Notas iniciais
Espero que todos tenham gostado da história até aqui, e curtam bastante esse capítulo final. Ah, e surpresas estão por vir!

Eu estava com medo, muito medo. Quase deixei que o medo tomasse conta de mim e meu poder fraquejasse. Caio alternava seu olhar entre mim e Gustaf, parecia ter perdido a fala.

– Nós podemos – eu disse para ele, que me respondeu com um aceno de cabeça.

– Não, vocês não podem – Gustaf sorria para nós. – Vocês nunca conseguirão me destruir.

“Destruir”. Não precisávamos destruí-lo, apenas derrota-lo!

– Caio! – ele me olhou com uma cara de surpresa. – Não precisamos destruí-lo!

– Não? – ele perguntou.

– Não – eu o respondi entre sussurros. – Precisamos apenas detê-lo.

Gustaf pareceu não ouvir dessa vez, já que não respondeu com nenhuma de suas gracinhas. Mas foi pior, ele ergueu as mãos para cima e elas foram envoltas em uma forte luz roxa, que não parecia nada amigável. Quando ele desceu as mãos, uma espécie de raio se projetou de suas mãos e vinha ao nosso encontro. Eu e Caio erguemos nossas mãos e juntos conseguimos deter o raio com nossas paredes de energia. Caio então disparou em direção a ele e seu corpo parecia estar queimando, quando ele arremessou contra o demônio uma enorme bola de fogo que o atravessou onde deveria ser seu estômago sem causar dano nenhum.

– Fez cócegas – ele disse.

Eu decidi atacar, discos de energia surgiram em minhas mãos e eu os arremessei em direção ao monstro, que novamente pareceu não sofrer nenhum dano.

– A fraca magia de vocês não pode me deter, seus insetos! – Gustaf dizia.

– Morreremos tentando, então – eu o respondi.

– Ótimo saber disso – ele me fitava pronto para destroçar-me. Então ergueu sua mão em direção a mim e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, anéis de energia surgiram em volta de meu corpo me deixando completamente imóvel. Um dos anéis circulou meu pescoço e começou a aperta-lo, dificultando minha respiração. Caio desferia inúmeros ataques contra o ser demoníaco, mas nenhum surtia efeito. O anel em volta de meu pescoço apertava cada vez mais, minha cabeça parecia prestes a explodir, minha pulsação diminuía e meus pulmões queimavam sem ar.

– Solte-o! – Caio gritou.

Minha visão ficou turva, meus ouvidos latejavam, eu sentia com se fosse lava correndo por meio peito, não aguentaria muito mais tempo. Aquele seria meu fim, pelas mãos do caos. Caos... tentei puxar o máximo de ar que pude, e gritei apenas uma palavra:

– Ordem!

Os anéis se dissolveram, os espíritos do caos se calaram, a criatura de fumaça e poeira se desfez trazendo de volta o homem de terno preto, e a paisagem ao nosso redor começou a clarear. Estávamos de volta ao estacionamento da DECS.

Vi Pedro de pé, lutando contra 3 lobos que eram quase da sua altura. A mulher com a maleta de primeiros socorros e uma fada cuidavam do corpo de Lisa. As criaturas da ordem mantinham a vantagem e se saiam melhor contra as criaturas do caos. Mas eu não conseguia encontrar meu pai, onde será que ele estava?

– Desgraçado! – Gustaf berrou. – Como você foi capaz de anular minha magia?

Decidi que a melhor resposta, seria um ataque. Eu e Caio trocamos olhares, e logo sabíamos o que fazer. Concentrei minha mente, imaginei o mundo em paz, sem perigos, sem doenças, sem morte, sem demônios. Relembrei todos os momentos felizes que havia passado, ao lado de meus pais e amigos. Relembrei também cada vitória pessoal que eu havia conquistado durante toda a vida. Pensei em Pedro, em como ele era importante para mim, em como eu me sentia bem ao seu lado, em toda a paz que ele me passava. Reuni todos os meus pensamentos, os transformei em energia, e um espectro de luz branca saiu de dentro do meu peito. Quando olhei para o lado, Caio estava na mesma situação, seus olhos brilhavam completamente brancos e seu corpo emitia um brilho fraco, imaginei que eu estivesse da mesma maneira. Juntos, eu e ele unimos nossos espectros, e os lançamos em direção ao demônio. Gustaf tentou defender-se, mas nosso poder penetrou seu peito e ele foi envolto em magia branca, consumindo cada fragmento de sua alma. Ele me olhou pela última vez, e seus lábios desenharam uma frase que eu interpretei como “ainda não acabou”.

Depois que Gustaf deixou de existir, Caio e eu nos viramos para a batalha e gritamos em uma só voz.

– Ordem!

As fadas brilharam e subiram ao céu, os duendes corriam até as árvores mais próximas e entravam em seus troncos como se fossem portas comuns. As criaturas das sombras explodiam como fogos de artifício, e logo, uma enorme paz reinava no local. Meu pai surgiu da sombra de uma árvore, me olhou nos olhos, e caiu ao chão. Corri até ele e me ajoelhei a seu lado.

– Pai – comecei. – O que está acontecendo?

– Me perdoe filho – sua voz era fraca. – Devia ter lhe contado tudo, você precisava saber.

– Pai, ei, esqueça, isso não é nada – consegui dizer. – Aquele cara não é seu irmão, muito menos meu tio. Ele não tem o nosso sangue, nunca será um de nós.

– Filho... – ele tentava dizer. – Eu o amo tanto. Por favor, tente entender.

– Entender o que? O que está acontecendo? – vi Pedro se aproximando com o canto do olho. – Pai! Não faça isso comigo, eu te peço por tudo que há de mais sagrado. Não me deixe!

Os olhos de meu pai perderam o brilho e suas pálpebras se fecharam. Lágrimas feriam minhas bochechas. Eu batia em seu peito, chacoalhava seus ombros, mas ele estava morto, nada adiantaria. Me debrucei sobre seu corpo, seu coração não batia mais. Chorei como nunca havia chorado, meu peito ardia como se aquela lava estivesse de volta, mas dessa vez, era um vazio que o corrompia. Meu pai se fora, e não pude impedir.

Senti os braços de Pedro envolvendo meu corpo, então deitei minha cabeça em seu ombro e chorei no conforto de seus braços. Três fadas e minha mãe se aproximavam. Minha mãe chorava, mas estava mais controlada. As quatro se aproximaram do corpo dele e tocaram sua testa.

– Descanse em paz – disseram em uníssono.

O corpo de meu pai brilhou e se desfez em um reluzente pó dourado que foi levado pelo vento do dia ensolarado.

– Por que? – eu me levantei e encarei minha mãe nos olhos.

– Seu pai lutou bravamente contra essas criaturas durante toda sua vida, Gregg – ela me respondeu.

– E agora ele está morto! – a dor se transformara em raiva dentro de mim. Por que ela estava tão calma?

– Ele se sacrificou pelo bem maior, filho – minha mãe respondeu.

– Ele se... se sacrificou? – eu não conseguia mais entender nada.

– Seu pai sempre soube como tudo iria acabar filho, ele me preparou para esse dia, ele o preparou para esse dia. Porque acha que ele nunca lhe contou sobre ele e Gustaf serem irmãos? Ele não queria que nada atrapalhasse seu treinamento, querido – sua voz era doce e calma. – Vocês venceram Gustaf, mas não o mataram. Você e Caio conseguiram destruir sua forma física e espiritual desse mundo, mas ele voltaria logo, logo. Seu pai usou de sua própria força vital para prendê-lo no submundo por mais tempo. Tempo para você, para todos vocês se prepararem para a verdadeira batalha.

– Por que ele? Por que não me pediu que eu fizesse isso? Por que pelo menos não me avisou? – eu me sentia traído.

– Apenas ele seria capaz de fazer isso. Ele era o Último Irmão, o único mais poderoso que Gustaf. Apenas a força dele seria capaz de prendê-lo lá – minha mãe tocava meu rosto. – Mas Gustaf está em casa, onde é mais forte, e seu pai não, ele está onde se torna mais fraco.

– Gustaf é o Caos, meu Pai é a Ordem – eu deduzi.

– Exatamente, querido – minha mãe concordou. – Mas por enquanto, estamos em paz, graças a vocês.

Eu abracei minha mãe, e me senti melhor, talvez fosse apenas sua magia me afetando, mas não importa.

– Agora, vou deixar vocês sozinhos – ela disse olhando para Pedro, depois se virou e foi embora.

– Você conseguiu – ele me disse.

– Nós conseguimos – eu respondi segurando suas mãos. – Você me deu forças para enfrenta-lo.

Pedro sorriu, aquele sorriso apaixonante dele que me deixava completamente em transe. Não resisti e me joguei em seus braços enquanto nossos lábios se tocavam.

– Veja – ele me disse apontando para o lado.

Eu demorei para acreditar, mas era verdade. Lisa estava de volta, e mais, ela e Caio estavam se beijando.

Caminhamos até eles de mãos dadas, e assim que perceberam nossa presença, os dois ficaram envergonhados. Puxei Lisa pelo braço e a abracei tão forte quanto Pedro me abraçava.

– Minhas costelas – ela resmungou, e eu a soltei. Quando abracei Caio, ele disse em meu ouvido:

– Você foi o verdadeiro herói.

Nós quatro nos encaramos por algum tempo, e então, todos caímos na gargalhada quando Lisa disse estar com a sensação de ter sido estuprada.

[ALGUMAS SEMANAS DEPOIS]

Confesso que chegar em casa depois de tudo o que me aconteceu, era a coisa mais bizarra do mundo. Mas nada me dá mais paz que minha própria casa, então peguei meu celular, os fones, caí na cama e fiquei ali, por horas, apenas curtindo a calmaria e o conforto do meu quarto até cair no sono.

Quando acordei, me levantei e fui ao banheiro, mas quando passei pela porta do quarto dos meus pais, vi minha mãe sentada na cama, com uma camisa nas mãos, chorando. Entrei no quarto e me sentei ao seu lado.

– Ele foi um bom pai – disse.

– E um ótimo marido – ela respondeu.

Não havia mais nada que pudéssemos dizer um para o outro que já não tivéssemos dito antes. Então ficamos ali, sentados, encarando suas coisas e lembrando dele em cada canto do quarto enquanto chorávamos, um no conforto do colo do outro.

Quando anoiteceu, desci as escadas e me deparei com uma mesa farta na sala de jantar, com 7 lugares postos.

– Quem vem jantar conosco? – perguntei.

– Uns amigos – assim que ela respondeu a campainha tocou. Quando eu abri a porta, Caio, Pedro, Lisa, e os pais de Caio estavam do lado de fora.

A noite toda foi uma diversão só, minha mãe e os pais de Caio conversavam e jogavam cartas na sala como sempre, mas agora, sem meu pai. Eu e meus amigos conversávamos no quarto sobre tudo que havíamos vivido no último ano.

– Agora, nada foi mais impactante do que ver vocês dois se beijando naquele dia — Pedro disse apontando para Caio e Lisa.

Todos nós começamos a rir, Caio ficou vermelho, e Lisa deu um tapa em Pedro.

– Qual é, garoto! – ela disse.

Era satisfatório saber que todos eles continuavam ali, comigo.

– Bom, acho melhor nós nos preocuparmos com a escola agora, isso sim – disse Caio. Por um momento eu havia esquecido que no dia seguinte teríamos que voltar a escola. Depois que nossos pais foram lá e fizeram um acordo com os professores, eles nos passaram de ano, e agora nós caminhávamos para o segundo ano do Ensino Médio.

Notas finais
Se você gostou da história, peço que compartilhe com os amigos, divulgue nas redes sociais, e a recomendem. Quantos mais pessoas para ler, melhor! E assim vocês me ajudam a dar continuidade a história com possíveis próximos volumes. Mas, como a fic teve uma repercussão maior do que a que eu esperava, gostaria de informar que ainda não é o fim! Vem aí, Os Contos de Gregg: Flores de Cristal! O segundo volume da história, fiquem ligados! Beijos, e até a próxima :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!