Notas iniciais
Boa leitura. Há um hyperlink no Stealth Maria* em negrito. Onde estiver um *, haverá um hyperlink.

O sol estava mesclando com o clima úmido naquele jardim. As borboletas brincavam sobre as flores e dividiam espaço com os esquilos rabugentos.

Fernanda e William, de mãos dadas, caminhavam naquele jardim olhando as crianças brincarem. Era algo tão relaxante para os dois que os problemas desapareceram em suas cabeças:

— E a gente? Quando nós teremos o nosso filho? – perguntou Fernanda, sorrindo para seu novo namorado.

— Filho? A gente nem assumiu nosso namoro para os Caçadores. Se nós chegarmos com um filho lá eles vão achar que somos... sei lá. Apressados demais!?

Depois de alguns minutos caminhando e falando do mesmo assunto, resolveram sentar na beira do lago que preenchia o centro daquele jardim.

Fernanda balançava o pé naquela água morna e cristalina. William estava sentado sem colocar os pés na água. Os pombinhos estavam grudadinhos:

— Eu não sei como você conseguiu ficar comigo. Eu perdi um olho e estou me sentindo muito feia. – comentou Fernanda, colocando a mão em seu “olho” tapado com aquele lenço de seda.

William acariciou o rosto dela e comentou:

— Mesmo você com um olho a menos, ou uma voz te perturbando as vezes, é minha namorada. Não precisa se preocupar. Nem todos nós somos perfeitos. Na verdade, ninguém é.

Fernanda ficou confortada com aquelas palavras e abraçou William, que também cedeu aquele abraço.

Uma hora depois o sol já tinha ido embora e os dois estavam andando no centro da cidade rumo ao prédio dos Caçadores. Quando viram uma lojinha de coisas místicas e um tom meio cigano, resolveram entrar:

— Sejam bem-vindos, Caçadores! – comentou Elliot, a cigana da cidade. – É uma honra receber os dois aqui.

Todos da cidade conheciam os Caçadores, afinal, depois da guerra contra Yambakka nos tornamos a maior guilda da região. Maior das oficiais, ressalto.

— Nós vimos lá fora que você pode ver o futuro das pessoas. Essa é sua magia ou é mais um truque? – perguntou William para a cigana, deixando Fernanda constrangida.

— Não sou uma maga que utiliza ilusões, meu caro. – retrucou ela, deixando William sem graça. – Minha magia trabalha com fatos futuros. Fatos verídicos. Verdadeiros. – explicou ela, pegando o seu baralho cigano que brilhava de tanta magia ali condensada.

Os dois precisaram por Chi na ponta de seus dedos indicadores e tocar no baralho. Em seguida, aquelas cartas formaram círculos em volta daquela mesa roxa decorada com estrelas brancas. As cartas foram parar na mão de Elliot, que embaralhou novamente as cartas.

Após tirar a primeira, ela encarou Fernanda e William e começou a revelar:

— Essa carta me diz que o amor de vocês existirá por toda a eternidade. Vão ser bem aceitos em sua guilda, mas algumas pessoas ficarão com inveja. Isso é algo que pode atrapalhar em uma missão futura.

Fernanda ficou curiosa. William não se surpreendeu nem um pouco. Elliot tirou a segunda carta:

— Hum... Muito bom. Dinheiro! Os Caçadores serão muito mais ricos do que são agora, mas isso não quer dizer que o dinheiro virá fácil. Algo aqui diz que algo acontecerá com aquela de cargo superior.

— Darcy? – perguntou William.

— Exato. Ela tem um carma muito incógnito. Ela é algo que não é, a imagem dela está embaçada em minha cabeça. – reclamou Elliot, exprimindo seus olhos de tanta dor.

Assustados, o casal esperou a cigana tirar a última carta:

— A pior carta de todas. – comentou ela, tirando outra de apoio. – Caramba. O que eu tenho para dizer a vocês é que dois Caçadores irão morrer.

Fernanda deu um berro de medo. William ficou assustado também, abraçando Fernanda:

— Quem são eles? – perguntou William.

Elliot tirou outra carta e respondeu:

— Esses dois magos que irão morrer foram para Most City e lutaram bravamente. Isso quer dizer que podem ser dois de: Vocês, Aghata, Lillian, Anark, Malena ou Darcy Ivy. Dois desses que eu falei estão com os dias contados.

Amedrontado e com um filme passando em sua cabeça, William perguntou:

— Tem mais algo para revelar? Algo sobre essas mortes?

Elliot tocou a carta da morte e finalizou:

— O que eu posso dizer é que uma morte deriva da outra. Estão ligadas, conectadas de alguma forma.

Rapidamente William tirou o dinheiro de seu bolso e jogou na mesa. Havia mais do que o necessário, mas não esperou pelo troco. O casal saiu correndo daquele lugar.

Elliot, depois de contar o dinheiro, pegou outra carta:

— Eu não acredito que eu menti. Se eu tivesse contado para eles que na verdade serão três mortes eu poderia ter apanhado. Boa sorte, Caçadores... Boa sorte.

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Eu estava deitado em minha cama, abraçado e em cima do travesseiro. Ao meu lado estava a confirmação por impresso que eu deveria resolver o caso dos corpos desaparecidos. Eu queria que Fairy fosse comigo, mas ela se recusou. Eu deveria ir sozinho, mas não tinha ideia do que eu poderia encontrar lá.

A janela do meu quarto estava aberta e pássaros passavam ali por perto, cantando naquele dia ensolarado e tranquilo.

Eu estava com um pijama azul. Tinha acabado de me levantar e fui escovar os dentes. Quando eu fui do banheiro para a sala, encontrei uma mulher sentada em meu sofá segurando um enorme cajado. Ela tinha cabelo curto e branco, usava um casaco de pele branco e um top preto por baixo. Estava mostrando demais aquelas pernas torneadas, pois estava de shortinho branco de coro.

— Quem é você? – eu perguntei, procurando rápida e furtivamente meu CloudBook. Como eu não encontrei, fiquei um pouco distante daquela estranha. Eu sentia o seu Chi. Era absolutamente grande, tão grande quanto o de Darcy. Será aquela mulher líder de alguma guilda? Só de sentir a sua presença meu corpo tremia.

— Você é o Anark, correto? – perguntou ela, de olhos fechados tentando me ignorar visualmente.

— Sim. O-O que quer de mim? Como entrou aqui? – eu perguntei, imóvel.

Ela descruzou as pernas e cruzou de novo, mostrando o brilho dos diamantes em sua enorme bota branca:

— É a minha especialidade. Enfim. Se você é o Anark que a minha guilda tanto cita em suas reuniões e relatórios, quer dizer que estou no lugar certo.

Eu não estava entendendo aquela situação. O céu ficou nublado, de repente, climatizando aquela situação toda dramaticamente.

— Você ainda não falou o que quer! Quem é você?

— Meu nome é Stealth Maria* e estou aqui para explicar algumas coisas para você.

— Desembucha e saia logo daqui! Não permito estranhos em minha casa. – Falei enquanto sentava em uma cadeira bem distante de Stealth Maria. Ô nome desgraceiro.

Ela abriu os seus olhos e meu corpo entrou em pane. Aquela magia... aquele poder... cercava o meu corpo e me esmagava de tão gigante.

— Quero revelar algumas coisas. Explicar algumas situações. Eu vim te dar respostas. — Me dar respostas? Eu acordo e uma estranha luxuosa, bonita e absurdamente poderosa invade minha casa para me dar respostas. De graça? Não sei. Continuei escutando. – Há algum tempo atrás você, como mago dimensional, invocou o Imperador de Verso. Blue.

Eu arregalei meus olhos. Aquilo não me era estranho. De certa forma, desconfiava que Blue era o Imperador de Verso. Ou ele mesmo me contou, ou alguém me contou. Eu só sabia que daquilo eu já estava ciente, mas ouvir de forma tão clara daquele jeito pareceu a primeira vez.

— E o que tem Blue?! Ele voltou para Verso!

— Errado. Blue entrou para a guilda dos Ningiramas, titulados Deuses. Blue pertence ao Exército dos Deuses, agora. — Exército dos Deuses? A voz de Ningirama pertencia à... – O líder desse exército fala com a Fernanda. É dele essa voz que fica na cabeça dela. Blue é o líder desse exército. Blue se tornou o Deus dos Deuses. Blue se tornou o tão intitulado Ningirama.

Meus olhos encheram de lágrimas. Lágrimas feitas de oxigênio, hidrogênio e raiva. Blue era meu amigo e agora era o principal inimigo da minha guilda. Meus punhos estavam efervescendo. A raiva estava tomando conta de mim.

— Blue é Ningirama? Líder dos Ningiramas? Isso está confuso. – eu disse, querendo ouvir mais.

— A guilda se chama God-20, nome dado por Blue. Um exército formado por magos expulsos de distintas dimensões. Magos tão poderosos que podem ser confundidos com líderes de guildas. Vinte magos, vinte deuses.

Aquilo estava ficando claro. Então o que Blaze me disse era mentira. Realmente Ningirama era uma só pessoa, e essa pessoa era Blue. Seus servos, considerados deuses, eram vinte magos expulsos de outras dimensões. Intrigado, perguntei:

— Qual o plano de Ningirama, ou melhor, Blue?

— Com a God-20 ele irá guerrear com todas as dimensões. Seu plano é unificar essas dimensões para facilitar o trabalho. Ao total são 100 dimensões. Iremos invocar essas sem dimensões na Terra, que é a maior das dimensões. Assim é só escravizar todos forçadamente.

Dá um close no “iremos”.

— Você! – eu gritei, apontando o dedo para a cara dela. – Você faz parte da God-20!?

Ela deu uma risada bem leve, respondendo:

— Eu sou Stealth, a Deusa da Furtividade! Tenho maestria em ataques furtivos e invasões. Sou muito útil para isso. Por isso Blue me mandou aqui.

— Blue te mandou aqui? Maldito... Maldita... O que vocês querem comigo?

Stealth se levantou e seu cajado começou a brilhar, criando um portal vermelho atrás dela:

— Blue me mandou explicar essas coisas para você e dizer que os Caçadores serão os primeiros a serem dizimados pelo nosso poder. Ele considera você uma colossal obstrução. Eu pedi para ele permissão para matar você, entretanto ele tem outros planos para você e essa sua magia estúpida. Afinal, Blue não pode vir até essa dimensão por sua culpa. Se não fosse você, ele já estaria aqui. Ele está muito enfurecido por você ter conseguido derrotar a Yambakka. — Eu estava chorando. Não aguentei. Eu fui imensamente traído por Blue, mas a fala daquela garota não tinha acabado. – Quem está roubando os corpos que você iria investigar é um mago da God-20. Estamos planejando criar um exército com esses corpos. Epos é um ótimo necromante.

Quando eu fui atrás de Stealth para bater nela, seu portal a sugou e ela sumiu da minha frente. Começou a chover e eu comecei a chorar ainda mais. Eu precisava informar essa situação para Darcy. Mal acabamos de sair de uma guerra, mas iriamos entrar em outra. A guerra decisiva. A guerra final.