Os Desafios da Distância
32 Pequenos atos inocentes
Notas iniciais
Quarta-feira – Terceiro dia
Eram 10h da manhã e Brittany estava concentrada fazendo sua prova de matemática. Estava finalizando alguns cálculos e pela primeira vez iria responder por completo uma prova daquela disciplina. A loira nunca foi de estudar, nem sequer muito inteligente, mas desde que Santana e ela decidiram que reprovar novamente não seria uma opção viável para elas iniciarem suas vidas, Brittany começou a focar nas aulas e estudos em casa. Pelo menos até a pouco tempo essa era a razão pela qual a loira estudava, mas que de toda maneira, mesmo as duas não estando mais juntas – e supostamente não existirem mais planos futuros, estava valendo a pena estudar um pouco. A loira estava satisfeita ao fim da prova, provavelmente iria tirar a nota máxima, foi para casa terminar de revisar alguns assuntos para a prova de geografia que teria à tarde. Ao chegar lá, Brittany encontrou sua mãe arrumando a mala da filha, pelo planejado ela chegaria a Louisville na manhã de quinta-feira e ficaria por lá até o domingo.
- “Mãe, não se esqueça de colocar as alianças no bolsinho da frente da mala! Ahhh.. e também separe aquele meu vestido verde.. eu quero impressionar a San!” – disse Brittany esperançosa por estar apenas a poucas horas de acabar todo aquele sofrimento.
Já era noite em Louisville quando Manu passou no fim do expediente para pegar Santana e irem juntas até o loft da latina. Passaram rapidamente pelo supermercado, compraram algumas cervejas e petiscos, a noite seria dedicada ao People’s Choice Awards, um evento promovido por um canal de televisão o qual premiava os melhores artistas e cantores. Graças ao convite da morena, Manu não iria perder aquele programa que aguardou durante o mês inteiro e de quebra ainda iria estreitar seus laços com Santana, mesmo que por enquanto apenas tratasse de amizade. Se um dia pudesse ser com benefícios seria melhor ainda. Porém, desde que a morena revelou a verdade, Manu resolveu que seria melhor ter paciência, afinal de contas sem dúvida alguma Santana era a garota que ela sempre procurou para namorar, e por isso ela não perderia uma chance como aquela.
Ao chegar ao apartamento, Santana deu logo de cara com Samara e Roberta no maior amasso no sofá, pigarreou para que a amiga percebesse que ela não estava mais sozinha e a loira tomou um grande susto. Samara se levantou rapidamente, arrumou os cabelos e puxou Roberta para também se ajeitar, óbvio que as duas garotas estavam sem jeito de terem sido pegas no flagra, o que fazia Santana e Manu não aguentarem e começarem a rir daquela cena ridícula. – “Amiga se você quiser ir para o quarto por mim tudo bem.. eu fico aqui com a Manu na sala e aviso quando começar o PCA” – disse Santana ironizando o fato da loira estar ficando mais uma vez com Roberta, visto que poucos dias antes tinha afirmado que o que rolou na boate foi só um lance de momento.
- “Ahhhh Santana, deixa de ser irritante! Eu não sou tarada igual a você!” – Samara falou aquilo para provocar e imediatamente a latina arregalou os olhos como quem queria dizer que a amiga deveria encerrar aquele papo por ali, começou a fazer gestos por trás de Manu para que Samara ficasse calada, não queria que a ruiva soubesse do seu lado caliente, mas pelo visto estava sendo em vão.
- “E, além disso, ainda consegue ser mal educada! Sua mãe não te ensinou a apresentar as pessoas não?” – Samara apontou para Manu, já que oficialmente elas não foram apresentadas.
- “Puta merda, Samara! Você quando quer.. olha quer saber? Esquece! Essa aqui é a.. a... a.. M-Manu” – Santana não sabia como apresentar aquela garota ruiva. Ela não era sua ficante, apenas tinham se beijado no dia da boate, mas também ainda não era sua amiga. “Afinal, Manu era o que?” — pensou consigo mesma, mas deixou seu embaraço de lado ao perceber que Samara cortou antes mesmo que ela pudesse continuar.
- “Oi Manu, tudo bom? Eu sou a Samara, prazer! Argg essa latina não consegue fazer nada direito. Como você pode aguentar?” – disse a loira rindo da brincadeira que fez. É claro que Manu não tinha percebido o deslize de Santana, mas ao vê-la gaguejando, rapidamente Samara interrompeu a latina para que pudesse sair daquela situação embaraçosa.
- “O prazer é todo meu, Samara!” – respondeu Manu achando fofa a relação das amigas.
- “Essa aqui é a Roberta..” – disse Samara e agora foi sua vez de ter uma pequena confusão mental do que aquela garota representava para ela.
As apresentações estavam devidamente feitas, todas já se conheciam e depois de alguns minutos já pareciam bem à vontade. Roberta e Samara estavam sentadas no pequeno sofá de couro e algumas vezes trocavam pequenas carícias, enquanto Santana e Manu ficaram sentadas no tapete que ficava em frente à TV, algumas almofadas estavam espalhadas ao redor delas e as bebidas e petiscos estavam na mesinha do centro. Enquanto assistiam ao tapete vermelho, davam pitacos sobre os looks das estrelas, fofocavam e riam com algumas entrevistas engraçadas.
- “Olha lá.. é aquela atriz que vive em Nárnia: a Dianna Agron! Aposto que se ela me conhecesse iria sair de lá rapidinho!” – disse Santana orgulhosa e todas riram já que os boatos sobre essa mulher ser gay eram realmente fortes.
- “E olha só quem fala: praticamente a prefeita de Nárnia! Se enxerga Santana!” – falou Samara rebatendo a amiga, mas não de forma agressiva.
- “Ahhh cala a boca aí que lá vem a minha Taylor..” – Santana agora só tinha os olhos vidrados na televisão, ela era uma grande fã daquela cantora, sem falar que do jeito que ela era linda e charmosa.
- “Nossa mãe.. olha só esse vestido! Caiu perfeitamente nela.. e esse decote? Meu Pai.. a Robertinha aqui pira!” – disse a morena sem pudores, logo em seguida recebendo um puxão de orelha de Samara que doeu bastante.
- “Aposto como hoje ela vai levar todos os prêmios! Esse ano foi o da Taylor, não há como negar!” – disse Manu acrescentando pitacos ‘técnicos’ meio a toda aquela pedreiragem das garotas.
O tapete vermelho encerrou depois de algum tempo e logo começou a premiação. Atores famosos, celebridades e cantores de sucesso estavam presentes. As quatro garotas assistiram animadas a premiação e nem puderam notar que já passava das 2h da madrugada quando finalmente o programa acabou. A noite tinha sido totalmente agradável, conversaram sobre diversos assuntos e todas puderam se conhecer melhor. Durante todo o tempo Manu não avançou ou deu em cima de Santana, apenas no máximo trocavam alguns olhares fraternos, onde na perspectiva da latina Manu realmente poderia ser uma ótima amiga, uma companheira naquela cidade tão estranha.
Depois de limpar toda a bagunça da sala, Samara seguiu com Roberta para o quarto, enquanto Manu foi acompanhada pela latina até o balcão da cozinha pegar sua bolsa. Santana olhou para o relógio da parede e viu que talvez não fosse uma boa ideia a ruiva voltar sozinha para casa aquela hora da noite, talvez ela pudesse ser assaltada ou algo do gênero.
- “Então San.. eu adorei a noite! Muito obrigado por ter me convidado, eu realmente não sei como faria para assistir ao PCA hoje, você me quebrou um grande galho..” – disse Manu com um pequeno sorriso.
- “Ahhh sem problema! E já sabe, quando precisar pode contar comigo!” – Santana devolveu o sorriso.
- “Bom, já esta tarde e é melhor eu ir embora!” – Manu foi pegando sua bolsa quando sentiu um toque no braço para impedi-la.
- “Não Manu! Jamais eu vou deixar você sair uma hora dessas por aí, você vai dormir aqui!” – disse a latina realmente preocupada com a ruiva, ela não tinha segundas intenções em chama-la.
- “Não San, não quero dar trabalho!” – respondeu Manu um pouco envergonhada, ela não queria aceitar o pedido da latina para não parecer folgada, mas ela realmente gostaria de dormir por lá com medo da violência na cidade.
Santana acabou insistindo e Manu aceitou dormir lá. Como a ruiva não se preparou antecipadamente para aquilo, a latina deu uma camiseta cinza antiga da McKinley para Manu dormir mais confortável, pegou um colchão de ar de solteiro que tinham no loft e colocou no chão próximo a sua cama. Como já era bem tarde, apenas desejaram boa noite uma à outra e dormiram profundamente.
Quinta-feira – Quarto dia
Depois de uma madrugada inteira dormindo desconfortavelmente durante a viagem, finalmente era manhã quando Brittany chegou à estação de trem de Louisville. Pegou todos os seus pertences e pediu um taxi, indicando ao motorista que gostaria de ir até ao Departamento de Educação Física e Esportes da faculdade, pois como já eram quase 8h da manhã, Brittany esperava encontrar Santana antes da primeira aula. Planejou essa surpresa durante dias, escolheu todas as palavras delicadamente e tinha a certeza que por mais confuso que fosse Santana iria compreender. Durante o trajeto até a faculdade ficou afogada em seus pensamentos, não aguentava mais sofrer, seu amor pela latina definitivamente não aguentaria suportar sequer mais um dia separadas.
Ao chegar ao campus universitário, dirigiu-se até a secretaria para se informar em qual sala de aula Santana iria estar naquele dia, mas ao perguntar a funcionária sobre a morena, Brittany não teve uma surpresa tão agradável.
- “Você olhou certo? Como assim a Santana trancou a faculdade?” – perguntou a loira incrédula com a afirmação de que a latina não estava mais matriculada na instituição.
- “Eu já disse mais de uma vez: a Srta Lopez não estuda aqui. Consta aqui no histórico que ela reprovou em duas disciplinas e realizou o trancamento do curso!” – respondeu de forma arrogante a secretária.
Brittany não podia acreditar no que estava ouvindo, poucas semanas atrás ela deixou de retomar seu namoro para que Santana pudesse se dedicar totalmente aos estudos. No entanto, ela além de reprovar e trancar a faculdade, ainda não se deu sequer o trabalho de contar a Brittany. Por isso, a loira estava começando a ficar muito irritada, achava tudo aquilo uma tremenda falta de consideração. Respirou profundamente, precisava se acalmar e principalmente colocar a cabeça no lugar. “Não.. só pode ter alguma explicação plausível pra isso tudo, a San não faria isso com a gente” – Brittany pensava consigo mesma e decidiu buscar respostas com a própria latina. Pegou novamente um taxi e indicou o endereço do loft que a morena lhe deu na época da mudança. Ao chegar ao antigo prédio, Brittany subiu rapidamente as escadas, parou em frente a uma grande porta de madeira, verificou em sua agenda se o número estava correto e era ali mesmo que Santana estava morando. Criou coragem e bateu três vezes na porta.
A morena dormia tranquilamente em seu quarto quando começou a ouvir alguns barulhos estranhos, como se fosse algum tipo de madeira. Afundou sua cabeça no travesseiro e quando estava prestes a voltar a dormir, sentiu Manu tocando-lhe o braço. – “San.. San.. acorda! Acho que tem alguém batendo na porta...” – disse a ruiva.
- “Hmmm deixa bater! Eu ainda nem dormi metade do meu sono...” – respondeu a latina que sempre foi muito preguiçosa para acordar, sobretudo pelas manhãs cedo. Mais batidas na porta eram ouvidas e percebendo que a ‘tal’ pessoa não iria embora, a morena levantou emburrada se dirigindo até a sala, pensou que provavelmente seria a velhinha do apartamento de baixo, já que praticamente todos os dias ela não conseguia tirar as correspondências da caixinha do correio e pedia ajuda das meninas. Por isso, Santana sequer deu o trabalho de ver quem era através do olho mágico, girou as chaves e a maçaneta, quando abriu a porta seu coração simplesmente parou de bater ao ver quem se tratava.
- “B-B-Brittany????”.
Continua...
Notas finais
P.S. Alguém me indica uma fic BOA Quinntana?
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