor ou algo quebrado. or um momento, fiquei parado, esperando que a dor finalmente me atingisse, que algo doesse, qualquer coisa. Mas o total de machucados que sofri foi... zero. Zero! Algo que, considerando minha sorte com a água, talvez não devesse ser tão surpreendente. Ainda assim, não pude deixar de sentir que algo estava muito errado… ou no mínimo diferente.

Enquanto ainda estava tentando entender o que aconteceu comigo e onde eu estava, a recepcionista apareceu na minha frente de uma forma completamente diferente. O cabelo estava solto pra todo lado como se ela tivesse acabado de fugir de um hospício, me olhava com ódio e olhos esbugalhados que não combinavam muito com a maquiagem branca e vermelha que parecia ter sido feita pra deixar ela mais assustadora mesmo.

Eu poderia ter atacado ela com aquela água aos meus pés, mas sair atacando as pessoas quando você quer ajuda delas não costumava ser a melhor das opções. Uma parte de mim queria agir, derrubá-la antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, mas outra parte me pedia para ter calma. Essa segunda parte deve ter aprendido bastante com Annabeth. Era claro que a recepcionista conhecia o tal Finn e a gente precisava falar com ele. Ainda assim, fiquei a postos para qualquer coisa, segurando Contra-corrente firmemente em minha mão.

— O que quer com Finn MacCool? — perguntou ela rapidamente, quase se embolando com a língua.

— Onde está Annabeth? — perguntei de volta, torcendo para minha voz estar firme, não deixando transparecer toda a minha preocupação.

— Responda minha pergunta, que responderei a sua. — ameaçou ela — O que quer com Finn MacCool?

— Viemos em paz… — respondi, me sentindo um alienígena — Só queremos perguntar umas coisas.

Subitamente, vinhas retorcidas apareceram ao meu redor e tentaram me prender. Tentei evitar que isso acontecesse, cortando uma das vinhas com um golpe decidido de Contra-corrente, mas perdi totalmente meu foco quando tentei controlar a água aos meus pés e ela não obedeceu. Entrei em pânico. Me vi repentinamente com 12 anos de novo. Essa distração e pânico causaram perdas de segundos o suficiente para as vinhas me prenderem firmemente, me impedindo de me movimentar.

As vinhas se enrolaram em torno de mim com muita força. Sem ter muito o que eu pudesse fazer, a recepcionista usou esse momento para me olhar de cima a baixo. Ela me analisou e foi andando lentamente até mim, fixando seu olhar intensamente nos meus olhos.

— Perguntar que coisas? — perguntou ela enquanto eu ainda pensava no porque a água não quis me obedecer. Será que ela estava de mau humor comigo?

— Você disse que ia me falar onde estava Annabeth se eu te respondesse. — pedi, ignorando o problema da água por um segundo.

— Ela está bem. — garantiu ela, se é que eu posso acreditar na palavra dela — O que querem perguntar? Que perguntas?

— Várias que conseguirmos pensar pra tentar salvar o mundo, que resolveu se meter em perigo mais uma vez! — reclamei.

— Os problemas de longe não nos afetam. — respondeu ela.

— Acho que dessa vez vai, eim? — respondi — A gente só está querendo ajudar e resolver tudo e ficamos sabendo que o Finn podia nos ajudar a ajudar vocês.

— Como descobriram este lugar? — perguntou ela.

— Um gênio contou pra uns amigos, que contaram pra gente. — falei, daria de ombros se as vinhas me deixassem enquanto ainda tentava convencer, com o pouco que conseguia mexer, a água a obedecer minimamente.

Com certeza sem nem ter ideia que minha maior preocupação era a água e a segurança de Annabeth, a recepcionista me encarou. Ela me encarou por um longo tempo, principalmente os meus olhos. Logo me toquei que ela podia estar analisando se eu estava mentindo ou não. Eu permaneci calmo, tentando ainda mexer a água dentro do pouco que eu podia fazer. Então, tão repentinamente quanto ela apareceu, ela sumiu de novo, me deixando lá sozinho.

— OLÁÁÁÁ!? — gritei para o vazio, que fez um eco na minha voz.

O vazio, obviamente, não me respondeu. Mal-educado. Continuei tentando me soltar, tentando aproveitar a lâmina de contra-corrente, mas não consegui fazer muito progresso, já que não conseguia me mexer o suficiente para a lâmina dela ser mais útil que uma faca de manteiga. Gritei de novo por atenção, mas nada. Devo ter ficado lá uns 10 minutos, preso que nem um idiota esperando alguma coisa acontecer até que, de repente, eu acordei no chão da recepção como se tudo não passasse de um sonho estranho e desconfortável.

Desorientado, notei que Annabeth estava logo ao meu lado, também parecendo que acabou de acordar. Meu braço estava por cima dela e uma de minhas pernas também. Não havia água, nem vinhas me prendendo, nada. Era como se tivéssemos simplesmente entrado no hotel e decidido que o chão da recepção era um ótimo lugar para uma soneca aleatória.

— Tudo bem? — perguntei pra Annabeth enquanto saía de cima dela.

— Tudo… tudo… — respondeu ela, começando a se levantar também — E você?

— Tô bem. — respondi.

— Desculpe por tudo isso. — disse um homem.

Me sentei no chão para olhar para o homem que falava, também foi nesse momento que eu vi os outros ao meu redor, também largados no chão, acabando de acordar. Ninguém estava falando e todos estavam perfeitamente bem.

Após confirmar que meus amigos estavam bem, prestei atenção no homem que apareceu. Ele devia ter cerca de 50 anos, tinha o cabelo ruivo grisalho. Vestia uma camiseta e uma calça social. Nada demais. Para todos os efeitos, era u cara qualquer com sotaque irlandês.

Atrás dele, um dos tigres que havia nos atacado antes estava calmamente nos encarando, mas logo se transformou em nossa nada simpática recepcionista. Dessa vez com as roupas normais de recepcionista, não de fugitiva mitológica do hospício.

— Não posso me descuidar. — justificou ele.

— Você é Finn MacCool? — perguntou Annabeth.

— Em carne e osso… — respondeu ele — Desculpe pelo o tratamento que Calon lhes deu… Meu paradeiro era para ser um segredo.

— Porquê? — perguntou Lavínia.

— Problemas gostam de me perseguir. — disse ele, suspirando pesadamente — Já fiz por anos demais o meu papel. Ajudei gente demais, mas sempre tem mais pra ajudar e você acaba se colocando em segundo plano. Nem minha morte foi suficiente para parar os pedidos de ajuda. E todo o conhecimento que esse meu maldito dedão trás, também trás muitos problemas. Muito frequentemente penso em cortá-lo fora. Mas nunca tive coragem. Então vim para cá, o mais longe possível de minha querida Irlanda, comprei esse pequeno hotel, conheci Calon e agora não passo de um hoteleiro.

— Entendo… — resmunguei, já sentindo empatia pelo coitado.

— Pode me chamar de egoísta, mas chega uma hora que é demais. — continuou ele — Nem morrendo me deram paz.

— Não. Realmente entendo… — falei.

— Será que te incomoda então nos ajudar novamente? — perguntou Grover.

— Estamos numa situação um tanto complicada. — disse Kayla.

— Se tudo o que querem são respostas… e se não revelarem meu esconderijo para mais ninguém… — pediu ele — Tenho meios de garantir o segundo. Calon é uma ótima bruxa. Como talvez já tenham notado.

— O que ela fez naquele buraco escuro… com as vinhas… ? — perguntei, preocupado com a desobediência da água.

— Foi só uma ilusão. — respondeu ela — Prendi todos vocês numa mesma ilusão para poder interrogá-los… checar se responderiam a mesma coisa. Tudo estava acontecendo na cabeça de vocês.

— Ilusão realista… — reclamou Grover.

— Como ele disse… — disse Calon, a recepcionista, com um sorriso orgulhoso — Sou uma ótima bruxa.

— Mas a água… — eu disse, praticamente choramingando, mas tentando disfarçar.

— O que tem a água? — perguntou Piper.

— A água da ilusão… eu não consegui controlar… — expliquei.

— Porque era uma ilusão, cabeça de alga. — disse Annabeth — Calon que estava moldando do jeito que ela queria e isso não incluía deixar você controlar água falsa.

— Ah… claro… — resmunguei.

— Me atualizem agora de o que está acontecendo … estou claramente desinformado. — pediu Finn, suspirando como um velho cansado — Em que perigo o mundo resolveu se meter dessa vez?

Bem, atualizar ele foi o que fizemos enquanto dois dos funcionários do hotel dele devolvia as motos que nós havíamos roubado alguns vários minutos antes. Não nos ofereceram nada mais do que uns sofás da recepção enquanto contávamos nossa longa história. Quando terminamos, Finn suspirou, olhando para o seu próprio dedão.

— Faz muito tempo que não faço isso… — resmungou ele e Calon colocou a mão carinhosamente em seu ombro.

Eu troquei um olhar rápido com Annabeth, mas logo voltei a focar no evidente receio de Finn em chupar o dedo e receber uma onda de conhecimento. Não entendia o que poderia causar receio nele.

— Às vezes ignorância é uma benção… — disse ele — Mas entendo a necessidade que estão tendo. É só que… é complicado às vezes focar numa resposta só. Às vezes o assunto da pergunta ou da resposta passa por coisas desagradáveis…

— Podemos começar com uma pergunta mais simples, se preferir. — sugeriu Hazel, provavelmente também notando a hesitação dele — Uma com menos chance de envolver alguma coisa desagradável.

— Qual seria essa? — perguntou ele.

— Boa pergunta. — respondi.

— Só pra confirmar… a ajuda é de graça né? — perguntou Lavínia.

— Não dê ideias pra ele! — reclamou Piper, e eu tinha que concordar.

— Sim…. de graça… — concordou Finn — Só, como disse antes, peço para que não saiam divulgando onde estou por aí. Calon tem os jeitos dela de saber se fizerem isso.

— Qual? — perguntou Grover

— Essa parte não iremos contar né? — respondeu Calon, seriamente.

— Certo, a primeira pergunta pode ser como usar a chave mágica do feitiço que nossos amigos encontraram em Istambul. — sugeriu Annabeth — É uma palavra em hieróglifos egípcios, se isso ajudar em algo..

— Sim. Pode ser essa. — concordou Hazel.

Finn respirou fundo e, numa cena extremamente madura, colocou o dedo na boca e começou a chupar ele. Finn fechou os olhos, provavelmente se concentrando. Nos entreolhamos por uns segundos, Calon observava Finn com atenção e preocupação.

— O feitiço é usado para desbloquear uma página do Livro de Thoth… — respondeu ele — Se é que dá pra chamar uma parte de um papiro em rolo de “página”. Vocês vão na sessão de receitas médicas, na parte de “ferimentos”, onde tem “pão com bolor”.

— … Isso tá certo? — perguntou Grover, tão confuso quanto eu.

— O que queremos é uma receita de pão mofado?? — questionou Piper.

— O que pão com bolor tem a ver com ferimento? — perguntei, talvez pensando numa confusão diferente.

— Comer pão com bolor era um método antigo de se lidar com infecções. — explicou Kayla.

— Eca. — resmungamos eu, Piper e Lavínia.

— Ah, acho que já ouvi falar disso…. — disse Hazel.

— O mofo do pão é o mesmo usado na penicilina. — Mas isso não é importante agora.

— Não… — respondeu Finn, ainda com o dedo na boca — De toda forma, essa parte é só um disfarce. Quando usarem a chave, falando-a, o que vocês realmente querem vai se revelar.

— Não consegue chupar esse dedo e já nos dar exatamente o que queremos? — perguntou Piper — É mais fácil, não?

— Eu nem consigo ir mais longe que isso. — respondeu Finn — Vocês estão brincando com magia antiga demais, e pela cara escondida lá por deuses… e muito bem escondida. Só usar essa palavra secreta que conseguiram vai exigir muita magia. Espero que tenham o suficiente.

— Quem escondeu lá? — perguntei.

Como não era uma informação que ele parecia ter no momento, Finn se concentrou mais uma vez, chupando o seu próprio dedo. Ele fechou a cara por um segundo, estranhando seja lá o que viu.

— Estranho… Eu também não consigo ver… — explicou ele — No máximo parece que foi uma mulher. Não sei direito em que momento também.

— Espero que seja lá o que está no papiro, seja exatamente o que precisamos realmente e não só uma tentativa… — comentou Annabeth — Não temos certeza disso né?

— Acho que só podemos cruzar os dedos e torcer pelo melhor. — comentou Lavínia — Ou tentar achar outro qualquer coisa.

— Espero que ao menos dessa vez a gente dê sorte então. — comentou Grover.

— Próxima pergunta então… quais são as pirâmides que querem atacar? Todas as que estão nos planos deles. — perguntou Hazel.

Finn voltou a se concentrar com o dedão na boca, mas dessa vez sua cara foi ficando cada vez mais tensa e pálida. Parecia até que queria vomitar. Seja lá o que viu, provavelmente era um dos motivos que fazia ele querer parar de usar o próprio dedão.

— Tanta morte… Hotel Luxor em Las Vegas, a Pirâmide do Sol no México e Caral no Peru… esses vocês ou algum amigo de vocês já estiveram lá né?… — perguntou Finn, claramente desgostoso com sei lá o que seu dedo mágico havia lhe mostrado, provavelmente as mortes.

— Sim. — confirmou Piper.

— Tentaram atacar o Mausoléu do Primeiro Imperador Qin, na China, mas não conseguiram e então resolveram atacar Caral. O que deixou eles momentaneamente sem uma pirâmide na Ásia. — continuou Finn — Também estavam se preparando para atacar a pirâmide do Louvre, mas foram interceptados quando ainda estavam arrumando o exército.

— Até aí nós também sabemos. — falou Piper.

— Ainda não desistiram do Louvre… ao menos que eu saiba. — falou Finn — Não é como se eu pudesse ver o futuro. Mas pra completar as 7 pirâmides que precisam e ter alguma na Ásia, as próximas são o Templo Srirangam, na Índia e o Templo de Borobudur, aqui na Indonésia. Inclusive estão indo pra lá agora. Para os dois.

— QUÊ? — exclamamos todos nós, ao mesmo tempo.

— TEMOS QUE IR PRA LÁ ENTÃO! — exclamou Grover.

— Como vamos ir para dois lugares ao mesmo tempo? — perguntou Hazel, se atropelando nas palavras — Se for que nem foram nos outros, nos dividirmos vai ser loucura.

— Sabe quantos estão indo para as pirâmides? — perguntou Annabeth rapidamente.

— É um exército inteiro. — respondeu Finn.

— Eles nunca atacaram duas ao mesmo tempo! — exclamei.

— Sempre tem uma primeira vez, imagino. — disse Kayla.

— Não tem ninguém mais por essas bandas não? — perguntou Grover.

— Os mais pertos devem ser Nico e os outros, na Turquia. — falou Piper — Longe demais da Índia. Carter estava indo pro Sudão, mas não sabemos se ele sequer chegou no Mar Vermelho já…

— Turquia ainda é muito longe da Índia. — lembrou Kayla.

— O que acho difícil. — completou Grover.

— São 7, qual a última? — perguntou Annabeth, apressadamente.

— A Pirâmide de Gizé. — respondeu Finn, já de olhos abertos, vendo nosso desespero.

— Egito. — concluiu Grover.

— Sim. Eles estão planejando desde o começo que ela seja a última. — explicou Finn.

— Temos que achar um jeito de chegar nesse Templo de Borobudur ao menos! — disse Hazel — Nosso submarino não está mais tão navegável. Ele precisa de um conserto.

— É muito longe daqui? — perguntou Lavínia.

— É na ilha do lado. — explicou Calon.

— Onde está o submarino de vocês? — perguntou Finn — Podemos tentar consertá-lo.

— Vocês não tem um barco? — perguntou Annabeth.

— Não. — respondeu Calon prontamente.

— Temos. — corrigiu Finn, prontamente ganhando um olhar de raiva de Calon.

Eu nem ousei abrir a boca enquanto os dois se encararam. O resto do pessoal também não. Finn suspirou profundamente e então Calon começou a reclamar, xingar… ou assim eu imaginei, pois eu não entendia uma palavra do idioma que ela estava falando. Seja lá que idioma Calon estava falando, claramente Finn falava. Eles ficaram um tempo discutindo, e a gente nem ousava abrir a boca. Sei lá né? A gente queria o barco e nem tínhamos ideia dos rumos que a conversa ia para conseguir ter ideia se o que a gente falasse ia melhorar ou piorar as coisas.

Depois de uma boa discussão, Calon suspirou profundamente, aparentando estar derrotada. Ela cruzou os braços e revirou os olhos. Era impressão minha ou os dois pareciam um casal com anos de casados? Enfim.

— Podemos emprestar o nosso barco para vocês enquanto arrumamos o seu submarino. — respondeu Finn — Quando terminarem seus assuntos no templo, vocês voltam para pegar o submarino e devolver o barco.

— Eu vou me garantir disso. — acrescentou Calon — Vou levar vocês.

— E podem aproveitar para perguntar algo mais quando voltarem. — disse Finn.

— E… se o barco não sobreviver à viagem? — perguntou Grover, com medo.

— Preferencialmente não acabem com meu barco, ok? — perguntou Finn com um sorriso que não pareceu tão amigável quanto ele estava sendo antes.

Todo mundo falava um por cima do outro. Eram tantas perguntas. Iríamos para o Templo de Borobudur? Deixaríamos o templo indiano à própria sorte? Daria templo de pedir pro pessoal em Istambul ir para a Índia? O que nos esperava no Templo de Borobudur? Enfim, era o caos generalizado.

Não tinha como irmos para o Templo de Borobudur na ilha do lado e para a Índia ao mesmo tempo. Só nos restava torcer que ir pra um e depois pro outro fosse tempo o suficiente e conferir se tinha alguém mais perto da Índia do que Nico e os demais, que estavam em Istambul. De toda forma, ir para a Índia parecia impossível. Até alguém conseguir chegar lá era facilmente tarde demais, tal como foi no México. Seria arriscar as nossas vidas à toa.

Foi no completo caos que decidimos pegar emprestado uma das vans de turismo de Finn. Ele iria nos levar até o porto, onde o barco dele estava. Quando estávamos ainda dentro da van, cansados depois de tanta coisa que aconteceu num dia só, especialmente eu que ainda tive que servir de motor de submarino algumas horas antes, uma mensagem de Íris de Will chegou.

— GENTE! — exclamou ele, virando para nós o tablet de Sadie — ESTÃO ATACANDO ALGUMA PIRÂMIDE NA ÍNDIA E NA INDONÉSIA.

— Nós sabemos! — exclamamos todos nós, ao mesmo tempo.

— Ah… — respondeu Will.

— São dois templos. — completou Annabeth, ao meu lado.

— Estamos tentando ir pro templo da Indonésia! — disse Piper, subitamente aparecendo entre mim e Annabeth, se esticando dos assentos da fileira de trás da van — Não tem ninguém pra ir para a Índia. Vocês estão em Istambul ainda né?

— Sim… — respondeu Will — Estamos lidando com o obelisco daqui.

— Sabem por onde Carter está? — perguntei.

— Quase no Canal de Suez. — respondeu Nico, logo ao lado de Will na mensagem de Íris.

— Não vai dar tempo de vocês chegarem na Índia. — opinou Finn, ao volante — Vão chegar tarde demais pra nada.

— Concordo. — disse Hazel — Vamos tentar lidar com o templo daqui do lado e torcer pelo melhor.

— Se tem um exército nos esperando.. mesmo isso parece loucura. — disse Grover enquanto notava que Finn estava novamente chupando o dedo, mas dessa vez com os olhos abertos, e focando na estrada a nossa frente.

— Não vão estar sozinhos lá em Borobodur. — disse Finn — Não são os únicos tentando salvar as coisas por lá.

— Quem está lá? — perguntou Lavínia.

— Semideuses chineses. — respondeu Finn.

— Chineses? Agora fiquei curioso. — falei.

— Foram eles que conseguiram impedir o ataque no Mausoléu do Imperador. — explicou Finn — Conseguiram despistar eles ao atacar aqui na Indonésia e na Índia ao mesmo tempo. O ataque na Índia foi discreto… se disfarçaram de humanos usando raposas.

— Raposas? — perguntou Piper.

— Tipo… — perguntou Will, ouvindo a conversa pela mensagem de Íris — Não é coisa de anime isso? Raposa que se disfarça.

— Sim. — confirmou Finn — Ambos os ataques parecem estar sendo coordenados por deuses japoneses.

— O exército deles também é japonês? — perguntou Lavínia.

— Até onde eu sei, parece bem diverso. — respondeu Finn.

— Vamos ver se conseguimos alguém que consiga chegar rápido na Índia. — falou Will — Mas não prometemos.

— Não mande se for só uma ou duas pessoas. — avisou Annabeth — Quanto mais, melhor. Afinal é bem provável que seja um exército esperando na Índia.

— Pode deixar. — disse Will.

— Tirando as duas, Finn confirmou que a última é a Pirâmide de Gizé. — disse Piper.

— Anotado. — confirmou Will.

— Chegamos. — disse Finn.

Encerramos a mensagem de Íris e descemos da van apressadamente. Estava escuro, mas parecia que ali não era um porto mais turístico e sim mais local. Havia poucas construções, elas pareciam mais locais. Em outra situação, numa versão da vida mais normal, quem sabe seríamos um grupo de amigos curtindo o lugar lindo e paradisíaco que eu ouvi falar que era Bali. Nem mesmo tivemos tempo de admirar tanto, já que a escuridão da noite estava escondendo tudo.

Eu suspirei. Não haveria Bali para aproveitar no futuro se não conseguíssemos impedir todo esse caos. Finn liderou o caminho, nos levando até a lancha dele. Era uma lancha boa. Não muito grande mas também não muito pequena e com uma pequena cabine para descansar.

— Não é um avião, mas é a mais rápida que eu consegui comprar. — explicou Finn enquanto preparava a lancha para sair dali.

Eu comecei a ajudar ele enquanto Annabeth e Hazel se atualizaram com Calon sobre onde exatamente era o templo. Ele claramente não havia sido construído na praia, para nos ajudar a chegar até lá. Ainda teríamos que achar um jeito de chegar até ele, bem no meio da ilha de Java.

— Em algumas horas chegamos na praia mais perto que tiver na ilha. — prometeu Calon enquanto entrava no barco, pronta para pilotá-lo para nós.

— Voltem inteiros. — pediu Finn enquanto entramos.

— Vamos tentar. — prometi, ao entrar no barco.

— Alguma outra pergunta antes de deixarem Bali? — perguntou Finn.

— Quem são as maiores dores de cabeça que teremos no Templo de Borobudur? — perguntou Annabeth, sabiamente tentando se adiantar aos problemas que nos esperavam.

— Susanoo e Amatsu-Mikaboshi. — respondeu Finn, com o dedo na boca ainda — O primeiro o deus das tempestades e do mar, o segundo uma divindade do mal ou da escuridão.

— Não gostei da descrição do segundo. — falei.

— Nem eu. — falou Grover — Mas talvez você possa bater um papo com esse cara do mar, o Susanoo…

— Bater papo ou lutar, dos dois um. — falei — Ou quem sabe até os dois.

— O mar vai estar bem agitado quando estiverem perto. — alertou Finn — Mas tomem muito cuidado com Amatsu-Mikaboshi. Não deixe ele tomar conta da mente de vocês. Ele pode inserir na mente de vocês os mais diversos sentimentos ruins.

— Anotado… — respondeu Grover, com a voz mais fina (e assustada) que o normal.

Entramos na lancha e no quartinho dela, na mesa de centro, Calon já tinha aberto um par de grandes caixas cheia de pacotes de comida. Nada que estrague muito rápido. Água, comida enlatada, barras de cereais e nozes. Pelo o que Calon nos explicou rapidamente antes de ligar o motor do barco, aquele era o kit deles em caso de terem que repentinamente fugir caso a localização de Finn fosse descoberta por alguém desagradável.

— Quantas vezes isso aconteceu? — perguntou Piper enquanto eu fitava pela janela o porto se afastando e Finn acenando em despedida para gente.

— Bali não foi o primeiro lugar que Finn parou. — respondeu Calon.

Depois disso, nada mais falamos, apenas atacamos a comida oferecida. As opções não eram das mais saborosas, mas foram muito bem vindas. Eu comi um pouco, relaxei no banco e fiquei fitando Bali passar pela janelinha do nosso barco enquanto as ondas nos balançavam levemente e Calon dirigia. O único barco se movendo no meio da noite.

Em algum ponto, eu caí no sono. Havia sido um longo dia e sei lá que horas já eram. Só tive uma leve consciência de Annabeth deitando a cabeça no meu ombro, provavelmente caindo no sono também. O sono foi gostoso. Por algumas horas eu esqueci de todos os problemas que nos rodeavam. Como Calon não iria dormir, acho que acreditei que ela nos acordaria quando fosse a hora.

Contudo, mais cedo do que Calon planejava provavelmente, eu fui despertado de repente por um movimento brusco. barco balançou violentamente, e meu corpo quase foi jogado para fora do assento. Annabeth também se mexeu, despertando com um sobressalto, os olhos arregalados de surpresa.

— Tudo bem? — perguntei.

— Tudo. — respondeu ela.

Ao nosso redor, os outros estavam do mesmo jeito. Grover já olhava para o lado de fora, preocupado. Mas não era preciso olhar pra fora, o barco estava claramente balançando bem mais do que quando havíamos deixado Bali para trás. O mar, que antes estava calmo, agora parecia irado. Ondas altas se erguiam ao nosso redor, como gigantescas mãos de água tentando nos agarrar. O vento começou a uivar, chicoteando contra o barco.

— Estamos chegando. — avisou Calon.

— Notamos. — respondeu Piper, se agarrando em onde dava.

— Se segurem! — gritou Calon, lutando contra o leme.

— PERCY! FAZ ALGUMA COISA! — gritou Grover.

Nenhum dos dois precisavam pedir aquilo. Os outros continuaram sentados, se segurando onde e como era possível. Eu me levantei, tentando me segurar como dava também e um relâmpago iluminou o céu noturno. Tentar lutar contra as ondas para fazer elas se comportarem era mais complicado do que deixá-las descontroladas de propósito. Tentar ajudar ao barco era como travar um cabo de guerra contra as ondas, que eu não duvidava que o tal Susanoo estava controlando.

O barco balançava tanto que eu não tinha mais certeza se estávamos indo mais pra frente ou mais pros lados. Numa tentativa de tentar deixar meu trabalho mais fácil, decidi ir para o lado de fora. Talvez fosse mais fácil prever o movimento das ondas se eu estivesse de fato as vendo, ao invés de só tentar fazer o que eu podia dentro da cabine de lancha. Fui até a portinha, a abri e uma chuvarada bateu na minha cara.

O vento estava forte e tentava me empurrar para dentro da cabine novamente enquanto a molhava todo. O pessoal não pareceu gostar, mas insisti contra o vento e fui para o lado de fora. Antes que eu conseguisse fechar a porta, Annabeth saiu também.

— VOLTA LÁ PRA DENTRO! — gritei, tentando deixar minha voz mais alta que o barulho da chuva, das ondas e do vento.

— SE AMARRA EM ALGUMA COISA PRA NÃO SER JOGADO PRA FORA DO BARCO! — respondeu ela de volta.

Do jeito que dava, Annabeth e eu pegamos uma corda que estava largada lá pela lancha e amarramos ao redor de mim e em uma parte mais firme do barco. Pode parecer simples falando só assim, mas o barco balançava tanto, e nos jogava pra tantos os lados, que fazer isso foi algo extremamente difícil. E toda a água da chuva e das ondas entrando no barco não ajudava em nada.

— AGORA VAI LÁ PRA DENTRO, POR FAVOR! — gritei quando eu estava firme o suficiente.

Annabeth me deu um beijo apressado e bem molhado, tal como estávamos até o último fio de cabelo, e entrou na cabine novamente. Respirei fundo por um segundo e voltei ao cabo de guerra contra as ondas do mar. Agora que conseguia as ver, ficava melhor pra tentar deixar o barco mais estável. Eu estava rapidamente ficando exausto, mas o importante era que o barco tinha começado a sacudir menos, ir para frente em direção ao nosso destino e eu estava firme, preso ao barco.

Por um segundo, pensei que tudo ia realmente dar certo. Talvez esse foi o meu erro, pois logo uma onda gigantesca se formou numa velocidade que não fazia o menor sentido, e virou o barco. O barco virou completamente de ponta a cabeça. Eu entrei no mar junto com ele e tive certeza, por algum motivo, que Susanoo havia mandado aquela onda especificamente para nós. Dificilmente era surpresa que estávamos ali. Mas eu tinha problemas maiores no momento. O barco inteiro estava embaixo d’água, a água salgada entrava na cabine, empurrando a porta aberta com força.

Eu tinha que impedir o pessoal de morrer afogado.

Notas finais
até o prox cap!