Notas iniciais
Boa leitura. Próximo capítulo: 15/05

Em um cômodo fechado, sujo e cheio de vermes estava William, preso por correntes e apenas de cueca. Estava todo suado pelo calor excessivo daquela sala de tortura.

— Então você acordou? Demorou, hein. – Disse Stealth, alisando a lâmina de sua adaga branca com a língua.

— Quem é você? – Perguntou William, sem forças para olhar o rosto da dona daquela voz sarcástica.

— Meu nome é Stealth, a Deusa da Furtividade. E você é William, o Arcanjo do Ilusionismo, correto?

William ficou quieto e conseguiu olhar para Stealth, vendo aquela beleza em forma de maldade:

— Arcanjo do Ilusionismo? Do que você está falando?

Stealth deu risada, batendo os pés no chão:

— Há! Há! Há! Eu tenho esse costume de apelidar as pessoas. Junto com Blue, eu apelidei os membros de nossa guilda como Deuses.

— Blue? Blue está vivo?

Stealth se levantou e se aproximou de William:

— Mais do que vivo. Blue é o Ningirama. Blue é o pior inimigo que os Caçadores já teve. Culpa de quem tudo isso? Anark. Ele é o culpado!

Eu? Eu era o culpado? Os Caçadores já estavam meio assim comigo por eu ter invocado Blue, agora ela está jogando William contra mim? Que pena que eu não estava ali para me defender. Eu ia falar um monte para essa retardada de cabelo branco.

— Não foi culpa do Anark. Ele foi iludido.

Stealth riu mais ainda e deu um tapa na cara de William, que cuspiu sangue de tão forte que foi:

— Cale sua boca, maldito! Se eu disse que foi culpa dele, foi culpa dele e ponto final. Você quer morrer? – Gritou ela, furiosa.

William, mesmo naquela situação difícil, conseguiu dar uma risada irônica:

— Você não vai me matar por vários motivos. Um deles é que vocês precisam de mim vivo. Querem saber alguma coisa de mim. Caso contrário, teriam me matado junto com a Dar... o Snup.

Gente, recapitulando, Darcy era na verdade Snup disfarçado fugindo da punição por ser responsável pela morte de mais da metade dos Caçadores. Entretanto, ele já pagou com a sua vida, então vamos continuar.

Stealth apertou os punhos e começou a socar a barriga de William, gritando:

— Idiota! Idiota! Idiota! Idiota!

Até que Blue chegou e mandou ela parar. Stealth se curvou diante Blue e William, com a boca cheia de sangue, tentou cuspir em Blue e se exaltou, gritando:

— Nojento! Mentiroso! Traidor!

Blue se aproximou de William, o encarou nos olhos e perguntou:

— Há quanto tempo, Will. E Fernanda? Está bem?

Will arregalou os olhos e começou a se estremecer de medo. O poder de Blue... algo inumano:

— Que magia é essa? Esse seu poder... você não era assim antes.

— Em Verso os meus poderes são bem maiores. Não estamos na Terra, o que já descarta a possibilidade de alguém te encontrar. Esse lugar ele inibe a magia de humanos, o que descarta a possibilidade de você tentar alguma coisa. A questão é: o que os Caçadores irão fazer já que o mago mais forte de sua guilda está em outra dimensão e a “líder” está morta!?

William fechou os olhos. Em silêncio ficou.

— Ele está te ignorando, mestre Ningirama. – Comentou Stealth na intenção de deixar Blue irritado.

— Cala a boca, Stealth. Saia daqui. – Blue apontou o dedo para a saída e Stealth saiu dali aos prantos.

— Que mulher irritante. – Comentou William, cuspindo sangue de seus dentes quebrados.

— Você não está apto a criticar ninguém da minha guilda, William.

— Então estou apto a fazer o que? Por que estou aqui?

Blue sentou aonde Stealth estava sentada e respondeu:

— Eu sei muito bem que você não é o verdadeiro William e sim uma ilusão muito realista. Sei também que nesse exato momento você está com todos os Caçadores esperando a localização desse lugar. Não sou burro.

Intimidado, William perguntou:

— Como você sabe?

— Sou o novo Ningirama. Deus dos Deuses. Desvendar isso foi algo trivial. Mais ainda é responder à sua pergunta principal: estamos em Verso, na montanha mais alta deste mundo. Se querem me deter e acabar com o meu plano de unificação dimensional, venham até a mim e me forcem a fazê-lo. Será muito divertido.

Blue abriu as mãos, todos os objetos de tortura começaram a levitar e foram todos enfiados no corpo do falso William. Consequentemente, aquela ilusão desapareceu.

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Enquanto o clone ilusório William estava conversando com Blue, todos os Caçadores estavam fazendo perguntas para o verdadeiro William, que contou tudo sobre Snup e sua falsa identidade. Após Blue ter descoberto a farsa, toda a situação vivenciada em Verso foi a consciência de William, que contou também.

— E agora, amor? – Perguntou Fernanda para ele. – Quem vai ser o líder dos Caçadores? E o que vamos fazer mediante a isso?

Will, sem saber o que falar, arriscou:

— Quem é o próximo mago da lista de posse?

Aghata chegou naquela mesa gigante, com todos os membros da guilda, e respondeu, com o livro de posse em mãos:

— Depois de Snup, que também era meio que a Darcy, o próximo na lista de posse é você, William. Você deve ser o próximo líder dos Caçadores.

Todos aplaudiram, mas William levantou a mão, calando todos:

— Eu sei que estão felizes por mim, mas vamos entrar em outra guerra. Estamos em uma situação difícil e vamos ter que pensar bem em nossos atos. Eu quero eleger um segundo líder. Aghata, quem é a próxima pessoa nessa lista, depois de mim?

— Eu mesmo. – Respondeu Aghata, com brilho nos olhos.

William subiu na cadeira, apontando para Aghata:

— Eu e ela, Aghata, somos os novos líderes dos Caçadores. A lista de posse será refeita por mim, de acordo com uma análise de poder que eu farei. Eu criarei um ranking de poder mágico com todos da guilda. Dessa forma eu poderei planejar melhor nossas ações. Alguém não está de acordo? –

Todos levantaram a mão e começaram a gritar, apoiando a ideia. Ninguém se opôs. Eu, de fininho, saí daquele local e com o meu livro na mão comecei a caminhar sozinho na rua, pensando no que eu iria fazer. Eu precisava de algum jeito corrigir aquilo tudo. Estava com um grande peso na consciência.

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Ainda em Leonor, mas em uma realidade ainda distante dos Caçadores, Thaylor Sephrott estava no meio de uma briga.

Como sempre resolveu lutar com o mais forte de uma guilda, ele acabou provocando uma alcateia gigantesca de magos de uma mesma guilda. Essa guilda se chamava Black Spider e, naquele momento, estavam todos os magos diante de Thaylor, para acabar com a vida daquele que julgava seu mestre fraco. Estavam todos em uma floresta densa e fechada, um pouco escura, quase sem animais.

— Galera, calma aí. Eu quero enfrentar o líder de vocês.

Um dos magos, com uma enorme espada, gritou:

— Não existe essa de enfrentar o líder, apenas. Uma guilda que se preze defende o seu líder.

O outro mago da mesma guilda acrescentou:

— É isso mesmo! O líder sempre é o último a ser ferido.

Thaylor, com seu jeito preguiçoso de sempre, sentou-se em um tronco que tinha ali perto:

— Então eu vou sentar até o líder aparecer.

Essa reação de Thaylor deixou os magos da Black Spider furiosos. Sem pensar duas vezes, todos foram para cima do mago preguiçoso, que estalou os dedos:

— Time Script. — com essa magia, Thaylor tinha a capacidade de controlar o espaço e o tempo a sua volta. Ele parou o tempo e caminhou entre os magos. Sentou-se em outro tronco do lado oposto aos magos e deixou o tempo correr novamente. Os magos atacaram o tronco e não perceberam que Thaylor já não estava mais ali.

Um dos magos, com um enorme escudo, olhou para trás e viu Thaylor:

— Galera! Ele está ali! Vamos atacá-lo novamente!

Todos gritaram e foram novamente para cima de Thaylor, que novamente estalou os dedos e trocou de posição com um dos magos da Black Spider. Quando os magos perceberam, tinham matado brutalmente um mago de sua própria guilda.

Todos ficaram aterrorizados com a magia de Thaylor e saíram correndo, gritando por seu líder:

— Que preguiça. Odeio enfrentar tudo isso de gente. – Comentou ele, bocejando e deitando naquele enorme galho no alto de uma árvore.

Thaylor ficou esperando por horas.

O líder da Black Spider não apareceu.

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Blue, em frente de Stealth e Brasom, sentado em seu trono, nervoso:

— Como assim ele saiu da God-20? Quem ele pensa que é?

Stealth, curvada e coçando a cabeça, não sabia como explicar a situação, mas tentou:

— Ele era um infiltrado. Ele é dono de uma guilda que só tem ele.

Brasom, com medo das reações de Blue, acrescentou:

— Seu objetivo é entrar em guildas e enfrentar seus líderes. Entretanto, quando ele descobriu do tamanho poder dos God-20 e da dificuldade até chegar na vossa majestade, ele desistiu da ideia por preguiça.

Blue se levantou e saiu andando, amedrontado e furioso. Sim, Blue estava com medo:

— Eu não podia ter deixado isso acontecer. Thaylor, depois de mim, é o mais forte dessa guilda.

Preocupados, Stealth e Brasom se levantaram. Blue ordenou:

— Vão atrás de Thaylor. Matem ele antes que ele reencontre Anark.

Confusa, Stealth levantou a mão e perguntou:

— Reencontre Anark? O que a vossa majestade está querendo dizer?

Blue olhou para um buraco que tinha no topo daquela torre, permitindo ver a lua e respondeu:

— Se Anark descobrir que Thaylor é quem ele é... seria o nosso fim.

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Thaylor estava em frente à um prédio espelhado, gigantesco. Um dos maiores prédios de Leonor:

— Sinto algo vindo desse prédio que eu não consigo decifrar. De certo modo eu vim automaticamente até aqui. Estou com tanta preguiça de entrar.

Thaylor tirou seus fones de ouvido e os ajustou em seu pescoço. Entrou.

Sem olhar para os lados, apertou o botão do elevador e subiu até o último andar.

Estava de noite e naquele prédio tinha pouca gente.

— Nossa. Esse prédio está praticamente vazio. Acho que vou sentar nessa cadeira e descansar. – Comentou Thaylor, pegando uma xícara de chá na máquina ao seu lado e andando em direção à minha mesa.

Sim, Thaylor invadiu o prédio dos Caçadores.

Nesse momento eu cheguei e quando abriu a porta do elevador eu dei de cara com ele:

— Thaylor?

Ele se levantou, cuspindo toda o chá em sua boca:

— Anark? Você... Você está... Vivo?

Notas finais
Título do próximo capítulo: Mortes