Os Desafios da Distância
11 Punições
Notas iniciais
Santana estava com os joelhos um pouco arranhados, seu roso inchado e no canto da boca um pequeno corte que sangrava. Mesmo rápida, a briga com Katherine havia sido intensa, as emoções a flor da pele junto ao ódio foram suficientes para ser épico, a vadia sabia bater. Apesar de ter apanhado bastante, Katherine também não se livrou das marcas dos dedos da morena que estavam em seu rosto e das dores que sentia em seu couro cabeludo, já que Santana puxou os cabelos da bitch descontroladamente. A treinadora Cristina – que parecia mais um cover de Sue Sylvester, estava bufando de ódio já que não admitia duas líderes de torcida estar se agredindo em pleno treino, inadmissível, incoerente e irresponsável, repetia essas três palavras enquanto carregava as duas garotas pelo braço até chegarem ao Coordenador do Curso, o Sr. Peter Bishop.
Chegando a sala do Coordenador, as duas garotas sentaram nas duas cadeiras que estavam à frente do birô e Cristina ficou atrás das cadeiras, para garantir as punições que Sr. Bishop iria aplicar. A secretária entrou na sala portando duas pastas, eram as fichas de Santana e Katherine, respectivamente. Ao que parece a coisa não ia ser tão fácil assim.
- “Vocês poderiam me explicar, por favor, o que aconteceu no treino? Uma de cada vez.” – Sr. Bishop falou impaciente.
- “Eu sei lá o que essa louca queria! Ela simplesmente chegou dando um tapa na minha cara e me jogou no chão para bater mais. Eu não fiz nada, essa garota que esta pirada!” – Katherine dizia com uma expressão confusa. Sem dúvida, era uma ótima atriz e Hollywood esta perdendo tanto talento. Santana sabia que tinha dado o tapa, mas ter jogado ela no chão já era demais, pois o que ocorreu foi o contrário. A latina arqueava suas sobrancelhas sem entender, levantava as mãos e falava algumas coisas em espanhol, estava revoltada. Agora, o Coordenador deu oportunidade para Santana falar a sua versão dos fatos.
- “Olha Sr. Bishop, eu dei o tapa na cara dela sim, mas ela esta mentindo quando diz que a joguei no chão. Simplesmente essazinha aí colocou vários adesivos no meu cabelo e ficou zombando da minha cara, vocês esperava que eu fizesse o que? Nessa hora quem agiu foi Snixx, é uma personalidade minha que não leva desaforo para casa. Eu sei que errei, mas não posso deixar barato, entende?” – Santana explicou tudo calmamente.
- “Ok, garotas! Bom, estou percebendo que Santana ainda tem nos cabelos os adesivos e com certeza ela não colou aí por vontade própria. Além disso, o rosto dela esta todo machucado, ou seja, masoquista ela não é, e por isso, Katherine, você bateu sim na Santana. Espero que essa situação não volte a se repetir ou serei obrigado a tomar medidas drásticas, estão entendendo?” – Peter dizia apontando o dedo para as garotas.
- “Mas espera aí, elas não vão ter nenhuma punição? Meu treino agora vai virar MMA e o Sr. não vai fazer nada?” – a treinadora Cristina se meteu na história, estava incrédula.
- “Calma Cristina! Elas vão ter uma punição sim. Ficarão uma semana sem participar dos treinos. Agora vão, vocês duas estão dispensadas” – Sr. Bishop apontava para Katherine e a treinadora Cristina.
Ao se levantar, Katherine cerrou entre os lábios – “você me paga, Santana” – e saiu bufando da sala. Cristina a acompanhava dizendo várias coisas irritada, provavelmente Katherine estava levando um sermão grande. Quando as duas saíram do ambiente, Peter Bishop e Santava estavam sozinhos e a morena achou um pouco estranho, perguntando o que o Coordenador ainda precisava falar com ela.
- “Santana é o seguinte: você é bolsista aqui na faculdade, não tem despesa alguma aqui, sequer com o dormitório que você ocupa. Você se meteu nessa briga hoje e tem seus motivos, sei que a Katherine é uma aluna difícil porque a irmã dela já me deu muito trabalho. Mas, você tem que manter a calma! Você foi muito bem recomendada pela Sue Sylvester, e isso deve significar alguma coisa porque aquela dali não gosta de qualquer um. Então, hoje não te dei uma punição mais severa por causa dessa recomendação, pois qualquer outro aluno bolsista que tiver esse tipo de comportamento agressivo esta diretamente fora do programa. Entende? Então procure se esforçar e não deixar sua ‘Snixx’ te comandar, ok? Vejo que você é uma menina dedicada e estudiosa, então não espero te ver aqui tão cedo.” – Sr. Bishop deu um singelo sorriso.
Santana havia escutado tudo com atenção e estava disposta a manter a calma para aguentar os caprichos de Katherine, não poderia vacilar e perder a bolsa na faculdade. Ela cumprimentou o homem e disse que não iria mais ter uma atitude como aquela e saiu da sala.
Já próximo ao dormitório o celular de Santana vibrou e verificou que era uma mensagem da Samara: “O que aconteceu que você não voltou com a treinadora? Esta tudo bem? Venha me encontrar no alojamento”.
Do jeito que Santana estava não queria tão cedo esbarrar com Katherine, e por isso revolveu encontrar com Samara para esfriar um pouco a cabeça. Chegando ao dormitório da amiga, as dores em seu rosto aumentaram um pouco, efeito da adrenalina que já havia praticamente evaporado. Samara abriu a porta e parecia um pouco assustada com os ferimentos da latina.
- “Meu Deus, San! Seu rosto esta todo inchado. E esse corte? Entre que eu cuido disso” – disse Samara impressionada com o estado da amiga.
- “Ahhh sem problema, amiga! Se eu estou machucada aquela vadia da Katherine também está. Dei uns bons tapas para ela aprender a nunca mexer com Santana Lopez!” – a latina dizia orgulhosa.
- “Ok macho alpha, pode baixar a bolinha aí porque você esta bem ferida. Vou preparar uma compressa de gelo para o seu rosto, certo?” – disse a loira.
Samara foi até seu armário pegou a bolsa de gelo, alguns aerossóis analgésicos e antisséptico para as feridas dos joelhos. Tantos anos de líderes de torcida fizeram com que a loira fosse praticamente uma farmácia ambulante, além disso, ainda tinha algumas noções de massagem. A loira pegou todos os utensílios necessários e se aproximou de Santana para cuidar de seus ferimentos. Enquanto a morena segurava a bolsa térmica do lado esquerdo do rosto, Samara começou a passar o antisséptico nos raspões, aquela medicação que estava sendo usada ardia um pouco.
- “Madreciiiita, vai devagar porque isso dói! Ai ai ai..” – Santana reclamava.
- “Deixa de ser mole, amiga! Aposto que o soco que a vadia te deu doeu mais, fica quientinha aí, oras!” – Samara dizia sem parar se passar o algodão nos joelhos da latina. E continuou: “Mas vem cá, você recebeu alguma punição? Ouvi as meninas falarem que a Katherine iria ter que ficar uma semana sem treinar, é isso mesmo?”.
- “É verdade! Ai ai..” – Santana ainda fazia corpo mole com a dor.
- “E você não sabe da maior, agora vou ter que me segurar com a vadia porque o Sr. Bishop disse que da próxima vez haverá punição mais séria, ferrou para o meu lado! Ser bolsista é um saco!” – Santana bufou.
Samara havia terminado de passar o medicamento nos joelhos e iria cuidar do corte no lábio, enquanto Santana colocava a bolsa térmica para o outro lado do rosto. Um silêncio pairava naquele quarto e a latina apenas observava a amiga, já tinha reparado em seus lindos olhos azuis, mas aquela distância que estavam pode perceber o quanto eram magníficos! Samara estava concentrada em limpar o corte e passar remédio no local, não percebendo que Santana estava a encarando. As duas estavam tão próximas que a latina podia sentir a respiração da loira, o calor de seu corpo, mesmo que fosse através de um pequeno contato. Sem querer quando foi pegar mais um pouco do remédio, Samara percebeu a forma com que a morena a encarava, paralisou por alguns instantes imersa nos olhos castanhos da latina. Finalmente percebendo a situação constrangedora que estavam, as duas se separaram instantaneamente.
- “Bom, acho melhor eu ir embora” – Santana falou um pouco desconfiada, mudando de assunto.
- “O que? Ir embora e correr o risco daquela vadia te matar sufocada de noite? Nada disso, você vai dormir aqui, Santana!” – Samara disse categórica. Realmente não era a melhor opção a morena encontrar com Katherine com tudo o que havia acontecido. Seria melhor acalmar os ânimos, mas orgulhosa do jeito que era, negava para a loira e dizia que não tinha necessidade.
- “Nada disso! Você vai dormir aqui sim senhora e ponto final” – Samara falou colocando as mãos na cintura.
Santana tomou um banho, vestiu um pijama emprestado de Samara, comeu alguma coisa e deitou na cama improvisava que estava do lado da loira, seria uma longa noite.
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