Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira

4 Capítulo 4 : A estranha voz da casa de câncer!


Notas iniciais
- Zetes, na mitologia grega, é o nome de um dos filhos de Bóreas, o vento norte; - Megalópolis é o nome de uma cidade que foi ajudada pelo vento norte na guerra contra Esparta; - Erictônio foi um rei muito rico que possuía 3 mil éguas pelas quais o vento norte se apaixonou.

Kraisto e Maya corriam pelas escadarias que levavam à casa de Áries, ambos vinham da casa de Touro que seria a segunda casa, fazendo assim o caminho inverso. Kraisto de repente pára.

– Maya, estou um tanto que preocupado com Ian, o cosmo do inimigo...

– Kraisto... — interrompe Maya – Ian é aquele que possui o escudo mais sólido do universo, você não tem com o que se preocupar, ele ficará bem. Concentre-se nos inimigos que estão logo à frente.

Maya aponta para os soldados Safira que estavam atrás de um outro com porte musculoso e uma armadura que lhe protegia quase que o corpo todo. A armadura era de um tom de azul mais claro que o dos soldados, usava uma tiara na cabeça e em seu ombro esquerdo havia uma espécie de cabeça de cavalo ou égua. O homem parecia ter uns 2 metros e pouco, era realmente alto e musculoso.

– Vamos logo com isso! — dizia o homem – Os grandes ventos não podem esperar mais! Quebrem logo esta barreira!

– Parem já com isso! — Gritava Maya.

– Vocês não passarão daqui! — complementava Kraisto.

– Hahahaha, então finalmente deram as caras, cavaleiros de Atena! — diz o homem musculoso – Muito bem, eu, Zetes a brisa do vento norte, serei o adversário de vocês.

– Zetes?! — diz Maya.

– A brisa do vento norte, você diz?! — complementava Kraisto mais uma vez.

– Isso mesmo! Sintam o poder da brisa do norte! Megalópolis!– diz o safira criando duas esferas de energia e as lançando contra os cavaleiros de prata. Elas giram em torno de si mesmas e então se fundem se tornando uma única bola enorme de energia.

Maya e Kraisto saltam rapidamente desviando das esferas que se chocam com o nada, mostrando uma barreira cósmica se estremecendo.

– Soldados, ali está a brecha que precisávamos, rápido!

Os soldados atendem rapidamente o comando da brisa do vento norte e correm naquela direção quebrando a barreira.

– Não tão rápido! — dizia Maya – Flechas Luminosas!

Ele estica o braço direito concentrando um poderoso cosmo de luz que se multiplica tomando a forma de flechas. Ele se torna sólido virando várias flechas luminosas que atingem os soldados todos ali que caem feridos e mortos.

– Meus soldados safiras!! — Dizia Zetes impressionado – Desgraçados! Pagarão caro por isso!

– Não se engane... — diz Kraisto — ...Você será o próximo! Chagas de Gelo!– Kraisto lança pequenas lanças de gelo contra Zetes que é acertado em pontos específicos.

– Desgraçado... Que dor, que dor enorme... — dizia o gigante com grande dificuldade. Cada vez que ele movimentava, mais elas pareciam entrar e rachar sua armadura.

– Se eu fosse você ficaria parado – diz o cavaleiro de prata – cada vez que você se movimenta, mais as minhas chagas entrarão na sua armadura, até que os pontos dela se rachem e elas comecem a entrar na carne do seu corpo.

– Co-como é?! Maldito... Que técnica terrível! Nunca imaginei que um cavaleiro de Atena fosse capaz de uma técnica tão cruel.

– Assim como meu nome veio em homenagem ao nosso Senhor Jesus Cristo, essa técnica foi criada por mim para punir aqueles que ousam manchar o Santuário de Atena. — explicava Kraisto – Minhas Chagas de Gelo são criadas e lançadas especificamente para atingir os mesmos pontos em que Jesus foi perfurado por suas chagas através dos romanos na Judéia. Mas ao contrário do nosso Senhor, que teve de carregar as culpas dos pecadores, os invasores como você carregarão suas próprias culpas!

– N-Não pense que me derrotará tão fácil assim, cavaleiro de Atena!! — o gigante concentra seu cosmo e é envolvido por um grande fogo que derrete as cinco chagas de gelo. Ele caminha em direção a Kraisto e pega sua cabeça a socando contra o chão – Você vai pagar muito caro por isso!!!

O gigante estava prestes a enfiar a cabeça de Kraisto mais uma vez contra as escadarias da casa de Áries quando de repente Maya intervém dando um chute nele.

– Não se esqueça de mim, desgraçado! O seu cosmo não é tão grande assim, sua única vantagem é a força física e por isso vai pagar, sinta isso! Flechas Luminosas!

– Idiota! Esse golpe não funcionará comigo!!!

O gigante rebate as flechas luminosas, as fazendo voltar em direção a Maya que cruza os braços se defendendo.

– Se é assim... — ele se prepara para lançar outro golpe concentrando seu cosmo — Flechas Envenenadas!

O cavaleiro de Sagitta então lança diversas flechas, porém, essas não brilhavam. Eram flechas azuis.

– Idiota, já disse que essa técnica não vai funcionar comigo!!! Ira das 3000 Éguas de Erictônio!– Zetes lança, em forma de vento, 3 mil éguas que correm na direção das flechas que passam por elas e as eliminam. Em seguida, passam pelo safira que parece não sentir nada. Ele corre na direção de Maya até que de repente começa a sentir muita dor. — Essa dor... Mas como?! O que é isso?! — diz ele cuspindo sangue de repente – Não pode ser... Fui derrotado?!

– Você é forte, mas não chega aos pés de um cavaleiro de prata. — diz Maya – Você nunca foi oponente para nós. Você foi derrotado nas Chagas de Gelo, eu meramente ajudei a acelerar sua morte com o veneno de minhas flechas.

O gigante então cospe mais um pouco de sangue e cai de cara no chão. Maya se aproxima de Kraisto e o ajuda a se levantar. O cavaleiro do cruzeiro do sul estrala o pescoço com as mãos e começa a limpar o pó do concreto quebrado. Em seguida surge diante deles Altair de águia.

– Pessoal! — diz Altair – Esse aí é um Safira, não é?

– Sim, parece que eles se chamam Safira sim. — diz Maya num tom frio.

– Altair, então você está sabendo que o Santuário foi invadido. — comenta Kraisto.

– Sim, derrotei um deles na entrada do Santuário, mas perdemos a amazona de Dourado.

– Desgraçados... — diz Kraisto fechando o punho – Você conseguiu descobrir quantos são?

– Não, ele falou algo sobre os grandes ventos antes de morrer. — comentou Altair – Mas acho que precisamos avisar o Grande Mestre.

– Verdade, mas... — Kraisto olha em direção às casas acima – Acabo de me lembrar que deixamos Shee sozinho perto da casa de Câncer. Espero que ele esteja bem e não tenha tentado nada louco.

– Não se preocupem. — diz Maya se virando pras casas também – a amazona de ouro que guarda a casa de Câncer está lá, tenho certeza de que nada de ruim aconteceu com ele. Vamos logo, temos um grande caminho a percorrer. Se Altair já cuidou da entrada só nos resta voltar lá pra cima.

Kraisto e Altair concordam, os três cavaleiros de prata correm rumo à casa de Touro novamente. Enquanto isso, Acubens se preparava para enfrentar Jacinto. Eles estavam dentro da casa de Câncer.

– Você é realmente louca, sabia? — dizia Jacinto – facilitou muito o meu trabalho me deixando entrar assim na casa de Câncer.

– Já se esqueceu do que eu disse agora a pouco? — dizia a amazona de costas pro inimigo – te darei um tratamento especial por ter machucado meu criado.

– Oh? É mesmo?! — dizia Jacinto – Pois que assim seja! Vamos logo!

– Tão ansioso assim para morrer? Não, eu vou te fazer morrer dolorosamente! — ela desvia ao perceber o ataque do inimigo e o pega pelo pescoço o jogando de volta por onde veio. — Fique quietinho aí!

– D-Desgraçada! O que pretende? Diga de uma vez!

– Você já vai saber! — dizia Acubens estralando os dedos. Entre ela e Jacinto aparecem caixões o que faz o safira dar um passo pra trás assustado.

– O-O que é isso?! Caixões?! Quando foi que... — o soldado fica espantado ainda mais com o cheiro forte de carniça que começava a exalar o ambiente, fazendo com que o mesmo sentisse uma agonia muito forte – Que cheiro é esse?!

– É o cheiro exalado por aqueles que foram derrotados por mim. Mais especificamente, o cheiro de seus companheiros de agora a pouco!

Os caixões se abrem e de dentro deles saem almas negras cujo aspecto misteriosamente lembravam os soldados que estavam com Jacinto. Os cadáveres começam a caminhar na direção de Jacinto e começam a agarrá-lo.

– Não... Não... Saiam daqui!!! Me deixem em paz! — diz o soldado safira morrendo de medo enquanto sumia embaixo das almas negras.

– Me diga, huh? Como é sentir a podridão vinda dos seus próprios companheiros? Não está sendo um ótimo presente? Até que sou boazinha, não acha? Hahahaha!

De repente, uma forte luz começa a sair das almas, surpreendendo a amazona. As almas são mandadas para longe e Jacinto se levanta com sua armadura brilhando e revelando o rosto do rapaz. Ele tinha cabelos castanho claro e compridos com algumas partes espetadas. Sua armadura para de brilhar se tornando mais clara um pouco.

– A minha safira, ela... — dizia o rapaz surpreso – Evoluiu! Hahahaha consegui! Consegui sobrepujar meu próprio poder! Hahahaha.

– Acho que eu acabei te subestimando... — diz a amazona – Parabéns, você conseguiu se livrar do meu Controle de Cadáveres. Você é um adversário melhor do que pensava.

– Isso mesmo, nunca subestime a brisa oeste do cíumes!!! Chama Circular!

Jacinto concentra chamas em suas mãos e as giram formando um círculo de fogo que lança contra Acubens que chama as almas à sua volta e as fazem pegar fogo.

– Chamas Demoníacas!– Diz ela lançando as chamas que se colidem com o golpe do oponente, o bloqueando.

Enquanto a luta ali acontecia, Shee ainda estava desacordado nas profundezas daquela vala. Ele sonha com sua mestra olhando orgulhosa para ele que andava com uma caixa de pandora dourada. Ele se aproxima de sua mestra que diz.

– Shee, acorde!

– Hã? Senhorita Acubens?

– Acorde! Vamos, Shee!

O rapaz de repente abre os olhos e se vê em meio a escombros. Ele logo percebe que a voz que ouvira era a de Mi.

– Shee! Acorda!

– Mi? O que está acontecendo?

– Você foi jogado pra debaixo da casa de Câncer por aqueles invasores, lembra?

– É verdade... Eu fui derrotado facilmente.

– Isso não é hora pra se lamentar, vamos....

– Hã? — diz ele se levantando enquanto se apoiava aos escombros – Pra onde?

– Está na hora da gente se conhecer pessoalmente, finalmente.

– Como é?! Você quer que eu morra?!

– Quê?! – diz a bola de energia espiritual – Não diga besteiras! Venha logo!

– Mas, aí só tem uma parede... — dizia ele olhando se virando e realmente havia uma parede de mármore na frente dele.

– Eu sei, você precisa quebrar essa parede.

– Quê?! Você ficou louca, Mi?! Já se esqueceu como eu vim parar aqui?

– Não, mas eu sei que você consegue, basta fazer o cosmo em você explodir.

– Mi, eu agradeço pela confiança, mas vamos encarar a realidade.. Eu nunca vou ser um cavaleiro, os outros estavam certos o tempo todo. — diz ele se sentando em uma pedra dos destroços.

– Então vai ser assim? Você vai simplesmente desistir por que perdeu uma luta e por que um bando de idiotas diz que você não é capaz?

– Mas...

– Sem “mas”! E quanto a mim que guiei a amazona de ouro até você por acreditar no seu potencial? E quanto à Acubens que acredita em você? Já se esqueceu da promessa que fez a ela?

– A promessa...?

Shee se lembrava muito bem daquele dia, daquela promessa. Eles haviam acabado de chegar ao santuário e Shee avistara os cavaleiros lutando.

– Senhorita Acubens! Senhorita Acubens! Aqueles são os Cavaleiros de Atena? — dizia o garoto apontando para baixo onde ele via dois outros jovens se enfrentando.

– Isso mesmo, Shee! — dizia a amazona de ouro em seus trajes civis. — Aqueles na verdade são aspirantes a cavaleiros. Estão no momento disputando por aquela armadura ali!

Ela aponta para uma caixa de pandora no topo de um pequeno altar. Na caixa podia-se ver o rosto de um dragão chinês.

– Uall! Eles são demais! — dizia o garoto – Também quero me tornar um cavaleiro! Um dia serei um cavaleiro de ouro como a Senhorita Acubens!

Acubens se abaixa rindo e fazendo carinho em Shee.

– É mesmo? Hehehehe.

– Sim! — dizia Shee enquanto assentia com a cabeça – É uma promessa!

Aquele dia jamais sumira da cabeça dele. Shee se levanta da pedra e se vira novamente para a parede. Ele fecha os olhos tentando se concentrar.

– Shee, dentro dos nossos corpos há um universo inteiro. Sinta esse universo dentro de você e faça o seu cosmo explodir!

– Sentir o Universo dentro de mim... — o rapaz se concentra ao máximo, de repente uma luz em meio à escuridão que enxergava dentro de si chama sua atenção. Dentro de sua mente, ele caminha em direção a essa luz que se revela todo um universo -... E explodir o cosmo dentro de mim!

O universo em sua mente então explode. Shee abre os olhos e expulsa um cosmo poderoso fazendo com que a parede à sua frente se despedaçasse. Ele leva as mãos à sua frente impressionado.

– Essa sensação de agora... Eu...

– Isso mesmo Shee... Foi o cosmo em seu coração. Você finalmente despertou o cosmo dentro de você.

– Isso foi incrível! Hahahaha! — Shee parecia empolgado, começava a pular de alegria – Agora eu poderei ser um cavaleiro de Atena! Um cavaleiro de ouro! Hahahaha

– Shee, concentre-se! Vamos, passe pela parede que quebrou agora e vamos finalmente nos conhecer.

– Mi... Certo!

Shee passa pelo buraco à sua frente e percebe que conhecia aquele lugar.

– Esse lugar... — dizia ele olhando em volta – Estamos na casa de Câncer!

– Isso mesmo! Aqui é um lugar secreto até mesmo para a Amazona de Câncer. Vamos, eu estou logo ali, na próxima sala.

O rapaz continua andando até passar para a outra sala que estava bastante escura.

– Eu não enxergo nada... Tá escuro demais aqui e... Ai! — grita ele ao sentir que batera em algo gelado e de metal. Ele sabia que era de metal pelo barulho que fizera ao bater. O garoto então risca um fósforo que guardava em sua roupa e acende uma tocha que ficava sempre presa às paredes das salas internas da casa, iluminando o ambiente. Ele se vira e fica surpreso com o que vira.

– Mas isso é... Então você era...

Continua...

Notas finais
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