Os Cinco Guardiões
2 Capítulo 2 - Uma nova chance
A Seleção das equipes protetoras do Governo estava ocorrendo há três dias e a equipe de Jonas estava entre os últimos lugares na colocação geral. Seu irmão Joshua, que arruinara todas as chances de classificação do grupo não estava muito preocupado com a iminente derrota.
— Por que faz isto, Joshua? – Perguntou Maia, desapontada.
— Porque eu não quero participar dessa farsa. – respondeu o garoto com um olhar distante.
Maia era responsável pelo domínio das artes do Fogo no grupo, mas sempre auxiliava Jonas no campo de batalha. Sua família toda tinha sido escolhida para representar o Governo e sua aprovação era uma obrigação.
— Você sabe que eu sou a única... – começou Maia, mas logo foi interrompida por um Jonas fora de si.
— O que você pensa que está fazendo, seu moleque? – o menino avançou para cima do irmão, mas foi impedido por Maia.
Joshua jogou-se em uma confortável poltrona e abriu um livro que já havia começado a leitura no dia anterior. Ele gostava de provocar o irmão, principalmente na frente de Maia, que era sua paixão em segredo.
— Caro irmão... – disse Joshua, ainda encarando as páginas amareladas de seu livro – Eu fiz aquilo por nós.
Jonas desvencilhou-se dos braços da garota e parou em frente ao irmão que continuava de cabeça baixa, lendo com muita atenção.
— O nosso pai morreu nessa Seleção. O mínimo que poderíamos fazer é encontrar nossa mãe do lado de lá. – Jonas parecia exausto das brigas com o irmão – Você sabe que ela só poderá nos ver novamente se passarmos nessa maldita Seleção.
Joshua deixou o livro de lado e encarou a face do irmão. Ele não conseguia mais esconder as lágrimas que brotavam involuntariamente de seus olhos vermelhos. Maia se aproximou e abraçou Jonas, fazendo crescer um sentimento de ódio em Joshua que levantou de supetão.
— Se os pombinhos me dão licença – disse enquanto empurrava o irmão para tirá-lo do caminho – vou ao refeitório procurar algo para comer. Essas missões me deixam com bastante fome.
...
O menino seguiu o corredor estreito que dava direto às escadas. Ele enxergava quase toda a área de treinamento de onde estava. As divisões eram feitas conforme as idades e os níveis dos poderes de cada um. Por parentesco, Joshua teve o azar de cair no mesmo time que Jonas.
Chegando ao piso Zero, Joshua andou mais alguns metros até chegar à porta do refeitório. Seu estômago reclamava desde o início da missão, já que ele acordara atrasado e perdera o café da manhã. “Os horários daqui são muito rigorosos” pensou consigo mesmo. Após pegar um pouco de pão e patê, o menino foi em direção à mesa de bebidas, onde buscava ansiosamente por uma xícara de café cubano, o melhor de todo o planeta.
Sentado em uma mesa no canto do lugar, Joshua observava a movimentação enquanto mordia seu pedaço de pão e saboreava seguidos goles do café. Apesar do horário, tinha muitas pessoas comendo. Aparentemente ele não era o único preguiçoso d’A Seleção.
...
Jonas jogou-se em uma poltrona confortável e enterrou as mãos no rosto. Não sabia mais o que poderia fazer para que o irmão cooperasse nas missões e ajudasse o time a se classificar para a próxima etapa d’A Seleção.
Maia observava-o enquanto fingia que lia o relatório da missão do dia. Apesar de também ter falhado, Jonas não a culpava em momento algum. O único pensamento que vinha à cabeça do garoto era como poderia mudar o jeito do irmão caçula.
— Olha, nós podemos nos reunir com o resto do pessoal e discutir a próxima missão hoje ainda – disse Maia, analisando os papéis espalhados sobre a mesa – Vamos para 1991.
Jonas bufou. Discutir missão alguma faria com que a equipe tivesse chances de classificação naquela etapa. Apenas um milagre faria com que a equipe não voltasse para casa àquela altura do campeonato.
Estridente, Luke correu até os dois enquanto balançava o boletim diário da Central de Treinamento. O garoto dava pulos e beijos no papel, fazendo com que Maia e Jonas ficassem confusos.
— Nós temos chances! – gritou o garoto – Nós vamos nos classificar!
Surpresa, Maia olhou para Jonas em busca de respostas. Infelizmente, o rapaz também estava por fora de tal assunto.
— Que papo é esse? – perguntou Joshua que acabava de voltar de sua refeição – Claro que não podemos nos classificar. Só tem uma maneira de isso acontecer, e eu acho impossível.
— Pode acreditar, irmãozinho! – disse Luke em meio a gargalhadas – Basta nós vencermos a próxima missão e nós avançamos.
— Explica essa história, Luke! – ordenou Maia com a expressão imutável.
— A equipe do Homero foi pega no antidoping. – Maia e Jonas sorriram, enquanto Joshua bufou e cruzou os braços – Isso significa que subimos uma posição. Se nós vencermos a missão seguinte, nossa classificação será automática. Com exceção de Joshua, todos comemoraram como se já estivessem classificados. O menino deixou o recinto bem a tempo de trombar com Ali no corredor.
— Ei, cuidado! – reclamou a menina.
— Desculpe, Ali. – o menino respondeu indiferente – você chegou bem na hora de comemorar.
— Comemorar a derrota? – falou sarcasticamente – Não, obrigada!
O menino colocou as mãos nos bolsos da calça e encarou a menina com uma expressão surpresa. Os cabelos da garota eram curtos e ruivos. Seus olhos eram de um verde bem raro na Terra e seu corpo estava no padrão de batalha do governo. Embora tivesse tal beleza, Joshua apenas a enxergava como uma boa amiga.
— O Boletim Diário emitiu uma nota expulsando a equipe do Homero. Somos os próximos na colocação, ou seja, temos grandes chances de passarmos para a próxima fase da competição. – disse, por fim, o menino.
Sem hesitar, Ali o agarrou e beijou seus lábios, sem conter a excitação que aquela notícia causava nela. Envergonhado, Joshua afastou a garota rindo, sem intenção de ser rude com ela. A menina entrou na sala e deixou Joshua para trás, perdido em pensamentos.
...
A missão da semana era bem simples. A equipe devia voltar ao ano de 1991 em busca de um objeto que a Central espalhou pela época. O time que encontrasse seu respectivo objeto em menor tempo e sem danos, ganharia classificação automática para a próxima fase do campeonato.
Jonas repassou o plano várias vezes para o time, sempre encarando Joshua que estava sentado à parte da equipe. Seu desejo era que o irmão não estragasse tudo pela milésima vez e eles pudessem ter uma chance real no campeonato.
— Tudo bem, pessoal. É a missão mais importante até agora. Nós devemos nos unir para garantir essa vaga no campeonato. – explicou Jonas para o resto da equipe.
— Nós vamos nos classificar, estou sentido isso! – entusiasmou-se Luke – Se todos cooperarmos, claro.
Todos encararam Joshua com expressões diversas. Jonas e Luke estavam com caras furiosas, enquanto Maia e Ali pediam um pouco de compreensão do garoto. Embora gostasse das meninas, ele não poderia ir contra seus princípios.
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