Os Caçadores De Mosquitos
9 O garoto da perdição
Notas iniciais
Faducuso estava receoso. Desamarrou Anthony e sussurrou:
_Precisamos conversar.
Gabrielly não demorou aparecer, trazia umas latas, do tamanho de latas de tintas. Ela sorriu ao vê-los, foi um sorriso breve, que logo se dissipou ao ver a cena: A Mosquiteza praticamente esburacada, Gleen suado e ensanguentando com uma estaca com um líquido verde e por fim, Faducuso desamarrando um apavorado Anthony.
_O que houve aqui?- perguntou, estava assustada. Correu até Gleen e o abraçou, fez o mesmo com Anthony.
_Estava preoc...- foi interrompida bruscamente por Faducuso, que não tinha mais a mesma expressão de bondade estampada em seu rosto.
_Vamos, não temos tempo!- o mestre teletransportou-os para sua velha cabana, cuidou dos ferimentos de Gleen e aproveitando que todos estavam se divertindo contando piadas, puxou Anthony, levou-o para fora e começou a perguntar:
_O que aconteceu?
Anthony hesitou, parecia descontente em ter que enfrentar um questionário.
_Sei lá, foi meio doido entende.- começou fazendo breves pausas.- Uma hora o cara estava apanhando e gritando, ele desmaiou, levou 60 chibatadas, aí a rainha começou a discursar sobre a inferioridade da nossa espécie e dizer que mataria a Gabrielly. O Gleen pirou, ficou doidão, as cordas que o amarraram se queimaram e ele conseguiu quebrar uma tábua com as mãos e matar a rainha, os guardas fugiram, foi assustador e animalesco. Os olhos dele, estavam vermelhos, depois ficaram laranjas e... foi só.
Faducuso assentiu se rescuperando do susto. Anthony olhou-o, como se pedisse liberação para sair. O mestre apenas acenou e disse por fim:
_Se perguntarem aonde foi, diga que estávamos matando cogumelos amaldiçoados, tem um monte deles por aqui. Anthony fez que sim e saiu rapidamente, deixando o velho com seus turbulentos pensamentos. Ele necessitava de uma conversa esclarecedora com Gabrielly.
Dúvidas surgiam a toda hora. Gleen tinha os olhos de Rubi? Afinal o olho dele ficara vermelho segundo Anthony e as façanhas realizadas foram surpreendentes. Mas e o laranja? O laranja no olhar? Seriam os olhos do...? Impossível. Por um momento ele sentira a mesma fúria, o mesmo olhar, sentira a presença, sentiu-o, seria mesmo? Se fosse, o mundo estava nas sombras, sem possíveis heróis, sem nada disso. O mundo estaria enterrado, como uma relíquia, para nunca mais ser descoberto, para nunca mais...
Encaminhou-se lentamente para a cabana, os pensamentos a mil, ele tinha que fazer algo a respeito. Esperou os garotos dormirem, pegou a bola de Travéssik e levou-a para a floresta. Com ela poderia invocar o corvo.
_Zarauza videtur, si non erit panis dulcis aut mori capitis mei: et noli oblivisci omnes patrimonium Isdrawva est quod activa vita vivet, et corvus habitabunt exonerant.*
O Corvo apareceu, fitou o mestre e perguntou num tom abafado percebendo a seriedade da situação:
_O que houve, cara?
_Zarauza, isso só pode ser o fim do mundo. Lembra dos olhos do tigre?
_Sim, eu nunca os vi, isso não é uma lenda?
_Não, nunca foi!- o corvo espantou-se, porém manteve-se quieto e atento.- Segundo a lenda, os olhos de tigre eram despertados apenas por grandes mestres das sombras, dizem que só aprecem depois de muito tempo, não tem uma data certa, é aleatório, aparece quando as sombras, ou o inferno, sente a necessidade de lançar discórdia ao mundo. Quando sente que o mundo poderia ser salvo eles devem estragar essa oportunidade.
_Ta, mas qual o problema disso?- pergunta o corvo mais esganiçado.
_O problema é que, quem o possuiu, tem o seu lado sombrio aflorado, até o prórpio capeta teme o dono de tal olhos, é tomado pelas trevas e o seu destino depois da morte é ir para o inferno, onde o regente de lá, no caso o capeta, é sempre morto pelos homens que possui olhos de tigre, assim ele assume o trono e seu poder desaparece. O único dever dos olhos de tigre é exterminar quem possui os olhos de rubi... Quem possui os olhos alaranjados está em posição igualitária a um deus das sombras, tamnhos seu poder e temo que minha vida está chegando ao fim, você deve orientar Gabrielly, pois ela enfretará várias provações. O garoto dos olhos da perdição chegou e você sabe muito bem o que fazer.
O corvo assentiu e antes de desaparecer fez uma pergunta:
_É o Gleen?- tendo o consentimento do mago sobrevoou a floresta e desapareceu por completo. O mago entrou na cabana, puxou Gabrielly e lhe explixou toda a história, a garota ficra horrorizada.
_O destino exige que aja, o garoto dos olhos da perdição chegou e ele é Gleen, mas tenha em mente uma coisa, ele não é mais seu amigo, é o pior tipo de adversário, perigoso e imprevisível. Nós só conseguimos nos teletransportar para o castelo quando a rainha morre, eu me surpreendi quando consegui, mas logo me dei conta que ele está de volta e veio assumir seu trono. Perdoe-me Gabrielly, tenho pouco tempo para ensinar-lhe, apenas o básico, mas escondi uma parte da história... Laurence, meu irmão, era o garoto da perdição, então devíamos nos matar, o fim seria isso, ou o mundo entraria em um intenso e irreversível colapso. Você sabe o que aconteceu, mas Gleen é muito mais poderoso que você.
A garota chorava, por que Gleen, seu amigo, por quê?
_Mas mestre, eu não posso...
_Receio que meu irmão seja o atual comandante do inferno (o capeta), pois ele era o garoto da perdição, provavelmente matou o capeta e assumiu seu lugar.
A garota fez que sim e o mestre continuou:
_Você deve matá-lo quando chegar a hora, Gleen agora se tornou um Deus das sombras.
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