Os Amuletos Divinos - A Grande Descoberta
4 Eu virei vilão
Depois de toda a discussão com Ray, a confusão no refeitório, a descoberta dos amuletos, a única coisa que eu queria era ir para casa e descansar. Mas ainda faltavam duas aulas para acabar o período, então, eu e Ray saímos do vestiário, e fomos em direção à biblioteca . No caminho, ainda havia algumas pessoas pelos corredores, e elas me olhavam com um olhar medonho. Ray percebeu isso e comentou:
– Pois é, pelo menos agora não corro mais o risco de apanhar, tenho um vilão do meu lado – E caiu na risada
Olhei para ele e vi que o riso dele era sincero. Retribui com uma gargalhada. Ray é sincero e puro, não vê maldade nas coisas. Ama seus amigos de uma forma que eu nunca vi igual. Fico feliz de ser seu amigo, ou melhor, seu melhor amigo.
Quando estávamos chegando perto da biblioteca, a sala estava agitada, todos conversando. Quando entrei, o barulho cessou. Meus colegas de classe ficaram me encarando. Até Zack , que é o garoto mais atentado e chato que conheci, estava calado. Aproximei-me da mesa em que Liz estava sentada, que era a mesma de antes do intervalo.
– Vocês não vão acreditar no que aconteceu – Ela Comentou, com olhar perplexo.
– Pronto, o que mais pode acontecer hoje? – Já me estressei – Primeiro, acho um amuleto idiota que não tem significado nenhum, depois, construo uma piscina de creme de milho na escola e sou taxado como vilão, e agora ?
– O livro... Está normal – Disse ela, calma, porém assustada.
– Como assim o livro está normal ? – Disse.
– As páginas... Elas estão completas... Não existe nenhum suporte para amuletos como havia há 40 minutos.
Quando Liz terminou sua fala imediatamente peguei meu livro e Ray fez o mesmo. Observamos atentamente cada página e era verdade. Os livros estão normais. Mas como isso aconteceu ? Estamos lidando com algum tipo de magia negra, feitiçaria, macumba ou coisa do tipo ? Estou assustado. Não conseguia pesquisar nada naqueles livros, estava com medo. O tempo passou e todos estavam pensativos. Ainda bem que só faltavam cinco minutos para bater o sinal. A professora Big nos ordenou a guardar os livros no lugar. Quando fomos guardar o nosso, ela disse:
– Esses não. Esses livros não fazem parte do acervo da biblioteca.
– Então de onde eles são ? – Perguntei
– Não me façam perguntas, acho melhor vocês irem, já vai bater o sinal.
E exatamente na hora que ela disse isso, ouvimos o barulho do sinal . Fomos juntos conversando até o portão da escola, quando Ray disse:
– Bom, gente, até amanhã – Deu um beijinho no rosto da Liz, e me deu um abraço e sussurrou – Conta comigo pra qualquer coisa, meu irmão!
Abri um sorriso na hora e respondi:
– Digo o mesmo para você meu brother.
E ele saiu caminhando cantarolando a música que estava ouvindo no seu celular. Ficamos só eu e Liz, um do lado do outro. Para quebrar o silêncio, falei:
– Liz, tem algum compromisso marcado para hoje?
– Não, ia ficar na internet a noite inteira, conversando com... Você – E caímos na risada
Então eu, já feliz da vida, perguntei:
– O que acha de irmos tomar um sorvete ? – Instantaneamente me senti enrubescido, acho que nunca fiquei tão tímido na minha vida.
– Pode ser... – Ela também corou, olhou para seu all star e deu um sorrisinho que fez meu olho brilhar.
– Então vamos, não quero perder nem um minuto sequer.
Estava sendo o melhor pior dia da minha vida, quero dizer, no começo, me exaltei com meu melhor amigo, e agora, estava indo tomar sorvete com Liz. Isso me fazia sentir especial, como se ela confiasse a vida dela em mim, e foi quando ela falou:
– Você é tão chato sabia ?
–Por que ? Oque eu fiz ?- Respondi, com medo de que tivesse magoado ela em algum aspecto.
– Porque você é tão diferente quando estamos só nós dois ? – Ela me respondeu com outra pergunta
Tive vontade de falar “ Pois eu sou apaixonado por você desde sempre “ , mas apenas pensei melhor e disse :
– Ah, eu me sinto mais a vontade quando estou perto de você !
– Eu também sinto isso, confio muito em você, obrigada por estar sempre ao meu lado – Disse ela.
Nesse momento ela me abraçou, e parecia que eu estava no paraiso. Eu queria protege-la de tudo e de todos, e queria ficar daquele jeito para sempre. Quando chegamos para tomar o sorvete, ela escolheu sorvete de uva e morango, já eu preferi o de chocolate. Conversamos um pouco, experimentamos o sorvete um do outro e depois levei ela até em casa. Conforme ia me distanciando percebia que ela me observava, eu dava uma olhada ou outra para trás e sorria.
Cheguei em casa, minha mãe já estava preocupada, então fui e sentei ao lado dela . Eu não conversava muito com a minha mãe. Ela não é do tipo que demonstra sentimentos a toda hora. Ficamos assistindo um filme que estava passando na televisão chamado “ Marley e Eu “ . Na metade do filme, adormeci, e sonhei com aqueles amuletos. Em meu sonho, eu via criaturas que não eram seres humanos, eram ... Monstros. Mas espera, monstros não existem! Mas aqueles pareciam reais. Acordei transpirando, já era dia, e fiquei tranquilo quando percebi que tudo não passava de um sonho.
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