Os Contos de Gregg
1 O Furto
Notas iniciais
É domingo, último dia das férias, preciso mais do que nunca da minha cama, do meu cobertor e de um bom filme para assistir, já que essa vida boa vai acabar amanhã. Resolvi assistir um filme chamado "Jogos Vorazes" (que aliás, é espetacular), então logo quando o filme terminou, eu decidi ir dormir, mas não consegui. Eu estava escutando um barulho estranho vindo do quarto dos meus pais, e a curiosidade, vocês sabem, sempre fala mais alto. Me levantei, calcei meus chinelos e fui até lá. No corredor eu vi um vaso quebrado no chão, o que logo achei estranho porque o barulho que eu havia escutado não se parecia com nada sendo quebrado, era mais um barulho de algo sendo arrastado, um saco talvez, o que era mais estranho ainda já que vinha do quarto dos meus pais.
A porta estava entreaberta, eu espiei pela brecha e então vi a pior coisa que poderia ter visto, meus pais estavam na cama, tipo, "na cama" se é que me entendem, o que talvez explique o vaso quebrado no corredor. Então antes que eles me vissem eu saí, desci as escadas e fui até a cozinha tomar água para tentar engolir o choque. Na cozinha a luz estava ligada, e o armário com as portas abertas e completamente vazio, eu de cara achei que tínhamos sido assaltados e o barulho que eu havia escutado era dos ladrões arrastando o saco com todas as coisas que haviam roubado, mas então percebi algo. Todos os eletrodomésticos estavam no local, e os celulares dos meus pais, que estavam em cima do balcão, continuavam lá. Os assaltantes tinham levado nossa comida.
Fui checar as portas, a da frente estava trancada, mas a dos fundos estava completamente aberta, e o frio gelado da noite entrava fortemente. Fui ao meu quarto, vesti um casaco, calcei um tênis e voltei para checar o lado de fora da casa. Mas então, me deparo com a porta trancada, e toda a nossa comida de volta ao local. Fui até o quarto de meus pais, e eles estavam dormindo, como se estivessem ali há horas, o que não poderia ser possível, já que eu tinha visto eles... "juntos"... há minutos atrás, e também vi a porta dos fundos aberta, e os armários vazios.
Voltei para o meu quarto assustado, confesso, será que eu havia delirado? Visto coisas da minha imaginação? Mas parecia tão real. Olhei no relógio e ele marcava 23:15, decidi me deitar e logo caí no sono. Meu despertador tocou o que pareceu ser 15 minutos depois, mas o relógio já marcava 06:50, pulei da cama e fui para o banheiro me preparar para o primeiro dia de aula no Ensino Médio, algo que não me dava o mínimo entusiasmo. Depois de pronto desci as escadas e dei de cara com meu pai dormindo no sofá, o que estava absurdamente errado porque em toda a minha vida nunca vi meu pai perder um dia de trabalho, e ele já deveria ter saído de casa. Mamãe estava na cozinha, o que era normal, tomando seu café, e me preparando torradas.
– Papai não vai trabalhar hoje? — perguntei.
– Seu pai tem um assunto sério para tratar. — minha mãe respondeu.
– O que? — a curiosidade me vencia.
– Alguém roubou quase toda nossa comida.
Eu não pude acreditar quando mamãe me mostrou os armários vazios.
– A porta dos fundos estava aberta? — eu tinha que saber.
– Estava sim, você viu alguma coisa querido? — mamãe perguntou.
Eu sinceramente não sabia o que responder. Não era possível, eu sabia que havia acontecido algo de errado ontem à noite, mas eu chequei, e vi a comida de volta nos armários, e a porta estava novamente trancada.
– Não — respondi — eu não vi nada.
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