Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga da Safira
27 Capítulo 27 – Não podemos desistir! Rumo à Ilha Flutuante!
Notas iniciais
Shee, Ian e Kraisto chegam ao último andar da Torre dos Ventos. Eles enfrentam Bóreas, o vento Norte, porém, o semideus era mais forte que seus outros irmãos e eles se veem em apuros. Piorando ainda mais a situação, a armadura de triângulo é finalmente restaurada e uma enorme ilha surge flutuando sob a Torre.
Os cavaleiros olhavam sem poder acreditar. Acima da torre, sob os céus, estava uma enorme ilha. Naquele instante, a roupa trajada por Bóreas brilha, dando lugar a uma armadura em um tom de rosa, com uma safira da mesma cor no centro. Em suas costas, um par de asas compunha a armadura. O semideus começa a levitar envolto pelo seu cosmo. Ele voa então em direção à ilha, deixando os nossos heróis pra trás. Kraisto cai de joelhos e se apoia com as mãos, chorando, ele socava o chão até abrir ainda mais as feridas em suas mãos.
– Está acabado... Está tudo acabado... — dizia ele frustrado e desolado.
– Eu não posso acreditar nisso... — dizia Maya sentado no chão e olhando pra cima – Tanta dificuldade, tanta luta pra chegarmos até aqui e tudo terminar assim, em vão.
– Kraisto... Maya... — diz Ian olhando para os dois.
– Então é assim?! — diz Shee se levantando e os olhando com ódio – Vocês vão desistir justo agora?!
– Garoto! — Diz Maya – Acorde pra vida! Não está vendo?! Kraisto tem razão, acabou! Nós não fomos capazes de salvar o mundo na ausência da deusa Atena.
Altair para na frente de Maya o levanta pelo pescoço e dá um soco em seu rosto. Maya então lança um olhar de raiva pra ele.
– É assim que você se orgulha em dizer que é um Cavaleiro? É até aí que vai o seu orgulho como Cavaleiro de Prata? — ele olha o amigo de cima a baixo com decepção – Patético...
– O que você disse?!
Indignado com a acusação de Altair, Maya se lança contra ele e os dois começam a brigar rolando no chão. Shee olhava aquilo sem saber o que fazer.
– Pessoal... Calma! — dizia o garoto desesperado – Kraisto! Ian! Ajudem aqui!
– Deixa eles. — dizia Ian de uma forma mais triste – Quem sabe eles finalmente se acertam?
Shee olha os dois um tanto que perdido sem saber o que fazer ali exatamente.
Santuário de Atena, Grécia...
Acubens entra no salão do grande mestre e para diante de seu trono. Atrás do trono havia uma enorme cortina branca sobreposta por uma vermelha que ficava presa nos cantos.
– Mestre Suplente! – gritava a amazona de ouro – Mestre Suplente!
Ares sai de trás da cortina bocejando. Ele trajava a roupa de mestre suplente e segurava o elmo avermelhado em suas mãos. Seus cabelos eram longos e negros e, ao contrário do que diziam pelo Santuário afora, ele não era um lemuriano como seu suposto irmão, Shion. Aquela era a primeira vez que o rapaz era visto sem a máscara por alguém.
– O que faz aqui, Amazona?
– Mestre Suplente, eu lhe suplico! – dizia ela abaixando sua cabeça em respeito – Nos permita entrar na batalha contra os Ventos! A situação está...
– Eu sei muito bem qual é a situação! – dizia ele de forma serena porém autoritária enquanto se sentava no trono que era de Shion – Você está questionando minhas decisões enquanto Mestre Suplente, amazona? Não se esqueça que na ausência de meu irmão, quem deve comandar o santuário em nome de Atena sou eu.
– Não foi isso o que quis dizer, Mestre, mas...
O Mestre Suplente solta um suspiro e abre um sorriso. Ele se desencosta do trono e leva seu rosto mais próximo ao de Acubens a olhando com paz e calma.
– Sei que está preocupada com seu assistente, mas tenha fé. Tudo dará certo se mantiver a fé nele e nos cavaleiros de prata. Eu o observei durante as lutas, seu garoto tem um poder formidável. Tenha certeza de que Shion também o notou e que, quando tudo isso acabar, o aceitará oficialmente como cavaleiro.
– Mestre Suplente... – dizia Acubens surpresa com as palavras dele.
Dali mais um pouco, alguns cavaleiros de ouro adentram o salão também.
– Polis, Shaula e até mesmo Hamal! – dizia a amazona de câncer surpresa com este último.
– Porque a surpresa? – indaga o cavaleiro de Áries – Eu também me preocupo com aqueles jovens cavaleiros, e meu pupilo está lá também. Mestre Suplente... – Hamal direciona seu olhar para o mestre presente ali que o interrompe.
– Eu sei muito bem o que vieram me pedir. – ele olha para cima – Até pouco tempo estava em Star Hill, refletindo.
– Refletindo nada... – cochichava Acubens para Polis – Quando entrou aqui ele estava bocejando, sei muito bem que tipo de reflexão ele fazia.
O Mestre Suplente então pigarreia, chamando a atenção dela que volta a ficar séria.
– Como eu ia dizendo, estava refletindo, procurando qual seria o melhor passo a dar e tomei minha decisão.
– E qual a sua decisão, Mestre Suplente? – pergunta Shaula com uma mistura de impaciência e ansiedade.
Torre dos Ventos, ainda na Grécia...
– Isso é tudo o que você tem?! – gritava Altair para Maya, os dois agora estavam de pé olhando um para o outro
– Eu vou te mostrar o que eu tenho, seu filho da... Flechas Envenenadas! – diz Maya disparando flechas contra o companheiro de batalha. As flechas voam na direção de Altair que é defendido pelo escudo de Ian que impede o ataque.
– Já chega! – diz o cavaleiro de prata – essa discussão inútil não nos levará a lugar algum! O que temos que fazer agora é nos mantermos ainda mais unidos.
Maya fecha a cara e fica calado, por mais que ele odiasse admitir, Ian estava certo. Altair tenta se recompor, respirando profundamente.
– Me desculpe, Ian, você está certo. – admite Altair – Eu não sei o que deu em mim.
– Não se preocupe. – o cavaleiro de escudo toca o ombro do amigo – Às vezes em batalha deixamos nos dominar pelos sentimentos do momento.
– Nós precisamos fazer alguma coisa. – dizia Shee.
– Você precisa voltar ao Santuário. – dizia Ian.
– Mas...
– Shee, garoto. Você nos surpreendeu de verdade, mas você tem de concordar que não teve o treinamento adequado e a situação agora está ainda mais grave. – argumentava Ian – Não sabemos nem se nós conseguiremos fazer alguma coisa.
– Eu sei disso. Sei de tudo isso, da situação, da minha falta de treinamento. O que eu sei foi por observar a mestra, mas eu estou aqui agora e não vou recuar, por favor, não me peça pra recuar agora.
– Garoto... – dizia Ian surpreso com a garra e determinação do rapaz – Muito bem, se é assim que quer.
– Como é que é?! – dizia Kraisto se manifestando – Ian, cara, você tem certeza disso?
– Como cavaleiros de prata, devemos confiar nas decisões tomadas pelos cavaleiros de ouro. Se a mestra Acubens mandou Shee nessa missão apesar da falta de treinamento, temos de confiar que ela sabia o que estava fazendo.
– Bah! – diz Kraisto jogando as mãos pro alto e se sentando no chão em posição de lótus e cruzando os braços – Mas se ele morrer ou algo do tipo não venham dizer que eu não avisei!
– Ei! – diz Shee estufando as bochechas.
– C-Cavaleiros... – dizia Shion despertando.
– Mestre! – diz Altair correndo até ele e o ajudando a se levantar.
– V-Vocês não podem desistir agora. – o Grande Mestre continuava – Vocês se provaram grandiosos cavaleiros. Principalmente você, meu rapaz.
O Grande Mestre olha para Shee que abre um sorriso se sentindo orgulhoso.
– Grande Mestre... – diz o novo cavaleiro sem saber o que dizer.
– Seu cosmo é incrível! – ele se aproxima do garoto e sorri para ele – Um dia você será um cavaleiro ainda mais poderoso, assim como a armadura de Câncer Menor o aceitou, eu o aceito como um cavaleiro.
Os olhos de Shee se enchem de lágrimas, o garoto não podia conter sua felicidade ao ouvir aquelas palavras de Shion. Em seguida, Shion volta seu olhar para Ian, Maya e Kraisto.
– Sagitta, Cruzeiro do Sul e Escudo, estou certo de que um dia se tornarão verdadeiras lendas do santuário, mencionados e admirados por todos. Essa é a luta que decidirá o destino de vocês. Vocês...
Shion começa a ter um ataque de tosse, ele estava muito fraco, senão fosse por Altair o segurando, ele não conseguiria ficar de pé.
– Grande Mestre, não se esforce. – dizia o cavaleiro de águia.
Shion alcança o altar ali perto e se apoia nele.
– Vocês precisam ir. – continuava ele – Precisam ir até a Ilha de Eólia e impedir que Bóreas reviva seu pai.
– O pai dele? – diz Ian – Está se referindo ao deus dos ventos, Éolos?!
Shion afirma com a cabeça se lembrando de momentos atrás.
[Flashback]
– Bóreas! Porque está querendo trazer Eólia pra este mundo? – indagava Shion – Do que irá adiantar?
– Eu irei reviver meu pai. – explicava o semideus – e juntos nos vingaremos da raça humana que um dia nos traiu. Essa é a minha vontade, a vontade de meu pai.
– E como pretende fazer isso? – indagava Shion tentando manter suas forças enquanto seu sangue e cosmo eram drenados pelas plantas – A única forma seria com a Safira que guarda seu espirito, mas...
Naquele instante, Bóreas revela a ele a caixa que Shion segurava no momento em que fora sequestrado por Alrisha.
– Não! Como pude me esquecer, naquela hora...!
– Sim, exatamente Grande Mestre! – respondia Bóreas em tom de desdém – Nós sabíamos que a safira que guardava meu pai estava em algum lugar do santuário, porque acha que não o pegamos antes?
– Você sabia que eu iria até a caixa dos ventos para tirá-la do santuário, não foi?
– Isso mesmo, eu só precisava esperar o momento certo e, graças ao cavaleiro de peixes, estou com você e com a safira de meu pai! Hahahahhahaha
[Flashback]
– Nessa Ilha flutuante acima de nós reside o corpo do deus Éolos. – explicava Shion – Seu espírito fora separado de seu corpo há muito tempo atrás pelo meu mestre em uma de suas missões durante a guerra santa contra Hades. Cavaleiros, por favor, impeçam Bóreas! Agora que ele detém o espírito de seu pai, se ele o reviver, a Terra estará condenada!
– Mestre... – dizia Altair – Nós iremos! Iremos e impediremos Bóreas, eu prometo!
– Ei, calma ai! – diz Kraisto – E como é que você pretende...?
– Não há tempo para bolarmos uma estratégia, vocês ouviram o Grande Mestre! – interrompe Altair – Vocês querem ficar aqui? Ótimo, então fiquem, eu quero proteger a Terra! Assim como o Lendário Cavaleiro de Pégasus!
– Pode contar comigo! – diz Shee erguendo o punho. Em seguida, Altair faz o mesmo tocando punho com punho. Os dois olham para os outros.
Ian abre um sorriso e aproxima-se deles, erguendo seu punho também e assentindo com a cabeça. Maya então se aproxima deles.
– Vamos nos tornar lendas, então. – diz ele erguendo seu punho.
Os quatro então olham para Kraisto como que esperando uma resposta dele.
– Vocês estão todos loucos, sabiam disso? – diz o cavaleiro do cruzeiro do sul. Eles continuavam a encará-lo – Mas eu desonraria meu pai se não embarcasse nessa loucura e não me tornasse uma lenda também, foi o que prometi a ele, que me tornaria uma lenda entre o santuário.
Kraisto então se aproxima deles e ergue seu punho igualmente. Shion abre um sorriso ao ver aquilo tudo e diz:
– Muito bem, cavaleiros! Elevem seus cosmos e saiam daqui! Sigam rumo à Ilha Flutuante de Éolia!
Os cavaleiros então o fazem, eles saltam rumo ao topo quebrado da Torre dos Ventos e então saltam novamente na direção da ilha. Enquanto isso, no sexto andar, Jaga continuava diante de Zéfiros.
– Esses cosmos... Amigos! – dizia Jaga interrompendo sua luta e olhando para cima – Zéfiros, não posso mais ficar perdendo tempo com você aqui, preciso ir de encontro aos meus amigos!
– Tolo! – diz o vento oeste – Acha mesmo que fará alguma diferença?
– Como é? – dizia Jaga incrédulo à confiança do semideus – Por um acaso não notou que eles estão a caminho da ilha flutuante? Só pode ser isso! Eles são os cavaleiros de Atena! Eles não desistirão!
– Vocês cavaleiros de Atena são uns tolos que se iludem! Acha mesmo que não previ que isso pudesse acontecer?
– Que disse?!
– Seus amigos estão em sérios problemas se entrarem em Eólia e tentarem impedir Bóreas. Aliás, se é que chegarão até Bóreas! Hahahahhaa
– Desgraçado, o que você...?! – dizia Jaga ficando preocupado, ele olha novamente para cima, como se tentasse alcançar seus amigos com o olhar – Amigos... – pensa o cavaleiro de Órion.
De volta aos outros cavaleiros, eles saltam pegando impulso no caminho até adentrarem a ilha flutuante. Ao chegarem lá, eles se deparam com um enorme jardim de flores de tudo quanto é tipo.
– Conseguimos! – comemorava Shee – Conseguimos adentrar Eólia!
O garoto pulava sem parar, comemorando.
– Vai com calma, garoto. – alertava Kraisto – Não sabemos que perigos nos acercam por aqui.
– Kraisto tem razão. – concordava Altair – esse é um território completamente novo pra gente.
– Não podemos relaxar! – dizia Ian olhando em volta daquele jardim – Tudo aqui é... – ele bocejava – Suspeito.
– Ian tem... – dizia Maya também demonstrando cansaço e um olhar pesado – Razão... Fi-Fiquem de olho...
– T-Tá um tanto difícil agora... – diz Kraisto se apoiando nos joelhos, sentindo uma fraqueza.
– Pe-Pessoal...! – dizia Shee sentindo-se fraco também – Te-Tem alguma coisa errada aqui...
O rapaz olha para suas mãos, sua visão agora parecia embaçada e ele mal se aguentava em pé.
Continua...
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