Os Cânticos de Ifen
3 O Ministério da Piedade
Peço-te perdão, não pelo fato de minha condição, mas pelos atos que cometi contra ti… meu senhor Aftósdiu.
Tu ministras o perdão e a piedade, quando nos deixaram a morte, você foi o único que desceu de tua morada, de teu trono, para nos auxiliar em nossas súplicas. Te agradeço por me asilar em tua graça, no teu refúgio…
Eu que passei fome por ter piedade de minhas presas, por não ver a maldade em meio à desordem do caos, eu que perdoei aquele que era filho de meu pior inimigo em toda sua essência, que conspirou contra mim em meus momentos de glória e ruína. Tu que és grande como ser, como espírito, você lavou minhas feridas que ardiam pelas maldições do abismo…
Por isso, me entrego a ti, como sua humilde serva, da minha medíocre raça, lhe prometo, meu senhor, meu protetor, que lhe darei a mais pura fibra de minha tecelagem, advinda de meu corpo. Lhe darei as minhas forças mais reprimidas e minhas virtudes mais poderosas, para que elas confortem teu corpo machucado…
Lhe darei meu poder guardado mesmo na ruína de minha alma, lhe darei meus valores zelados por minha essência mais profunda. Tudo para que saibas que a vossa piedade fora tão grande, tão bela e tão carinhosa que jamais pode ser paga, faço isso para que tu entendas o valor de tua palavra, que isso possa igualar a bondade do toque que me fez aquecer novamente a alma.
Meu senhor, Aftósdiu, Senhor dos piedosos, dos machucados, eu quero que saiba que eu, sua humilde serva… estou a suas ordens.
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