Os Avaradores
3 A porta da Inominável
“– Há uma sala no Departamento de Mistérios – interrompeu-o Dumbledore – Que está sempre trancada. Contém uma força mais maravilhosa e mais terrível do que a morte, do que a inteligência humana, do que as forças da natureza. E talvez seja também o mais misterioso dos muitos objetos de estudo que são guardados lá. (...).”
HP e a OdF – p. 681
Frances Dafne Grengrass era a caçula de Lúthien e Damien Grengrass. Completara quinze anos. Tinha cabelos negros até os ombros que se ondulavam nas pontas e olhos de igual cor. Tinha rosto de anjo e um ar extremamente adulto para a idade.
Como sua mãe era uma Inominável e seu pai, um auror, Frances cresceu em um lar corrido e cheio de histórias interessantes sobre o mundo bruxo. Ela não caiu na antiga casa dos pais, a Sonserina. Mas não era uma surpresa que a menina estava na Corvinal – Frances era criativa, curiosa e tão misteriosa que às vezes os adultos tinham dificuldade em lembrar que falavam com uma adolescente.
***
Dez anos
— Este ano você vai pra Hogwarts, Francie. Será que vai ser uma das minhas melhores alunas? – perguntou Beren, seu padrinho e tio, com um sorriso.
Ele tinha acabado de se tornar o novo professor de Poções de Hogwarts.
As velas de seu décimo primeiro aniversário fumegavam recém-apagadas. A maior parte dos jovens estava em Hogwarts, mas seu pai gostava de comemorar os aniversários de ambos os filhos com um bolo simples até que eles fossem estudar.
Aimée se colocou ao lado da mesa, observando o diálogo dos dois. Frances rebateu:
— É claro que serei. Serei a melhor aluna. Não “uma das melhores”. – Frances parecia indignada em Beren ter cogitado a possibilidade de ela ficar atrás em alguma coisa.
— Claro que vai, Frances. – Aimée sorriu, pegando o bolo que a menina cortava e lhe oferecia. – E terá um futuro tão brilhante quanto o da sua madrinha aqui, porque é igualmente dedicada. – Aimée piscou para a afilhada.
Frances, aos dez anos, já sentiu uma luz obsessiva quanto a “ser a melhor de todas” se acender em seu íntimo. E aquela obsessão seria lapidada ao longo dos anos por ideais que nem de longe eram juvenis, mas que trariam à ela uma satisfação muito grande quando completa.
***
Treze anos
— Parabéns pela promoção, Molly. – Lúthien deu um sorriso, parabenizando Molly Weasley, que acabara de ser promovida a um cargo de importância no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas.
— Obrigada. – agradeceu Molly.
Era Natal e os Grengrass convidaram a família e amigos para passar a noite na casa deles, em Godric’s Hollow.
— Aposto que isso não se compara ao patamar de uma Inominável, não? – perguntou Molly, com desdém.
Frances ouvia a conversa mais além, longe da algazarra que os outros jovens faziam. Parecia absorta, jogando xadrez bruxo com Ares, mas estava ouvindo a conversa dos adultos.
— Acho que temos que concordar que não se compara ao meu trabalho. – Aimée se meteu, já meio bêbada.
Molly fez uma careta pela postura da jovem.
Lúthien interviu:
— Aimée foi indicada ao posto de guardiã, Molly.
Molly fez uma careta pior, deixando claro seu desgosto.
— Essa tal “Cúpula”, como chamam? – disse Molly, que defendia seu departamento com uma ânsia enorme – Não vai durar. É apenas uma desculpa para o Ministério dizer que está se dando bem com os outros seres mágicos. Apenas fachada. No fim, o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas voltará ao que era antes. Não vamos ter que ouvir ordem dos duendes, como se fossem...
— Eu não diria isso, Molly. Até meu departamento está trabalhando na construção da Cúpula. Parece mais sério do que dar nova aparência ao Ministério da Magia. – interrompeu Lúthien.
Aimée, que estava mais para lá do que pra cá, replicou:
— A Cúpula dos Guardiões é uma inovação, Molly. Não queremos mais que bruxos pareçam superiores. Isso vai passar.
— O que quer dizer com isso? – perguntou uma incrédula Molly.
— Que estamos fazendo história. – Aimée rebateu muito dramática pela bebida ingerida. – Mas falando sério, a relação com os seres mágicos só está melhorando desde a abertura da Cúpula. Eles merecem tanta voz ativa quanto nós. Por mim, mereceriam até os mesmos poderes. – completou uma bêbada Aimée.
Frances dava xeque-mate em Ares, seu primo e melhor amigo, absorvendo toda a conversa.
***
Catorze anos
Frances, à beira do lago de Hogwarts, admirava com sofreguidão um colar não acabado: tinha enfeites em forma de triângulos de madeira que, Frances sabia, carregava um núcleo, como o de uma varinha. Só faltavam certos adornos especiais para completar o colar.
Ares, ao seu lado, da Lufa-Lufa, seus cabelos cacheados e cheios, o grande maxilar e olhos castanhos, algumas pintinhas no rosto, também estava absorto em outra joia. Era um anel de madeira que faltava uma pedra. Funcionava como o colar de Frances – guardava o núcleo de uma varinha.
— Estão quase prontos. – sussurrou Frances para o amigo, passando os olhos brilhantes pelos dois objetos. – Só faltam as pedras.
Ares chegou mais perto para avaliar o colar.
— Você acha que é mesmo necessário, Francie? Isso já não é suficiente?
Frances se indignou.
— Claro que é necessário! O avarador é nosso canalizador de magia. Como uma varinha, mas...
—... possibilitará aos seres mágicos terem magia bruxa. – completou Ares automaticamente.
— E você deve jurar que isso é apenas nosso, Ares. – Frances ordenou, olhando firmemente para ele. – Talvez devêssemos usar o Voto Perpétuo. – ponderou Frances.
Ares olhou com incredulidade para ela.
— Esse não é aquele juramento que mata?!
— Sim. – respondeu Frances sem nenhum tom de inquietude.
— Não é necessário, Francie. Um dia, todos vão nos conhecer. – o brilho nos olhos de Ares era tão intenso quanto o de Frances, mesmo que relutante. – E você não vai querer estar morta quando todos souberem seu nome. – ele abriu um sorriso delirante de triunfo.
Frances o acompanhou.
— Você tem razão. – afirmou Frances, mas mudou o tom de voz repentinamente – Vou precisar da Eslave.
Ares estranhou o pedido repentino.
— Você não vive dizendo que não gosta da escravidão dos elfos domésticos? Que minha mãe e meu pai são dois...
Frances o interrompeu.
— De acordo com o que eu li – Frances apontou para uma pilha de livros da Seção Restrita – só vamos conseguir a pedra no Departamento de Mistérios. Preciso de um bom motivo para entrar lá. Uma vez lá dentro, ainda terei dificuldade. Sou apenas uma adolescente que não pode usar magia. Não quero atrair atenção.
Ares parecia incomodado com o plano de Frances, como se fosse muito risco.
— Eu e meus pais somos os senhores dela. Como faço para ela te obedecer?
— Muito fácil. – replicou Frances, guardando o colar na mochila com cuidado. – Ordene que ela me trate como sua senhora por um tempo. Mas não a deixe contar para seus pais, isso ela pode fazer.
— Então eu... – concluiu Ares, pensativo – finjo que saí com ela?
— Sim. Depois a proíba de contar para qualquer um e a ameace com roupas. – e Frances sorriu, satisfeita.
— Certo. – Ares concordou, pensando em quanto tudo aquilo podia dar errado.
Frances pareceu prever a relutância de Ares, como sempre acontecia quando o assunto era o avarador, porque finalizou:
— Somos avaradores, Ares. Mudamos o mundo bruxo.
Então Ares assumiu aquela postura obcecada e satisfeita que Frances sempre carregava consigo.
— Estamos muito perto.
Então sorriu.
***
Naquela manhã, Frances estava inquieta. Iria colocar o plano em ação. Recebeu duas cartas, uma na noite anterior e uma logo quando acordou, da coruja de Ares.
Francie,
Consegui dobrar sua mãe e ela vai te levar amanhã com ela para o trabalho. Estou muito orgulhosa por minha afilhada se interessar pela Cúpula tão jovem!
Mas não vamos dar motivo para o Ministério (ou sua mãe, o que seria pior) ficarem irritados conosco, então será uma espécie de segredo.
Te vejo amanhã.
Aimée
—_
Francie,
Tudo O.K. Estarei no Beco Diagonal fazendo compras com meu elfo doméstico a manhã toda. Boa visita ao Ministério!
Ares Augustus
—_
Muito inquieta e ansiosa, Frances se irritou com o barulho que vinha do quarto do irmão.
— PRINCE! – gritou Frances de seu quarto, extravasando o nervosismo do momento para seu irmão mais velho.
Os Grengrass moravam em uma esquina calma de Godric’s Hollow. O sol ainda não nascera, mas Frances já estava vestida e se preparava para o café da manhã. Pelo visto, seu irmão nem dormira. Estava fazendo um barulho insuportável com o que Frances chamava de “seu brinquedinho”. Prince estava com os megafones da bateria ligados no quarto, tocando uma música qualquer de sua banda. Ele batia com as baquetas no alto e desatava a tocar no instrumento.
Frances meteu a cabeça na porta entreaberta do irmão, cujo quarto ficava na frente do seu, no segundo andar.
— Você não pode lançar um Feitiço da Imperturbabilidade na sua porta?! Ou ao longo dos seus dezessete anos você não aprendeu nem isso?!
Prince Severo, um garoto alto, magricelo, com óculos, de cabelos negros desalinhados e olhos de mesma cor, como a irmã, nariz rebitado, de porte seguro, estava sentado atrás de sua bateria. Seu quarto era uma extrema bagunça. Os megafones de ouro estavam apontados para a porta ao lado da bateria e faziam mais barulho do que o necessário. Eram as únicas coisas organizadas e limpas no ambiente.
Prince olhou sério para a irmã.
— Claro que eu sei. Posso lançar um na sua boca agora mesmo.
E começou a rir sozinho, batendo na bateria para provoca-la.
Frances girou os olhos no portal.
— Por que vocês não estão ensaiando na casa da Utau? – ela perguntou, intrigada.
Prince assumiu um ar pálido.
— Ela não está bem para cantar.
Frances abriu a boca para continuar o interrogatório e descobrir o motivo da namorada do irmão não estar bem para ensaiar no verão, uma vez que sua vida era a banda, mas uma presença se revelou ao seu lado, extremamente irritada. Era sua mãe, Lúthien, a Inominável.
— O pai de vocês ainda não levantou. Prince, se você não conseguir nada para diminuir o barulho, não toque até ele sair para o trabalho! Frances, eu achei que você estava ansiosa, por que está discutido com seu irmão?! Você precisa de silêncio para se vestir?!
Prince lançou um olhar vitorioso para a irmã caçula.
Lúthien era uma figura que dava medo em ambos. De cabelos um pouco cacheados e castanho escuros, que nenhum dos dois puxou, olhos negros e um rosto exótico, de nariz fino, ela os fitava com olhar semicerrado e impaciente.
Prince, que não gostava de brigas, e Frances, que preferia que a mãe estivesse de bom humor aquele dia, pararam de discutir. Prince pegou a varinha para usar o tal feitiço (depois foi procurar nos livros da escola, porque não se lembrava dele) e Frances desceu para a cozinha, seguida pela mãe.
— Ainda não sei como concordei com isso. – resmungou Lúthien, sentando na cadeira para tomar café-da- manhã.
Frances faiscou um olhar cheio de significação para a mãe enquanto enchia sua xicara de café.
— É ano dos N.O.M’s, mamãe. Quero ter certeza do que escolhi para mim.
Lúthien pareceu menos irritada, mas assumiu um ar intrigado.
— E você quer ser uma guardiã?
O brilho obsessivo que ninguém percebia na adolescente perpassou pelos seus olhos.
— Eu gosto da posição de Aimée quanto aos seres mágicos.
Isso não era novidade para Lúthien. Ela observou a penumbra da madrugada se tornando dia pela janela. Passos discretos desciam a escada e ambas ouviram Damien entrar pela porta, depois de passar pelo hall.
Era um homem de cabelos negros e baixos, de olhos negros como os dois filhos. Estava de roupão, bocejando no portal da cozinha.
— Bom dia, papai. – disse Frances.
— Nós te acordamos? – perguntou Lúthien, com um tom de desculpa.
Damien sorriu.
— Claro que não. Quem acordaria com berros e uma bateria?
Ambas riram.
— Desculpe, Damien. Sua filha decidiu brigar com o irmão e eu não faço a menor ideia de por que Prince não está ensaiando na casa de Molly e Joe.
Molly e Joe eram as mães de Utau.
Damien acenou com a cabeça para a esposa, despreocupado.
— Tudo bem. Estarei muito ocupado com Molly hoje, também. Ted me colocou como responsável por aquele ataque. – Damien lançou um olhar cheio de significado para a mulher.
— Que ataque, papai? – perguntou Frances depois de engolir o último pedaço da torrada.
— Nada com que você tenha que se preocupar, Francie. – sorriu Damien para a caçula, fazendo bagunça em seus cabelos enquanto também se abastecia de café.
Mas Frances percebeu o olhar preocupado que os pais trocaram a seguir.
***
Aimée encontrou mãe e filha no Átrio. Lúthien tinha sua casa ligada à Rede de Flu. Aimée estava mais acordada que ambas e desceram juntas pelo elevador.
Frances sentia seu coração acelerado demais. A adrenalina em seu corpo era visível pela sua inquietude, tão rara na menina. Batia um pé no chão com insistência. Aimée achou que era ansiedade por conhecer a Cúpula e sorriu satisfeita.
Já Lúthien conhecia melhor a filha. Lançava olhares intrigados.
— Frances, por que você está inquieta? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Lúthien no elevador.
Aimée rebateu:
— Ela está ansiosa para conhecer a Cúpula, claro. Que jovem já teve essa oportunidade? – Aimée parecia indignada, como se fosse uma coisa decisiva na vida de sua afilhada.
Frances percebeu que estava levantando suspeita.
— Isso mesmo, mamãe. Estou ansiosa, não dormi direito. E também é o seu Departamento aqui, não? Quero dizer, são os mais sigilosos do Ministério e só tenho quinze anos. Eu reconheço que é muita responsabilidade.
Lúthien ainda a fitava com os olhos semicerrados antes de dar um ultimo sermão só para extravasar. Aquela era sua filha modelo. Por que estava suspeitando dela?
— Apenas uma hora. Vou subir para falar com Molly e depois venho te buscar, entendeu? Ela deva estar enfiada até o nariz nos pergaminhos com o ataque dos dem... – parou abruptamente de falar ao perceber o olhar inquisidor da filha.
Frances ia apenas assentir com a cabeça, quando percebeu algo.
— Você não vai trabalhar agora?
— É muito cedo. – resmungou sua mãe. – Só venho essa hora quando Aimée tem reunião.
Então lançou um olhar acusatório para Aimée, que sorriu.
— Não tenho culpa se o Elo...
As portas do elevador se abriram com um barulhão. A voz feminina anunciou “Departamento de Mistérios e a Cúpula dos Guardiões” e o estômago de Frances deu um giro tão forte que ela achou que ia vomitar se abrisse a boca. Quase foi empurrada para fora por Aimée e Lúthien gritou, antes das grades do elevador se fecharem:
— Boa visita! Comportem-se! – o último aviso era mais para Aimée do que para a filha. Ela não fazia nada de errado.
Frances se surpreendeu com o que aconteceu a seguir. Depois de tomar o corredor, as duas passaram por uma porta sem graça e adentraram em um espaço cheio de portas iguais. A sala circular começou a girar. Mais pálida do que antes, Frances percebeu seu coração quase sair pela boca. As luzes dos candelabros azuis viraram apenas riscos antes da sala parar de rodar aos poucos. Aimée, com rosto entediado, como se já estivesse acostumada, olhou para a afilhada, mostrando a porta na frente das duas que agora indicava Cúpula dos Guardiões.
Aimée parecia divertida com o ar surpreendido de Frances.
— É tudo muito diferente. Mas a gente se acostuma. Nada parecido com meu antigo escritório, também. Vamos?
Frances não se moveu.
— Aimée, você disse que já adentrou onde mamãe trabalha. Mas as portas são iguais. Como você sabe? – perguntou Frances em um tom de quem não quer nada.
— Ah, três portas à esquerda da Cúpula. – sorriu Aimée, indicando com a mão.
— Hm. – fez Frances, parando de bater com o pé no chão. – Aimée, eu posso ficar aqui um pouco? Estou enjoada com essa sala.
Aimée parecia intrigada.
— Você pode descansar lá dentro. A Cúpula não vai girar.
— Eu só preciso de ar antes que meus olhos se encham mais uma vez com outra coisa dessa plenitude. – informou Frances, sorrindo. – Pelo que sei a sua sala é a melhor de todas. – e sorriu com mais entusiasmo.
Aimée sorriu de volta para ela.
— Com certeza é. Eu te espero lá dentro, mas vou deixar a porta entreaberta, senão você se perde aqui.
E entrou na Cúpula. Frances sabia que tinha pouco tempo antes dela voltar chamando com fervor para mostrar a sala da qual tanto se orgulhava. Não esperou nem um segundo, mesmo tão nervosa.
— Eslave? – chamou baixinho.
Craque.
Um elfo doméstico cuja pele era de um verde muito vivo, os olhos esbugalhados e curiosos, como duas bolas de cristal, as orelhas longas que se afinavam nas pontas com tufos de pelos negros saindo de dentro delas, um trapo quadriculado em branco e vermelho que eram suas únicas vestes, apareceu ao seu lado quase instantaneamente.
— Minha cara senhora. – Eslave fez uma reverência para Frances, mas a menina fez um gesto impaciente.
— Não, não. Por favor! – Frances tirou do bolso uma folha, que era a página de um livro arrancada com cuidado. Tinha alguns dizeres em runas e o desenho de uma pedra negra. — Preciso que ache esta pedra. Pode estar em qualquer uma dessas salas. Preciso que traga duas até mim, mas só quando eu estiver sozinha! Não sei que tipo de encantamento as protegem, mas você pode dar um jeito, não pode? – perguntou Frances, ansiosa.
O elfo doméstico a olhou com extrema apatia.
— Eslave pode fazer o que a senhora ordenar, o senhor Ares mandou Eslave servir Frances Grengrass pela manhã e Eslave...
— Certo, certo. – pediu Frances, impaciente. – Apenas faça.
Craque.
Eslave sumiu da sala circular com uma última reverência, deixando Frances sozinha outra vez. Ela deu passos incertos até a porta da Cúpula. Estava entreaberta. Mas mudou de ideia no último momento. Observou a “terceira porta a esquerda” com extremo interesse. Sem pensar em mais nada, tomada pela curiosidade, Frances colocou a mão na maçaneta que era o local de trabalho da mãe. Deu um profundo suspiro e entrou.
Não era nada extravagante, muito menos surpreendente. Isso chocou Frances. Era apenas um laboratório muito simples. Havia mesas compridas, de prata, que se alongavam como balcões. Instrumentos e parafernálias de prata estavam dispostos em cima das três, mas Frances sabia que não teria tempo de examinar todos. Era um silêncio perturbador dentro da sala, nada fazia barulho. No teto, apenas fios que incandesciam uma luz branca e fraca, pendurados em fileiras acima dos balcões. Frances estava tão chocada com o ordinário ambiente de trabalho da mãe que girou o corpo para sair. Então sua realidade se perdeu e ela abafou um grito de susto.
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