Os Cinco Guardiões

4 Capítulo 4 - Destino


Joshua percebeu que alguma coisa estava errada quando abriu os olhos e não encontrou uma estrutura metálica como teto, mas sim uma branca em gesso. Sua cabeça doía demasiadamente e seus olhos lacrimejavam com a constante exposição de luz contra eles. Ele tentou se levantar, mas sentia-se muito fraco para tal ação, então resolveu deitar-se novamente na cama de lençóis brancos que cheirava à lavanda e fechar os olhos.

Depois do que pareceram algumas horas de sono, o menino sentiu-se renovado. Levantou-se em um pulo e dirigiu-se à porta do aposentado. Tudo ao seu redor era branco e o cômodo cheirava muito bem. Por um segundo, sentiu-se confortável com a situação. Voltando a si, ele bateu forte à porta de ferro, que fez um grande estrondo com o choque de suas mãos, mas não obteve respostas.

— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? – gritou para a janela arredondada que fazia parte da porta metálica – Alô!

O rapaz desferiu chutes e socos contra a porta, já perdendo a paciência adquirida na soneca de algumas horas atrás. Ele não gostava de não estar no controle da situação, isso o deixava de mau humor. Desistindo por um momento da busca de respostas, ele deu uma boa olhada no quarto em que se encontrava. Ao lado de sua cama havia uma escrivaninha com um copo d’água e alguns biscoitos de chocolate que pareciam bem gostosos. Na parede à sua direita, havia uma estante com diversos livros que estavam em sua lista de desejos, o que pareceu bem estranho para ele.

Joshua se aproximou da estante e puxou um livro aleatório. Por coincidência, era o mesmo que lia no prédio d’A Seleção antes dos preparativos para a última missão. Curioso com o fim da história, ele abriu o livro tentando lembrar em qual página havia parado.

— A rainha já havia cortado as cabeças? – brincou consigo mesmo.

De repente, parou. Ele encontrou um marcador no livro que era exatamente como o seu. Um pedaço de papel-cartão marrom em formato retangular com uma linha de lã vermelha amarrada na ponta inferior.

— Ok! Isso é estranho... – disse em voz alta, sem perceber.

Lendo a página marcada, percebeu que era exatamente a mesma em que havia parado. Joshua fechou o livro rapidamente e o jogou longe. Estava assustado demais com tantas coincidências para lidar com elas no momento. Ele sentou-se no chão frio no canto do cômodo, fechou bem os olhos e começou a cantarolar uma música que seu pai cantava para seu irmão e ele dormirem. Ele estava com medo, mas não podia deixar que soubessem disso.

De repente, houve uma explosão. Faíscas e fogo para todo o lado. O menino protegeu a cabeça com os braços quando ouviu o estrondo e seu corpo todo tremeu com a situação. Fosse o que fosse, ele sabia que não poderia lutar sozinho contra, pois era o único d’A Seleção que ainda não tinha desenvolvido poderes.

— Alguém chamou o resgate? – disse uma voz familiar. – Vamos!

Joshua abriu os olhos e viu uma Ali deslumbrante contra a luz. Seus cabelos não estavam mais tão arrumados como costumavam ficar, mas o rapaz preferia assim.

— Ainda bem que você chegou. Não aguentava mais esperar! – brincou Joshua, abraçando a garota. – Onde estão os outros?

— Você foi o primeiro. – respondeu rapidamente. – Eu preciso do Cabeça do grupo para me ajudar com um plano mirabolante.

— Ok. Então me mostre o lugar. – disse enquanto pegava o livro que tacara no chão e guardava no bolso interior do casaco. – vamos!

Os dois saíram em um corredor que se entendia até se perder de vista. Eles caminharam durante alguns minutos até encontrarem mais uma porta branca de ferro. Olhando pela janelinha arredondada, viram Maia desacordada na cama.

— Temos que tirá-la daqui – disse Joshua apreensivo – ela parece mal.

— Sim, tudo bem. – respondeu Ali vasculhando a bolsa em busca de uns dispositivos.

— Onde conseguiu essas coisas? – perguntou Joshua.

— Eu arrombei a porta do meu quarto com os meus poderes e encontrei essa sacola no final do corredor. – disse alegremente. – Parecia que estava me esperando, como destino.

O menino olhou para a garota surpreso, então se abaixou ao lado dela.

— Essa bolsa cheia de explosivos, armas lasers e um tablet estava dando sopa em um corredor de um local com aparência sinistra de filme de terror que não conhecemos?! – perguntou ironicamente. – Sério?

A menina parou por um instante para pensar. Tudo parecia bastante suspeito para ela a partir desse ponto de vista. Embora estivesse apreensiva, pegou três explosivos e os colocou na porta.

— Agora não é hora para questionar o destino – ela puxou Joshua para longe da porta e acionou os explosivos. O estrondo era bem maior do lado de fora do quarto, pontuou o rapaz que estava meio zonzo com a quantidade de fumaça que aquela ação proporcionava.

Ali entrou no quarto com a arma laser em punho pronta para atirar à qualquer sinal incomum vindo do cômodo. Após uma checagem, percebeu que o recinto estava liberado e correu para resgatar a amiga Maia.

— Ei, dorminhoca. – brincou abraçando a amiga que acabara de acordar com o som. – Vamos! Levante-se e siga-nos.

Maia ficou imóvel. Instantaneamente, começaram a surgir lágrimas em seus olhos aos montes. Sua expressão era de completo medo e desespero.

— Ali... – disse a menina com a voz rouca. – eu não consigo me mover.

No mesmo instante, Joshua recebeu uma pancada na cabeça e caiu desacordado no chão frio do corredor. Ali se levantou rapidamente ao ouvir o baque do rapaz caído e empunhou sua arma laser, apontando-a em direção à porta. Infelizmente, o que a atingiu não vinha daquela direção.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.