Os Cavaleiros do Zodíaco - After Hades
21 Pulsar
Notas iniciais
iRAFFAL
O grupo deslocava-se pelos Alpes Suíços. Seiya, Marco, Ryuji, Sérgio e Lucas. Eles se movimentavam por uma trilha acinzentada, que fazia uma curva por oeste, indo em direção ao Santuário de Ártemis. Até ali, não haviam encontrado nenhuma viva, fosse algum inimigo, ou morador de algum vilarejo próximo. “Estranho”, pensou Raffal. O grupo seguiu em frente, com os pés das armaduras sujos afundando em uma lama enegrecida, feita da união da terra batida com o degelo da neve que ainda cobria as árvores e as margens da trilha de branco. Contudo, era uma trilha, e só existiria uma trilha naquela floresta gelada, caso ela fosse necessária para alguém. E esse alguém eram as satélites. Mais atrás, os cavaleiros encontraram outra trilha, e outro grupo seguiu pela trilha ao leste. Ikki foi sozinho pelo caminho direto. “Não vejo motivos para me esconder”, dissera ele. De qualquer forma, eles seguiram em frente. “Já faz quase um hora em que subimos essa trilha e não chegamos a lugar algum”. Seiya ia na frente, como líder da formação, a armadura de Sagitário brilhando em seu dourado. Raffal ia no centro, Lucas no flanco esquerdo, e Sérgio no flanco direito. Marco defendia a retaguarda do time. Em determinado momento da subida, Seiya gesticulou e todos ficaram parados. De todos os lados, surgiram satélites inimigas, vestindo as glórias negras e lançando flechas de todos os jeitos. “Finalmente”, tinha pensado Raffal, ansioso por alguma ação. Contudo, Raffal, como estava no centro, quase não se mexeu. Marco e Seiya dizimaram várias instantaneamente, tanto as satélites quanto as flechas. Já Lucas se preocupou em uma coisa de cada vez. Defendeu as flechas com uma parede de ar, e só então atacou com seu golpe, que também derrotou todas as satélites de uma vez só. Contudo... Sérgio foi o mais intrigante.
Assim como na Batalha de Veneza, seu cosmo pulsou uma vez, e – Utilizando o Arco de Ártemis – Ele atirou flechas como um demônio, matando cada uma delas em uma velocidade impressionante, antes mesmo que saíssem da mata retorcida. Após isso, o grupo ficou em um silêncio mortuário, até que Seiya falou.
— O que foi isso, Sérgio?
— Eu não sei... – Disse ele. O cosmo ainda pulsava, rubro, apesar de que as pulsações iam diminuindo cada vez mais. Seus olhos também brilhavam em uma cor vermelha, e ele tinha uma aura imponente por si só – Aconteceu do nada, como da outra vez... Mas acho que consigo controlar agora, pelo menos um pouco...
— Como assim controlar?! Explique isso! – Indagou Marco, nervoso.
— As pulsações... Isso é cosmo, sem dúvida alguma... Mas não parece normal, é diferente do cosmo normal. Além disso, quanto mais fortes as pulsações, mais poderoso eu me sinto.
— De fato... – Disse Raffal – Esse poder foi mais fraco do que Veneza. Ainda sim, foi ótimo.
E então, do nada, Sérgio se alarmou, e a pulsação de seu cosmo foi imensamente maior do que em Veneza. Ele – Ainda com o Arco de Ártemis nas mãos, virou-se em direção a subida da trilha, preparou uma flecha, e soltou-a com uma força, velocidade e precisão imensas. Ela cortou o céu em direção a algum lugar na mata, perdendo-se lá.
— Ora ora, impressionante, aprendiz de cavaleiro. – Disse uma voz vinda das sombras. Os cavaleiros colocaram-se em posição de batalha, enquanto uma figura sombria surgiu por trás de uma árvore destruída, e andou pela neve pálida até a trilha, descendo pela lama – Conseguiu sentir a minha intenção assassina a uma distância considerável, algo que nem dois cavaleiros de ouro juntos tinham feito. Admito que estou admirado, não irei subestimá-lo.
Havia algo errado com aquele homem. Raffal sentiu isso, enquanto ele sentia um calafrio na espinha a medida que o homem se aproximava. Ele era branco, vestia uma glória negra, ornamentada com detalhes sombrios e pontiagudos. Seu elmo tinha uma máscara que cobria a face, ambas negras como a morte. Se ele tinha cabelos, estavam presos dentro do elmo. Os olhos eram verdes.
— Quem é você? – Indagou Seiya.
— Não lhe interessa, Sagitário. Homens mortos não precisam saber quem eu sou. – Respondeu ele, presunçoso o bastante para deixar Seiya vermelho de raiva.
— É algum idiota se pensa que pode derrotar cinco cavaleiros sozinho! – Disse Marco, desafiador.
— Quatro cavaleiros, se me permite dizer – Falou ele, olhando de forma petulante para Sérgio — Contudo, temo que não seja um idiota, afinal de contas. Não é mesmo meninas?
As duas gêmeas surgiram na retaguarda do grupo, porém a uma distância enorme. Cada uma empunhava um arco negro ornamentado nas pontas. Ambas tinha flechas prontas, que soltaram assim que o homem dera o sinal. Raffal tomou a retaguarda, elevou o cosmo e atacou as flechas.
— Cólera do Dragão!!
O golpe destroçou ambas as flechas, afundando os estilhaços no solo lamacento. As duas se aproximaram em grande velocidade, e Raffal preparou-se. Marco tomou posição lado a lado com Raffal. As duas viram o cavaleiro de ouro, e adotaram uma estratégia. Ambas as gêmeas utilizavam glórias prateadas, e tinham cabelos lisos descendo pelas costas. Uma delas era loira, de feições finas e lábios pequenos. A outra era igual, mas com cabelo negro. A morena avançou, enquanto a outra ficou parada no meio da trilha. Os passos da satélite ficavam cada vez mais fortes enquanto ela avançava pela trilha, afundando os pés na lama. O sol da manhã ficou mais forte, e o gelo começou a escorrer pela árvore. De canto de olho, Raffal pode observar Seiya, Lucas e Sérgio lutando contra o homem de glória negra. Não... Lutando não, mas brincando. Seiya e Lucas tentavam acertá-lo com golpes, destruindo árvores negras e retorcidas, enquanto, de trás, Sérgio tentava pegar o maldito de glória negra de surpresa. Mas ele era veloz, e desviava habilmente dos cavaleiros. Raffal então se concentrou nas suas inimigas.
— Marco, pegue a de trás! — Disse-lhe Raffal, deixando o cavaleiro de ouro surpreso. Mas ele não pudera evitar, era mais um dos lapsos de extrema inteligência que Raffal tinha, onde ele pensava na estratégia mais adequada para a situação. Marco avançou, passando pela morena, caindo na armadilha em que Raffal previra. Várias satélites se aproximaram para o combate próximo. Mas, como Raffal também previra, Marco não era um cavaleiro de ouro por nada, rodopiando os cabelos negros em meio a uma multidão de satélites, destroçando-as com um golpe. A morena se aproximou, e utilizou o seu arco como uma arma, dando um golpe em arco em direção a cabeça de Raffal. O escudo do dragão o protegeu desse golpe, bem como do chute rodado que ela deu com a perna esquerda após isso. Após esquivar-se de outros dois socos diretos, Raffal saltou para trás.
— Lute, cavaleiro! Enfrente a mim, Svart, a guerreira negra!
— Então prepare-se, Svart! Cólera do Dragão!! – Atacou Raffal, não usando toda a força do seu golpe. Svart esquivou-se, e como esperado, nesse momento veio a flecha.
— Acabe com ele, Vit!
A irmã atendeu a seu pedido, e Raffal executou seu plano. Deu um chute rodado rasteiro, fazendo Svart cair no chão. Pegou-a pelas madeixas negras, e usou seu corpo como escudo-humano. A flecha penetrou no coração, matando-a instantaneamente. Raffal soltou o seu corpo, e olhando nos olhos da satélite, disse:
— Adeus.
Nesse momento, Marco – literalmente – pulverizou a satélite inimiga. Após virarem-se novamente em direção ao homem de glória negra, Marco e Raffal viram que ele agora havia parado, observando os cavaleiros de trás. Seiya estava com o rosto tenso, o cosmo emanando de raiva. Apesar disso, ele virou-se em direção a Raffal e disse:
— Raffal, cuide dele – Os olhos tensos de seriedade – Todos os outros seguirão em frente comigo.
— Sim, Mestre Seiya. — “O que?! Raffal não conseguia acreditar. Por que justamente eu contra alguém tão poderoso?! Não fazia nenhum sentido lógico, mas Raffal, como um cavaleiro honrado, obrigou-se a ficar lá, observando os cavaleiros seguirem em frente, levantando lama em seus calcanhares velozes.
— Ora ora. Não tema, cavaleiro de bronze. Acabarei com isso rápido. Afinal, é o meu dever... – Disse o homem, retirando seu elmo. Os cabelos negros-esverdeados caíram pelas costas, levemente ondulados, os olhos verdes olhando fixamente os olhos de Raffal.
Ele estava paralisado.
Era Takano, seu irmão.
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