Notas iniciais
Vai começar a ação!

Vamos recapitular: Meu pai é um Predador, ou seja, um caçador de criaturas sobrenaturais, eu tive minhas memórias manipuladas desde a minha infância, e um demônio provavelmente está nos atacando em busca da nossa comida. E o pior é que meu amigo Caio está passando pela mesma situação, mas pra ele está sendo bem mais difícil porque ele acabou de perder um irmão por conta desse suposto demônio. Sinceramente, parece que eu estou escrevendo um resumo pra escola de algum filme do Tim Burton, porque meu Deus, que loucura!

São 06:50 da manhã e eu preciso levantar, já está na hora da escola, o que é algo que não faz o menor sentido agora, a não ser que a fórmula de Bhaskara me ajude a matar um demônio, mas tenho que ir, então levantei da cama e me arrumei. Descendo as escadas eu ouvi um choro, então fiquei apenas escutando, e era minha mãe.

– Ele ainda é tão novo – dizia ela.

– Eu sei querida, mas vai fazê-lo bem, acredite em mim – meu pai retrucou.

– Não Nick! – ela se exaltou – Ele é o meu menino! Você não pode tirá-lo de mim! Não pode.

– Ângela, eu também o amo, eu também vou sentir sua falta, mas ele tem que ir, ele precisa sem bem treinado. – meu pai respondeu.

Eu ainda não consigo descrever o que aconteceu depois disso, vi apenas asas saindo das costas da minha mãe, e uma explosão de luz verde que cobriu toda a cozinha, meu pai foi arremessado contra a parede, e eu rolei de escada a baixo.

– Ângela! Acalme-se. — berrou meu pai.

– Mas que diabos está ACONTECENDO aqui? – eu gritei.

Meus pais ficaram pálidos ao me verem.

– Gregg, filho. – minha mãe se aproximou e eu me afastei.

– O que você é? – eu não conseguia esconder o susto.

– Sua mãe é uma fada, Gregg. – meu pai respondeu. Minha mãe o encarou como se estivesse pronta para mata-lo. – Ele a viu Ângela, não adianta mais esconder.

Eu a vi chorar com a mão estendida para mim, mas aquilo já era demais. Meu pai um caçador de demônios e minha mãe uma fada, sinceramente, eu quero de volta aqueles pais certinhos de antes. Então decidi ir pra escola sem tomar café, e deixei os dois para trás, tive pena de minha mãe, mas eu precisava de um tempo.

Estava muito cedo para chegar na escola, então decidi dar umas voltas pelas ruas, tentando relaxar um pouco. Com o sol recém-nascido, os pássaros cantando, e as ruas ainda pouco movimentadas, aquela manhã me dava paz, tudo que eu estava precisando. Mas ouvi um grito e um homem correndo, o grito veio de uma mulher, e o homem correndo carregava uma bolsa. Sinceramente eu nem me movi para tentar ajudar, mas eu já estava tão estressado com tudo, que ver aquele covarde correndo me deixou muito revoltado, e eu só imaginava um carro o atropelando.

Foi nesse momento que um carro em alta velocidade surgiu não sei de onde, e se chocou contra o ladrão o arremessando para longe. Enquanto todos iam ver como ele estava eu fui apanhar a bolsa que ele deixou cair, a apanhei do chão e entreguei a mulher, que me disse um “Obrigado”. O carro havia sumido do mesmo jeito que tinha aparecido, de repente.

Decidi seguir meu caminho e ir para a escola, o meu dia já podia acabar por ali, mas claro, ainda era apenas o começo. Cheguei na escola e Pedro já estava na classe, eu precisava agradecê-lo pelo que ele fez na casa de Caio, eu nunca teria conseguido mexer naquela pasta.

– Oi – eu disse.

– Oi moço – ele disse, com aquele sorriso perfeito que só ele tem.

– Hm, cara obrigado, de verdade, por você ter feito aquilo por mim, eu nunca teria conseguido abrir aquela pasta – consegui falar.

– O quê? Aquilo? Gregg, não foi nada, não precisa agradecer. – ele me respondeu

– Tá, mas mesmo assim obrigado. – eu disse e deitei a cabeça na carteira.

– Não tem de quê. – Ele passou a mão em meus cabelos.

Aquilo era tudo que eu estava precisando para dar uma melhorada no meu dia, ficar a sós com ele, só ele me deixava calmo.

– Pedro, eu... – Não, posso contar para ele, não agora, onde eu estava com a cabeça? – Nada, esquece.

– Algum problema Gregg? – ele esboçou uma cara de preocupação.

– Não é nada, é bobagem, relaxa. – eu disse e levantei a cabeça. – Só ia dizer que você é um ótimo amigo. – disse olhando nos seus olhos.

– Gregg, você é um amigo muito especial pra mim, não vou te deixar cair, nunca. – ele me disse, e eu só conseguia encarar seus olhos.

Pedro sorriu para mim, com toda aquela doçura maléfica que só ele tinha, então Caio entrou na sala e se sentou na minha frente, interrompendo nossa conversa.

– Como você está cara? – ele perguntou.

– Melhor a gente conversar depois. – eu respondi.

Pedro nos olhou com um ar sério, mas logo depois todos começaram a entrar e a aula começou.

Quando as aulas acabaram nós estávamos indo embora, e encontramos Lisa do lado de fora, uma Lisa muito irritada.

– Cara, vocês acreditam que por causa de 30 minutos eles não me deixaram mais entrar? – ela dizia com raiva. – Porra, o que são 30 minutos?

– Bom... – eu comecei a dizer.

– Calado Gregório! – ela me interrompeu.

Odeio quando ela me chama assim.

– Bom, pelo menos você escapou da aula cruel que tivemos de Educação Física. – falou Caio.

– Bom, eu e Caio temos uma coisa para contar pra vocês dois – disse. Pedro continuava calado, com aquele ar sério. – Vamos.

Nós fomos até a minha casa, e lá eu e Caio contamos tudo a eles.

– Vocês estão tirando uma com a minha cara? – Lisa perguntou.

– Bem que eu queria. – respondeu Caio.

– O que é essa tal Adrenalina? – Pedro questionou.

– Bom, meu pai me contou que é uma substância usada para facilitar o uso de qualquer magia. – Caio o respondeu.

– Você ainda conseguiu falar com seus pais sobre isso? – Eu perguntei a ele.

– Bom, não podemos fingir que foi tudo um sonho Gregg, temos que encarar – teria sido melhor que ele tivesse me dado um tapa na cara.

Depois de um breve momento de silêncio, eu decidi contar a eles os acontecimentos dessa manhã.

– Bom, eu tenho mais coisas para contar. – continuei – Minha mãe é uma fada, e eu acho que tenho poderes mágicos.

Lisa deu uma gargalhada tão alta que provavelmente até os vizinhos escutaram, Caio e Pedro não conseguiram esconder o riso também.

– Gente! – eu exclamei – É sério! Venham, vocês vão ver.

Os levei até a cozinha e mostrei a eles os vestígios de pó brilhante que minha mãe espalhou por toda a cozinha com sua explosão de fúria.

– Isso é INACREDITÁVEL. – Lisa comentou – As duas criaturas mais idiotas da escola têm uma família muito foda, e eu aqui com dois pais dentistas, ninguém merece.

– Lisa, quando você vai finalmente levar isso a sério? – Pedro a perguntou.

– Calma aí gostosinho. – ela respondeu – Eu levo a sério, levo muito a sério, mas nem por isso vou deixar de fazer meus comentários sarcásticos, ok?

– Ok. – ele respondeu.

– Agora temos Hazel Grace e Ausgustus Waters aqui, beleza. – Caio e seus personagens literários.

– Galera, vamos focar no assunto, por favor? – eu pedi. – Hoje de manhã, antes de ir pra escola eu fui andar um pouco, para relaxar – comecei – Foi quando vi um homem roubando a bolsa de uma mulher, e enquanto ele corria eu o imaginei sendo atropelado por um carro, e tipo, instantaneamente um carro surgiu em alta velocidade na rua e o pegou em cheio.

– E agora você acha que o carro surgiu porque você o imaginou? – Caio me perguntou.

– Seria muita coincidência se não, certo? – eu respondi – E aliás, não sei se já mencionei mas minha mãe é uma fada, talvez eu tenha herdado poderes, não sei.

– Isso tudo é muito, muito louco. – Pedro opinou.

– Eu sei. – disse.

Decidimos esquecer um pouco esse assunto e assistir a um filme, afinal, todo mundo merece um descanso. Caio colocou pela milionésima vez Jogos Vorazes e todos nós assistimos, mas confesso que durante o filme eu ficava dando algumas olhadas em Pedro e pensando no momento que tivemos a sós hoje na escola, e foi durante umas dessas olhadinhas que ele também se virou para mim e me deu um sorriso, aquele sorriso que só ele tem.

Anoiteceu e nós continuávamos juntos no meu quarto jogando, conversando e dando boas risadas. Meus pais chegaram, e nos chamaram até a sala, quando descemos vimos uma mulher com eles, uma mulher que, confesso, chamou a minha atenção. Ela era alta, com um corpo muito bem definido, usava uma calça skinny que modelava suas pernas grossas, uma blusa regata com um decote enorme e um casaco por cima, tinha os cabelos compridos tão negros que brilhavam à luz, e lindos olhos verdes. Minha mãe a apresentou a nós, seu nome era Jude, e ela seria a nossa treinadora dali pra frente, recém chegada dos EUA. Caio amou a ideia, afinal que homem não iria gostar de ser treinado por aquela mulher?

– Que espécie de nome é Jude? — Lisa cochichou pra mim, e eu apenas ri.

O que me deixa muito revoltado é que meus pais jogaram todas essas bombas no meu colo sem perguntar o que eu estava achando de tudo aquilo, e ainda me trazem uma treinadora sem perguntar se eu quero ser treinado. Eles estavam tomando as minhas decisões de mim, como se eles já tivessem planejado a minha vida toda antes mesmo que eu nascesse, e sinceramente, eu não estava gostando nada daquilo.

– Olá meninos, prontos para começar o treinamento amanhã? – Jude nos perguntou como se tudo aquilo fosse muito normal.

– Ôh... – respondeu Caio.

Notas finais
Logo logo o oitavo capítulo chega para vocês :D