Notas iniciais
LUCAS
Lucas estava treinando com Silica quando tudo aconteceu. De uma hora para outra, um enorme clarão surgiu nos alojamentos da Ilha de Andrômeda, e então o lugar onde estavam todos os seus companheiros foi pulverizado diante de seus olhos. Teria gritado pelos seus amigos, pelo seu mestre, e acima de tudo, pelo seu irmão, mas o mesmo apareceu correndo, junto de Edward e de Shun.
– O que está acontecendo, mestre? – Perguntou Silica.
– Acredito que estamos sofrendo um ataque. Consegui salvar as armaduras de prata na fuga – Disse ele, colocando as duas urnas no chão árido – Mas eu não tive como salvar os outros...
– Então quer dizer que eles...
Por um instante, o silêncio pairou no ar. Edward socou o chão, abrindo uma cratera no solo. Lágrimas escorriam pelos olhos dos três, menos pelos de Shun. Ele tinha um ar sombrio e ao mesmo tempo preocupado, com se vislumbrasse que algo não muito agradável aconteceria. Então, várias mulheres apareceram vindas dos escombros em chamas do que tinham sido os alojamentos. Elas tinham armaduras negras, que cobriam a perna até a altura das coxas, e uma proteção para os seios. Todas tinham também tiaras, proteções para os braços e pulsos e eram armadas com arcos. Elas vinham em uma formação de V invertido, atraindo-os para o centro da formação enquanto andavam. Elas mantiveram uma distância segura e pararam, observando.
– Quem são vocês? – Perguntou Shun, que já vestia sua armadura de bronze. A armadura de Andrômeda tinha duas correntes. Uma para ataque, com um triângulo, e outra com um círculo, para a defesa.
– Nós somos servas da deusa Ártemis, suas satélites. Temos ordens para matar todo e qualquer cavaleiro de Atena.
Shun permaneceu calado, observando as inimigas. Com o silêncio, as satélites fizeram o primeiro movimento. Todas elas soltaram suas flechas negras em direção a Shun. Nesse momento, Lucas não se conteve, e avançou. Ele usava uma placa de couro no peitoral, nos braços e nas pernas. Em cada um dos braços, tinha uma corrente com uma estrela de aço afiada. Se posicionou em frente a seu mestre, e girou as duas correntes simultaneamente, em frente ao corpo. Ele aprendera esse golpe a partir de um ensinamento de seu mestre. Segundo ele, em sua batalha contra as forças de Hades, ele e o cavaleiro de Pégaso – que agora era de Sagitário – enfrentaram um inimigo que utilizara um golpe defensivo bem interessante. Ele girava um remo em alta velocidade a frente do corpo, afim de se proteger de um eventual golpe. No fim, a única diferença nesse caso para Lucas, era o uso de duas correntes, e não de um remo. O golpe defensivo conseguiu com sucesso parar as flechas das satélites, e nesse momento, Sérgio viu uma brecha. Elevou seu cosmo, e concentrando-o nos pés, deu um salto enorme. Aterrissou no rosto da satélite que se posicionava no centro, destruindo seu crânio com o impacto contra o solo. As outras quando perceberam o que estava acontecendo, já tinham caído na armadilha. Edward e Silica atacaram, e suas correntes despedaçaram as satélites restantes. Por um momento, eles se sentiram vitoriosos, mas quando viram a expressão no rosto de Shun, continuaram apreensivos. Ele ainda estava daquela forma calada e tensa.
– O que houve, mestre? – Perguntou Edward.
– Essas não eram as únicas satélites. E a restante é mais poderosa do que todos vocês juntos.
– Ora ora, então parece que temos alguém de maior nível aqui – Disse uma mulher com uma voz sensual. Ela saiu devagar dos escombros, andando. Só de olhar para ela, Lucas percebeu como ela era diferente das outras satélites. Não só fisicamente, como também em poder. A mulher era loira, de cabelos curtos na altura do ombro. Também era esbelta, e usava uma armadura carmesim ornamentada por todo o corpo. Carmesim também eram seus olhos, vermelhos em busca de sangue. A mesma tinha a pele alva como a neve, e usava um batom vermelho nos lábios. "Ela é toda vermelha", percebeu Lucas. Usava um arco, também vermelho.
– Quem é você? – Perguntou Sérgio.
– Meu nome é Iris e vim aqui para mandar vocês diretamente para o inferno!!
A satélite estendeu as mãos para o alto, e do nada apareceram quatro flechas negras em suas mãos. Ela mirou em Sérgio, que estava mais próximo, e atacou.
– Flecha dos Homens!!
O dardo correu o espaço da Ilha de Andrômeda, e quase atingiu Sérgio, que saltou para a esquerda no momento em que seria atravessado. A flecha seguiu seu rumo, e só não atingiu Shun porque o mesmo deu uma leve movida na cabeça para o lado, fazendo a flecha passar direto e se fincar em uma pedra.
– Hm... Interessante. Mas vamos como você vai se sair contra mais de uma flecha!!
A loira de olhos escarlates soltou mais dois dardos em direção a Sérgio. O mesmo elevou seu cosmo, e atacou as duas flechas com uma espécie de ataque de vento com os punhos abertos. As flechas foram lançadas para os lados e após para o chão, no meio de sua trajetória. Sérgio caiu de joelhos, ofegante.
– Você é bom... Mas não controla seu cosmo direito. Gastou energia demais em um golpe simples como esse. Devo dar logo a misericórdia que você merece? – Disse ela, olhando de forma petulante para Shun, que manteve sua postura serena. "Ele não vai fazer nada?!" Pensou Lucas – Acredito que sim, pela reação de seu mestre!! – Falou ela. Preparou-se para lançar a última flecha. Lucas já elevava seu cosmo quando viu a satélite saltar para se esquivar da corrente triangular de Shun.
– Se aproxime, Sérgio!! – Ordenou ele.
Quando Sérgio voltou para perto do mestre, o cavaleiro de bronze disse.
– Quero que vocês saiam daqui agora!
– O que?! Mas por que, mestre?! Essa mulher é poderosa, você não pode lutar sozinho contra ela!! – Disse Silica, contestando.
– Vocês acreditam mesmo que eu morrerei aqui? – Ele deu um leve sorriso – Sim, de fato ela é poderosa. Mas agora nosso principal objetivo é sair daqui com as armaduras de prata. Escutem, essa ilha é um alvo vulnerável. Tenho certeza que ela não utilizou sequer metade de seu poder para destruir esses alojamentos. Vocês devem sair daqui agora, e levem as armaduras. Dos quatro, dois de vocês usarão essas armaduras. Agora, vão! O Santuário precisa de vocês!! – Disse Shun, avançando em direção a mulher. Ela invocou desta vez uma flecha prateada, e atacou.
– Flecha dos Anjos!!
Shun revidou.
– Corrente de Andrômeda!! – Disse ele, com as correntes esvoaçando e se agitando fortemente até atacar.
Então, Lucas virou de costas e correu o tão rápido o quanto conseguiu correr. Viu que os outros três também corriam ao seu lado, com Edward e Sérgio levando as urnas nas costas. Conseguiu ainda escutar o barulho de colisão...
Fale com o autor