Notas iniciais
Olá crianças! Mil desculpas pela demora, semana mega agitada! Vamos ao penúltimo capítulo! Boa leitura :) E ah, curte minhas maluquices por aqui? Confira minha nova fic Quinntana "Revenge is everything" http://fanfiction.com.br/historia/341597/Revenge_is_everything

Algumas vezes na vida nós passamos por conflitos internos, lutas contra nós mesmos, muitas vezes movidos por orgulho próprio. Sem dúvida o despertar da adolescência faz parte destes entraves pessoais, com ela chegam as infinitas perguntas e novas descobertas. No entanto, quando se diz respeito à sexualidade, muitas pessoas não seguem seus pensamentos, e sim, um fluxo quase que ditado pela maioria das famílias. Quem imaginaria que Quinn Fabray, presidente do clube de celibato, líder de torcida, parte de uma tradicional instituição familiar iria ter experiências homossexuais? Sim, o turbilhão destes pensamentos e incontáveis outros assombravam a cabeça de Santana desde que Quinn disse aquelas poucas palavras: ‘eu fiquei com uma garota’. Será aquela afirmação tão impossível assim? Será que em nenhum momento Santana cogitou que a Cheerio exemplar poderia sair dos padrões determinados pela sociedade? Talvez fosse tarde demais para a morena ficar travando uma batalha interna com aquelas hipóteses. O fato era que Quinn estava a sua frente, disposta a contar uma suposta – ou até mesmo real – experiência.

- “Como é? Lésbica? Não viaja Santana! Eu apenas disse que fiquei com uma garota!” – falou Quinn sem acreditar na última afirmação da latina.

- “E ficar com uma garota é ser o que mesmo hein? Ahh mil perdões, esqueci que você vive na terra do nunca! Ou será Nárnia? Agora fiquei em dúvida!” – disse a morena dissimulando as palavras, a verdade é que ela era um misto de raiva e surpresa. Porém, este último sentimento não queria expor assim tão rápido, era mais fácil vestir sua costumeira armadura contra verdades.

- “Você é uma idiota sabia? Já me arrependi de ter vindo aqui, pensei que você poderia me ajudar! Vou indo embora...” – Quinn chateada já estava se virando para ir embora quando sentiu apenas uma mão puxando o seu braço.

- “Não.. espera! Eu sei que as vezes eu sou assim estúpida, apenas desconsidere! Vem, vamos conversar..” – Santana puxou a loira para entrar em casa.

As duas garotas se acomodaram no sofá da sala, Quinn parecia estar um pouco nervosa, não era de seu feitio estar se expondo daquela maneira, mesmo que fosse para sua amiga de longa data. A verdade era que a loira estava em pânico, não sabia como agir naquele novo mundo, tudo era tão desconhecido e por isso resolveu pedir ajuda de Santana. Quinn precisava ser desarmada como uma bomba relógio, seus instintos sempre a protegeram de diversas situações do cotidiano, sempre soube se defender de tudo, sabia muito bem o que deveria ou não fazer. Entretanto, o universo de descobertas que surgiram quando ela foi para Yale foram suficientes para liberar a válvula que prendia dentro de si mesma. Novas amizades, novos círculos de conversa e outras visões de mundo: Quinn Fabray não era mais a mesma de alguns anos.

- “Bom Q, eu não posso deixar de ficar um pouco surpresa, mas.. como aconteceu? O que te fez mudar de ideia?” – perguntou Santana com um olhar confortador.

- “Eu não sei, Santana! Eu sempre gostei de garotos, não é a toa que eu lutei tanto tempo pra ficar com o Finn, você sabe disso! Mas, depois que eu fui pra Yale as coisas mudaram um pouco. A minha colega de quarto, aquela que comentei outro dia com você por telefone.. a Hanna, ela é um pouco maluquinha e sempre me dizia uma história que ‘rezava pras duas igrejas’, eu nunca entendi muito bem porque ela dizia aquilo até o dia que eu soube o que realmente significava. Eu não sou uma pessoa preconceituosa, mas não pude deixar de ficar um pouco pé atrás com ela.” – Quinn explicava tudo calmamente.

- “Seeeei como é, mas e aí.. o que aconteceu?” – perguntou Santana já interessada na história.

- “Aí aos poucos eu meio que fui diluindo aquela informação! Um dia nós fomos pra uma balada de Yale e você sabe como eu sou fraca com bebida, mas eu queria mostrar a todos que eu não sou mais uma adolescente, por isso tomei vários drinks e fiquei bêbada. A Hanna também ficou embriagada, menos que eu, claro. Quando nós chegamos ao quarto simplesmente eu disse que gostaria de experimentar como era com uma garota, eu acho que aquilo já estava na minha mente há um bom tempo sei lá, mas eu apenas não queria exteriorizar. Enfim, a Hanna e eu transamos!” – disse a loira um pouco envergonhada.

- “Espera aí, Fabray.. você o que? Transou com a menina? Eu pensava que você tinha apenas beijado!” – Santana estava sem acreditar no que Quinn havia dito.

- “Tudo não passou de uma noite! Eu estava bêbada, ela também, nós estávamos afim e rolou, ponto final. Só que...” – Quinn olhou para o chão tentando desviar dos olhares acusadores da amiga.

- “Que..???” – a latina gesticulava as mãos ansiosa para que a loira continuasse a história.

- “O problema é que eu gostei de transar com uma garota, somente!” – Quinn ostentou sua pose superior como quem estivesse dizendo a coisa mais simples do mundo.

- “Caralho Fabray! ‘Somente’? Você vem aqui me contar que ficou com uma garota, eu descubro que vocês fizeram sexo e agora que você gostou e quer mais? Ta de onda com a minha cara né? Cadê as câmeras? Pronto pessoal, já sei que vocês estão filmando a minha cara de idiota, já podem sair...” – Santana se levantou procurando por alguém como se estivesse sendo vítima de uma pegadinha. Ela não conseguia acreditar naquela avalanche de informações.

- “Deixa de ser infantil, Santana! Eu estou aqui com um problema sério!” – Quinn pegou no braço da latina para que ela pudesse sentar novamente no sofá.

- “Olha, você provou, aprovou e quer mais, certo? Então, larga essa sua pose de santa imaculada e se joga na vida, Fabray! Pronto, problema resolvido!” – Santana deu um grande sorriso.

- “Se o problema fosse esse talvez eu não tivesse vindo até aqui! Tem mais...” – Quinn lançou um olhar cúmplice para a morena, como se a pior parte da história estivesse prestes a vir.

- “Mais? Não.. hoje eu nem vou dormir de tanta surpresa, credo! Vai logo.. conta!” – disse a morena.

- “Bom, eu não sei como explicar isso, mas desde que entramos para o Glee Club eu tenho atração por uma pessoa, um desejo físico digamos.. as vezes eu me martirizava por me pegar olhando para suas pernas, sua cintura, seios.. e agora eu sinto como se precisasse tê-la pra mim..” – Quinn sentia-se envergonhada de estar revelando aquilo para a amiga.

- “Bem pedreirinha você hein Fabray? Mas, não venha me dizer que você ficava olhando para a Britt, porque se for...” – falou Santana se exaltando.

- “A Britt? Não! Cala a boca, Santana! Me deixa terminar! Nos últimos meses eu venho me aproximado muito dessa pessoa, sempre conversamos por telefone e agora tenho certeza que estou afim dela... é a Rachel” – Quinn levantou o olhar para encarar a amiga.

- “Queeem? A Berry? Você esta ficando doida?” – Santana deu praticamente um berro impressionada com aquela revelação. Porém, antes que Quinn pudesse responder, as duas garotas ouviram os passos de Brittany descendo as escadas.

- “Eu já sabia, Q! Soube desde o primeiro dia que entramos naquela sala do coral. Você sempre gostou da Rachel. Seu olhar nunca negou isso!” – falou Brittany descendo calmamente os degraus para ir encontro às meninas.

- “Você estava aí ouvindo tudo, Britt?” – perguntou a latina.

- “Desculpa amor! É que eu estava me arrumando para ir embora quando passei próximo a escada e ouvi algo sobre ‘ficar com uma garota’. Desculpa mesmo, Q.. eu não queria invadir sua privacidade” – Brittany tocou os ombros de Quinn e deu-lhe um sorriso fraco.

- “Tudo bem, B.. eu só estou me sentindo muito sozinha, estou muito confusa e...” – Quinn foi interrompida por um abraço forte da amiga.

- “Shhh.. precisa explicar nada não! A gente não escolhe quem gosta, apenas acontece! E eu tenho certeza que a Rachel também sente o mesmo, ela apenas ainda não caiu na real pra isso..” – disse Brittany agora se desfazendo do abraço para encarar os olhos da outra loira.

- “Sério? Como você sabe disso, amor?” – indagou Santana ao mesmo tempo em que Quinn encarou a jovem com um fio de esperança no olhar.

- “Eu apenas sei. É estranho, mas sempre senti uma conexão entre as duas, não era normal todo aquele ódio. Sem falar que não era só a Quinn que ficava encarando alguém em segredo.. eu já vi a Rachel com uns olhares bem comprometedores também!” – Brittany sorriu sozinha ao se lembrar do último ano de escola quando Quinn voltou a usar o uniforme das líderes de torcida e flagrou Rachel praticamente devorando sua pele de forma nada discreta.

- “Ok, ok, ok! É muita informação! Então, o que você pretende fazer agora Quinn?” – perguntou a morena.

- “E-eu não sei.. não faço a menor ideia..” – Quinn respondeu sem conseguir sequer encarar as duas garotas a sua frente. O breve silêncio pairou no lugar que apenas foi interrompido por três pequenas palavras proferidas por Brittany, mas que significavam praticamente um ultimato para os conflitos internos de Quinn.

- “Vai atrás dela!” – Brittany levantou o queixo da amiga para que pudesse encará-la. – “Conversa com ela, procura saber se ela também sente isso.. melhor do que ficar aqui na dúvida. O máximo que pode acontecer é ela passar algum tempinho afastada, mas do jeito que eu conheço a Rachel, ela vai entender o seu lado, por mais que não possa retribuir o sentimento. Você ainda tem aquela passagem para Nova Iorque?” – a loira perguntou para amiga e recebeu um aceno positivo com a cabeça. – “Então, não deixa as coisas para depois, Q.. resolve isso logo!” – terminou Brittany abraçando mais uma vez a amiga e Santana se juntou a elas.

Por incrível que pareça Quinn havia encontrado refúgio na conversa com as amigas, seus olhares confusos agora davam lugar a determinação e coragem. Talvez não fosse tão má ideia assim ir até Nova Iorque encontrar com Rachel, encará-la nos olhos e buscar algumas respostas. A verdade é que Quinn sempre teve algum sentimento pela baixinha que não sabia como explicar, sequer para si mesma. Todavia, o rumo daquela história não permeava mais as dúvidas, e sim certezas de que seu coração finalmente estava prestes a se libertar do grande abismo que ficou aprisionando por tanto tempo. Encontrar Rachel e expor seus sentimentos não era mais uma hipótese a ser cogitada, e sim a certeza de que todo o peso que carregou nas costas enfim estava sendo despachado para bem longe. Ela precisava apenas voltar para Yale para alguns compromissos, dessa maneira estando livre para ir até Nova Iorque. Quinn soltou-se do abraço das amigas e agradeceu por todos os conselhos dados, todas as palavras de apoio, até os momentos inusitados da latina. Despediram-se, continuando apenas Brittany na casa de Santana.

- “Amor.. sabia que você é perfeita?” – a morena enroscou a cintura de Brittany por trás beijando-lhe um dos ombros claros.

- “Aii San, para! Você que é a melhor namorada do mundo e eu tenho sou a garota mais sortuda de todos os tempos!” – a loira se virou sorrindo e depositou um selinho nos lábios de Santana.

- “Como é possível eu te amar cada vez mais?” – disse Santana encarando o rosto da loira. Com uma de suas mãos afastava alguns fios claros de cabelo que estavam em sua testa sem desconectar o olhar cúmplice. Brittany sabia que a sua frente estava o amor de sua vida, por quem sofreu tanto, mas ao mesmo tempo não conseguia permitir-se ficar longe dela sequer por um minuto. Beijou-lhe de forma calma, um leve roçar de lábios que traduziam todos os sentimentos que as envolveram durante todo esse tempo. Santana afundava seus dedos por trás da nunca de Brittany, aproximando mais os dois corpos já quentes, moldavam-se um ao outro como se fossem duas partes, que juntas formavam um só sentimento.

Notas finais
Gostaram da revelação da Quinn? Prometo não demorar para postar o último capítulo, porém, para o desfecho da história preciso saber se vocês querem uma 2ª temporada. Deixem suas opiniões! Beijos