Os Caçadores: A Última Guerra
63 As Ruínas Demoníacas
Notas iniciais
Parte 1 – Preparativos
Era de manhã e eu tinha acabado de acordar. Fairy tinha me empurrado da cama, alegando que todos já estavam em suas posições e que iriam partir para as Ruinas Demoníacas, um antigo vilarejo do tamanho de uma cidade, agora parcialmente destruído, habitado por demônios, os quais foram extintos pelo Conselho.
Tomei meu café, junto com os outros onze magos que iriam partir para as ruínas, onde estava concentrado a Blue Dimension. A refeição durou duas horas, já que Teddy — aquele que iria nos liderar – nos deu algumas instruções. Ele disse que os inimigos estavam espalhados pelas ruinas e teríamos de nos dispersar.
Depois do café da manhã, cada um foi para sua casa – pegar suas armas, armaduras, remédios e entre outros objetos de guerra. Eu já estava pronto para partir, em frente ao portal que Thaylor tinha criado. Esse portal nos levaria instantaneamente para perto das Ruínas, mas não lá dentro e sim, perto.
— Eu estou com medo, Shawn. – comentei com ele, o Rei da Ciência.
— Eu imagino seu sentimento. Você deve estar bem fraco por conta da ausência do teu livro. – Shawn tocou no meu ombro, tentando me confortar. – Mas vai dar tudo certo, você vai ver. Sairemos vitoriosos dessa guerra. Todos nós.
Eu sorri e me virei ao perceber que já estavam todos ali. Novamente Teddy começou seu blá blá blá motivacional e entramos, então, no portal.
Enquanto estávamos percorrendo aquele “corredor interdimensional”, Thaylor sentiu uma forte presença mágica no destino e sua magia se tornou instável, fragmentando o portal de destino e jogando cada mago em um lugar diferente das Ruinas.
Eu fui jogado na rua e me ralei todo até bater em um enorme poste de luz. Me levantei e vi aquele lugar todo sombrio, com jornais velhos sendo levados pelo vento tóxico. Sobre aquele vilarejo, que eu poderia normalmente chamar de cidade abandonada, havia uma enorme nuvem negra, pronta para gritar a sua chuva interior.
— Aonde eu fui parar? – comentei comigo mesmo, me escondendo atrás de um caixote de lixo verde, encostado na parede, esperando o momento certo de sair dali.
Parte 2 – Cobrando a Traição.
Fairy também foi cuspida do portal em um lugar semelhante ao meu, só que mais espaçoso. Um cruzamento de quatro ruas. Nem conseguiu analisar direito o cenário. Lillian, com sua espada, pulou com tudo em cima dela, fazendo um corte em seu braço no exato momento de sua esquiva.
— Mas eu nem cheguei e já tomei dano?! – perguntou Fairy ao perceber o corte em seu braço.
— Bem que o mestre disse que tinha gente vindo. Que saudade de você, Fairy! Como estão os outros?
— Traidora, bandida, ridícula, vagabunda, nojenta... Você traiu todos nós. Estávamos te caçando até no inferno, bandida!
Lillian deu risada e perguntou, com uma voz grossa:
— Foi eu quem pedi para vocês me procurarem? Enquanto eu estava na guilda, não percebi ambição nenhuma de vocês. Logo então formei o Hexágono, mas também não percebi ambição alguma neles, por isso a desfiz. Portanto, estou bem na Aliança Ningirama, sendo mais exata, na Blue Dimension. Uma guilda lotada de ambição e altruísmo maligno. Você deu o azar de estarmos com o livro do Anark. Ele está ficando cada vez mais fraco e, de certa forma, você também. Quanto tempo vai levar para você desaparecer desse mundo?
Fairy engoliu aquele textão em seco, invocou seu cajado e correu em direção a Lillian, que abriu os braços. Fairy tentou acertá-la no peito, mas atravessou o seu corpo e caiu com tudo no chão.
— Mas que merda? Esqueci da sua magia.
— Há! Há! Há! Vou te lembrar do que eu sou capaz: a matéria do meu corpo pode se adaptar à matéria que eu toco. Estou rodeada de oxigênio, então eu nem preciso me esforçar para ter o meu corpo totalmente permeável. Nada que você faça irá me deter.
Fairy sorriu, pegou seu cajado e o começou a girar, como se fosse um exaustor. O corpo aerodinâmico de Lilly começou a se desestabilizar e foi sugado pela exaustão. Fairy, com Lillian em ar grudada em seu cajado, arremessou-a longe, fazendo seu corpo se tornar de carne e osso.
Lillian se levantou, exausta:
— Essa minha magia... é tão ultrapassada. Sorte a minha que eu possuo as minhas chaves.
Fairy, segurando as chaves de Lillian, provocou:
— Essas chaves aqui? Que pena... – ela apertou todas elas, quebrando-as. — ... Não existem mais.
Depois de ser derrubada por sua magia e ter suas chaves quebradas, Lillian pegou sua espada que estava no chão e correu para cortar Fairy, que se defendeu com uma rasteira, e, por fim, perfurando o crânio de Lillian com a ponta de seu cajado, matando-a.
— Oh! Minha nossa... o que foi que eu fiz? Eu matei a Lillian... merda... preciso encontrar alguém. Não estou me sentindo bem. Anark... estou prestes a desaparecer... aonde você está.
Fairy abriu suas asas e voou para o desconhecido, a procura de alguém, a minha procura.
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