Os Desafios da Distância
31 Coincidências até demais...
Notas iniciais
Segunda-feira – Primeiro dia
Santana acordou as 10h da manhã um pouco desnorteada, aquela ‘rotina’ de desocupada estava a irritando profundamente. Por mais que não gostasse da faculdade, ao menos as obrigações do dia a dia a deixava afastada dos pensamentos sobre Brittany. Decidiu que talvez devesse procurar um emprego, onde na melhor das hipóteses poderia juntar um bom dinheiro para correr atrás dos seus sonhos em Nova Iorque. Aprontou-se, tomou café da manhã e olhou os classificados do jornal. Santana circulou alguns anúncios e saiu rumo aos endereços indicados. A latina chegou até uma pequena lanchonete que ficava próxima a uma estação de metrô no centro, por lá se precisava apenas de uma barista, não era necessário tanta experiência e as gorjetas ficariam para ela mesma. Conversou com o dono do estabelecimento e acordou que começaria o novo emprego no dia seguinte.
Terça-feira – Segundo dia
Santana acordou cedo, não que precisasse ir ao trabalho, já que seu turno começava apenas após o almoço, mas estava ansiosa por iniciar o seu primeiro emprego. Passou a manhã inteira impaciente dentro de casa, arrumou seu quarto no mínimo três vezes. Sem já ter mais o que fazer, sentou no sofá e ligou a televisão, passava os canais rapidamente, nada prendia sua atenção. Ainda insistindo em frente à TV, chegou ao canal de desenhos animados e imediatamente lembrou-se de Brittany, sim, a doce e inocente Brittany. Incrivelmente a latina ainda não tinha pensado na sua ex-namorada naquele dia, talvez fosse o nervosismo ou na pior das hipóteses ela já estava começando a esquecê-la.
Nesse momento a morena recordou da última vez que esteve em Lima, onde pediu para Marley lhe contar tudo o que estava acontecendo por lá enquanto estivesse fora. Aliás, não pediu, ameaçou a garota com suas chantagens básicas. Pegou seu iPhone e começou a digitar uma mensagem:
“E aí menina bulimia, já deixou de cuspir seu jantar fora? Quer saber.. não interessa! Como esta a Brittany? –S”
Em poucos minutos Marley respondeu. Como Brittany conhecia Santana muito bem, tinha a certeza que ela ficaria sondando o pessoal da escola na busca de informações, e por isso, seu namoro com Sam Evans era totalmente de aparência e ninguém sabia a verdade, tampouco Artie ou Tina. Inclusive a loira fazia o sacrifício de andar de mãos dadas com Sam pelo corredor, visto que todos poderiam ver os dois juntos, como um casal. A morena sempre foi muito esperta, e por isso Brittany sabia que ao menor deslize ela descobriria a verdade, mas a essa altura do campeonato nem interessava mais. Porém, esqueceu-se de avisar a todos sobre o ‘fim do namoro’ com Sam.
“Eu não tenho que dar satisfações da minha vida pra você! –M”
“Você sabe muito bem o que a sua mamãezinha fez. E sabe também que eu não hesitaria em contar para o Figgins. –S”
“Tudo bem, apenas estou fazendo isso pela a minha mãe. A Brittany esta bem. –M”
“Você é idiota ou o que? Eu quero saber se ela ainda esta namorando com o boca de truta ou não. –S”
“Por que você é tão vadia? A Britt ainda esta com o Sam e eles parecem bem apaixonados. –M”.
Aquela última frase da mensagem de Marley deixou Santana paralisada. Ao que parece Brittany realmente estava apaixonada por Sam, ou algo parecido, deixando a latina mais uma vez decepcionada. Na verdade, ela nem sabia mais porque ficava correndo atrás de todas aquelas informações que no fundo só faziam seu coração partir em mais pedaços. Decidiu que a única coisa que conseguiria afastar seus pensamentos seria o novo emprego. Apesar de ainda não estar no horário, Santana resolveu se arrumar mais cedo, aproveitaria para almoçar algo no centro da cidade e depois iniciaria seu primeiro turno como barista.
Ao chegar à lanchonete cerca de 40 minutos antes do combinado, o dono do estabelecimento, o Sr. Wilson, surpreendeu-se com a chegada da morena mais cedo. Wilson era um senhor de meia idade que já possuía alguns cabelos brancos, não era muito de conversar e definitivamente não gostava de quem fazia corpo mole no trabalho, por isso que aquela vaga de emprego normalmente não demorava muito para estar disponível novamente nos classificados do jornal. Quando avistou Santana observando tudo na lanchonete, tratou logo de ‘fechar’ sua cara e colocar aquela latina para trabalhar.
- “Bom, Srta Lopez, vejo que chegou mais cedo, mas não se acostume com isso porque eu não sou de pagar horas extras. Se quiser mais dinheiro no final do mês, trabalhe duro e conquiste os clientes, sem dúvida gorjetas fazem a diferença.” – disse o homem ranzinza. Santana escutava tudo atenciosamente, apelas balançava sua cabeça em sinal positivo ao que seu chefe dizia.
- “E outra coisa, seu turno começa às 14h e encerra às 21h. Você tem apenas 1 hora para descanso no fim da tarde. Se quiser pode usar esse horário livre para resolver algum problema seu, mas desde que volte para o turno pontualmente. Não me interessa a sua vida e por isso não venha com meias desculpas. Aqui quem não se adapta ao ritmo de trabalho é cortado imediatamente. Entendeu tudo?” – falou Wilson e a latina mais uma vez confirmou. – “Ótimo! Agora vá vestir o seu uniforme e comece o trabalho!”.
Santana foi até a uma espécie de dispensa da lanchonete pegar o seu mais novo uniforme, que por sinal era bem diferente das Cheerios que por tantos anos usou. A partir de agora ela precisava vestir um avental preto de tecido por cima da sua roupa, na frente havia um grande bolsão onde ela deveria colocar um pequeno tablet para anotar os pedidos dos clientes, aquilo parecia tão patético, mas ao mesmo tempo era necessário naquele momento de sua vida.
Finalmente Santana iniciou o trabalho propriamente dito! Servia café, tortas, salgados, cappuccinos, chás, dentre outras bebidas e comidas aos clientes. Nas duas primeiras horas o trabalho estava até sendo divertido, a latina sorria para as pessoas, estava animada em trabalhar diretamente com o público. No entanto, na terceira hora de trabalho já estava achando tudo aquilo um completo tédio, servir café já não parecia tão legal assim. Pelo menos até o momento que ela percebeu uma ruiva entrar na lanchonete, ela vestia uma espécie de terninho preto, seus cabelos estavam levemente presos, estava de cabeça baixa anotando algumas coisas numa agenda, mas a morena não podia deixar de reconhecer aquelas pequenas sardas que tinha ao redor dos olhos: era Manu ali coincidentemente na lanchonete que Santana trabalhava. Por um momento a latina congelou, piscava os olhos como quem não acreditasse no que estava vendo, não era possível que em uma cidade com mais de um milhão de habitantes ela precisava justamente encontrar aquela garota da boate. Santana rapidamente quis encerrar as atividades que estava fazendo próximo ao balcão para que pudesse fugir, mas Manu foi mais rápida e se aproximou da morena mesmo sem querer. Santana não tinha saída a não ser cumprimentar a garota. Quando Manu finalmente tirou sua atenção das suas anotações, olhou para frente e quase caiu para trás sem acreditar quem estava vendo:
- “Meu Deus eu não acredito.. Santana?” – disse Manu entusiasmada.
- “Oiii Manu, tudo bom?” – Santana disse um pouco envergonhada.
- “Tudo bem sim, mas.. o que faz aqui? Pensei que não trabalhava..” – falou a ruiva um pouco sem entender já que no dia da boate a morena disse que nunca trabalhou na vida.
- “Bom, hoje é o meu primeiro dia e ao que parece não estou saindo muito bem..” – Santana deu uma pequena risada ao lembrar que mais cedo se atrapalhou com alguns pedidos. – “Mas, o que você faz por aqui?” – perguntou já um pouco mais a vontade.
- “Eu trabalho aqui perto num escritório, sou assistente comercial, faz parte do estágio da faculdade, essas coisas..” – explicou Manu.
- “Parece ser bem legal! Aposto que é mais interessante que ser barista..” – Santana deu outro pequeno sorriso.
- “Ihhh que nada, meu chefe é um chato! E a propósito, acho que o seu não esta gostando nem um pouco da nossa conversa!” – disse Manu verificando que o Sr. Wilson não estava com uma cara de muitos amigos.
- “Nossa eu não tinha percebido! Manu eu eu..” – a morena iria dizer algo mas foi interrompida pela ruiva.
- “Tudo bem, Santana! Eu entendo como são essas coisas, mas será que depois a gente poderia conversar um pouco?” – perguntou Manu e a morena imediatamente fechou sua expressão.
- “Eu não sei se é uma boa ideia... você sabe..eu não posso...” – Santana estava um pouco sem jeito de dispensar a garota, definitivamente não conseguiria se envolver com ninguém agora.
- “Eu sei que você ama a Brittany. Juro como não vou fazer nada que você não queira, apenas quero ser sua amiga. Eu realmente te achei uma pessoa sensacional..” – Manu foi cortada por um grito que Sr. Wilson deu chamando pela latina.
- “Tudo bem.. meu intervalo começa em 1h e meia. Você poderia passar aqui?”- perguntou a morena, mesmo ainda duvidando se realmente era um bom negócio se aproximar de Manu.
- “Pode ter a certeza que estarei aqui” – disse a ruiva se afastando de Santana para que ela pudesse voltar ao trabalho.
Depois de pouco mais de uma hora, outros pedidos feitos incorretamente e alguns gritos do chefe, o horário livre de Santana chegou. E assim como os britânicos, Manu estava pontualmente na lanchonete para pegar a latina. As duas garotas caminhavam um pouco pelo centro de Louisville, conversavam alguns assuntos aleatórios até que um silêncio não muito confortável se instaurou. Então, a morena ainda um pouco desconfiada decidiu esclarecer tudo antes que fosse tarde demais:
- “Manu.. realmente eu não quero te enganar, nem a você nem ninguém! Eu amo a Britt, eu tenho certeza que ela é a pessoa que eu devo passar o resto dos meus dias, mas infelizmente ela não pensa o mesmo.” – disse a morena um pouco triste.
- “Santana, eu nunca duvidei que você amasse a Brittany, desde a primeira vez que você falou. E eu te respeito profundamente se você achar que ser apenas minha amiga não rola pra você. E é isso que eu quero ser.. apenas sua amiga! Quando eu te conheci sábado tinha a certeza que você não era qualquer uma. Eu jamais vou te forçar a algo que você não queira nem muito menos ficar que nem uma louca trás de você. Apenas quero estar ao seu lado, ter tua amizade! Não nego que quando lembro do nosso beijo eu fico toda arrepiada, mas eu sei que você ama a Brittany e por isso tem totalmente o meu respeito. Se eu disser que não quero te beijar de novo vou estar mentindo. Sim, eu quero que você fique comigo, mas que você se entregue por inteiro. Por isso, pode demorar meses ou até anos a minha espera, mas até lá eu quero ser a sua amiga, se você quiser, claro” – disse Manu com sinceridade nos olhos.
- “Tudo bem, Manu! Confesso que agora estou mais aliviada! Tudo bem vou gostar de ter você como amiga. Eu não conheço muitas pessoas aqui em Louisville, praticamente só a Samara mesmo..” – falou a morena.
- “Ahhh e a propósito, você disse que ela estava ficando com uma tal de Roberta na boate.. ela demorou pra voltar ou você foi embora sozinha mesmo?” – perguntou Manu.
- “Ihhh Manu.. é uma longa história! Mas, quando eu saí hoje de manhã elas tinham combinado de se encontrar amanhã lá em casa pra assistir ao People’s Choice Awards, sabe? Pior que eu estou louca pra assistir, por causa da Taylor Swifh, mas parece que eu vou ter que ficar de vela daquelas duas.. um saco!” – disse Santana já sem paciência só de imaginar que iria ter que ficar ‘assistindo’ Samara e Roberta jutinhas.
- “Não acredito! Eu estou louca para assistir ao PCA porque eu também sou super fã da Taylor e não posso perder! Parece até piada, mas amanhã eu vou ter que dar um jeito porque a TV do meu apartamento quebrou e o cara ficou de me devolver do conserto apenas na terça que vem..” – falou a ruiva.
- “Poxa, eu sou tarada pela Taylor.. tipo ela é a minha diva! Olha Manu, se você quiser podemos assistir ao PCA juntas na minha casa. Pelo menos você não vai perder e de quebra ainda vai me fazer companhia! Porque depois de sábado a Samara não me surpreende com mais nada!” – Santana riu timidamente lembrando-se da aventura sexual da amiga loira.
- “Obrigado pelo convite, San.. posso te chamar assim não é?” – disse a ruiva
- “Claro que pode” – a latina deu um singelo sorriso.
- “Ok então. Passo amanhã no seu trabalho no fim do expediente?” – Manu perguntou e Santana confirmou.
Depois de mais algum tempo de conversa, as duas garotas se despediram e Santana retornou ao seu trabalho. Enquanto isso em Lima, Brittany estudava sem parar para uma prova de matemática no outro dia, precisava apenas de mais dois dias e iria tirar toda a história a limpo com Santana, não estava mais aguentando estar sem sua namorada. Apesar de saber que a latina poderia ser um pouco cabeça dura no começo, a loira de antemão sabia que iria precisar ter bastante paciência. Para isso, Brittany iria levar para Louisville as alianças que sua mãe lhe deu, sem dúvida Santana iria perceber aquelas joias como uma grande demonstração de amor, e principalmente, elas iriam concretizar o compromisso de serem uma da outra para sempre.
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