Os Cinco Objetos
2 O Teste
6h30m da manhã. Acordei com o som da guitarra do Patrick no quarto ao lado. Segundos depois, ele abre a porta do meu quarto e se depara comigo sentada na cama.
– Bom dia! Está nervosa com o teste? Meu coração está a mil! — perguntou Patrick, animado.
– Estou nervosa apenas com você! — murmurei. Patrick riu.
– Vou indo para o meu quarto me arrumar, porque mamãe pediu para irmos rápido e não demorarmos. Se troque e vá para a mesa tomar café. Ordens do papai. — Patrick falou, saindo do meu quarto e indo para o seu, que é do lado.
Me espreguicei, sentada na cama. Levantei e fui direto para o guarda roupa: peguei meu colan, minha saia e a meia calça preta, padrão. Me vesti, e depois peguei a sapatilha que estava numa caixa, em baixo da minha cama. Coloquei os algodões e os band-aids necessários nos meus dedos, para eu dançar mais à vontade.
Fiz minha higiene matinal. Após isso, fiz minha maquiagem: rímel, batom, sombra. Essas coisas. Prendi meu cabelo com grampos, e depois coloquei uma redinha preta. Me olhei no espelho: até que eu estava bonita!
Saí do meu quarto e fui para a mesa da sala. Patrick veio atrás de mim. Sentamos à mesa e começamos a comer.
– Como vocês estão bonitos! — mamãe disse.
– Estão mesmo, mas filha... — meu pai, Carlos, voltou-se para mim — essa maquiagem não está pesada? Roupa preta, sombra preta...
– Não! Me inspirei no Lago dos Cisnes, e a maquiagem é assim mesmo. — respondi, e dei uma risadinha.
– Queridos...eu desejo boa sorte para vocês dois. Mostrem seu melhor, fiquem firmes e se apresentem calmamente. Tenho certeza que vocês conseguirão! Infelizmente não vou conseguir ver a apresentação de vocês. Nem eu nem o Carlos. Tenho que resolver algumas coisas na pinacoteca e o pai de vocês resolverá algumas coisinhas. Mas estaremos torcendo por vocês! — mamãe nos desejou sorte.
– Obrigada! — respondi. Patrick agradeceu também.
– Puts...já são 7h10! As apresentações começam as 8h da manhã. Vamos depressa, pessoal! — papai nos apressou. Eu e Patrick corremos em direção ao banheiro, escovamos nossos dentes. Patrick foi ao seu quarto e pegou sua guitarra e palheta. Fui ao meu quarto e peguei minha necessaire com maquiagens e algumas coisas que faltavam. Fomos em direção a sala.
– Boa sorte, aos dois! — mamãe disse. Papai falou a mesma coisa.
Descemos de elevador até a garagem. O prédio estava em total silêncio. Deve ser porque é cedo ainda.
Fomos em direção á Williams, que dava uns 10m de casa.
Chegamos.
– Bom, crianças...façam o teste com calma e confiem em si mesmos. Pois eu confio, nos dois! — papai falou, passando confiança para nós dois. — Boa sorte.
Deixamos o carro, e vimos o carro do papai sumir na neblina da manhã. Olhamos para a faxada da Williams. Era enorme.
– Uou...que escola gigante! — exclamei.
– É grande mesmo! — completou Patrick. — 7h40, vamos!
Apresentamos nossas fichas na entrada, e os secretários nos orientaram onde eram as salas das apresentações. A sala de teatro era a 5 e a de música a 6. Patrick e eu nos cumprimentamos com um abraço e fomos para nossas devidas salas.
Eu confio em mim. E tenho certeza que irei conseguir.
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