Os Descendentes
37 How long must this go on?
Notas iniciais
Sasuke observou Sakura ao longe, sentada ao lado da árvore em frente ao lago, aquele havia se tornado o local favorito dela pra ficar sozinha ao que parecia. Se lembrou dela lhe contar sobre a gruta escondida na praia da ilha, o local para onde ela ia quando brigava com a mãe, será que ela sentia falta da ilha? Esperava que não. Mas olhar para o lago deveria ser como olhar para o mar talvez...
Ali ao lado da árvore ela ficava visível para quem pudesse ver, mas como ela era filha da Malévola duvidava que algum aluno tivesse coragem de se aproximar dela.
O príncipe suspirou pensando nos outros alunos. Karin realmente estava conseguindo reunir os alunos da academia para que ficassem contra os jovens da ilha. Isso estava começando a preocupar Sasuke cada dia mais. A coroação estava perto de acontecer, se Karin decidisse agir antes dela... A coroação podia até mesmo ser cancelada se aqueles que ela juntou se reunissem e concordassem com isso. Eles eram o seu povo afinal.
Ainda tinha Sakura... Por que ela lhe dera um cookie enfeitiçado? Pelos seus cálculos haviam sido quatro: o seu, os dos professores Rin e Obito, e o que Izumi entregou ao seu irmão. Será que ela havia feito mais? Não poderia confrontá-la assim, sem mais nem menos antes de saber a real intenção dela.
No dia anterior, antes da primeira aula de natação de Sakura, ele havia se encarregado de levar a água encantada da cachoeira e colocar na sala dos professores para que os mesmos a bebessem. Tinha funcionado, os professores Obito e Rin não estavam mais encantados um pelo outro, mas não imaginava que seria uma dor de cabeça tão grande. Os boatos de que o professor Obito era apaixonado pela professora Rin eram verdadeiros. O coitado estava arrasado, a poção do amor só havia aumentado isso. A professora Rin, ao que parecia, estava em choque ainda.
Se recordou de Sakura dizer a Ino anteriormente que, por mais que os dois estivessem felizes encantados do jeito que estavam, aquilo não era de verdade. Entendeu o que ela quis dizer agora. A verdade era uma coisa que doía.
Se lembrou de quando estava nadando na cachoeira e sentiu de repente como se um véu saísse de sua cabeça, se dando conta de que suas atitudes para com Sakura estavam equivocadas e exageradas. Tinha ficado desnorteado e olhou para Sakura no mesmo momento, ela estava preocupada lhe procurando e pulou na água atrás de si sem nem pensar duas vezes, sequer se lembrando de que não sabia nadar.
Naquele momento ele podia estar só encantado por Sakura. Mas agora...
Sasuke estava apaixonado por ela, a amava... Não sabia exatamente como e nem quando aconteceu, talvez desde o momento em que a conhecera. Aquilo não era problema. O que doía... era que talvez ela não sentisse o mesmo por si.
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Sakura estava pensativa. Não sabia o que fazer. A poção realmente havia sido desfeita nos professores, alguém a desfez, como? Ela não sabia e isso a preocupava. A coroação estava a menos de duas semanas para acontecer e havia alguém que sabia o que ela andava fazendo, muito provavelmente era a Fada Madrinha, mas por que a Fada não lhe confrontava de uma vez? Será que ela queria que Sakura tomasse a iniciativa? Estava lhe dando essa chance antes que fosse tarde?
A filha da Malévola sabia que dos seus feitiços a Fada Madrinha tinha conhecimento, mas a poção? Como ela poderia saber?
Estava tão distraída que nem percebeu a aproximação de Sasuke.
— Que susto – se virou quando o sentiu se sentar ao seu lado.
— Está distraída, por isso não me percebeu chegando – ele sorriu, mas desfez o sorriso quando o rosto dela. – Algum problema? Parece preocupada.
— Nada – ela voltou a olhar o lago. – Só estou com a cabeça cheia.
Sasuke a abraçou e segurou o queixo dela com uma das mãos, aproximando o rosto do dela. Sakura percebeu a intenção do beijo e se afastou rapidamente.
— O que está fazendo? – ela perguntou assustada.
— Tentando beijar a minha namorada? – ele ironizou se aproximando de novo.
— Não – ela negou se afastando dele. – Eu não estou no clima – disse tentando amenizar.
— Tudo bem – ele se afastou. – Acho que a gente devia ir para a cachoeira novamente esse fim de semana, tentar relaxar, sabe?
Sakura não respondeu. Seja lá quem fosse que estava sabendo dos seus feitiços e poções, muito provavelmente só estava esperando para pegar Sasuke. Ele lhe odiaria quando enfim o encantamento fosse desfeito.
Não sabia se estava preparada para a fúria do príncipe.
— Eu vou para ao meu quarto, dormir – disse sem aceitar o convite.
— Faz isso – concordou ele. – Eu te acompanho. Também preciso dormir, afinal.
Sasuke pegou a mão dela e a guiou em direção aos dormitórios. Alguns poucos alunos ainda estavam por ali e todos eles, sem exceção, encararam os dois de mãos dadas.
— Descansa, está bem? – ele se despediu dela na escada que dava para o dormitório feminino com um beijo em sua testa.
— Descansa você também – ela desejou a ele.
— Boa noite – ele disse antes dela virar no corredor.
Sakura não respondeu.
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No dia seguinte... Aula de artes...
Sakura estava distraída com os seus pensamentos. Pintava o quadro pedido pelo professor Guy, o Chapeleiro Maluco, sem prestar muita atenção ao que colocava na tela.
Tinha tido um sonho um tanto quanto estranho. Ela andava por uma floresta escura com criaturas que ela nunca havia visto em toda a sua vida, muitas delas lhe pediam ajuda pelo caminho. Algumas dessas criaturas pareciam mais desesperadas do que outras e lhe pediam socorro. Sakura sentia tudo ali muito vivo e frágil, era como se todo aquele local clamasse por ela. Se assustou quando um fogo querendo consumir a floresta se fez surgir de repente e acordou com a sensação de que deveria fazer alguma coisa.
Mas o que será que significava aquilo?
Tinha tido sonhos parecidos no passado, quando ainda estava na ilha, acordava assustada e sua mãe aparecia no quarto lhe perguntando o que havia acontecido. Mas quando contava a ela tudo o que a mãe respondia era que um dia entenderia, um dia quando saísse da ilha.
— Que interessante – a voz do professor se fez presente ao seu lado. – Faz tempo que você não colocava algo de verdade em uma tela.
Sakura se virou assustada para ele. O professor estava muito perto e analisando seu quadro. A filha da Malévola olhou ao redor para ver se mais alguém estava prestando atenção em si ou em sua obra, mas a sala já estava vazia.
Por quanto tempo tinha ficado presa em seus próprios pensamentos sem nem perceber?
— Você ainda está confusa e com muito medo – analisou o professor com uma mão no queixo.
— O que você vê aí... – ela começou a dizer temerosa. – Vai contar para alguém?
— Não – sorriu o professor de maneira gentil. – O que acontece na minha sala de aula fica na minha sala de aula, até porque os demais não são de entender muito bem a arte – o Chapeleiro arrastou um banco para perto de si. – Mas se me permite uma análise mais sucinta... – Sakura concordou. – Você vai enfrentar grandes provações em breve.
— Você vê o futuro, por um acaso? – ela ficou intrigada.
— O seu quadro mostra apenas pedaços do que a sua mente enfrenta – ele deu de ombros. – Os mesmos medos do passado, as coisas que você fez até aqui e seus sonhos que mostram... eu não sei exatamente o que – ele franziu a testa. – Mas a linha desse caminho que está trilhando... está chegando ao fim, é o que me parece. Você vai ter decisões a se tomar, mas afinal quem não tem decisões a tomar? – ele se levantou. – Não se esqueça apenas que são as nossas decisões que acarretam o nosso futuro.
— Obrigada – ela agradeceu indo até a janela e deixando seu quadro de costas inclinado na parede, assim ninguém o veria e não borraria muito.
— Se me permite mais uma análise – o professor chamou a sua atenção antes que ela saísse da sala. – Eu conheci seus pais – Sakura sentiu seu corpo travar. – E por mais que você seja parecida com eles, eu não vejo em você a maldade que eles têm. A sua mãe já seguiu o caminho dela, é tarde demais para ela voltar; já seu pai... eu não vejo como ele possa mudar, ele vai continuar sendo quem é independente do que aconteça. Com você não precisa ser assim.
— Sakura? – Ino havia voltado atrás dela. – Você vai se atrasar para a educação física – avisou a amiga já trocada.
— Estou indo – disse a ela. – Obrigada mais uma vez, professor – agradeceu a ele.
— É sempre bem-vinda a minha sala – ele ergueu o chapéu em um cumprimento. – E para conversar comigo sempre que desejar.
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— Tudo bem? – Naruto perguntou baixinho para Hinata.
— Tudo sim, obrigada – ela respondeu.
— Quer fazer dupla comigo? – ele perguntou empolgado.
— Pode ser – ela concordou feliz pelo convite. Na maioria das vezes acabava como par de Karin e a garota não era nada fácil de lidar.
Em outro canto da quadra Kankuro se aproximou de Kiba.
— E aí, que fazer dupla comigo? – o filho do Aladdin e da Jasmine perguntou.
Kiba estranhou a aproximação do garoto.
— Não vai fazer dupla com o seu irmão? – questionou confuso.
— Parece que ele já tem uma dupla – apontou para o irmão ao lado de uma garota, ele parecia estar dando em cima da garota já que a mesma soltava risadinhas.
Kiba olhou para Shikamaru, ele parecia que ia fazer dupla com a namorada, Temari.
— Pode ser – Kiba deu de ombros. Ainda ficava nervoso na presença do garoto.
O professor Kakashi era o único na quadra quando as filhas das vilãs chegaram. Nem sinal do professor Obito. Ele explicava os exercícios que fariam naquele dia quando foi interrompido pela chegada das duas.
— Estão atrasadas – avisou ele.
Ino ia se desculpar, mas Sakura se antecipou.
— Peço desculpas – pediu humildemente. – Eu estava falando com o professor Guy, a Ino ficou me esperando.
— Tudo bem – Kakashi acenou. – Vocês duas vão ser uma dupla então – ele apontou para que elas fossem para a quadra.
Sakura e Ino foram para perto de Kiba e Shikamaru.
— Quero que façam os exercícios de confiança no parceiro. Um será levantado nas costas pelo outro. Desse jeito – apontou para Sasuke e Sai que estavam de costas um para o outro, mas tinham os braços entrelaçados pelas costas. Eles demonstraram o exercício e Sakura entendeu.
E assim se seguiu a aula... Até o professor Jiraya praticamente invadir a quadra atrás de Kakashi.
— O que é isso? Está acontecendo algum ataque? – Kakashi perguntou para ele.
— Você precisa vir agora – Jiraya respondeu ofegante.
— O que aconteceu? – Kakashi o seguiu prontamente.
— O Obito enlouqueceu! – gritou Jiraya correndo para fora da quadra.
Aquilo chamou a atenção dos alunos que decidiram seguir os dois professores. Sakura e os amigos não ficaram para trás. Só pararam quando os dois professores pararam.
— Desce daí Obito! – reclamava Asuma.
O professor Obito estava no ponto mais alto da torre mais alta da Academia. Como é que ele havia conseguido subir ali?
— Pelas terras dos contos de fadas – a professora Rin havia acabado de chegar ao local e ofegou com a mão no peito, bem em cima do coração.
Aquela altura todos os alunos da Academia estavam no local presenciando o “espetáculo”.
— Obito! – chamou Kakashi horrorizado. – Desce daí!
— Eu vou descer! – gritou ele lá de cima. – Mas antes eu preciso dizer a Rin, perante a todos! – Sakura se virou para os amigos assustada. – Que eu te amo há muito tempo, desde que éramos apenas crianças!
— Nossa, que vergonha – riu um dos alunos em algum lugar no meio da multidão de alunos.
— Vergonha nada – discordou uma aluna. – É romântico.
— Cadê a Tsunade? – perguntou Asuma.
— Ela não está na Academia – respondeu a professora Kurenai. – A presença dela foi solicitada na corte do reino das fadas e ela teve que partir ontem mesmo.
— Só ela para resolver isso – o professor Asuma cruzou os braços.
Sakura então entendeu o porquê da Fada sempre parecer cansada quando se encontravam, ela vivia tendo que resolver pendências de um lado para outro sem descansar.
— Desce logo daí Obito! – Kakashi gritou novamente.
Obito parecia finalmente ouvir a voz da razão e começou a descer a torre, todos estavam em polvorosa e os burburinhos rolavam soltos.
— Voltem para as suas salas agora mesmo! – ordenou o professor Jiraya. – Vamos ter que estender o horário das aulas de hoje devido a esse pequeno incidente.
Os alunos reclamaram, mas ninguém falou mais alto do que a professora Rin:
— Não! – gritou olhando para cima.
O professor Obito estava pendurado num momento, mas no outro... estava em queda livre. Gritos e choros dos alunos se misturaram ao pavor de ver o professor cair do céu direto...
Sakura então percebeu com horror.
“Ele vai morrer.”
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