Os Desafios da Distância
21 Thanksgiving Day - Parte 2
Notas iniciais
O dia amanheceu preguiçoso, os pássaros cantavam do lado de fora do quarto, o sol entrava através das persianas e iluminava todo o ambiente. Brittany acordou lentamente, havia dormido menos de três horas e toda a insônia que sentiu tinha nome e sobrenome: Santana Lopez. A loira não conseguia dormir só de pensar no jantar que propôs a latina, a ansiedade consumia seu corpo e um turbilhão de pensamentos invadia sua mente. Não conseguia deixar de elaborar estratégias, precisavam ser minimamente calculadas já que o possível retorno do namoro estava em jogo. Apesar de todo o cansaço físico e mental, Brittany levantou da cama e tratou logo de se arrumar para mais um dia de ensaios do coral.
Enquanto comia seu café da manhã na cozinha, a loira assistia a inúmeros vídeos de culinária na internet e pesquisava sobre o assunto. Brittany não desgrudava o olho da tela do computador, nem mesmo para prestar atenção qual era o “bichinho” do cereal que estava comendo. Não demorou muito e sua mãe gritou dizendo que iria chegar atrasada na escola e por isso fechou seu notebook e partiu para a McKinley. Chegando lá, Brittany e os outros alunos foram encaminhados para a sala do coral, onde Finn trouxe os ex-integrantes do Glee Club para dar algumas dicas aos novatos.
Santana, Quinn, Puck, Mercedes e Mike estavam dispostos a auxiliar os novos alunos sejam com algumas dicas de dança ou canto, até mesmo alguns truques para impressionar os jurados. A latina estava sentada em cima do piano e seu vestido curto fazia com que suas pernas cruzadas exibissem músculos torneados. Seu charme e sua pele morena não estavam contribuindo para a concentração de Brittany, cujos olhos não saiam do corpo escultural de Santana. Seus pensamentos apenas permeavam entre a conquista e a paquera logo mais no jantar, suas ações eram determinadas por impulso, por vezes exibia sorrisos bobos diante de um simples gesto da latina. A verdade é que Brittany estava dominada e determinada: o jantar não iria falhar.
Finn começou a atividade deixando cada novato com um veterano, onde Puck ficou com seu irmão, Mike com Ryler, Mercedes com Wade, Santana com Marley e por fim Quinn ajudaria Kitty. A latina achava essa última dupla um pouco estranha, aliás, a garota novata parecia mais ser um piloto frustrado de Quinn Fabray versão miniatura. Santana via aquela Kitty de forma tão estranha, a admiração que ela tinha por Quinn não parecia ser nada saudável, estava mais para uma paixão ou desejo do que apenas fanatismo. De toda maneira a priori Santana resolveu apenas observar, mas não durou muito tempo e acabou escapando que achava um pouco gay aquilo tudo. A morena observava tudo com atenção quando Finn começou a viajar na maionese e achar que todos os novatos seriam melhores dançarinos que os da Madonna, o que para a latina era um tremendo absurdo, todos precisavam cair na real e perceber que não era tão fácil se ganhar uma competição.
- “Certo, bobão, deixe-me dizer em voz alta o que todos aqui estão pensando...” – Santana se dirigia a Finn gesticulando e exibindo sua melhor pose de bitch. – “Você finalmente conseguiu um bom corte de cabelo, não dá mais tanto aquele sorrisinho idiota, mas ainda é um idiota. Ninguém aqui consegue fazer um número de dança, exceto a Britt...” – Santana continuava seu discurso quando Finn prontamente a cortou afirmando que eles nunca perderam as Seletivas e não seria agora que isto iria ocorrer. Nesse meio tempo o idiota do Sam começou uma performance de dança e Santana revirou os olhos, aquele garoto além de estúpido, gostava de se exibir achando que era a última bolacha do pacote. A latina não conseguia acreditar como Brittany poderia ser amiga daquela boca de truta. Revirou os olhos mais uma vez, mas desta estava agradecendo por todos os garotos terem que sair da sala do coral, onde as garotas iriam ficar sozinhas para algumas dicas femininas de Quinn, Brittany e Santana. As três meninas se posicionaram a frente das outras, a latina ainda exibia sua pose autoritária, estava gostando daquele lance de ser ‘a experiente’ por ali.
- “Além de bonitas, nós três somos deusas na Competição Nacional de Corais” – começou Brittany toda orgulhosa.
- “Somos vencedoras. Por isso que o Finn nos pediu para vir e mostra-lhes a inspiração da Trindade Profana.” – Santana completou fazendo algumas poses com Brittany.
Quinn começou a falar sobre as vantagens das qualidades femininas em um coral, o quanto suas habilidades poderiam ser requeridas individualmente como também dentro de um grupo. A verdade é que as três garotas conseguiam ser excepcionais em tudo o que faziam, desde cantar, dançar, ser líder de torcida até mesmo executar os planos mirabolantes da treinadora Sylvester. E assim foi quando juntas cantaram pela primeira vez no 1º ano da high school. “I Say a Little Prayer” foi a música escolhida para audição das garotas, Santana lembrava como se houvesse sido há poucos dias, a sincronia e movimentos leves daquela apresentação foram essenciais para o pontapé inicial do amor pelo clube do coral. E agora, como um passe de mágica, Santana estava ali graduada, tudo havia sido tão passageiro.
Por sugestão das alunas novatas as meninas resolveram fazer uma pequena performance, onde “Come See About Me” foi a música escolhida. Quinn, Brittany e Santana cantaram e dançaram como antigamente, se divertiram e principalmente mataram as saudades daqueles momentos tão felizes. Depois de toda a cantoria e diversão, Santana precisava trabalhar duro com Marley. A latina estava achando o comportamento daquela garota tão estranho, ela parecia mais estar com uma cara de quem morreu e esqueceram de enterrar. Marley ficava dando várias desculpas, de que não havia dormido direito ou estava muito cansada dos ensaios, o que deixou a latina com uma pulga atrás da orelha.
Já no auditório, Santana observava Marley com atenção, definitivamente aquela garota não poderia estar passando bem. – “Você realmente esta se sentindo bem, Marley?” – Santana perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas. A garota ficou um pouco sem ação com a pergunta da latina, parecia buscar palavras para respondê-la, mas não estava encontrando meio a confusão em sua mente.
- “É... é.. esta tudo bem sim! Acho que estou assim porque fiquei até tarde estudando, só isso” – Marley desconversou.
- “Hmmm sei. Tudo bem! Mas quando terminar o ensaio eu vou te levar lá na enfermeira pra ela dar uma olhada em você, ok?” – Santana cruzou os braços e fechou sua expressão, ainda não acreditava nas desculpas de Marley. A garota acenou positivamente com a cabeça e retornou o ensaio.
No entanto, Santana não estava satisfeita com aquela garota, ela conhecia de longe quando alguém estava escondendo algo ou mentindo descaradamente, e por isso resolveu investigar por conta própria. Foi até a parte de trás do palco e saiu em busca dos pertences de Marley, quando abriu a bolsa ficou surpresa com a quantidade de medicamentos que havia dentro, a maioria eram à base de laxantes. Santana conhecia muito bem todos aqueles remédios, chegou usá-los algumas vezes quando estava um pouco acima do peso antes das competições das líderes de torcida, pois Sue não admitia ‘obesas mórbidas’ em seu time. Hoje a latina se arrepende daquelas suas atitudes e por isso não poderia deixar Marley cometer os mesmos erros. Continuava a investigar os pertences da garota quando de repente ela percebeu e foi atrás da latina:
- “Esta mexendo na minha bolsa?” – perguntou Marley indignada.
- “Faz parte de ser uma mentora” – respondeu Santana. A latina se virou para garota e decidiu ir direto ao ponto: “O que é isso? E não me diga que é por causa da comida da cafeteria”. Marley ficou paralisada ao ver seus remédios na mão da latina, precisava achar uma desculpa urgentemente, mas não houve muito tempo.
- “É... são de meses atrás! Esqueci que estavam aí” – Marley tentou ser o mais natural possível.
- “Para de mentir, Marley!” – a latina gritou e imediatamente todos do auditório voltaram sua atenção para as duas. – “Mas que droga, dá pra você parar de mentir? Não vê que essa merda esta te fazendo mal?” – Santana jogou as caixas de remédio no chão.
- “Santana.. por favor, foi sem querer! Eu não queria tomar esses remédios, mas estou engordando muito e não posso ser gorda!” – a garota tentava se desculpar, encontrar uma forma de contornar a situação e passar menos vergonha na frente de seus colegas do coral. A latina parou por um instante, respirou fundo, precisava ter calma para solucionar aquele problema.
- “Ok. Quem te deu esses remédios?” – Santana perguntou calmamente.
- “Não.. não.. ninguém me deu nada eu comprei sozinha na farmácia!” – Marley estava mentindo mais uma vez.
- “Puta merda, Marley! Lá vem você mentir mais uma vez! Eu sei que alguém te deu esses remédios sim, até imagino quem seja. Sabe por quê? Porque um deles é contrabandeado da Tailândia a mando de Sue Sylvester. Ou seja, pare de me enrolar e comece a dizer a verdade agora!” – a latina já estava perdendo a pouca paciência que tinha.
- “Foi a Kitty que me deu esses remédios.. mas por favor não brigue com ela! Ela só estava querendo me ajudar!” – Marley já estava com lágrimas nos olhos.
Quando Santana ouviu o nome de Kitty confirmou todas as suas suspeitas, aquela garota era má e perversa. A latina nem esperou duas vezes e saiu do auditório soltando fumaça, precisava encontrar essa tal de Kitty e dar uns sacodes nela do jeito que faziam em Lima Heights! Ao chegar à sala do coral teve uma surpresa, a garota estava já de saída das suas ‘aulas’ com Quinn e a latina percebeu que seria melhor conversar com Fabray primeiro e somente depois acertar suas contas com Kitty.
Fale com o autor