Os Cavaleiros do Zodíaco - After Hades
18 Mestre
Notas iniciais
JANUS
– Vá embora daqui, Dan!! – Disse Ikki para o cavaleiro de Pégaso, impassível.
– T-tem certeza, senhor? Ele é forte demais...
– Sim, tenho certeza! Vá até o Grande Mestre, e informe as novidades. Diga a ele que eu estou de volta, e que sei a localização do Santuário de Ártemis!!
– S-sério?! – Indagou Dan, surpreso. ”Isso é verdade? – Pensou Janus – “Se for, não posso deixar o Pégaso sair desse lugar!!”
O guerreiro de Ártemis avançou com um salto até o cavaleiro de bronze, e quando ia acertá-lo, foi arremessado até uma pilastra com um potente golpe, que acabou quebrando em duas partes a estrutura. “Ainda conserva o poder de antigamente, pelo visto...”
– Não me atrapalhe, Fênix! – Disse Janus.
– Eu que digo isso, moleque!! Como seu mestre, eu irei dar a você a minha punição!! – Ele elevou o cosmo e atacou, sem rodeios – Avê Fênix!!
– Fênix Negra! – Rebateu Janus, com o golpe igual ao de seu mestre. Contudo, sua aura e chamas eram negras como a morte. As duas labaredas de fogo e vento se chocaram, expelindo uma poderosa tempestade de calor em todas as direções. O chão e os pilares do Coliseu do Santuário tremeram, e muitas pedras e suportes foram derretidos no processo. Contudo, os dois estavam de pé, sem um arranhão sequer. Dan se manteve protegido atrás de outra pilastra, também ficando a salvo.
– Dan! Organize uma reunião com a Saori! Diga aos outros que estou aqui, mas eu cuidarei deste aqui sozinho, entendeu?
– Sim, mestre Ikki! Tome cuidado! – Disse ele, desaparecendo pelas pilastras. “Tudo bem... Matarei ele depois... Agora tenho que cuidar desse peixe grande aqui”
– Prepare-se, Fênix!!
Janus elevou o cosmo e saltou. No ar, lançou duas esferas de fogo em direção a Ikki, e logo após invocou as asas de sua glória negra. Ao fazer isso, deu um rasante no solo, indo em direção ao cavaleiro de fênix. Ikki observou calmamente a situação. Elevou o cosmo, e saltou em direção a Janus, que vinha de frente, esquivando-se assim das esferas. Concentrou energia no punho, e atacou o servo de Ártemis na têmpora direita, arremessando-o para o lado com o impacto. O mesmo girou no ar, e conteve a pressão, conseguindo parar no ar a alguns centímetros de se chocar contra o muro da arena. Continuou em rasante, desta vez, mais rapidamente. Ikki elevou novamente o cosmo, e preparou-se para receber a pancada. Janus arqueou os braços, e desceu com os dois ao mesmo tempo. O cavaleiro de fênix se protegeu cruzando os braços, apesar de que ainda assim foi atingido pelo impacto. Contudo, ele não conseguiu se esquivar do chute. Aproveitando a situação, Janus chute o peitoral de Ikki, que foi arremessado fortemente para trás, batendo no muro de contensão do Coliseu. Poeira e sangue voaram por todos os lados até que o cavaleiro de fênix emergisse. Ele ofegava, e um filete de sangue descia por sua testa. O elmo estava rachado – “Nada demais", Janus sabia – A armadura de fênix conseguia se restaurar sozinha, um feito que nem as armaduras de ouro conseguiam. Ikki olhou para Janus com um olhar determinado, e as asas de sua armadura se abriram atrás dele.
– Não irá tentar me convencer a voltar para o lado de Atena, Ikki? – Perguntou Janus, debochado.
– Não, Janus. Após lutar com você, vi sua determinação. Sua motivação... – Lágrimas desceram de seu rosto – Não farei isso!! Te darei meu último ensinamento, Janus!!
– Diga, então. – Disse Janus, ainda com o rosto debochado. “Ele acha mesmo que eu ligo para o que ele quer dizer?”
– Existem certas coisas que só podem ser entendidas em uma luta!! E é em uma luta que eu te derrotarei!
Ikki avançou voando, e Janus foi para cima, desviando de um primeiro soco potente, que abriu um buraco no muro. Ikki subiu em seu encalço. Os dois giraram no ar algumas vezes, trocando socos e pontapés, até que Ikki atingiu um chute mais potente nas costelas de Janus. Ele sentiu a dor de uma costela quebrada, e nesse momento, o cavaleiro de fênix atacou.
– Ave Fênix!!
A aura da fênix flamejante atingiu Janus no tronco, e o mesmo foi arremessado para trás com uma potência enorme. “Está ficando mais forte... – Percebeu ele – Tenho que terminar logo essa luta.” Janus girou no ar até conseguir se recompor, planando novamente de forma suave no ar. Estava a 15 metros do fênix. “É agora!”
Ergueu os dois punhos, concentrando todo o cosmo que podia. Sentiu todo o universo em sua volta. O ar, o som do vento, o cosmo de todos no santuário, até mesmo o poderoso cosmo de Athena. Abriu as mãos, concentrando todo o cosmo acumulado em um só golpe, que se adensou como uma esfera negra. Atacou.
– Fênix Negra!!
– Ave Fênix!!
Os dois golpes avançaram pelo ar, em duas auras de fogo. Os golpes se chocaram e ficaram em pé de igualdade, assim como havia acontecido antes. “Miserável!! Ainda conserva tanto poder, mesmo depois de tanto tempo?!”. Então, Janus buscou o fator surpresa. Avançou de forma veloz usando as asas, passando direto pelo interior do golpe, atingindo Ikki com um soco. Acertou-o novamente com um golpe de mãos arqueadas, de cima para baixo. O cavaleiro de fênix foi arremessado até o solo, abrindo uma cratera que destruiu a parte das costas de sua armadura. “Tenho que mata-lo antes que a armadura volte e ele saia voando!”
Janus desceu voando, pronto para finalizar a luta, quando teve de se esquivar de uma luz dourada que veio buscando perfura-lo. Desviou o caminho para trás, e voou até a arena, alerta. De lá, olhou de relance para o lado, e achou a fonte da luz dourada. Era uma flecha dourada, que estava fincada em um dos degraus do Coliseu. “Uma flecha dourada?! – Janus ficou mais alerta do que já estava – Será alguma satélite traidora?!”
Mas não era nenhuma satélite. No topo do lado esquerdo do coliseu, apareceram três figuras douradas. E os três eram conhecidos para Janus. Seiya, Marco e Kiki desceram os degraus, chegando até o solo devastado pela batalha. Seiya o encarou, com os olhos castanhos brilhando em fúria.
– Janus.
– Ora ora, Seiya – Disse ele, sempre debochado. Apesar disso, a situação não era boa. Janus poderia derrota-los, se separados. Mas juntos, eram um problema – O que faz aqui?
– Eu disse para não interromper, Seiya – Disse Ikki, saindo de sua cratera no solo. Cansado e com alguns hematomas, a armadura rachada em vários lugares – Essa era uma luta minha!
– Luta minha uma ova!! Eu não iria deixa-lo aqui sozinho lutando contra ele!! Além do mais, você é não só muito importante para Atena, mas também para mim!! – Ele se colocou a frente da cratera, entre ele e Janus. Mas ainda sem uma postura de batalha.
– Mestre! – Interrompeu Marco, com a franja negra esvoaçando pelo rosto. Janus olhou para o céu, que começava a ficar nublado. A tarde na Grécia estava acabando, e em breve a noite viria. E com a noite, o triunfo de Ártemis – Permita-me enfrenta-lo!! Acabarei com ele em um instante!
– Huh, você acha mesmo que conseguiria? – Disse Janus, com um sorriso maléfico no rosto – Você sempre apanhou de mim quando éramos mais novos, Marco. Por que haveria de ser diferente hoje?
– Porque você caiu, Janus. Você agora está do lado de Ártemis, que busca destruir não só a Terra, como a todos... – Ele parou por um momento, emocionado. Lágrimas caíam de seus olhos – Por que nos traiu, Janus?! Por que, miserável?!
Em uma ação completamente contraditória, ele saltou em direção a Janus, que ainda viu a expressão surpresa dos outros que estavam presentes. Tentou um soco no rosto do servo de Ártemis, que se esquivou para o lado e tentou uma joelhada. Marco – com a ponta dos pés – conseguiu girar no solo para o lado, esquivando-se do joelho direito de Janus, que usou também a ponta do pé para tomar uma distância para o lado esquerdo. Deslizou suavemente no solo até parar. Então, Kiki ficou ao lado de Marco. A armadura de áries brilhava suavemente, e agora as gotas de água já caíam finas na escurecida arena.
– Pretende mesmo lutar contra três cavaleiros do nosso nível ao mesmo tempo?
– Três? Eu só vejo um cavaleiro de ouro. Os outros dois, são apenas fracos que vestem uma armadura que não merecem.
– Ora seu!! Receba o rugido do leão!! Relâmpago de Plas...
Marco atacaria, mas foi parado por Seiya.
– M-mestre?! O que houve?
– Marco. Não iremos derrotar Janus agora.
– O que?! Por que não?
– Ordens superiores. O Grande Mestre quer que deixemos que ele parta vivo, sem qualquer dano.
– M-mas, por que faríamos isso?
– Eu também não sei. Mas, apesar de tudo, confio no Grande Mestre. Ele deve ter bons motivos.
– Huh, fugindo de uma luta, Seiya? – Disse Janus, tentando provoca-lo para uma briga.
– Sabe que não é páreo para mim, Janus. Assim como também não é para o Ikki. Ele iria derrota-lo, e você sabe disso.
Janus fungou, e virou-se. Apesar de não eliminar ninguém, ele tinha cumprido o plano. Agora, precisava reportar sua missão, mesmo sentindo-se derrotado.
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