Notas iniciais
Algumas coisas vocês não entenderão, não por agora.Mas com o desenvolver da história, tudo será explicado, ok? Pessoal, sei que o capítulo está meio desorganizado, mas quando o escrevi não foi em um editor de texto, e peço desculpas por isso. A partir do Capítulo 3 a história fica com os parágrafos organizados de forma correta, e o tamanho dos textos vai crescendo :) Espero que este erro meu no início da história não desencoraje vocês, leitores...

"Ainda posso me lembrar do cheiro de sangue que infestava o ar, misturando-se à chuva naquele fatídico dia.

Centenas de mortos, poucos e bravos sobreviventes.
Eu seria um dos mortos, não fosse a desgraçada sorte que tive, instantes antes de perder minha cabeça(isto é, literalmente).
Quando levantei, não havia mais ninguém ali, a não ser os corpos inertes e em decomposição.
Após o "Dia da Tempestade sem Fim", cada um de nós, os Cinco Filhos da Aflição, tomamos nosso próprio rumo.O Primogênito tornou-se Alto Cavaleiro do Reino Atterax, o Segundo se tornou um conhecido mercenário do Oriente, o Terceiro está em suas andanças pelo mundo, à procura da sua Espada Perdida, o Quarto se tornou um comandante megalomaníaco em alguma nação das Oito Terras, e o Último, ou melhor dizendo, eu, está atualmente disfarçado de mercante entre os Khaajit de Leterah, numa caravana que segue em direção à cidadela de Maali.

O que faço aqui?
É uma longa história.

–Sete moedas por este machado, sete moedas por este machado!Alguém dá mais?
–Doze moedas!
O leiloeiro me olhou de uma maneira estranha.
–Doze moedas?No dia que alguém tiver tanto ouro nesta cidade, cago em meus calções!
–Pode ir trocar sua roupa, caro amigo, pois eu tenho as doze moedas e quero esse machado!
O homem do deserto me olhou com um misto de desprezo e raiva.
–Tanto faz, tanto faz...Doze moedas, alguém dá mais?
Ninguém levantou a mão.
–Parece que esta arma me pertence agora.
–Tanto faz.-O homem disse novamente, dando de ombros.
Ele me entregou o machado.
–Que belezinha você tem aí, hã?-Um Elfo-dos-campos me observava, com aqueles bisonhos chifres encobertos pelo cabelo longo fazendo protuberâncias na sua testa.Ele carregava uma adaga com cabo esculpido em Esmeralda.A lâmina parecia de titânio.
–E quem é você?
–Prazer, Lonpak.Um simples elfo-dos-campos andando por aí.
–E o que um elfo-dos-campos faz no deserto?
–Como eu disse, estou andando por aí.Mudando de assunto, esse machado...por que deu DOZE moedas de ouro nele?
–É um item...de família.Foi roubado há muito tempo.
–Mesmo assim, é...bem, apenas um machado.
–Ora essa, e você, por que tanto interesse nisto aqui?-Levantei o machado e ele reluziu em vermelho contra o sol ardente.
–Eu que fiz o lance das sete moedas.Antes de você.Eu poderia revender isso por muitas moedas, talvez até gemas nas Oito Terras!
–As Oito Terras.-Comecei a divagar, lembrando do meu Quarto irmão, e ignorei que o elfo era provavelmente um contrabandista — Sabe o que está acontecendo por lá?
Ele, claro, se surpreendeu com a pergunta.
–Na verdade, não.Conhece alguém lá?
–Um membro da família.
–Ora, sua família parece importante.
–E acredite, ela é.

Continuamos andando pela feira e conversando, até que chegamos a uma roda de homens urrando e dando gritos de 'viva'.O tumulto atrapalhava a passagem das pessoas na feira-livre.
–Isso!Vai na direita!-Gritava um deles- Não!! -Ele falou alguns palavrões além disso.
Fiquei curioso para ver o que era.Me meti no tumulto, pedindo licença(o que parecia não surtir efeito), empurrando até chegar a ver o que havia no centro.
E qual não foi a minha surpresa ao encontrar dois conhecidos meus lutando, com sangue nos olhos?
Shada parecia cansado, mas é claro que ele nunca iria admitir, continuava fazendo investidas contra o adversário.
Já Gustaf devia estar com a vantagem, porque estava em pé, e a maioria dos homens urravam o nome dele.

Eu tinha que sair dali imediatamente.
"Por que?", os mais inocentes vão se perguntar.

Aqueles homens estavam atrás da minha cabeça há CINCO ANOS. Se me vissem, eu causaria confusão e minha identidade seria descoberta.
Lonpak notou meu jeito estranho de agir.
–Algum problema?Rodas de luta aqui são bem comuns.
–Eu tenho que ir embora o MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.

Tentei passar, mas cada vez mais pessoas iam se acumulando para ver no que a briga daria.
Só me restava uma opção : voltar.
Felizmente, o lado da feira onde eu estava era bem grande,então tentei me esconder.
Lonpak disse que tinha que ir embora, pois a galé para as Oito Terras não demoraria a chegar.Deu-me de 'presente' a adaga, e embora tenha insistido muito, não o dei o machado, e sim o anel de rubi-do-dragão que carregava.

Quando vi a galé partir, já tinha se passado cerca de meia hora.
Observei o canal aquático por onde a galé iria passar.Logo, estaria no Mar de Sangue, para chegar às longínquas Oito Terras.
Quando me virei, o meu coração disparou.
Gustaf se aproximava, com uma atadura no braço.Provavelmente tinha ganho o duelo.Sabe-se lá onde Shada estaria.
Ele ainda carregava aquela espada.
Meio aço, meio ferro-de-lírio.Uma dança entre o prata e o dourado na lâmina, e no cabo o desenho da morte como é retratada para o povo Rusko : uma mulher de vestido branco e cabelos dourados, carregando uma pena de corvo na mão esquerda.Específico?Sim.Mas ainda metia medo em qualquer um que enfrentasse Gustaf, o Daggar Branco.

Isto é, qualquer um, menos o Primogênito, meu irmão.Mas isso também é outra história.

–Acha que eu não o vi durante a luta?Há quanto tempo, Nerlinir.Ou devo dizer, O Último?
–Nerlinir é um nome que eu não uso há bastante tempo, Gustaf.Não depois daquela noite maldita.
–O Último nunca foi um nome carismático, você sabe disso.
–Concordo, por isso não o utilizo também.
–E qual seria seu nome agora?
–Quem sabe?Pode ser Johan hoje, Leonida daqui a um minuto, talvez até Nerlin.Depende da pessoa a quem me dirijo.Mas isso não importa.Veio aqui me...
–Matar?-Ele começou a gargalhar-Claro que não.Aquilo que aconteceu é passado.Embora você tenha me abandonado no campo de batalha, me deixando à mercê da sorte, eu aprendi a perdoar após tantos anos de amadurecimento.Não digo o mesmo de Shadar-Ele levantou a sobrancelha de forma enigmática-O homem enlouqueceu após seu sumiço.Sempre quis sua cabeça.Sorte a sua, porém, que o mandei fora da cidade alguns minutos atrás.
–Então o que, por mil luas cheias, você quer?
Gustaf me observou, com um sorriso no rosto.
–Um acordo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! :)