Os Desafios da Distância

14 “If I Can’t Have You”


Notas iniciais
Today is gleeday, guys! Post duplo p/ vocês. Boa leitura :))

Os campos verdes passavam na janela do trem, eram quase intermináveis, por vezes tinham pequenas casas que exibiam famílias interioranas. As aves voavam livremente longe do barulho e do caos urbano. Já era quase noite quando o trem que a latina estava chegou à estação de Lima. Dessa vez não havia nenhum familiar para buscar Santana, mas também era compreensível devido sua visita tão inesperada. Seu pai era um médico renomado da cidade, trabalhava demais e mal tinha tempo para lazer. Já a mãe da morena sempre estava ocupada em eventos beneficentes, chá na casa das amigas ou compras no shopping. A latina de certa forma estava acostumada com a ausência dos pais.

Santana pegou todos os seus pertences no trem certificando-se que não estava deixando nada para trás e buscou o ponto de taxi mais próximo. Ao chegar em casa já era por volta das 19:15h, deitou-se um pouco na cama de seu quarto, estava com saudade daquele aconchego tão familiar de suas almofadas. Estava cansada, havia sido um dia intenso e ao mesmo tempo revelador. Quem diria que por conta da briga que teve com Katherine no treino a latina estaria de volta a sua cidade, era muita felicidade para somente uma Santana. Pegou seu celular e decidiu ligar para Samara e explicar toda a situação que passou.

(Santana): “Alô, tudo bem Sammy?”

(Samara): “Oi Santana, tudo bem sim e você? Já chegou em Lima?”

(Santana): “Cheguei sim, esta tudo ótimo por aqui. Então, não te expliquei direito. O Finn, aquela orca que comentei com você que era do glee club, ele me pediu ajuda para um problema que estava rolando com o musical. Então, como eu estava sem fazer nada mesmo decidi dar uma passadinha por aqui”.

(Samara): “Ahhh legal, San! Pelo menos você não vai ter que ficar uma semana inteira de bobeira. Você já avisou a Brittany que esta aí?”.

(Santana): “Avisei sim! E você não sabe da maior, amiga: ela me chamou de “amor”! Sério, estou muito confusa, não sei mais o que fazer”.

(Samara): “Sério que ela te chamou de “amor”? Mas será que ela ainda pensa que vocês estão namorando?”

(Santana): “Não sei, às vezes a Britt se enrola demais com as coisas, mas devo conversar com ela”.

(Samara): “Mas você quer voltar com ela?”

(Santana): “Não! Eu sinto muito a falta dela, muito mesmo! Mas eu sei que não é melhor para nós nesse momento, sabe? Como te falei naquele dia! Vou me encontrar com ela daqui a pouco, vamos jantar. Vou ver como vai ser a reação dela”.

(Samara): “Entendo. Então, se eu pudesse te dar um conselho falaria para você não voltar com ela. Você sabe de tudo que vocês vão enfrentar enquanto tiverem longe uma da outra. E porra, San! Aguenta mais um pouco, você mesma disse que ano que vem ela vem para Lousville.”

(Santana): “Eu sei, amiga! Realmente estou decidida a manter nosso relacionamento assim, mas sei também que vai ser complicado olhar para a minha loirinha e me segurar, entende?”

(Samara): “Claro que entendo! Quando a gente ama é assim mesmo, bate um desespero quando não conseguimos aquilo que queremos, e a gente fica rindo feito bobo quando nosso amor é correspondido. Apenas paciência, ok San?”

(Santana): “Já disse que te adoro hoje? Acho que sim, mas digo outra vez: te adoro, amiga! Bom, agora tenho que desligar porque já esta quase na hora de me encontrar com a Britt”.

(Samara): “Vai lá, amiga! Depois me conta tudo, ok? Beijo”.

A latina desligou o telefone, olhou para o relógio e viu que já estava atrasada. Tomou coragem e levantou da cama para ir tomar banho. Entrou no box, ligou o chuveiro e começou a cantarolar “If I Can’t Have You” que havia cantado para Brittany no último ano, apesar de muitas vezes já ter cantado aquela música sem sequer um público, apenas para exteriorizar seus sentimentos até então ocultos por sua Britt.

Don't know why

(Não sei porquê)

I'm survivin' every lonely day

(Estou vivendo cada dia solitário)

When there's got to be no chance for me

(Quando não tem nenhuma chance de ser para mim)

My life would end

(A minha vida acabaria)

And it doesn't matter how I cry

(E não importa o quanto eu chore)

My tears, so far, are a waste of time

(Minhas lágrimas, até agora, são um desperdício de tempo)

If I turn away

(Se eu afastei)

Am I strong enough to see it through?

(Sou forte o suficiente para vê-lo passar?)

Go crazy is what I will do

(Ir louco é o que eu farei)

Santana pegava o recipiente de shampoo para servir como microfone no momento. Cantava com tanta intensidade e emoção que parecia que tinha voltado no tempo, para aquele dia que estava na sala no glee club se declarando mais uma vez para sua Brittany. Lembrava bem de como a loira estava com os olhos brilhando, radiante, encantada com as palavras que Santana proferia naquela canção.

If I can't have you

(Se eu não posso ter você)

I don't want nobody, baby

(Eu não quero ninguém, querida)

If I can't have you

(Se eu não posso ter você)

If I can't have you

(Se eu não posso ter você)

I don't want nobody, baby

(Eu não quero ninguém, querida)

If I can't have you

(Se eu não posso ter você)

Santana já estava quase se encaminhando para a segunda parte da música quando escutou sua mãe chamando pelo seu nome na porta do banheiro.

- “Hija, hija! Esta ouvindo, Santana? Cheguei em casa, mi amore!” – disse a mãe da latina.

- “Oii madrecita! Já estou quase saindo do banho” – respondeu Santana. Finalizou seu banho sem cantar, passou seu hidratante no corpo — aquele que Brittany amava o cheiro — pois queria impressionar a loira. Trocou de roupa e desceu para falar com a mãe.

- “Madrecita que saudade! Vem cá me dar um abraço” – Santana sorria e abria os braços para receber sua mãe.

- “Oi hija, também senti sua falta! Que animação no chuveiro hein, parece que viu passarinho verde” – a mãe de Santana sorriu deixando os braços da filha.

- “É, não vi passarinho verde, pelo menos ainda. Vou me arrumar para jantar com a Brittany” – a latina corou.

- “É mesmo hija? E vocês voltaram? Fico feliz com isso”.

- “No madrecita, não voltamos. Mas ainda somos amigas. Bom, vou me arrumar porque já estou atrasada.” – Santana beijou a testa da mãe e voltou para o quarto. Aquela senhora sabia que a filha sempre amou muito Brittany e em breve elas iriam resolver todo aquele problema.

Santana entrou no quarto e ficou em pé em frente ao seu closet por um bom tempo, não tinha a menor ideia do que vestir, queria impressionar Brittany, mas também não precisava de uma roupa ‘para matar’. Ficou em dúvida entre sua coleção de pretinhos básicos e botas de couro ou uma saia preta de cintura alta, blusa verde levemente decotada e o seu salto Gucci. Precisava ser rápida, pois já eram 20h e ela estava totalmente desarrumada. Optou pela segunda opção de roupas, fez uma maquiagem simples, mas que destacava bem seus olhos castanhos. Arrumou o cabelo e saiu para pegar o carro na garagem. Já eram quase 20:20h quando Brittany mandou um sms:Já estou aqui no Breadstix, San. A mesa de sempre”. Santana abriu um pequeno sorriso e respondeu que estava a caminho. Deu partida no carro e seguiu para seu jantar com a loira.