Notas iniciais
Espero que curtam o//

RAFFAL

O dia tinha amanhecido ensolarado nos Cinco Picos Antigos. A Grande Cachoeira de Rozan tinha suas águas azuis caindo abaixo até o lago, que seguia em forma de rio até o vilarejo. "Tenho que ir ver se algo aconteceu com os aldeões", pensou Raffal, enquanto refletia. Usava uma roupa chinesa negra, com alguns detalhes azulados e um dragão desenhado nas costas da camisa. Saltou pelos abismos da cachoeira, com seus cabelos verde-escuros esvoaçando pelos seus ombros. Chegou até a cabana de seu pai, onde achou a armadura de dragão. "Se algo acontecer, use-a sem hesitar, dissera seu pai". Mesmo assim, Raffal sentia-se mal por isso. Ele sabia que Shiryu preferia ele a seu irmão na disputa pela armadura de bronze de dragão, mas ele não queria ver Takano sentindo-se mal por isso. Chegou na cabana e entrou em seu quarto, observando urna da armadura de dragão. "Está na hora de ir". Colocou a urna nas costas e saiu. Quando saltava de um precipício para outro, fazendo o caminho de volta, sentiu uma presença e conseguiu se esquivar por pouco de uma flecha que acabou se perdendo em meio às águas da cachoeira. Rolou pelo solo e adotou postura de luta. Do meio das árvores saíram várias mulheres com armaduras negras e arcos na mão. Elas tinham uma postura presunçosa, e avançavam lado a lado. Raffal percebeu que aquilo era para oprimi-lo contra o abismo que dava para a cachoeira.

– Quem são vocês? – Indagou Raffal.

– Huh, olhem só quanta petulância desse garoto! Mas irei responde-lo, pois parece que você tem algo bem interessante aí nas costas... Nós somos as satélites de Ártemis – Disse a que estava no centro — Temos ordens para matar todos os cavaleiros de Atena. Viemos aqui atrás de um tal de Shiryu. É você?

– Não, eu sou o seu filho e aprendiz, Raffal.

– HAHAHAHAHA – Riu uma delas – Ótimo! Isso é melhor ainda! Vamos matar você para despertar a ira do seu pai!!

Raffal não esperou por um ataque.

Saltou rente ao solo e deu um soco no estomago da satélite que estava debochando. Pegou-a pelo cabelo e a arremessou no solo. O impacto abriu uma cratera no chão, com a mulher no fundo. Raffal viu algumas armarem-se com seus arcos. O aprendiz deu o golpe final na satélite esmagando seu rosto com uma das pernas. Saltou para a direita, e viu-se de frente com duas mulheres. Deu um soco no queixo da primeira, arremessando-a no alto. A segunda o atingiu com uma joelhada no estomago, e logo após com um chute no tórax, arremessando-o dentro da cratera. Ele levantou-se, elevou o cosmo e deu um potente salto para trás. "Elas não são boas no combate corpo a corpo. Mas sozinho, não tenho chances! Fico muito vulnerável... A não ser que..."

Correu para trás desviando de setas que eram lançadas pelas satélites em sua direção. Chegou até a urna da armadura de dragão e puxou a corrente. A caixa se abriu, e dela saiu a armadura de bronze, que se desmontou e percorreu o corpo do aprendiz. Raffal pode sentir a armadura reagindo a seu cosmo, e pela primeira vez, viu um universo dentro dele, se expandindo mais e mais. Seus braços e pernas agora tinham o poder de destruir até mesmo as estrelas do céu. Após um momento maravilhado, voltou à realidade. Viu algumas flechas vindo em sua direção. "Tão lentas", pensou ele. Dançou por entre as flechas e avançou com facilidade em direção as satélites. Duas a direta da cratera, e três a esquerda. Foi pela esquerda, elevou o cosmo e atacou.

– Cólera do Dragão!!

As três satélites foram arremessadas precipício abaixo, com as armaduras negras destruídas. "Que poder incrível!" Virou-se e correu novamente, desta vez em direção as outras duas satélites restantes. Deu uma acrobacia enquanto corria, para se esquivar de duas setas que buscavam trespassa-lo no pescoço e no abdômen. Ao se aproximar o bastante, elevou o cosmo e atacou novamente.

– Dragão Voador!! – Falou ele. O golpe passou facilmente pela desajeitada defesa das guerreiras de Ártemis, derrotando-as. Suas armaduras também foram destroçadas, e elas caíram, condenadas a ter seu fim no fundo da Grande Cachoeira de Rozan. Mas não houve tempo para comemorações. Raffal teve de se esquivar de mais uma flecha, essa vinda da mata. "A pressão do ar exercida por ela me feriu" – notou Raffal – "Ela não me atingiu, mas ainda sim me machucou". Quando olhou para trás, viu uma lança bege, com cerca de 2 metros, fincada no solo. "Não foi uma flecha?"

Raffal estava se perguntando como alguém conseguiria arremessar uma lança como aquela dessa forma quando viu a aproximação de um homem, que abria caminho por entre a mata. Ele era ruivo, esbelto e de passos rápidos. Na mão, trazia uma lança igual a que havia sido arremessada.

– Quem é você? – Perguntou Raffal.

– Meu nome é Tohma, eu sou um dos anjos celestes.

– Um anjo? – Essa tinha pegado Raffal em cheio – Por que anjos estariam a serviço de Ártemis?

– Isso não é da sua conta – Respondeu ele, seco – Meu único objetivo aqui é derrota-lo, cavaleiro de bronze. Prepare-se!

Os dois elevaram seus cosmos, e Raffal atacou. Ao vestir a armadura, Raffal teve uma sensação de poder indescritível, e talvez por isso estivesse mais confiante do que deveria. E isso provou ser um erro. Ele avançou com um soco, esquivado com facilidade pelo anjo, que apenas deu um passo leve para a esquerda. O cavaleiro de bronze tentou girar com um chute rodado no rosto do anjo, que defendeu o chute com um punho, logo em seguida agarrando a perna dele, e o arremessando contra o solo. O golpe abriu uma fenda no solo, e o filho do cavaleiro lendário pode sentir o gosto de sangue na boca. Tohma – já com a lança pronta – Preparou-se para empalá-lo, mas quando ia atacar, saltou para trás, desviando de um golpe... Elétrico?

– Enfim conseguimos encontra-lo, anjo de Ártemis! – Exclamou uma voz. Raffal levantou-se e virou seu rosto em direção a voz, observando uma mulher esbelta de cabelos verdes. Ela usava uma armadura roxa, e tinha também a mascara de amazona. Raffal sentiu-se feliz ao ver que não estava só agora – Demoramos muito para encontrar o seu rastro!

– Não tenho dúvidas – Respondeu Tohma, desdenhando – Me diga, onde está a outra? Tenho certeza de que senti outro cosmo com você.

Raffal não tinha sentido nada, mas de repente, a tal mulher apareceu ao lado dele. Ela usava uma armadura azul parecida com a da outra, mas seus cabelos eram ruivos e a máscara era limpa, somente o cinza brilhando sem nenhuma ornamentação.

– Raffal, levante-se – Disse a mulher, dando a mão para que o mesmo se levantasse.

– Quem são vocês?

– Eu sou Marin de Águia. Aquela lá atrás é Shina, a amazona de Cobra. Nós duas somos da patente de prata, e enfrentaremos esse anjo em seu lugar.

Raffal se sentiu ofendido.

– E por que?! Vocês julgam que eu não sou capaz de lutar contra ele?!

– Sim, é exatamente isso – Respondeu Shina – E também, você tem que ir até o Santuário. O Shiryu está a sua espera, e é lá que você receberá uma missão do Grande Mestre. Agora vá!

Raffal iria protestar mais quando foi salvo por Shina em uma lança que iria trespassá-lo.

– Vá logo, moleque! Não nos atrapalhe!! – Disse o anjo, em uma fúria completamente diferente da calma que ele tinha antes.

E então, Raffal foi.

Notas finais
o//