“Doutora Mantolle, por favor comparecer na sala de emergências” Uma voz soou o sobrenome de Marcela no autofalante, a palavra doutora ainda a assustava.

“O que será dessa vez em Anne?” Marcela questionou a amiga desde os primeiros anos de faculdade e agora companheira de quarto e trabalho.

“Querida foi por isso que eu não escolhi mexer com mulheres gravidas, elas gritam muito” Anne riu se divertindo com a própria piada.

A duas caminharam pelo corredor até a sala de emergência.

“Doutora essa paciente acabou de sofrer um acidente a caminho de uma maternidade e o marido disse que sua gravidez é de alto risco.” Uma das enfermeiras a informou.

“Levem-na para a sala de parto” Marcela ordenou enquanto examinava a dilatação daquela moça que lhe parecia de alguma forma familiar.

“Mas doutora ela esta mal!” A enfermeira alertou.

“Senhorita Amanda, tenho certeza que a paciente esta mal, porém ela esta colocando o bebe para fora já!” Marcela tentou falar no português mais claro a enfermeira que seguiu junto com os outros para a sala de parto.

“Essa vai dar trabalho...” Anne preferiu nem continuar quando viu a preocupação no rosto de Marcela.

“Vá até a sala de espera e mande o pai escolher, a mãe ou o bebê.” E saiu em direção a sala de parto deixando a amiga para trás com aquela missão.

Anne Tomou folego e foi até a sala de espera, nos primeiros banquinhos cinza estava um rapaz, não podia ter menos que 20 anos, mas, também não passava dos 30. Tinha o cabelo escuro e bagunçado provavelmente no acidente, não era tão alto e nem era o homem mais bonito que ela havia conhecido, mas possuía os olhos tão azuis que chegaram a causar tristeza em Anne quando se encheram de lagrimas. Ao seu lado tinha um rapaz que parecia bem mais jovem que ele, assim como a paciente de sua amiga ele parecia muito ser um nissei, alto e tinha os cabelos pretos com um corte bem moderno que o deixava com cara de rebelde, em outra ocasião ela até tentaria conseguir o telefone dele, mas, agora ela precisava dar uma noticia ruim.

“O senhor é o esposo da senhora Nomura?” Ela perguntou.

“Sim, sou...” Ele tentou se explicar mais foi interrompido pelo outro rapaz.

“Onde esta minha irmã? Eu exijo vê-la e quero retira-la deste hospital publico.”

“Neste momento esta sendo atendida por uma das melhores do país, mas preciso fazer a vocês uma pergunta muito importante” Ela tentou acalma-los. “Vocês tem que decidir entre a vida da mãe e a do bebê...”

Notas finais
O sobrenome Mantolle foi inventado por mim e o Nomura encontrado em um site que falava sobre sobrenomes japoneses, qualquer semelhança não passa de mera coincidência.