Os Cinco Sentidos
13 Capítulo 13 - Assumindo a culpa.
POV Derek
– Meredith ? — Perguntei em voz baixa. O que aquela maluca estava fazendo aqui ? Me olhou apavorada e se abaixou para tentar pegar o objeto e coloca-lo no lugar novamente.
– Que idiota, desastrada, odeio esse povo tonto — Vivianne falou antes de tomar um gole de café. Fiz menção em me levantar, mas lembrei do que havia prometido para mim mesmo..'Deixa-la em paz'.
– Não fale assim dela — Ralhei indignado vendo Meredith abaixada pegando os dois pedaços do enfeite que havia quebrado.
– Como é que é ?
– A conheço . Ela está passando por um momento dificil. Não diga o que não sabe .
– Você conhece aquela coisa branca e cega? — Cega..cega.. Ísis..Meredith estava indo ver Ísis.
Me levantei deixando para lá qualquer orgulho ou promessa que havia feito. Ultimamente meu trabalho se resumia em me humilhar atrás dela .
Meredith caminhou rapido atravessando o salão. Cacei algumas moedas no bolso da calça e as soltei na mesa.
– Vivianne, é para pagar seu café. — falei em tom moderado indo atrás da outra que passava pela porta de vidro.– Meredith — a chamei mas ela apenas deixou os passos mais rapidos. Quando passei pela porta a loira já estava abrindo o carro. Corri até o veiculo e bati nos vidros – Abaixa o vidro, vamos conversar. — fiz um gesto com as mãos Por favor Meredith, me deixe ir com você.- falei alto esperando que ela abaixasse a janela e me deixasse dialogar, mas o que ela apenas fez foi ligar o carro e passar com ele em cima do meu pé esquerdo que estava entre as duas rodas me fazendo gritar.
O carro sumiu rapidamente dobrando a esquina e eu me sentei com o pé latejando no meio fio.
- maluca — gritei novamente tocando a mão no meu calcanhar.
A dor insuportavel me atingiu em cheio me fazendo gemer baixo. Vivianne saiu da lanchonete e me olhou com desprezo.
– Idiota — falou antes de entrar no carro e sair em disparada.
Me levantei com esforço e me arrastei pelas ruas, não poderia pegar um ônibus pois as unicas moedas que tinha havia pagado o café da minha ex.
Mais uma vez a regra ''Nada pode dar certo para Derek' estava me acompanhando.
POV Meredith
'Droga, droga, droga. Por que Deus me fez tão estabanada ? Por que aquela garçonete foi me falar aquilo ? Por que aquela mulher é mais bonita do que eu ? Por que Derek,mesmo sendo quem é, me faz sentir diferente? – 'diferente' é o memso que 'estressada',não se enganem -'
Pensei nisto o caminho inteiro até o hospital, eu tentava distinguir a que se devia meu nervosismo, ao Derek ou ao fato de eu estar no elevador indo ao encontro do Dr° Alex. Bati o pé descontroladamente enquanto as pequenas luzes com numeros subiam de modo simétrico.
Saí no andar da direção, olhei em volta e lá pude notar que a maioria das pessoas não usavam branco e sim roupas sociais. Só havia estado ali uma unica vez na vida, no dia da minha contratação. Me aproximei de uma das moças que estavam atrás de um balcão e batuquei com a ponta dos dedos esperando-a desligar o telefone.
– Pois não ? — me recepcionou.
– Sou a Dra Grey, Oculista, vim falar com o diretor.
– Só um momento. — pegou novamente o aparelho e digitou dois números esperando por um momento até falar novamente — Dr° Alex , Grey, a oculista está aqui. — Silêncio — tudo bem — desligou e me olhou com cara de poucos amigos — Pode entrar, ele a aguarda.
– Obrigada — tentei colocar um sorriso no rosto mas certamente não deu certo.
Caminhei o mais lento que podia, tentando adiar o momento que estava por vim. Peguei na maçaneta da porta, respirei fundo sentindo meu corpo gelar.
– Seja o que Deus quiser — falei baixinho para mim mesma enquanto empurrava a porta devagar.
– Olá Grey, pensei que não chegaria, se sente — disse sem ao menos tirar os olhos dos papeis que analisava — como passou o dia ? — perguntou fingindo-se preocupado.
– Pior do que pode imaginar- me sentei e respondi com a voz fraca, ele levantou o rosto claro e me olhou com aqueles olhos azuis celeste.
– Deveria no minimo ter escondido as olheiras — apontou para a própria face indicando o local — deve ter chorado muito.
– Hhm — fiz um som estranho com a garganta pois sabia que se continuasse conversando,eu choraria.
– Oras Meredith, não fique assim — se levantou largando o que estava fazendo e deu a volta na mesa. Colocou as mãos nos meus ombros e começou a fazer uma suave massagem, estranhei mas não quis falar nada. — estas coisas podem acontecer na nossa profissão — abaixou a cabeça e afastou alguns fios do meu cabelo que estavam em meu pescoço — mas assuma que deveria ter prestado mais atenção, por um erro seu ela perdeu a visão. Vamos, o primeiro passa para acabar com esta angustia que você está sentindo é assumir. Assuma Meredith, ela dependia do seu trabalho e voce falhou.Travei a mandibula contra o maxilar tentando impedir uma vontade alucinante que me surgiu de chorar, não apenas com algumas lágrimas...eu sentia vontade de soluçar, me deixar cair, mas não podia fazer isto na frente dele, então tentei me controlar e o resultado disso foi uma unica lágrima solitária que escorreu do canto do meu olho. Fechei os olhos e imaginei Ísis correndo por algum parque colorido e de repente tudo em sua volta perdia a cor e a forma, ganhando a mesma tonalidade de preto. — você sabe das conseqüências que ela sofreu não sabe? Sei que sabe.
– Eu não queria — falei baixo.
– Eu sei que não, mas aconteceu — soltou meus ombros e deu novamente a volta na mesa — e alguem tem que ser culpado. — sorriu para mim visivelmente satisfeito com o efeito da pressão psicológica , tirou uma folha de dentro da gaveta e a passou para meu lado — neste caso quem vai assumir a culpa é você — empurrou uma caneta azul em minha direção — assine o termo de responsabilidade e a suspensão.
– Suspensão ? — perguntei indignada passando a mão no rosto espalhando a umidade — Não posso ser suspensa Alex.
– Não só pode como vai ,você sabe que merece isto Meredith . Além do mais, não tem muita utilidade por aqui, é melhor mante-la longe.
Abaixei os olhos para o papel tentando não encara-lo . Processei as palavras por um momento entendendo que eu realmente não servia para nada ali. Encostei a caneta na folha e fiz um rabisco torto.
– Pode sair, não temos mais nada para tratar — se levantou e foi até a porta onde me esperou levantar e caminhar para fora da sala.
O olhei friamente sentindo a raiva me possuir .
– Onde ela está ?
Alex me olhou com um jeito que misturava impaciência e sarcasmo
– Você gosta de sofrer não é ? — me mantive em silêncio — andar 62, quarto 3.
Me virei e sai de cabeça baixa. Pela primeira vez eu ia falar com Ísis, ouvir sua voz, ver como ela estava, e isto, apenas isto, me fez ter forças para continuar por mais algum tempo naquele hospital.
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