Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
28 Capítulo 28 – Jardim de Flores
Notas iniciais
Shee, Ian, Kraisto, Maya e Altair tentam enfrentar Bóreas, no entanto, perdem rapidamente. Piorando ainda mais a situação, a armadura de triângulo é finalmente restaurada e uma enorme ilha surge flutuando sob a Torre. Se tratava da Ilha Éolia, a ilha onde se encontrava descansando o corpo do deus dos Ventos Éolos. Shion encoraja os cavaleiros que se viam perdidos diante da situação e os manda diretamente para a ilha no céu. Porém...
– Conseguimos! – comemorava Shee – Conseguimos adentrar Eólia!
O garoto pulava sem parar, comemorando.
– Vai com calma, garoto. – alertava Kraisto – Não sabemos que perigos nos acercam por aqui.
– Kraisto tem razão. – concordava Altair – Esse é um território completamente novo pra gente.
– Não podemos relaxar! – dizia Ian olhando em volta daquele jardim – Tudo aqui é... – ele bocejava – Suspeito.
– Ian tem... – dizia Maya também demonstrando cansaço e um olhar pesado – Razão... Fi-Fiquem de olho...
– T-Tá um tanto difícil agora... – diz Kraisto se apoiando nos joelhos, sentindo uma fraqueza.
– Pe-Pessoal...! – dizia Shee sentindo-se fraco também – Te-Tem alguma coisa errada aqui...
O rapaz olha para suas mãos, sua visão agora parecia embaçada e ele mal se aguentava em pé. De repente aparecem dois pés revestidos pelo que parecia uma bota de ouro maciço.
– Você é bastante esperto, garotinho. – dizia o dono daqueles pés. Shee olha pra cima e vê, mesmo que meio embaçado, um homem de pele um pouco mais morena, com cabelos longos e em tonalidade platinada, ou pelo menos era o que o garoto acreditava ser.
De fato, mesmo com a visão embaçada, o rapaz não estava errado. O homem trajava uma armadura de ouro do exército de Atena, mais especificamente falando, a armadura de peixes, seu nome era Alrisha.
– U-Um cavaleiro de ouro...! – diz Shee impressionado e com um suspiro de alivio, como se estivesse salvo.
Ian se apoiava em seu escudo, ele olha para Alrisha que emitia um sorriso um tanto suspeito.
– Garoto, cuidado! – grita o cavaleiro de prata, mas já era tarde demais.
Alrisha movimenta seu braço rapidamente. Para uma pessoa normal, parecia apenas que ele havia levantado a mão para cima, mas na verdade, ele havia pego uma rosa e acertado o rapaz como se ela fosse uma navalha. Com o impacto do pequeno ataque, Shee é jogado pra trás, caindo com o rosto para o céu.
– Po-Por quê? Vo-Você é um de nós... – dizia ele confuso e fraco.
– Foi você não foi? – pergunta Ian – Foi você quem invadiu os aposentos do Grande Mestre e o sequestrou para os Grandes Ventos... Admita!
– Oh... Então já me identificaram? – indagava Alrisha – Sim, fui euzinho mesmo.
– Desgraçado traidor! – diz o cavaleiro de escudo indignado – Escudo Mortal!
Ian se eleva pelos ares e projeta seu pé sobre o cavaleiro de peixes, girando sobre si mesmo, como um tornado. Em seguida, ele conclui o golpe com uma voadora giratória que lembrava uma britadeira. Alrisha então puxa um pequeno lírio e o esmaga jogando suas pétalas no ar e as lançando contra Ian.
– Escamas de Lírios! – diz o cavaleiro de ouro logo em seguida.
As pétalas dos lírios passam como navalhas contra o corpo de Ian que ainda assim consegue atingir de leve o cavaleiro traidor. Porém, somente o que seu golpe faz é levar o cavaleiro um pouco para trás. Ian então cai em pé, ainda que fraco e voltando a fincar seu escudo ao chão, o usando como apoio. O cavaleiro de prata respirava ofegante, seu corpo parecia pesado como cimento.
– Parabéns, mesmo no estado em que se encontra, você conseguiu acumular cosmo o suficiente para um último ataque.
– Como um cavaleiro de Atena – ele arfava entre uma fala e outra – Deveria saber que não deve nos subestimar.
– Não me venha com lição de moral, rapaz! – interrompe Alrisha – Não irei tolerar esse tipo de conversa de uma baixa patente como a sua! Pode ser um cavaleiro de prata mas ainda assim não chega aos pés do meu cosmo!
– Você fala como se tivesse orgulho em ser um cavaleiro... – dizia Kraisto juntando forças pra se levantar.
– Ora e porque não teria? Veja como sou forte, poderoso e belo! – ele ergue os braços cada um para um lado e gira, terminando com uma jogada de cabelo para o lado, que brilham forte com o bater do sol nele.
– Está tirando sarro da nossa cara? – perguntava Kraisto indignado.
– Me diga... – diz Altair se levantando também – Se tem tanto orgulho assim em ser um cavaleiro, porque traiu o Santuário? Porque traiu Atena?
– Sim, eu confesso ter traído o Santuário, mas Atena? – explicava ele – Como posso trair alguém que sequer conheci?
– Como é? – pergunta Ian.
– Vocês podem acreditar nessa história de fé cega, mas eu não. Não posso ser fiel a uma deusa que sequer está presente, que simplesmente nos abandonou!
– Desgraçado! – dizia Kraisto que tem seu braço segurado por Altair. Ele olha pro rapaz que apenas nega com a cabeça como se dissesse “agora não”.
– Atena reencarna na Terra todo século, então porque justamente neste século ela não fez? Ela preferiu simplesmente nos abandonar, se a deusa pela qual eu supostamente luto me abandonou, que motivo eu tenho para continuar ao seu lado? Digam!
– Todos conhecem a história... – dizia Altair – A deusa Atena se sacrificou ao lado do cavaleiro de Pégaso na última batalha contra Hades para nos salvar. Porém, ninguém sabe ao certo se ela de fato morreu ou se ela se mantém em algum lugar. Ninguém sabe de fato o que aconteceu à deusa Atena. A nós cavaleiros, só nos cabe esperar por seu retorno e proteger o Santuário.
– Pois eu me recuso! – insistia Alrisha – Não lutarei por deusa alguma!
Indignado com aquela conversa e descrença do cavaleiro de ouro, Altair solta o braço de Kraisto que finalmente queima seu cosmo e parte para cima do traidor. Ele corre na direção de Alrisha se preparando para desferir seu ataque, no entanto, em meio ao caminho, o cavaleiro de prata do cruzeiro do sol se desarma ao sentir uma forte dor no coração, ele leva a mão ao peito e acaba caindo.
– O-O que está acontecendo comigo? – perguntava ele confuso – Não entendo! O cavaleiro de peixes é famoso por suas rosas venenosas, mas ele não me atacou hora alguma! AHHH!!! Que dor! Que dor!
Kraisto cai rolando no chão e gritando de dor. Ian temia por seu amigo, furioso ele fita com o olhar o cavaleiro de peixes.
– Desgraçado! O que está acontecendo aqui?!
– É só olharem ao seu redor! – dizia Alrisha – Não notaram o aroma delicioso que este jardim emana?
– O aroma...? – diz Ian finalmente entendendo – Não respirem! – gritava o cavaleiro levando a mão ao rosto e tampando o nariz – Este jardim, ele...!
– É tarde demais! Hahahahahaha – ria o cavaleiro escandalosamente.
– Não entendo... – dizia Shee que continuava caído e olhando o céu. Ele parecia um tanto entorpecido e delirante – O que tem esse aroma? É tão agradável.
– É verdade, você é apenas um aspirante a cavaleiro de bronze, não é? – desdenhava Alrisha – Muito bem, eu vou lhe explicar: o cavaleiro de peixes é o responsável por proteger a última casa do zodíaco antes da casa do mestre. É uma enorme responsabilidade e por isso mesmo, seu treinamento deve ser o mais árduo e perigoso!
Imagens de Alrisha sofrendo em um campo florido, cheio de cortes e expressões de doente apareciam enquanto o cavaleiro explicava sobre o treinamento de cavaleiro de peixes.
– Para se tornar um cavaleiro de peixes, o aspirante deve passar dias, meses, até mesmo anos, respirando e misturando seu sangue ao terrível veneno das rosas mortais no campo sagrado da casa de peixes. É uma provação terrível, encarar a morte de frente dessa forma. – dizia o cavaleiro de ouro olhando para sua própria mão, lembrando-se do passado.
– Alrisha, não me diga que você... – ia dizendo Ian.
– Exatamente. O aroma exalado pelas flores desse jardim é uma combinação do perfume natural delas com o veneno que corre em meu sangue. Vocês foram envenenados desde o momento em que pisaram aqui! Hahahahhahaha Morram pelo poder da minha técnica Névoa Sangrenta , cavaleiros! Hahahahahhaa
– Isso é tudo o que eu queria ouvir! – diz Maya se levantando finalmente e demonstrando estar melhor que os outros ali. Ele concentra seu cosmo – Flechas Luminosas!
Sagitta desfere diversas flechas luminosas que acertam Alrisha que estava surpreso demais para se defender, porém, o ataque parecia não surtir muito efeito.
– Mas como isso é possível? – diz Alrisha sem se importar com o ataque – Você foi infectado pela minha Nevoa Sangrenta assim como os outros, porque não está como os outros? Como é possível?!
– A resposta é muito simples. – diz o cavaleiro de prata – Durante meu treinamento eu também fui envenenado, graças a isso meu corpo se tornou um pouco resistente a ataques de veneno.
– Maya, então você estava só fingindo? – pergunta Ian.
Maya não diz nada, apenas o olha de canto e abre um sorriso.
– Interessante... – interrompe o cavaleiro de peixes – Mas isso não muda nada! Eu apenas vou ter que mudar minha estratégia, nada mais!
Indignado, Maya o ataca novamente com as Flechas Luminosas. Alrisha tenta se defender, e nessa hora Altair salta por trás de Sagitta e ataca o cavaleiro de ouro com sua técnica Soco Aéreo. Mas Alrisha parecia imóvel.
– Eu já disse que é inútil! – diz ele – Sumam da minha frente! Rosas Piranhas!– diz ele lançando uma rosa negra contra Altair que é atingindo em cheio e jogado ao chão. Em seguida, ele retira uma rosa vermelha na direção de Maya – Rosas Diabólicas Mortais!
Maya tenta se defender da rosa que finca em seu braço e expele seu pólen no rosto do cavaleiro. Aos poucos, Maya vai adormecendo.
– Desgraçado... – dizia Shee ainda como que em transe – O que fez com ele?!
– Oh... Ainda está vivo, garotinho? Minhas Rosas Piranhas são rosas negras terríveis capazes de destruir tudo em seu caminho, são uma de minhas piores rosas. Já as Rosas Diabólicas Mortais expelem seu pólen que contem um tipo muito específico de veneno. Primeiro, a pessoa atingida pelo veneno, cai em sono profundo, em seguida, a pessoa vai perdendo seus cinco sentidos aos poucos até que por fim, ela morre.
– Alrisha, você é um monstro! — Dizia Ian que já estava quase ao chão.
– Ora, mas por quê? Eu só quis dar a ele um pequeno presente por resistir ao veneno de meu lindo jardim.
– Desgraçado...! – dizia Ian que se preparava para atacar o ex-companheiro.
– Poupe o pouco cosmo que lhe resta! – dizia Jaga que aparecia naquele jardim finalmente.
– Jaga! – dizia Ian aliviado e agora esperançoso.
Jaga passa pelo companheiro queimando seu cosmo, ele então sorri para ele e para um pouco mais a frente.
– Ora, ora... Queimando seu cosmo para criar uma barreira contra minha Névoa Sangrenta? Você é mesmo digno do título de lenda, Órion.
– Alrisha, já chega. Você não quer fazer isso. – diz Jaga o encarando.
– Oh, não? Porque eu sinto que quero sim.
– Não, você não quer! Zéfiros me explicou tudo.
Torre dos Ventos, alguns minutos atrás...
– Vocês cavaleiros de Atena são uns tolos que se iludem! Acha mesmo que não previ que isso pudesse acontecer?
– Que disse?!
– Seus amigos estão em sérios problemas se entrarem em Eólia e tentarem impedir Bóreas. Aliás, se é que chegarão até Bóreas! Hahahahhaa
– Desgraçado, o que você...?! – dizia Jaga ficando preocupado, ele olha novamente para cima, como se tentasse alcançar seus amigos com o olhar – Amigos... – pensa o cavaleiro de Órion.
Seu olhar volta para Zéfiros ao passo de que o cavaleiro nota a movimentação do vento oeste. O inimigo se desarma e vira meio de lado como se dissesse “pode passar.”
– O que pretende?! – diz Jaga desconfiado.
– Exatamente o que está vendo. – respondia o vilão – Estou lhe deixando ir de encontro aos seus amigos.
– Mas... Por quê? – indaga o cavaleiro de Órion confuso.
– Minha missão era ganhar tempo até que a armadura de triangulo fosse restaurada e trouxesse Éolia de volta. Agora que isso aconteceu, não há mais motivos para lutar com você.
– Mas...
– Eu não sou como meus irmãos, já lhe disse. – interrompia o Grande Vento – Agora vá de uma vez antes que eu mude de ideia e lhe mate aqui mesmo.
– Zéfiros...
Jaga não diz mais nada, apenas aceita e passa correndo por ele.
– Ah, mais uma coisa... – continua o inimigo – Tome muito cuidado ao pisar na ilha.
Jaga ao ouvir aquilo para e olha para ele novamente. Zéfiros continua.
– Existe um jardim capaz de envenenar a todos pelo ar. Se não quiser morrer logo que chegar na ilha, você deve queimar seu cosmo. Porém, ele já deve ter matado os seus amigos de qualquer forma. Te aconselho a desistir e aceitar o triste fim desse planeta.
– Os meus amigos são muito mais fortes do que um simples jardim. – afirmava Jaga.
– Não estou falando do jardim, mas sim do responsável por ele...
Éolia, momento atual...
– Zéfiros me explicou que tomou o controle sobre você.
– Então é isso! – dizia Ian que parecia ser o único ainda resistindo ao veneno – Então só precisamos libertá-lo do controle de Zéfiros... Mas, como?!
– Só tem um jeito. – explica Jaga – Destruindo aquela coroa de flores.
O cavaleiro aponta para o braço de Alrisha. Com tudo o que ocorrera, Ian não havia notado isso até então.
– Se acha que consegue, então venha Jaga de Órion!
Continua...
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