Os Cavaleiros do Zodíaco - After Hades
11 Divindade
Notas iniciais
LUCAS
O aeroporto estava cheio em Roma. Lucas desembarcou com Sérgio, Silica e Edward, quando era ainda o nascer do sol na capital italiana, com os raios de luz entrando timidamente pelo saguão de desembarque. "Era o único voo disponível", lembrou Lucas. "Ainda sim, temos que chegar na Grécia de alguma forma". Seguiram até o lado de fora. Ele vestia uma camisa roxa, com calça jeans e tênis preto. Silica usava uma camisa amarela justa ao corpo, com um casaco verde-musgo por cima. Tinha também uma calça jeans e um tênis semelhante ao dele, só que branco com detalhes na cor rosa. Eles haviam concordado que – apesar de ser uma infração – Ela não usaria a máscara, para não chamar atenção de quaisquer inimigos. Ao fazer isso, ela revelou seu rosto de traços bonitos, com uma boca pequena, e olhos... Olhos maravilhosamente lindos de cor azul-esverdeada. Seu cabelo prateado estava como sempre, na metade das costas. Lucas se perguntava como ela se sentia em relação a ele. Após alguns anos de treinamento juntos, era a primeira vez que ele a via sem a máscara, e ela era realmente muito bonita. Edward vestia uma camisa de mangas longas de cor azul-marinho, com uma calça jeans negra e tênis prateado. Sérgio tinha uma camisa verde, também de mangas longas, e usava também luvas pretas de lã. Eles chegaram no salão de espera, e sentaram-se rapidamente em algumas cadeiras que ficaram vazias quando um homem alto de cabelo negro curto e uma mulher um pouco menor do que ele, de cabelos castanhos, saíram.
– E agora, como chegaremos até a Grécia? – Perguntou Silica, suspirando cansada.
– Nós poderíamos pegar um navio – Disse Sérgio – É o meio mais rápido de chegar lá.
– Você sabe que não temos dinheiro para isso, Sérgio.
– Nós vamos de ônibus – Disse Edward – É o jeito mais barato para chegar até a Grécia.
– Eu concordo com ele – Respondeu Lucas – Temos pouco dinheiro, mas o bastante para chegar até o Santuário.
Silica, apoiou o rosto em Sérgio, encostando-se nele. O seu irmão pareceu não se importar com isso, mas Lucas sentiu uma pontada de raiva enquanto observava. Levantou-se, inquieto.
– Vou comprar alguma coisa para comermos. Alguém vem comigo?
Para sua surpresa, Silica se levantou.
– Vamos. – Disse ela, com um sorriso tão lindo que o fez corar.
Eles seguiram direto pelo emaranhado de pessoas, desviando aqui e ali de uma mala, de uma pessoa, e até mesmo de um baú com um cachorro dentro. Viraram a direita ao verem uma placa com uma seta, e ao longe viram a lanchonete. Lucas imaginou que ela estaria cheia, mas estava realmente vazia.
– Estou me sentindo tão feliz. – Disse Silica, observando a lanchonete enquanto andavam.
– Por que? – Indagou Lucas.
– É aqui que eu nasci, em Roma. Essa cidade me dá um ânimo diferente.
– Entendo. – Lucas não entendia. Sabia que ele havia nascido em São Paulo, no Brasil, mas tinha sido mandado logo cedo para Salvador, em outra cidade do próprio país, mas em uma região que tinha costumes e uma cultura bem diferentes de sua cidade natal. Eles seguiram pelo corredor, passando pelas mesas e chegaram no balcão. Ao ver a pizza Romana, Silica deu um sorriso mais lindo ainda do que o que tinha dado antes, e virou-se para Lucas.
– Você vai provar a melhor pizza da sua vida. – Disse ela. Lucas riu, corou, e virou o rosto. Então, viu.
Dois homens vinham em direção a lanchonete. O da direita era mais alto, e tinha os cabelos negros e lisos, na altura dos ombros. Ele vestia uma camisa negra, com uma bermuda branca e um sapatênis. O segundo era menor, tinha cabelos vermelhos e usava uma camisa também vermelha, com uma calça tactel azul e tênis negros. Mas não foram eles que chamaram a atenção de Lucas. Foram as urnas em suas costas. Sem dúvida eram duas urnas de armaduras. Lucas cutucou Silica.
– O que foi, Lucas?
– Tem duas pessoas com urnas de armadura ali.
– Sério? – Ela virou-se e viu os dois. Eles notaram o olhar diferenciado dela, e viraram a direita, desaparecendo na multidão de pessoas – Eu vou atrás deles, eles podem ser cavaleiros!!
Silica seguiu em frente correndo, e Lucas não pode detê-la. Eles viraram a esquerda em um corredor, e desceram uma rampa, até o estacionamento subterrâneo. Ao chegarem lá, Lucas viu — pelo retrovisor de um carro — os dois homens atrás de um caminhão, escondidos.
– Nós somos cavaleiros!! – Gritou Silica. Venham cá!! Não queremos machuca-los!
Lucas viu a hesitação nos rostos deles, mas então, eles saíram, devagar e hesitantes. O mais alto falou.
– Quem são vocês?
– Meu nome é Lucas, e esta daqui é Silica. Nós somos aprendizes do cavaleiro de Andrômeda, Shun.
– Shun? – Ele pareceu surpreso – E o que estão fazendo aqui?
– Fugindo de Ártemis. – Disse Silica, sem titubear.
– Nós também – Falou o mais baixo – Somos aprendizes de Hyoga, o cavaleiro de Aquário. Meu nome é Jacó, e esse ao meu lado é Ryuji.
Então, uma explosão de cosmo chamou a atenção dos quatro. Ao final do estacionamento, apareceram várias satélites, iguais as que atacaram a Ilha de Andrômeda. Elas avançaram correndo e disparando flechas em direção aos aprendizes. Jacó atacou com um ar congelante, que fez todas as flechas caírem no chão. Silica e ele avançaram, correndo. Ela deu um chute rodado no rosto da primeira satélite, girou sobre os calcanhares, e com os punhos cerrados, deu dois socos para os lados.
– Pulsação de Ar!
As satélites em sua volta foram arremessadas para todos os lados, já derrotadas. Ao olhar para Jacó, Lucas viu apenas ele parado no centro, com uma série de satélites congeladas ao seu redor. Atrás de Lucas e Ryuji, Sérgio e Edward apareceram, alarmados.
– O que houve?! – Perguntou Edward. Ao ver a presença dos dois aprendizes de Hyoga, indagou – Quem são esses?
– Quem são esses dois? – Perguntou Ryuji.
– Esses são Edward e Sérgio. Também eram aprendizes na Ilha de Andrômeda – Explicou Lucas, que virou-se para seu irmão logo em seguida – Já esses são Ryuji e Jacó, pupilos de Hyoga de Aquário.
– Entendo – Respondeu Sérgio, bem mais calmo – É um prazer conhece-los.
– Igualmente. – Disse-lhe Ryuji. Outra explosão de cosmo, e todos viraram em direção ao fim do estacionamento de novo. Isto está errado, nenhuma satélite desse nível emanaria um cosmo tão poderoso como essa última explosão. Então, Lucas viu apenas um feixe de luz, e então outra explosão, dessa vez uma física, e não cósmica. Todos os cavaleiros e aprendizes foram arremessados para trás, sendo jogados contra carros e caminhões. Lucas se levantou com dificuldade. Viu que um homem e uma mulher estavam ao longe. Ele vestia uma armadura branca ornamentada, que cobria as pernas até os joelhos, o tronco, e o braço direito inteiro. Ele tinha os cabelos negros ralos, e uma expressão séria no rosto. "Ele é aquele homem das cadeiras!! E a mulher também". Entre os dois e os aprendizes, estava um rapaz de joelhos com uma armadura verde. Ele tinha um escudo, que posicionava em frente ao corpo. Seu cabelo era negro esverdeado, liso, e descia pelas costas como o cabelo de uma mulher.
– Impressionante, cavaleiro. – Disse o homem de armadura branca.
Os outros cavaleiros puseram-se em formação. Ryuji e Jacó já vestiam suas armaduras, e por um instante, Lucas não percebeu, até que a azulada armadura de prata de Cefeu estava sobre o seu corpo. Seu cosmo transbordou, e ele fez uma linha de três cavaleiros em frente ao cavaleiro de cabelos esverdeados.
– Quem é você? – Lucas ouviu Edward falar.
– Eu sou Raffal, o cavaleiro de dragão... – Ele ofegava – Quase não chego a tempo de defender vocês daquele ataque.
– E vocês, quem são? – Perguntou Jacó ao homem de branco e a mulher.
– Quem eu sou? – Disse ela, rindo com os cabelos vermelhos esvoaçando – Eu vou lhes mostrar quem eu sou. Ataque!
O homem de branco avançou. Passou pela linha e chutou Raffal, que mesmo defendendo com o escudo, foi arremessado até um carro. Com um golpe de energia, fez Sérgio, Edward e Silica voarem. Jacó e ele atacaram.
– Pó de Diamante!! – Disse o cavaleiro de bronze, lançando um poderoso ar congelando.
– Ventos de Tormenta!! – Atacou Lucas, lançando um vendaval que potencializou o golpe de Jacó. Contudo, a tempestade congelante parou nas mãos abertas do homem, que avançou e enterrou com os punhos Lucas e Jacó no solo. Lucas ainda viu Ryuji trocar alguns golpes com o homem antes de ser atingido também. O mesmo caiu de joelhos, e quando seria finalizado, o cavaleiro de branco saltou para trás. Lucas levantou-se debilmente. E de repente, o homem de armadura branca estava ao lado da mulher novamente, dessa vez com uma postura de luta.
– Quem é você...? – Balbuciou Lucas, quase sem forças.
– Quem sou eu? – Riu novamente ela, dessa vez, baixinho – Eu sou Ártemis.
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