Os Caçadores De Mosquitos
12 A revolta
Notas iniciais
Gleen corria como nunca correra, desviava dos galhos, troncos de árvores, armadilhas e outros empecilhos, com a agilidade de uma pantera. Ele sentia seu sangue pulsar e percorrer todo seu corpo, seu sangue ardia e ele fervia em fúria, além de ter apenas uma coisa em mente: vingar-se.
Vingar-se de tudo e de todos. Sentiu-se lubrididado, iludido, preterido e feito de trouxa. Seu melhor amigo mentira descaradamente para ele, e tudo sem nenhuma consideração! Queriam apunhala-lo pelas costas, quando estivesse indefeso e com a guarda baixa.
Mas ele não deixaria barato!
Depois desses pensamento nada sadios, Gleen tomado pela imensa fúria que o acometia sem deixá-lo raciocinar, voltou-se para o sentido da cabana, mas não conseguia vê-la, por causa da mata densa. Mesmo assim, orientando pelo seus sentindos, refez o caminho de volta. Ele não tinha nada a esperar, faria algo e esse algo não tardaria acontecer.
Gleen com sua mente corrompida, arquitetava planos dolorosos para submeter aqueles a quem o havia enganado.
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Na cabana, Gabrielly entrou sorrateiramente, para não despertar a atenção, mas teve uma surpresa. Seu mestre esperava-a com os braços cruzados e uma expressão nada boa. Enfrentou aquele olhar de tristeza e decepção.
_Mestre, não sabia que estava acordado.
Faducuso a olhou sem emitir nenhum som. Gabrielly estremeceu, e justificando-se tentou uma escapatória:
_Já que é assim, vou dormir...- porém Faducuso fechava a entrada com seu próprio corpo.
_Dormir? Não tem noção?...- disse ele com um olhar severo a acompanhar-lhe.
_Noção do quê?- perguntou ela, com a voz a falhar-lhe.
_Ora, não esperava isso de você! Libertar o capeta!? Ele vai te matar! Arrependerá-se depois que estiver debaixo da espada dele ou enfrentando castigos merecidos por seu descaso comigo, com meu mestre e com seus amigos!- a voz dele não deixava espaços para justificações, nem pedidos de desculpas, quanto mais lamentações.
_Gleen não é o capeta! Exijo respeito com ele! Não acedito que possa ele matar-me, muito menos castigar-me severamente, e se fiz é porque tenho uma admiração por você, que acaba de se extinguir. Alarmei-o dos seus covardios planos, e ele se refugiou em algum lugar que não sei, a última coisa que quero, é vê-lo morto!- Gabrielly estava convicta das suas afirmações, porém no seu íntimo guardava umas incovenientes incertezas.
_Não entende o pesar e as consequências dos fatos. Ao deixá-lo ciente do poder que Gleen detinha, você ajudou-o a libertar seu lado sombrio, até então trancafiado em sua alma. Porém agora libertou ele, o seu lado trevoso, desconhecido e temporariamente incontrolável por ele.- confidenciou-lhe o mestre, acrescendo a chama das dúvidas de Gabrielly.
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Gleen, aproximava-se cada vez mais da humilde cabana e ansiava como nunca do momento em que concretizaria sua esperada vingança.
Já podia divisar a cabana de Faducuso, e estacou ao longe, sem a ciência de que seus olhos estavam num tom alaranjado escuro. Pela primeira vez, observou atentamente a cabana, tentando no íntimo guardar sua imagem, pois pretendia queimá-la.
A cabana, por fora parecia ter apenas um cômodo. Era de um formato cilíndrico, feita de madeira tosca apressadamente esculpida, a janela era aberta, sem ter como fechá-la, porém, havia galhos retorcidos simetricamente dispostos, que tinham a serventia de grades. O teto, era composto por madeira em baixo e palha em cima. Tinha também uma chaminé que não combinava o mínimo pois era de tijolos. Havia um poço ali perto, de onde, provavelmente, Faducuso retirava água para o consumo.
Vislumbrou Gabrielly adentrando a cabana, e ao ver o velho ficar sozinho lá fora, saiu dali rapidamente, a procura de uma espada para matá-lo sem mais esforços. Matá-lo-ia não corvademente, mas daria a ele uma arma semelhante a sua, para que se defendesse.
Depois de ter assaltado dois guardas que passavam próximo dali, voltou á cabana e pegando Faducuso desprevinido estendeu-lhe a espada.
_Isso é para que se defenda, seu velho covarde. Vou te mandar para o inferno para que seja eternamente atormentado.
Faducuso atemorizou-se diante daquele diabólica e inesperada visão, notando principalmente os olhos laranjas que brilhavam. Pegou a espada de prata e estremeceu, diante daquele embate, Gleen fez a posição e os dois se curvaram como reverenciamento e como mandava as normas do reino antigo, da qual Clarence seria o governante.
O velho não deixou de espantar-se, pois Gleen mesmo com aquela idade, sabia duelar e era ciente das normas que comandavam um duelo honesto, ficando o perdedor a mercê da piedade de seu oponente, sendo este que determinava a morte ou não do derrotado na luta.
O embate sangrento teve seu começo. E Gleen rapidamente desferiu um golpe no ombro esquerdo de Faducuso, este defendia-se habilmente dos golpes endereçados a ele. A luta estava indo bem para ambos lados, porém Faducuso tinha a desvantagem de estar ferido, e dando um passo em falso, pisou num galho seco e rolou ao chão.
Gleen então, pisou impiedosamente em seu oponente e apontando a espada a alguns centímentros de seu pescoço proferiu:
_Há quanto tempo! Não é, Clarence?- ao dizer isso, estranho fulgor passou em seus olhos tenebrosos.- Sabe o quanto tenho esperado por isso? Não, você não sabe seu velho vagabundo! Morra diante da sua insignificância, farei uma coisa antes inexequível. E essa coisa é matar-lhe!
Sabendo, o velho, que aqueles eram seus últimos intantes, rapidamente invocou o corvo mentalmente e Zarauza apareceu. Notando a situação em que seu mentor se encontrava e recebendo o pedido mental do mestre, trouxe-lhe um pedaço de pergaminho, e Faducuso com seu próprio sangue, desenhou o símbolo de seu reino com as mãos trêmulas. E as suas últimas palavras foram:
_Lyoderc, procure-o...- assim recebeu o impiedoso ataque fatal, desferido por Gleen que deu gargalhadas estrondosas ao ver seu oponente entregue à morte.
Porém, Gabrielly, com a curiosidade aguçada pelo barulho da prata se chocando insistentemente, deixou a cabana e se deparou com a pior cena:
Seu mestre numa poça, constituída pelo seu próprio sangue, e alguns ferimentos. Além de Gleen ainda empunhando uma espada reluzente, com a cor de seus olhos claramente modificados. E olhou-a e seus olhos assumiram o antigo tom castanho.
_Gabi...- balbuciou.- Desculpe-me, eu...
_Eu tentei te ajudar...- Ela sussurrou, com as lágrimas a lhe escorrerem pelo rosto, já abatido.- Seu assassino!- gritou.
Gleen sentiu imensa dor que lhe avassalou, e com vergonha de seu feito fugiu, escalando morros escorregadios, e por 60 dias esteve á beira da morte, sem mantimento para manter seu corpo. Levou porém, a espada usada para o assassínio, consigo.
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