Os Caçadores: A Última Guerra
61 Derrotado
Notas iniciais
— Então vem! – eu gritei, vestido como Anjo das Águas.
Necroman partiu para cima de mim. Suas mãos banhadas de Chi Negro. A sua velocidade – incrível. Me acertou em cheio, no rosto, quebrando um de meus dentes de trás. Eu fui arremessado contra um carro que estava atrás de mim. O inimigo, sem me dar tempo, arremessou várias rajadas de Chi, me acertando precisamente.
Foram poucos seus movimentos, mas eu já estava quase vencido. Aquele homem era um monstro (magicamente falando). Havia ódio e desprezo em seu olhar e o que me transparecia era um suposto amor pela morte. Sorridente, ele perguntou:
— Não sei o que Blue vê em você. A sua resistência é pouca.
Fui levantado com uma só de suas mãos, pelo colarinho da minha blusa suja de sangue. Eu queria me mexer, mas não conseguia. O Anjo das Águas já não estava mais ali, e sim um eu desprezível. Um Anark derrotado de modo rápido e simples. Eu sentia o Chi dele corroer o meu poder mágico aos poucos por dentro, como uma maldição. Eu estava indignado por estar derrotado por causa de algumas rajadinhas de Chi e um soco no rosto.
— Você não vai vencer essa guerra, cara. – eu disse, cuspindo sangue que estava em minha boca. – A aliança das melhores guildas já está formada. Estamos mais poderosos do que nunca. Você pode me matar, se quiser, mas vocês estão derrotados.
Ele ficou mais ainda nervoso pelo insulto. Pegou uma faca com o cabo no formato de uma caveira e ameaçou em me matar, mas Brality apareceu na hora. Ela o impediu, segurando a mão que estava com a faca, perguntando:
— Será que eu vou ter que te safar todas as vezes?
Com um olhar assassino, Necroman encarou ela e respondeu com outra pergunta:
— Será que você vai ter que me interromper todas as vezes?
Eu não conseguia respirar. A pressão de dois poderes mágicos absurdamente grandes se misturaram e eu não aguentei. Desmaiei. Quando o inimigo que me segurava percebeu, me arremessou contra a parede, criando uma enorme nuvem de fumaça quando eu impactei nela, quebrando-a.
— Você sabe que estamos proibidos de relar a mão nele.
— Eu não ia mata-lo. Só quis me divertir um pouco.
— E a faca?
— Tortura? – perguntou ele, ironizando.
Brality colocou a mão na cabeça do seu parceiro de guilda, fazendo com que ela doesse mais que uma faca no buraco de um tiro no corpo de um homem frágil. Gemendo de dor, ele conseguiu perguntar:
— O que está fazendo?! O que está acontecendo com meu corpo?
— Estou tirando o seu poder mágico. Estou tirando a sua magia temporariamente. Cansei de ficar te dando sermão.
— Você não pode fazer isso! Você não pode tirar a minha magia como se fosse um objeto.
Ela sorriu e debochada, retrucou:
— Quem deu essa magia a você foi eu, então eu posso tirar ela na hora que eu quiser. Isso vai servir de exemplo para todos os outros da Blue Dimension. Vocês só são o que são pelo simples fato de eu ter criado vocês. Eu sou a dona de vocês, da magia de vocês e agora, da vida de vocês. Eu matei Iara por não saber usar a magia e ser imprudente. Eu acabei de te dar uma segunda chance, já que você cometeu o mesmo erro dela duas vezes. Agora vamos embora antes que eu tire mais coisas de você.
A “dona de todo mundo” ficou encarando meu corpo deitado, balançando a cabeça horizontalmente de um lado para o outro, negando algo. Com a mão na cabeça de Necroman, desapareceu. Nesse momento eu acordei, já que a pressão mágica não estava mais ali. Não em abundância.
— O que foi isso? Quem é essa mulher? – eu perguntei, ainda com o corpo todo ferrado e com muitas dores.
Coloquei a mão no meu bolso para verificar se o CloudBook estava ali e me surpreendi. Meu CloudBook tinha sido roubado e com certeza foi Necroman. Eu estava perdido. A fonte do meu poder, da minha magia, estava nas mãos do inimigo. Só Deus sabia o que iria suceder aquele terrível acontecimento.
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