Notas iniciais
Oi amores! - Só quero dizer uma coisinha antes de lerem o capitulo: Muita calma. - Há dois momentos importantes, mas eu quero que pensem assim : há males que vem para bem então não precisam pensar no pior. =) - Já vou responder os comentários passados e eu tenho um recado lá em baixo pra vocês. É sobre a fic. - beijos, boa leitura e falo com vocês lá em baixo.

“mas há males na vida que vem para o bem”

Risadas infantis e músicas animadas chegavam aos ouvidos de Nessie enquanto ela caminhava pelo caminho de ladrilhos envolto por um pequeno terreno verdejante sob o céu arroxeado. A brisa estava forte naquele fim de tarde, no entanto não era gélida, e sim aconchegante, fazendo os cabelos perfeitamente alinhados de Renesmee dançarem ao vento.

Cumprindo seu papel de boa amiga Nessie seguia para a casa de Nahuel. Assim que chegou à pequena varanda e parou em frente à porta aberta Renesmee pode contemplar balões coloridos no pequeno hall e uma gritaria juvenil a fazendo sorrir no mesmo instante.

Alegria virtuosa e infantil. Era tão pura aos seus ouvidos que ao contrário do que pensara, a jovem não se sentiu tonta ou tristonha apenas enlevada pela animação das pequenas crianças.

Entrando sorrateiramente Renesmee logo foi vista pelo aniversariante que correu para seus braços enquanto a capa de sua fantasia do superman balançava no ar. E prontamente Renesmee alegrou Daniel com um belo carrinho temático. O menino somente teve contato com ela por duas vezes, porém Nessie tinha tanto carisma que o conquistou de imediato. O garotinho ainda abraçava as pernas da mulher quando seu pai se aproximou.

Instantaneamente Renesmee sorriu, Nahuel estava com um ar despreocupado e informal. Vestia uma camisa simples, porém elegante, seu cabelo não estava em um penteado sério como de costume, mas sim livre, e junto a todo o seu traje demonstrava que apesar da seriedade Nahuel tinha um espírito jovem e bem-disposto.

– Fico feliz que tenha vindo Renesmee. --- Nahuel disse cordial oferecendo-lhe um sorriso gentil.

– Imaginei que ficaria. --- Nessie retribuiu igualmente gesto do assistente.

– Realmente achei que não viesse. --– comentou Nahuel ladeando a moça a impulsionando seguir em direção aos adultos e fugir da correria das crianças.

– Não vou mentir, pensei nessa hipótese --- Renesmee virou-se para o homem que mantinha a face tranquila para ela ---, porém não seria justo nem com você e nem com Dani. –-- declarou suavemente.

E por uns instantes conforme Nahuel e Renesmee adentravam em uma grande sala --- claramente preparada para a festa --- o clima entre eles ficou como era antes: agradável, amistoso e leve. Contudo em um rompante Nahuel guardou seu sorriso cortês e em seguida disse delicadamente:

– Nessie, eu terei que deixá-la, me perdoa? Prometo que volto logo. --- Renesmee também guardou o singelo sorriso e anuiu lentamente. --- Te levarei a mesa e você poderá comer o que quiser, fique a vontade. Eu realmente não demoro. --– reforçava Nahuel conduzindo-a até uma extensa mesa que continha diversos pratos típicos de festas infantis.

Renesmee sentiu um aperto em seu estômago. Não era fome nem enfermidade, apenas um enjoo de aflição por saber que Nahuel mentia, ele tentava se livrar de estar em sua presença. A fuga do olhar dele a todo o momento em que estiveram dialogando a confirmava isso.

As saídas de Nahuel pela tangente e sua inquietação à presença dela muito mais que mágoa a estava deixando preocupada já. Sozinha ali perante aquela

mesa, Renesmee respirou fundo uma, duas, três vezes. Não poderia julgá-lo, mesmo distante Nahuel era um cavalheiro, nunca foi bruto ou grosseiro e não podia exigir explicações ou sua atenção naquele momento, afinal ele era o anfitrião.

Buscando paciência e calma, Renesmee levou um cupcake à boca e reparou na casa do amigo. Simples, porém bem adornada, moveis sem pompas, mas ainda assim eram belos. A enorme sala contava com três grandes quadros com replicas de obras de Paul Klee¹. Renesmee estirou os lábios em um sorriso indulgente, aquelas pinturas faziam o estilo de Nahuel além do fato de já ser esperado que o assistente fosse amante das artes plásticas.

Para alívio e entretenimento de Nessie na festa havia mais adultos que crianças, por isso logo ela pode se distrair de uma garotinha ou outra que a fazia pensar em sua própria filha. E no final de tudo ela divertiu-se na companhia de boas e animadas pessoas.

Quando finalmente anoiteceu Renesmee estava envolvida na conversa de três simpáticas mulheres. --- Prima de Nahuel, Babá de Daniel, e a mãe de um dos meninos que corriam a casa junto a Daniel ---.

– Com lincença. --- Nahuel disse metendo-se gentilmente na roda de mulheres. --- Posso falar com você em particular Nessie? --- Ele pediu em seu costumeiro tom macio e refinado.

Ela assentiu, despediu-se com um aceno de cabeça para as mulheres e o seguiu por um corredor o qual não havia decoração de festa.

– Perdoe-me a demora. --- disse e Renesmee sorriu agradecida fitando-o --- Alias, tenho que dizer está muito bonita. --- Nahuel confessou olhando dentro dos olhos dela.

– Obrigada. --- Renesmee timidamente agradeceu e logo limpou a garganta. --- Não disse antes, mas você tem uma bela casa. --- comentou observando os quadros no corredor.

Ela ainda não estava à vontade, Nahuel estava agindo estranho há dias como estava agora, tratando-a com doçura apesar de aéreo, educado, mas não atencioso.

– Nessie eu não sei como te falar isso... --- Nahuel falou de repente hesitante parando uns três passos da porta de seu escritório.

– Nahuel diga o que tem que dizer, você está estranho há dias e eu não sei o que está acontecendo. Isto está me enlouquecendo. --- Renesmee palavreava sem freio.

Seus olhos estavam claros e assombrados, seu nervosismo estava claro nas palavras corridas. Por outro lado Nahuel permanecia sério, com mãos no bolso e um olhar avaliativo sobre Renesmee.

– É melhor entrarmos, e então te conto absolutamente tudo. --– Cortou--a e envolveu levemente seus ombros com os braços a levando para dentro de seu escritório.

Renesmee ficou emburrada e de braços cruzados aguardando o assistente começar o relatório.

– Quer sentar? --– Indagou cauteloso indicando a cadeira atrás da mesa, todavia Renesmee desfez a postura e liberou sem freio outra vez as palavras.

– Nahuel, eu quero que me diga o que está acontecendo. Você me evita, não responde quando pergunto da minha filha, não me olha por muito tempo. Qual o problema? Não pode mais me ajudar? Tudo bem eu arrumo uma saída.

– Eu encontrei a sua filha. --- Declarou baixo fitando-a assim que Renesmee havia feito uma pausa para resfolegar e nesse caso ela precisou repetir o processo retendo e soltando o ar com brusquidão.

– Como assim Nahuel? --- sibilou.

Renesmee estava tremula, no entanto não sentia seus membros, em seu peito seu coração acelerava loucamente e seu olhar simplesmente não tinha mais foco naquele momento.

Era uma afirmação tão veemente e poderosa que Nessie teve medo de se jogar no prazer de ouvir aquelas tão sonhada palavras.

Ao perceber que Renesmee esforçava-se para ficar de pé Nahuel sem demorar a pegou suavemente pela mão a sentando na cadeira --– virando-a de lado --- e ajoelhando-se em frente a ela.

– Bem ela deveria estar aqui hoje. --- Ele comentou calmo com um singelo sorriso. --- Eu não queria te dar falsas esperanças outra vez. --- Então assim que desconfiei, fui ao fundo no máximo que podia para ter certeza. --- Ele esclarecia firmemente ainda encarando os olhos (agora) cheios de água de Renesmee.

– Tem certeza? --- Renesmee forçou as palavras a saírem, estava sufocada com um bolo na garganta que a impedia de gritar e colocar para fora sua exaltação.

Se conseguisse berraria e pularia, entretanto suas pernas completamente moles e o seu nervosismo a impediam de demonstrar o reboliço formado em seu âmago outrora amargurado agora jubiloso.

Todos os seus músculos tremiam, sua boca secou e se não fossem as mãos de Nahuel segurando as suas sobre os joelhos, ela poderia jurar que aquilo era um sonho. Um deleitoso e sublime sonho.

Nahuel no último mês havia se empenhado ainda mais, ele mesmo se cobrava, contudo ele estava cansado de enganos e desilusões para Renesmee. Dessa vez levaria a menina certa, deliberou.

Mesmo depois de duas tentativas frustradas, que ele tinha quase certeza, Nahuel notou Renesmee um pouco cabisbaixa, claramente decepcionada. Por outro lado isso não diminuiu as pesquisas, Nahuel passou a verificar cada assinatura antes de levar os documentos para Renesmee, mesmo com a demora de contato ele ficava satisfeito de não proporcionar uma falsa possibilidade a moça.

Custou mais tempo e trabalho não era fácil consegui-los, mas quando foi ao orfanato com Alícia no aniversário de Sarah, Nahuel encerrou sua busca.

O assistente e as meninas conversavam em baixo de uma árvore no campinho.

– Tio eu vou poder ver a Sarah no meu aniversário também? --- Alícia indagou entretida com as bonecas assim como Sarah se encontrava.

Nahuel enrugou a testa e perguntou:

– Claro, porque não veria?

– Suplicia disse que faria uma festa lá no jardim, mas Sarah não pode sair do orfanato. --- a menina contestou e Nahuel sorriu complacente.

– Princesa, falta muito para o seu aniversário e Sarah já está quase sendo adotada esqueceu? --- Nahuel replicou risonho referindo-se a um casal que queriam mais filhos e estavam interessados em Sarah já aguardando a decisão do juiz.

Foi a vez de Alícia liberar uma risada.

– Tio, me disse que ainda demoraria uns longos meses e meu aniversário é mês que vem. –-- ela respondeu sorridente voltando sua atenção às bonecas.

Aquilo foi uma bomba para Nahuel, se Alícia era de agosto ela poderia ser... Nahuel levantou-se em ímpeto e passou as mãos nervosamente pelos cabelos quase os arrancando do lugar. Nenhuma das duas meninas percebeu o estado desesperado do assistente.

O homem então olhou a moreninha e tudo veio a sua mente.

O jeito doce, o olhar afetuoso, a força e principalmente a perseverança, eram características extraordinariamente iguais de Alícia e Renesmee. Ele sorriu enérgico, passou as mãos nos cabelos novamente e deu voltas naquela arvore até parar e organizar os pensamentos.

Pela primeira vez ele desconfiou que Renesmee fosse mãe de Aly, mas ele precisava da certidão e da autorização, coisas que se encontravam no orfanato e com a senhora Campbell.

Estremeceu quando os documentos de Alícia finalmente pararam em suas mãos. Segundo os documentos Alícia havia chegado ao orfanato quinze dias depois de seu aniversário. Nahuel decidiu não falar nada para Renessmee até conseguir pegar outros documentos com Campbell e confirmar.

– Desculpe-me não ter dito antes, mas Renesmee agora eu tenho certeza, Alícia é sua filha. --- Demarcou Nahuel fitando os olhos amendoados e mareados. --- Acredite você tem um anjo como filha. --- Afirmou à proporção que uma grossa lágrima descia dos olhos de Renesmee e percorria sua face até cair em seu vestido.

– Eu estou com os documentos aqui, vou pegar. --- Nahuel avisou.

Apressou-se se erguendo rapidamente e indo até o armário no final do escritório buscando os documentos. Assim sendo Renesmee sentiu uma adrenalina em seu sistema e uma corrente violenta passear por seu corpo, seu coração batia ruidosamente ao passo que os sentidos de seus braços e pernas voltavam intempestivos causando-lhe choques. Em um rompante ela levantou-se e suas pernas vacilaram pela ansiedade, agora sim poderia exalar a excitação que a dominava.

Nessie fitou o assistente --- que separava os documentos --- à medida que seus pés moviam-se de um extremo ao outro do pequeno cômodo, porém a moldura de madeira mogno chamou-lhe toda a atenção como imã. Estava na estante entre a mesa e o armário. Dentre tantas fotos ali espalhadas, apenas a da moldura mogno bem no canto da prateleira prendeu seus olhos, era como se houvesse luzes de neon envoltas daquela fotografia.

O coração de Nessie desenfreava o tamborilar ferozmente e sua cabeça rodava rápido. Não conseguiria explicar como conseguiu chegar até o móvel com suas pernas bambas, entretanto Renesmee só soube que estava com seus olhos vidrados na figura emoldurada quando pôde finalmente apreciá-la com mais clareza.

Nessie vislumbrou aquela fotografia com afinco, na menina ali transparecia luz, era incansável, poderia mirar aquele rosto inocente por horas sem reclamar. Ao fitar o reflexo de seus olhos nos orbes negros que brilhavam da menina, escorreram lágrimas espessas e silenciosas de seus olhos, à medida que seu coração antecipava as batidas fazendo-as perderam a sequência batalhando sem sucesso para alcançar o equilíbrio.

O sorriso esplendoroso e acalorado da criança na foto foi o estopim para Renesmee perder uma batida de seu coração e sentir o bombear de sangue violento em seguida juntamente com a emoção que regia todo o seu organismo.

– É ela Nahuel. --- Sibilou sem tirar os olhos do porta-retrato.

Nahuel ouviu a voz trêmula e limitada de Nessie, tirou seus olhos dos documentos em suas mãos e fitou a mulher em frente a estante extasiada por algo. Ele largou os papéis sobre a mesa e aproximou-se deixando um sorriso brilhar nos seus lábios.

– É a minha filha Nahuel, sem duvida. --- Renesmee bradou sorridente enquanto sem permissão as lágrimas escorregavam em sua face e atingiam seus lábios denotando ali um gosto levemente salgado. --- Não quero saber de outra menina, eu quero vê-la. É ela, tem que ser ela. --- pegou o porta-retrato à proporção que palavreava sem se importar com o embargo de sua voz pelo choro.

Nahuel pairou seu olhar ligeiramente sobre a foto e em seguida sustentou seu olhar solidário nos olhos amendoados de Renesmee. Sorriu e voltou-se para as pastas que havia abandonado.

– Esses são os documentos que consegui para provar minhas suspeitas. --- relatou o assistente voltando a seu tom profissional.

– Nahuel, eu tenho certeza que é ela a minha filha... ---- Renesmee chiava sentindo as carnes de seu corpo oscilarem. --- Não preciso de qualquer documento. --– assinalou aninhando a moldura em seu colo.

– Acho que deveria ver o que eu trouxe. --- Nahuel sugeriu tranquilamente, todavia o seu sorriso faceiro e seu olhar encorajador causou uma corrente elétrica em Renesmee e certa irritabilidade.

Ela o olhou primeiramente em confusão e depois esbugalhou levemente seus olhos em apreensão.

Sem cerimônia ou elegância Renesmee arrancou os documentos das mãos do assistente e os abriu, folheando por poucos segundos e os deixando cair displicentemente sobre a mesa.

– Nahuel eu sabia, é ela. A minha filha. A encontramos. --- Renesmee clamou saltitante com seu sorriso chegando até as orelhas e suas lagrimas novamente chegando aos olhos, mas dessa vez ela as conteve.

– É a Alícia. --- Ele afirmou tranquilamente pondo a mão em seus bolsos da calça e direcionando seus olhos cerúleos e brilhantes para a foto.

Apesar de seu tom macio e sua postura passiva, Nahuel estava eufórico por dentro, seu coração acelerado e seus olhos ficaram embaçados por lágrimas contidas vendo toda a comoção de Renesmee sobre o retrato que ela voltava a colocar entre as palmas.

De todas as vezes que pensou em levar Alícia até sua mãe verdadeira nunca imaginou a proporção daquele ato. Na verdade o assistente nunca sentiu o real peso de sua promessa. Embora nunca houvesse desistido jamais se deteve com tenacidade nos sentimentos envolvidos.

O amor por aquela pequena garota, a ansiedade de conhecer sua família, o sentimento de uma mãe incompleta, eram coisas até ali superficiais na imaginação de Nahuel. E agora ele podia ver na face maravilhada e no olhar devoto de Renesmee o real refrigério da alma de uma mãe ao ver a filha outrora perdida e desconhecida.

Renesmee notou um calor descomunal em sua caixa torácica, sentia o sangue lhe correr as veias com furor, no entanto o retrato em suas mãos foi virando um borrão e lágrimas densas trilhavam caminhos tortuosos em seu rosto.

Nahuel contemplou com deleite a mulher dedilhar cada centímetro do vidro que protegia a foto da criança sorridente. No olhar de Renesmee reinava a veneração por aquele rosto, o alívio salpicava seus orbes ao mesmo tempo em que a ansiedade lutava para sombreá-los.

Mas Nessie encontrava-se ébria demais para pensar em coisas à frente. A única coisa que ela queria ali era que aquela fotografia se materializasse em uma

pequena garotinha e ela pudesse dedilhar o rostinho redondo e sapeca como fazia no vidro, somente assim sentiria a maciez da pele de sua criança e conheceria seu calor denotado em suas bochechas levemente coradas.

– Como pôde ter tanta certeza? --- O assistente inquiriu afetuosamente passando suas palmas nos ombros da mulher (agora) de costas para ele secando o rosto com o respaldo das mãos a fim de limpar a visão.

– O sorriso... --- Renesmee respondeu débil passando a ponta de seus dedos sobre o desenho mais meticuloso que ela já havia visto.

Os dentes brancos e límpidos. O alento e o conforto que aquele sorriso largo lhe proporcionava, Renesmee nunca esqueceria.

– As bochechas... --- Nessie tornou a escorregar os dedos pelo rubor da menina na foto. --- Os olhos... --- ela quase perdeu a voz com o nó em sua garganta à medida que sua visão ficava turva outra vez pela nova inundação de seus olhos. --- São como os do pai. --- balbuciou ignorando o que borrava sua vista.

– Bom, os olhos lembram os seus. --- Nahuel comentou de forma cadenciada estudando agora a feição de Renesmee.

Ela inspirou o ar levemente e esboçou um sorriso fraco nos lábios hesitantes.

– O formato pode ser, mas a imensidão, a magnitude é do Jake... --- assobiava as palavras, ainda torpe na imagem em suas mãos.

Nahuel elevou as comissuras de sua boca e olhou ligeiramente a menina na foto para em seguida fitar Renesmee embevecida pela fotografia.

– Sabe, essa foto tiramos em uma festinha no orfanato à noite. Tenho que dizer que os olhos da Aly ficam negros de forma inebriante à noite, porém na luz do sol é expressivo e cintilante, completamente encantador e doce, como os seus. --- Nahuel finalizou sua analise em um sussurro, pois finalmente tinha os olhos significativos e emocionados de Renesmee sobre ele.

– Eu preciso vê-la. --- Renesmee choramingou com uma pitada de desespero em sua voz.

Nahuel deixou uma ruidosa risada ecoar no escritório recebendo um olhar especulativo de Renesmee em troca.

– Eu pedi aos seus guardiões que a trouxessem para cá hoje, já deve estar a caminho. --– esclareceu o assistente de forma suave e ao mesmo tempo jovial.

– Guardiões? –-- sibilou a pergunta.

Renesmee sentiu-se sufocar e gelar. Como se a garganta estivesse fechando e o bombear de sangue freando quando a palavra guardiões chegou a seus ouvidos.

– Alícia está em guarda provisória. --– Explicou Nahuel sereno dessa vez. --– Mas eu consegui um adiamento da autorização terminante, Aly ficaria bem amuada caso fosse adotada definitivamente, ela sonha em encontrar a família verdadeira e eu prometi isso a ele e por ironia do destino a você também, então não se preocupe Nessie, eu conseguirei que fique com a Aly, te dou minha palavra. --– Nahuel demarcou veemente olhando dentro daquele mar de chocolate que o fitavam tão esperançoso e admirado.

Renesmee não pensou somente puxou Nahuel para um abraço caloroso. Percebia a fé uma vez enfraquecida se fortalecer. O coração --- que gelou por segundos --- se aquecer e se encher de jubilo.

Nahuel também aproveitou o apoio investido por Nessie. O assistente se encontrava hesitante, contudo experimentava um bem estar por ter conseguido aquela primeira vitória.

Não era só o estado radiante de Renesmee que o fascinava, mas ele tinha noção dos olhinhos brilhantes e cheios de contentamento os quais Alicia ostentaria quando soubesse da novidade.

Nahuel sabia o quanto Alícia esperou e perseverou por achar sua família biológica assim como ele viveu com Renesmee os momentos de espera cruciante para chegar ao bálsamo de saber onde sua pequenininha estava.

Lenta e suavemente Renesmee e Nahuel separaram-se.

– Preciso vê-la. --- Renesmee disse taxativa com seu olhar pedinte sobre os azuis tranquilos de Nahuel.

Nessie passou a repetir aquelas palavras nervosamente em um tom baixo à proporção que andava de um lado a outro no escritório. Suas mãos suadas e estremecidas passavam por seu rosto, adentravam em seus cabelos os desalinhando e em consequência de seu desassossego suas pernas não conseguiam ficar paradas, quando tentavam Renesmee tinha a sensação que cairia bruscamente.

O assistente prontamente pegou pela vigésima vez o telefone aquele dia e discou o número de Aro Volturi e pela vigésima vez --- para seu desespero --- ninguém lhe atendeu.

Nahuel respirou profundamente e deixou um simples sorriso brotar em seus finos lábios.

– Renesmee, tenho certeza que ainda virão, vamos aguardar. --– Particularizou pousando levemente suas mãos sobre os ombros de Nessie. --- Alícia estava louca para encontrar com Daniel outra vez, acredito que virá logo, logo. --– Tranquilizou.

Por sua vez Renesmee relaxou os ombros e ofereceu a Nahuel um sorriso compreensivo. Ela puxou o ar e o soltou vagarosamente.

– Okay. Vou aguardar, afinal também temos que voltar para festa.

De fato Renesmee aguardou até o fim da festa. Cada brincadeira. Cada risada. Tudo contribuía para que a ânsia aumentasse à proporção que sua paciência diminuía. Ela olhava a porta aberta incessantemente, ouvia as conversas sem atenção e respondia sem refletir nos assuntos. E quando a hora de cantar os parabéns chegou Renesmee não conseguiu manter-se íntegra.

Esgueirou-se até chegar à varanda. Lá Renesmee apoiou-se no pilar da entrada e apreciou a brisa gélida da noite beijar sua face e envolver seu corpo de forma tranquilizante. Nessie sentia-se quente por dentro, um tumulto de emoções transitava em seu corpo e sensações intensas nublavam sua mente --- Felicidade, ansiedade, conforto, medo. ---, no entanto ali contemplando a noite ela podia pensar com mais clareza.

Caramba! Era a sua filha.

Tão linda. Pequena. Sua menina.

Finalmente, sabia onde estava.

Renesmee sorriu abertamente e notou o regozijo e plenitude aflorarem em seu interior. Ali sozinha, com as risadas infantis e músicas ao fundo bem distante, ela por fim podia imaginar as bochechas ruborizadas junto as suas, o som da risada da menina e aqueles olhos expressivos sobre ela.

A risada dela agora era ruidosa, seus orbes chocolates outra vez cintilavam. Não eram lágrimas, era a magnitude de suas sensações que estavam chegando a seus olhos, afinal eles eram o espelho de sua alma e Renesmee naquele momento tinha o privilégio de estar completa pela primeira vez em anos.

Gostaria de soltar rojões para celebrar, mas contentou-se em gargalhar sozinha ali naquela varanda e sonhar com um futuro muito próximo, que seria embalando sua filha em seus braços.

*****

– Eles não atendem. --- Nahuel grunhiu apertando o celular nas mãos.

Estavam na sala, já passavam das 23 h. Maria havia acabado de colocar Daniel já adormecido na cama. Nessie estava inquieta no cômodo e tentava inutilmente recolher os copinhos descartáveis espalhados por ali, mas nada agarrava sua concentração.

Nahuel também preocupado com a falta de resposta dos Volturi não podia se concentrar em mais nada que não fosse o telefone. Entretanto antes de cair outra vez na caixa postal atenderam sua chamada.

– Sr. Jenkis. --– O cansaço estava imperando na voz de Aro.

À medida que a conversa seguia Renesmee deixou seu traseiro repousar no assento do sofá enquanto observava as reações de Nahuel. A mandíbula do assistente enrijeceu e seu olhar índigo tipicamente tão claro agora era um anil escuro e profundo denotando sua verdadeira irritação.

Nahuel soltava o ar com brusquidão, não disfarçava sua cólera conforme ouvia o homem ao telefone e isso só servia para aumentar a aflição de Renesmee que já apertava uma mão à outra tentando conter sua inquietação.

Irado, Nahuel tinha seus olhos negros e suas mãos fecharam-se ao punho e a mão ao telefone o apertava tanto que seus nós ficaram brancos. Seu corpo permanecia trêmulo e seu estado somente piorou com a imagem de Renesmee apreensiva em sua frente.

Nessie sentiu o corpo gelar. O calor que uma vez percorria sua estrutura e a deixava agitada havia se dissipado e a única coisa que atravessava sua espinha no momento era uma corrente gélida, quase congelante. A mulher petrificou-se na frente do assistente estudando a face impaciente e aborrecida do homem conforme ele andava de um lado a outro do salão e esbravejava o telefone.

Ela tão pouco prestou atenção nas palavras de Nahuel, mas notou o peito esfriar e o coração desacelerar gradativamente. Era como estar em água fria em mar aberto. O corpo pinicando pelo sal e adormecendo pelo frio. Sentia-se sufocar como estivesse se afogando e perdendo os sentidos, sua cabeça agora latejava irritantemente.

Nahuel enraivecido gritava e passava a mão nos cabelos simultaneamente. Sua vontade era sacolejar o homem do outro lado da linha e falar muito mais do que devia, entretanto vislumbrou Renesmee ali sentada no sofá, desolada e consternada e ela nem ao menos sabia exatamente o que se passava.

– Onde vocês estão? --– seu tom era severo e seu olhar estudava as reações de Renesmee.

– Chego ai em meia hora. --- Nahuel avisou antes de desligar o aparelho furiosamente.

Encarou a mulher de olhos vermelhos a sua frente.

– Aconteceu algo Nahuel, eu sinto. --- Renesmee afirmou chorosa apoiando as mãos sobre os joelhos.

Renesmee estava tão frágil, tão abatida que por um momento roubou a atenção do assistente causando nele uma vontade de abraçá-la e consolá-la, a fazendo se sentir confortável e alegre como há minutos atrás.

E mesmo enfurecido e com a preocupação dominando seu corpo, Nahuel alargou os passou até ficar diante da mulher e colocá-la de pé para assim abraçá-la fortemente compartilhando de sua dor pela possibilidade de algo ter acontecido a doce e inocente Alícia.

*****

Na noite de sexta-feira, como combinado Cora havia levado Alícia no cinema junto com Jane e Alec. A menina estava maravilhada com o filme dos esquilos. Ela ainda ria dos passos dos roedores quando chegou ao apartamento da amiga.

Dormir fora de casa era uma diversão para Jane, mesmo a dona do apartamento não sendo sua amiga estava sendo uma noite animada e contente. A jovem adulta era o mais agradável possível e pelo menos Jane não teria seus pais para vigiarem suas conversa ao telefone e Alec poderia ver TV até tarde sem uma supervisão desnecessária. Cora se sentiu uma mãe sendo responsável por uma criança e dois adolescentes, todavia jogar até tarde com eles e ficar com Alicia até ela adormecer havia sido gratificante.

Contudo na manhã seguinte tudo mudou. Cora recebeu uma ligação inusitada de uma escola a qual tentava trabalhar a meses. Era manhã de sábado e aquilo soava um tanto estranho, no entanto a jovem colocou o medo trancado em uma gaveta e foi. Decidiu deixar um bilhete na geladeira antes de sair, Alec e Jane dormiam, enquanto Alicia via desenho e terminava seu desjejum.

– Querida, não demoro. Você sabe onde tem tudo, mostre a Alec e a Jane quando levantarem. --- Cora informou depositando um beijo no topo da cabeça de Aly que nem desviou o olhar da televisão.

– Boa sorte Cora. --- A menina rapidamente levantou-se e deu um beijo estalado na bochecha da amiga antes de ligeiramente voltar a ver o desenho.

Em menos de dez minutos desde que Cora havia saído a campainha tocou e não restou alternativa para Aíicia. Ela preguiçosamente saiu do sofá e foi atender a porta.

*****

– Não é possível que não tenham visto a Aly sair. --- Cora bufafa enquanto andava de um lado a outro em seu apartamento.

– Não vimos. --- Alec afirmou. --- Quando levantei só havia os biscoitos e leite sobre a mesinha, a Tv ligada, o seu bilhete na geladeira e nada de Alícia. ---- Ele explicava pela décima vez, já impaciente.

– Olha aqui eu não tenho culpa, tá legal? Você estava responsável pela pirralha, erro seu, querida. --- Jane assinalou arrogante sentando-se no sofá e cruzando as pernas em uma posse altiva.

– Que droga Jane, a Aly sumiu, você pode ser um pouquinho menos fútil. --- Alec ralhou virando-se para encarar a irmã.

– Sumiu nada. --- Jane rebateu elevando-se e peitando o irmão. --- Ela deve ter ido tocar violão em alguma esquina e já deve está voltando. --- a loira voltou à pose presunçosa repousando seu traseiro no sofá. --- É típico dela, chamar a atenção. --- Completou.

– A culpa é minha. --- Cora amofinou-se passando as mãos furiosamente por seus braços permitindo-se cair sobre o outro sofá.

– Não é sua culpa. Alicia deve ter descido para fazer alguma bobagem e já volta. Acalme se. --- Alec disse tentando convencer mais a si mesmo que acalmar a jovem.

– Por cinco horas, Alec? --- Cora choramingou dolorosamente fitando o menino com seus olhos aflitos.

Então os três naquele apartamento olharam-se. Alec e Cora partilhando um olhar preocupado e Jane um entediado.

– Vamos procurá-la outra vez. ---- Deliberou Cora passando a mão em sua bolsa sobre a mesinha de centro e dirigindo-se a porta.

– Vá você. --- Jane ponderou arrogantemente. --- Você se descuidou, não eu. --- A menina permaneceu sentada de braços e pernas cruzadas.

Nessa hora o sangue de Cora ferveu. Sua respiração tornou-se pesada demais e forçada. Suas narinas estavam dilatadas denunciando sua respiração furiosa.

– Escuta aqui garota. --- Ela apontou o dedo em riste para Jane. --- Nós... --- frisou rolando o dedo apontando para todos ali. --- Vamos procurá-la e você vai calar essa boca. --- Demandou. --- Você é uma garotinha mimada e se não se importa com o que possa ter acontecido a uma menina boa e pura, pense ao menos nos seus pais e irmão que sofreram caso aconteça alguma coisa a ela. Consegue fazer isso? --- Cora cuspiu as palavras categoricamente e a garota em sua frente permanecia assombrada com seu susto delatado em seus olhos esbugalhados.

Jane só não sabia dizer se seu medo era pela face furiosa de Cora ou do tom mortal usado por ela. Cora cerrou seus punhos e manteve seus braços rígidos estendidos a seu redor.

– Você consegue Jane, pensar em alguém além de você mesma? --- Alfinetou um pouco mais calma.

– E-eu. --- Jane estava sobressaltada pela bronca, não conseguiu formular uma frase.

Cora ao menos esperou a resposta e saiu do apartamento sendo seguida por Alec afoito e Jane um pouco atônita.

Por fim rodaram toda a região, andaram por quadras durante duas horas. Passaram por praças, shopping, lojas, parques, hotéis sempre descrevendo Alícia com tamanha minuciosidade. Entretanto retornaram ao apartamento, ainda mais desanimados.

Alec caiu desolado no sofá e Cora sentou-se a seu lado logo abraçando fortemente o garoto.

– Me perdoa Alec. Perdoa-me. --- Ela pediu chorosa. --- Ficará tudo bem, vamos encontrá-la. --- Cora pegou o rosto do menino em suas mãos. --- Confia em mim? ---- inquiriu fitando os olhos verdes lacrimejados de Alec.

O garoto consentiu abraçando a de volta.

– O papai vai matar você. --- Jane suspirou as palavras também se assentando ao lado deles.

Por outro lado não havia deboche ou arrogância na face da menina apenas um lamento verdadeiro. Cora a encarou e recebeu um singelo sorriso solidário.

– Eu vou falar com ele. --- Cora anunciou se colocando de pé.

– Falar o quê? --- Jane indagou azeda. --- Que nos minutos que saiu a Aly sumiu como mágica? Acha que ele vai acreditar em você? --- Especulou.

– Jane, não enche. Nós também não a vimos sumir e simplesmente não a encontramos. ---Alec argumentou e sua irmã jogou os ombros em um “tanto faz” silencioso.

– Ela pode ter escondido a pirralha em algum lugar. --- Conjecturou em um tom ácido.

Cora esbulhou os olhos, estava estupefata pela acusação explícita.

– Jane cala essa maldita boca. --- Alec demandou. --- Não piora as coisas e pare de acusar a Cora, não podemos acusar ninguém e ainda assim o mais importante é encontrar a Alícia. --- ele centrou seu olhar reprovador sobre a irmã.

Jane deu um sorriso amargo e forçado.

– Explica isso para o papai. Por que você conhece Aro Volturi ele sempre quer um culpado, não importa o tamanho do estrago ele sempre tem que sentenciar alguém. --- Particularizou causando um silêncio esmagador no apartamento.

Silêncio esse que só foi cortado pela chamada de Aro e Suplicia na porta da residência levando aos três a puxarem o ar com violência e o soltarem por desespero dos pulmões.

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Aro e toda a família passaram o fim de tarde à procura da menina. O homem carrancudo seguia na frente com o filho ansioso. Suplicia e sua filha seguiam em silêncio logo atrás enquanto Cora --- amuada e pesarosa --- ia mais atrás remoendo as duras palavras de Aro e Suplicia.

Não brigou nem se defendeu após explicar o ocorrido juntamente a Alec, somente ouviu a exasperação do casal em um silêncio angustiante, contudo ela sentia-se verdadeiramente culpada, portanto acreditou serem coerente e merecida às acusações que levou sobre si. No entanto Cora não abriu mão de percorrer os arredores do bairro e parte da cidade na procura por Alícia.

O som das chamadas de Nahuel já havia se tornado o fundo musical da busca. E quando o céu escuro foi notado, todos seguiram para delegacia. Após prestar a queixa e todos ficarem aguardando um parecer, o telefone de Aro tornou a tocar.

– Sr. Jenkis. --- Aro nem ao menos tentou disfarçar o cansaço em sua voz.

– O que houve Aro? --- apesar de impaciente Nahuel não demonstrou cólera em sua voz.

– Eu nem sei como falar isso. --- Aro resmungou.

A mandíbula de Nahuel enrijeceu e seus dentes trincaram um no outro.

– Diga Aro o que aconteceu? –-- rugiu as palavras, mesmo ele tentando se controlar, os nervos de Nahuel já estavam à pele.

– Alícia está desaparecida desde a manhã de hoje. –-- disse ele rápido e de uma só vez fazendo uma fúria correr o corpo de Nahuel.

O assistente bufou exasperado.

– Que droga Aro, como pôde acontecer isso? Você só pode estar de brincadeira. --- esbravejou.

Nahuel castigava os cabelos com sua mão nervosa à medida que ouvia Aro explicar todo o acontecido.

– Isso é inaceitável, Aro. Que irresponsabilidade. --– Nahuel tinha uma veia alta em seu pescoço e não media tom em suas palavras.

– Onde vocês estão? –-- seu tom era severo.

Aro informou abatido relaxando os ombros em sinal de ruína para em seguida ter a ligação cortada sem aviso.

– Pai o que ele disse? --- Alec perguntou hesitante.

Aro liberou o ar bruscamente e encarou um a um com o semblante sombrio repensando nas palavras de Nahuel.

– Só temos uma opção. --- seus olhos cravaram no filho preocupado. --- Encontrar Alícia. --- Noticiou determinado.

– Mas quando acontecer, ela voltará para nós, não é? --- Alec perguntou temeroso.

Aro suspirou e Jane deduziu a resposta de seu pai.

– É pouco provável, Alec. --- lamentou com uma expressão séria e ao mesmo tempo solidária para seu irmão.

*****

Os sapatos de salto fino causaram um eco agonizante no ambiente. Todos os Volturi juntamente com Cora fitaram o mesmo lado ao qual vinha um Nahuel enfurecido acompanhado de uma Renesmee impaciente.

– Nahuel, sinto muito. --- Cora adiantou-se indo até o homem.

– Já fizemos a ocorrência. --- Alec apressou-se em dizer também se colocando de pé.

E aos poucos cada um erguia-se tentando justificar ou lamentar pelo desaparecimento da menina.

No entanto Jane --- a qual não se manifestou com afinco, apesar de estar de pé --- reparou a mulher atormentada e inquieta que observava o cerco barulhento com seus olhos pedintes e aborrecidos arregalados sobre os presentes na discussão.

– Quem é você? --- Jane indagou com seu olhar esnobe e seu tom arrogante para Renesmee.

Nessie levou uns segundos para olhar a garota que a estudava, mas ela abriu e fechou a boca decidindo-se o que falar sem mesmo refletir em qual seria a resposta mais coerente. Todavia, Nahuel emprestou a atenção sobre as duas e em tom severo e incontestável disse:

– É a mãe biológica da Aly.

A boca de Jane era um “o” perfeito assim como os outros ali. Por um instante Renesmee sentiu-se acuada e encabulada por ter cinco pares de olhos avaliativos sobre ela. Mas nem isso não desmanchou sua postura ereta e azeda.

– Nahuel isso é antiético. – Aro rosnou para o assistente.

Nahuel virou-se para ele despreocupado oferecendo um sorriso de escárnio.

– E perder uma menor com guarda provisória por quinze horas é muito responsável. --– retrucou. --- Não me teste Aro, você é quem mais terá problemas quando tudo isso terminar, não vigie meu trabalho. --- Nahuel foi terminante em suas palavras.

Aro não convencido, porém sem argumentos por hora cruzou os braços e permaneceu com o rosto retorcido por seu descontentamento.

– Me desculpe, eu juro, não queria que isso acontecesse. –-- Cora com seu tom de voz baixo e choroso disse a Renesmee.

Nessie olhou aquela jovem consternada de cabeça baixa, ela não sabia o tanto que Cora estava envolvida com sua filha ou com o fato do desaparecimento, mas ela notou a tristeza na voz da jovem e quando Cora ergueu o olhar Renesmee contemplou o seu desgosto por não ter Alícia em segurança.

Renesmee então apenas anuiu e tentou esboçar um sorriso, mas não teve sucesso. Abraçou os próprios braços assim como Cora fazia e a partir dali os olhares insatisfeitos falavam por si só.

Nada podiam fazer. Renesmee nem uma palavra citou, no entanto seu olhar de raiva pra Aro e Suplicia doía a espinha do casal. Uma confusão reinava ali, se Renesmee era mãe biológica e estava visivelmente transtornada pelo desaparecimento, porque a abandonara?

Aro e sua família tinha essa pergunta martelando na cabeça, mas não tinham coragem de vociferá-la. Como Nahuel fez questão de deixá-los saber, por hora quem estava em desvantagens eram eles. Renesmee simplesmente ignorava os olhos especulativos que recebia da família Volturi.

Todos se levantaram quando perceberam um homem alto e esguio se aproximar deles em particular.

– Olá, sou Shane Wilson, investigador. --- O homem apresentou-se e apertou a mão de cada um ali.

– Quem é o responsável pela menina desaparecida? --- Indagou sem direcionar a pergunta a alguém especificamente.

Aro, Nahuel e Renesmee fizeram menção de se anunciar, no entanto somente Nahuel foi firme às palavras.

– Eu, sou assistente social, ela está em guarda provisória do Senhor Volturi. – Ele apontou para o homem emburrado a seu lado.

– Compreendo. Bem, vim aqui porque vi o boletim de ocorrência, o analisei e tive uma suspeita. –-- Shane disse tranquilamente fitando apenas Nahuel que sustentava o olhar glacial sobre o investigador.

– E o que seria? --– Renesmee indagou prontamente.

Shane deu uma olhada ligeira para a mulher e voltou sua atenção ao assistente.

– Creio que a menina não desapareceu. Desconfio que tenha sido sequestrada. --- Assinalou e tão logo pode estudar as expressões se sobressalto e pavor dos presentes ali.

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¹ Paul Klee: Pintor e poeta suíço. O seu estilo, grandemente individual, foi influenciado por várias tendências artísticas diferentes, incluindo o expressionismo, cubismo, e surrealismo. Eram compostos de retângulos coloridos e alguns círculos.

Notas finais
Amores, o que acharam? - Sei que estão ansiosas, eu também estou. Mas tudo irá se encaixar, só mais um pouquinho de paciência. - No próximo capítulo vem a primeira parte do Reencontro Jake e Nessie. - Espero que tenham gostado. - Até logo, beijoos