Os Acordes Do Amor
37 Família Completa
Notas iniciais

Por volta das dez da noite, Renesmee e Jacob no quarto seguiam em uma conversa séria que já durava umas duas horas.
––– Você não está pensando em... ––– Jacob nem terminou a frase e passou as mãos nervosamente pelos cabelos sem corte.
––– Estou pensando sim. ––– Nessie respondeu. ––– Não peço pelo Edward, peço pela minha mãe que se preocupa com ele. ––– argumentou.
Jacob sentou na beirada da cama enquanto Renesmee permaneceu em pé com as mãos postas sobre a barriga.
O moreno se encontrava um pouco cansado. Era tarde, Alícia já dormia, e o casal tentava chegar a um acordo sobre como ajudar Bella a passar por essa fase.
––– Não me incomodo em ajudar a sua mãe, não ficarei mais pobre se ajudá-la financeiramente e mesmo se fosse o caso eu faria com gosto. Ela merece. Mas saber que isso irá refletir no seu pai e ele vai tirar proveito disso, Ness... Eu não consigo. ––– Jacob declarou a ultima frase pausadamente, com certo esforço.
A mulher em pé a sua frente, abaixou a cabeça e se distraiu nas mãos sobre o ventre.
––– Nessie olha pra mim. ––– Jacob após dois minutos falou e se levantou indo até ela e pegando suas mãos. ––– Você ficará bem? ––– ele especulou assim que Renesmee levantou os olhos frustrados sobre ele.
Ela aquiesceu e acrescentou:
––– É pela minha mãe, ela só tem a mim para ajudá-la. ––– seu tom era baixo.
Jacob então respirou fundo e disse suavemente:
––– Eu pago o tratamento dele ––– ele mostrou um pouco de repulsa na referencia a palavra ––– e dou uma mesada a sua mãe.
Renesmee arregalou os olhos e separou-se um pouco dele.
––– Sério? Mas acabou de dizer que... ––– Renesmee rebatia andando o quarto quando Jacob a parou pegando em seu braço.
––– Você ficaria chateada e triste se eu não o fizesse e isso seria o pior pra mim. ––– esclareceu docemente e a abraçou.
––– Serão muitos gastos. ––– Nessie tentou outra vez argumentar. –– Não ganhamos tão bem assim...
––– A venda dos Cds nos renderá uma grana também. ––– Jacob replicou confiante.
––– Jake... Você faz tudo por mim. ––– ela comprovou com devoção e um sorriso apaixonado.
––– Eu prometi que te faria feliz, isso me faz feliz. Você é a minha vida. ––– ele declarou. ––– Você, a Aly e o nosso pequeno Billy. ––– Jacob acariciou a barriga da esposa sob uma blusa sua que a servia como camisola enquanto beijava-lhe a cabeça.
––– Obrigada. ––– Renesmee sussurrou e depositou um leve beijo nos lábios do moreno e tão cedo chegou um pouco pra trás em um pequeno salto.
––– Sentiu? ––– Ela perguntou a Jake com olhos brilhantes e as comissuras dos lábios elevadas.
––– Sim. ––– Jacob com um enorme sorriso fitou o ventre proeminente da esposa e voltou a se aproximar.
Onde ele estava com a mão ele podia sentir um sutil bolo e pequenos toques consecutivos. Colocou então a outra mão ao lado e ele teve a impressão que seu filho jogava braços e pernas em forma de manifesto.
O casal soltava risadas, apreciando o momento.
––– Dói? ––– o moreno perguntou com os olhos fascinados.
––– Não, são choquinhos agradáveis. ––– ela disse também colocando a mão pra sentir externamente aquilo que sentia sempre por dentro.
Renesmee e Jacob permaneceram inertes na sensação de sentir o filho se remexendo gostosamente, o moreno inclusive se ajoelhou e beijou por várias vezes a barriga da esposa até que o garoto cessou os movimentos.
Por outro lado Jake e Nessie se deitaram e Jacob com a cabeça nas coxas dela mantinha a mão ––– como Nessie também fazia ––– sobre a pele exposta pelo blusão levantado, aguardando ansiosamente para viver outra vez a deliciosa sensação de ter Billy se manifestando e se fazendo perceber mesmo ainda faltando três meses para o seu nascimento.
******
A recepção do hospital estava agitada com todos os meninos da banda, suas esposas, mais Bella e as crianças.
Renesmee permaneceu horas na sala de cirurgia, após fortes pontadas durante a noite seu marido muito desesperado e preocupado a levou para o hospital e por Deus a sua médica estava a minutos de ir embora, mas resolveu ficar e realizar o parto.
Passava das cinco da manhã, todavia dentro do grande hospital não se notava o tempo. Muito menos o homem parado no vidro do berçário admirando ao filho que tinha acabado de nascer a pouco mais de uma hora.
Jacob mantinha as palmas abertas e encostadas no vidro límpido o acariciando como se pudesse tocar o pequeno menino em sua direção, o qual não parava de chorar e espernear bagunçando toda a manta azul.
Nos olhos do homem um brilho incandescente, nos lábios um sorriso vasto, e lágrimas silenciosas banhavam suas bochechas ao passo que seu coração batia fortemente, feliz e maravilhado.
Aos poucos o bebê parou de se agitar e passou apenas a ter um choro baixo, contudo Jacob não ouvia, mas estava atento a cada respirar do filho.
Billy era o maior do berçário ––– tendo só ele e mais outro como meninos e outras três meninas ––– o filho de Jacob permanecia sendo o mais novo, mais comprido e mais escandaloso.
Quando o menino se aquietou de vez, Jacob ergueu-se mais um pouco e ficou preocupado a fim de ver mais do filho ––– que agora se escondia em meio à manta –––. O moreno ergueu o corpo e se balançou para ambos os lados querendo chamar a atenção das enfermeiras, o que não demorou muito.
A enfermeira experiente e simpática olhou para o moreno e entendeu o olhar preocupado e virou-se para procurar o bebê que o homem apontava.
Sorrindo, a mulher foi com cuidado e calma até o berço do meio e retirou o bebê. Ela o levou com toda a tranquilidade de forma habilidosa até o vidro e o mostrou para o pai.
Mesmo já tendo posto os olhos em Billy ––– no momento do nascimento ––– Jacob sentiu um retumbar mais forte no coração pela visão do filho. O menino agora brincava com as mãozinhas enquanto reparava em algo nas paredes.
Alheio ao olhar curioso do menino Jacob reparava ––– orgulhoso e emocionado ––– os traços do filho.
De pele clara e bochechas rosadas, Billy possuía uma boca cheia e miúda, seus olhinhos ––– mesmo pequenos ––– tinham o exato formato dos de Jacob, assim como o formato do rostinho, as orelhas, o espesso cabelo negro... Jacob voltou a sorrir perdido na beleza e doçura do próprio filho.
Vagarosamente a enfermeira apartou o menino da janela e caminhou para devolvê-lo ao berço ao passo que Bella e Rachel aproximaram-se com Alícia.
––– A Aly quer vê-lo outra vez. ––– Bella falou assim que ladeou o moreno.
Com um sorriso embevecido nos lábios Jacob ajudou a filha a se erguer um pouco mais para comtemplar todo o berçário.
––– O que está com a enfermeira, pai? ––– Alícia perguntou.
––– Isso.
––– Ele é lindo, pequenino, parece até um boneco. ––– comentava a garota fascinada com o irmão.
––– Como está a Nessie? ––– Rachel indagou sem tirar os olhos do sobrinho que agora era deitado no berço.
––– Ela ainda está sobre efeito da anestesia e a doutora disse que avisaria assim que ela pudesse receber visitas. ––– explicou Jacob.
Meia hora mais tarde o quarto cor de salmão e amarelo, adornado por balões pequenos e azuis, cercava uma das cenas mais lindas e esperadas por uma mãe.
Renesmee envolvia com fascinação Billy em um braço ––– ele era tão pequeno ––– e com a outra ela alisava a cabeleira escura do menino. Nos olhos da mãe havia um brilho, lágrimas contidas ali, um sorriso congelado, as mãos um pouco trêmulas, ela mal sentia a dor nos mamilos, tamanha era a sua satisfação e realização por amamentar o filho pela primeira vez.
Ela o fitava com devoção impetuosa no olhar, permaneceu por minutos assim, com a alegria denotada na face, o carinho constante, alimentando-o e venerando-o com seus olhos inundados de amor e muito orgulhosa e maravilhada pelo filho que tinha nos braços.
Sentado ao lado da esposa, Jacob permanecia ébrio observando o filho de perto, distribuindo carinhos pelos bracinhos e pernas de Billy com uma mão e com a outra acariciando os cabelos de Nessie.
––– Ele dormiu. ––– ele sussurrou no ouvido dela antes de beijá-la na testa.
Renesmee muito cautelosa e lentamente guardou o seio no roupão de algodão e continuou aninhando o menino nos braços.
––– Tão lindo... Parece com você. ––– ela o analisou, risonha, seus olhos orgulhosos e encantados ainda pairavam sobre o filho.
––– Não acho. ––– Jacob rebateu. ––– Ele é todo você.
––– Fala sério Jacob. ––– Renesmee gargalhou e se calou em seguida por medo de acordar o bebê e prosseguiu em um sussurro ––– Não tem nada meu aqui. ––– afirmou e fitou o moreno que sorria orgulhoso enquanto anuía.
Jacob abaixou-se e depositou um breve beijo nos lábios de Nessie.
––– Está cansada?
––– Um pouco. ––– disse débil.
––– Quer que eu o segure para você descansar? ––– o moreno se ofereceu estendendo as mãos.
––– Não. Quero mimá-lo mais um pouco. ––– ela replicou fazendo bico e apertando levemente o filho nos braços.
––– Também quero segurá-lo. Ainda não o fiz. ––– o homem reclamou suavemente e Renesmee suspirou derrotada.
––– Tome cuidado. ––– Renesmee com todo esmero e zelo passou o pequeno bolinho mole dos seus braços aos enormes de Jacob.
Simultaneamente ao vazio que Renesmee sentiu nos braços, Jacob percebeu um calor vir dos braços e se irradiar por todo o corpo, principalmente no coração.
Billy literalmente sumia no colo largo de seu pai, mas o menino ressonava tranquilo enquanto era cuidadosamente amparado pelos braços de Jacob.
O moreno inclinou a cabeça e cheirou a cabecinha do filho e em seguida lhe deixou um beijo ali.
––– O pai te ama. ––– segredou.
Renesmee e Jacob continuaram mimando o pequenino, Nessie não dormiu nem por um minuto, juntamente com o marido estudaram e discutiram cada detalhes do pequeno, como as orelhas, nariz e o queixo, tudo em um tom baixo e com as risadas abafadas. E antes que Billy acordasse outra vez, uma Alícia saltitante adentrou o quarto.
––– Shiu, ele tá dormindo. ––– Jacob falou imediatamente e Alícia travou ainda bem perto da porta.
––– Posso vê-lo? ––– ela sussurrou ansiosa e encarou os pais com olhos pedintes.
Alícia mantinha-se eufórica, porém controlada, observou com interesse o bebê aninhado no braço de pai.
––– Ele é muito pequeno! ––– ela admirou-se em um sussurro. ––– É lindo.
A menina hesitou por uns segundos e depois subiu as mãos trêmulas ––– tinha o coração acelerado –––, Alícia se encontrava ansiosa, todavia contente, feliz. Não imaginava que teria um irmão tão cedo, e que seria tão apaixonante tê-lo.
––– Posso segurá-lo? ––– ela indagou com um largo sorriso enquanto suas mãos ––– até então estendidas ––– alcançaram as mãozinhas de Billy e as acariciaram docemente.
Jacob estreitou os olhos e inseguro fitou Renesmee.
––– Senta aqui. ––– Renesmee indicou seu outro lado para a filha, espremendo-se ao meio.
Conforme Alícia se aproximava da cama e juntava-se aos pais sobre o colchão, Renesmee pegou Billy dos braços de Jacob.
A mão zelosa verificou se Alicia estava inteiramente sobre a cama de forma que não pudesse cair.
––– Junte os braços, querida. ––– a instruiu.
Aly muito séria e concentrada manteve os braços firmes, retos e esticados para receber o irmão.
Devagar Renesmee depositou o montinho sobre os braços de Alícia e a ajudou a abriga-lo melhor em seu colo, principalmente a apoiar sua cabeça.
––– Ele é mole. ––– a garota observou e fitou o menino com olhos arregalados.
––– É normal. ––– Jake disse risonho.
––– Quentinho e molinho... ––– comentou Alícia em um murmúrio.
––– Ele é um recém-nascido, todos são assim, precisa ter cuidado com a cabeça. ––– Nessie falava de forma protetora e amena.
Alícia permaneceu aplicada em sua ação e com os olhos fixos no irmão em seus braços.
––– Amores da minha vida. –––- Jacob sussurrou mais para si mesmo, embora Renesmee também tivesse ouvido.
O silêncio do quarto era cortado pela respiração e batimentos cardíacos da família, estavam todos agitados, felizes e ao mesmo tempo exaustos pela noite em claro, até mesmo Billy suspirava levemente em seu sono de vez em quando sob a vigilância de Jacob, Alícia e Renesmee.
Em um momento Jacob olhou a própria filha, segurando e conversando quase de forma inaudível com o menino nos braços e uma amargura lhe abateu o fazendo guardar o sorriso e sentir-se frustrado por Alícia não ter tido o mesmo cuidado naquela idade.
––– Jake? ––– Renesmee o chamou, porém foi a mão quente da esposa em sua bochecha que o despertou.
––– Sim. ––– ele manteve o olhar cheio de remorsos sobre Alícia, essa alheia a qualquer coisa que não fosse o irmão.
––– Esquece isso amor, passou. Ela está feliz. ––– Renesmee falou tirando o olhar do marido e passando para a filha enquanto a observava. ––– Ela está satisfeita, contente, feliz, nunca iremos deixá-la, ela sabe. E não foi nossa culpa, não pense mais nisso, agora é viver o presente e o futuro e Jacob... ––– ela voltou a encará-lo, e dessa vez os orbes negros caíram tristonhos sobre ela, ––– Estamos sendo abençoados, tudo está dando certo, estamos bem, saudáveis e felizes, felizes Jake, é o que importa. ––– Renesmee acariciou a face do moreno outra vez e lhe deu um sorriso terno ––– Não deixe o passado sombrio que tivemos te abater. ––– ela terminou e lhe deu um breve beijo nos lábios. ––– Isso afeta a mim e as crianças, por favor, não pense mais nisso.
O homem suspirou e desenhou um leve sorriso.
––– É difícil Nessie, eu sinto... ––– ele mordeu os lábios e em seu rosto a expressão era tensa. ––– Eu sinto tanto por ela, não merecia... ––– Jacob olhou de novo para a menina que lhe sorriu. ––– Eu a amo demais.
––– Nós a amamos demais. ––– Renesmee também encarou a menina de olhar curioso e beijou lhe a face.
E mais uns poucos minutos foram o suficiente para o quarto encher com a família e Billy mostrar seus lindos olhos escuros, ostentando toda a sua profundeza, encantando a todos.
******
Logo após uma semana do nascimento de Billy, as coisas já estavam mais calmas para a família Black. Eram quase três da tarde, Bella havia acabado de levar Alícia para casa, as duas distraiam Billy enquanto Renesmee tomava um banho.
O quarto do menino era todo verde e azul. Renesmee queria verde e Jacob azul, portanto após descobrirem que seria menino, pintaram com os dois, duas paredes de cada, havia muitos carros infantis, risonhos e de olhos meigos, e muitos ursos também.
Billy estava entretido em um pequeno urso de pelúcia, mas seus olhos brilharam quando a mãe retornou ao quarto, o menino soltou o ursinho e manteve-se agitado sem desgrudar os olhinhos de sua mãe.
––– Venha, amor. ––– Renesmee disse carinhosamente pegando o filho do berço e o colocando nos braços, logo abaixando uma das alças do vestido para amamentá-lo.
Bella e Alícia olhavam admiradas, Alícia mais ainda. Quando Renesmee sentou-se na poltrona branca e verde do lado esquerdo do quarto, Alícia ajoelhou-se e permaneceu fincada com a atenção na sucção que a pequena boca do irmão fazia no seio de sua mãe.
Sempre que podia Alícia observava como Billy se alimentava. Muitas curiosidades lhe surgiram desde a primeira vez em que viu a cena.
––– Ainda acho que isso deve ser ruim. ––– ela comentou referindo-se ao líquido.
––– Dizem não ser bom, mas os bebês gostam e é bom para eles. ––– Renesmee respondeu penteando a cabelereira do filho com os dedos.
Alícia também achava que doía, mas Renesmee a convenceu várias vezes que não se importava.
––– E o que eu tomava quando era bebê, já que não tinha minha mãe? ––– Alícia questionou sentando-se confortavelmente como borboleta sobre o chão, ficando de frente para Renesmee.
––– Há outros alimentos para recém-nascidos, querida, são igualmente fortes, porém o leite materno continua sendo o mais recomendado. ––– Bella explicou sentada em um pequeno sofá.
Alícia somente assentiu assimilando aquilo, todavia a campainha soou ao longe atraindo o olhar das três.
––– Vou atender. ––– Bella se manifestou.
Ao abrir a porta Bella se surpreende, porém no segundo seguinte congelou um largo sorriso.
––– Nahuel! ––– Bella foi de encontro ao jovem que a abraçou de imediato.
––– Olá Bella.
––– Há quanto tempo. Como você está? ––– Bella disse ao se separar de Nahuel.
––– Vou muito bem e vocês?
––– Bem, muito bem. Por favor, entre. ––– ela lhe deu espaço e fechou a porta em seguida.
––– E o Daniel? ––– Bella indagou.
––– Muito bem, ainda esá na escola. ––– ele respondeu e Bella anuiu ––– E Renesmee, como está? Vim vê-la e conhecer o novo membro da família. ––– justificou o assistente que trazia duas grandes bolsas de loja de grife na mão e um enorme sorriso.
––– Ah sim, estão no quarto, venha. ––– Bella o guiou pelo estreito e claro corredor e sem demora Nahuel entrou no último quarto, este estava levemente perfumado.
––– Tio! ––– Alícia simplesmente jogou-se nos braços do assistente ao vê-lo adentrar o quartinho.
––– Olá, princesa. ––– ele disse um pouco enrolado, pois fazia força para sustentar Alícia nos braços, ele não esperava que ela estivesse tão pesada.
––– O que anda tomando? Está pesada. ––– Nahuel brincou.
––– Só estou crescendo. ––– Alícia retrucou sorridente.
––– Estou vendo... ––– Comentou e emendou em um tom mais baixo e sufocante enquanto guardava o sorriso. ––– Sentirei saudades.
––– Por quê? ––– Alícia inquiriu no segundo seguinte.
Nahuel sorriu solidário e maneou com a cabeça a fim de fazer Alícia não insistir naquilo.
––– Mas eu vim até aqui, por alguém... ––– ele cantarolou indo em direção a Renesmee.
Como Billy já dormia Nessie se recompôs ao ouvir a voz de Nahuel e agora somente embalava o filho adormecido.
––– Não foi por você Nessie. ––– ele brincou beijando a testa da mulher. ––– Mesmo assim, fico alegre por te ver.
––– Estou contente que tenha vindo mesmo assim. ––– Renesmee comentou.
––– Você está bem? ––– Ele perguntou.
Ela assentiu.
––– E esse príncipe? Como é lindo. ––– Nahuel falou assim que se abaixou e desceu seus olhos no pequeno menino.
––– Obrigada.
––– Ele acabou de dormir. ––– Alícia informou e Nahuel maneou a cabeça somente, sem tirar os olhos de Billy.
––– Trouxe isso para ele. ––– o assistente estendeu um embrulho na direção de Nessie ao levantar-se.
Porém Alícia se prontificou em abri-lo, cheia de curiosidade.
Era um lindo urso cor de caramelo, ele estava de pé, braços cruzados e usava jeans, além dos óculos escuros, era bastante estiloso.
––– Eu adorei. ––– Alícia se manifestou desembalando tudo e colocando sobre o sofá azul claro no fundo do quarto.
––– Jacob vai adorar. ––– Renesmee comentou sorridente também observando o presente ––– É lindo. ––– Ela prosseguiu vendo o restante dos presentes que Alícia tirava da sacola.
––– Pensei nisso também. ––– Nahuel explanou. ––– E esse aqui é pra minha princesa. ––– então estendeu um segundo embrulho amarelo para Alícia.
A menina desembrulhou com rapidez e contemplou um mini piano branco com seu nome gravado em cima.
––– AH! ––– ela gritou ––– Tio Nahuel, é lindo, amei. ––– ela bradou ao se pendurar no pescoço do homem.
––– Você ainda não o abriu. ––– Nahuel advertiu enigmático.
Alícia mais que afobada abriu o piano. Ele era de camurça lilás por dentro, serviria de porta joia se assim Aly desejasse, porém o que mais a deslumbrou ––– e os presentes no quarto–––, foram as notas perfeitamente entoadas.
––– É uma caixa de música. ––– constatou a menina, se embalando na música suave e dançante.
As notas pareciam sair de um verdadeiro piano. Alícia deu mais um beijo na bochecha do assistente e se mandou para guardar o presente em seu quarto.
––– Quer segurá-lo? ––– Renesmee perguntou para Nahuel assim que Alícia saiu.
––– Não sou muito bom nisso. ––– Nahuel confessou um pouco constrangido. ––– Em segurar bebês, eu quase não conseguia segurar o Daniel. ––– completou com bochechas coradas e Renesmee retrucou:
––– Tudo bem.
––– Vou preparar algo para bebermos. ––– Bella de repente anunciou e deixou os dois sozinhos. ––– Vou pegar biscoitos também. ––– declarou já no corredor.
Renesmee colocou o filho no berço com cautela e ao voltar-se para o homem o percebeu espiar a porta.
––– O que houve? ––– ela franziu a testa, bastante curiosa.
––– Quero dizer algo, mas não quero que Alícia saiba. ––– Nahuel respondeu.
Renesmee ergueu levemente as sobrancelhas e levou as mãos na cintura, exigindo um esclarecimento por parte do assistente.
––– Estou indo viajar. ––– ele falou simplesmente.
––– Como? ––– Renesmee torceu mais a face, agora além de confusa começou a ficar irritada.
Não que Nahuel não tivesse o direito de viajar, mas Renesmee não entendia por que Alícia não podia tomar conhecimento de um passeio, e, sobretudo Nahuel tinha um ar de mistério rondando em volta dele, o que fez a mulher sentisse impaciente de certa forma.
Eles saíram do quarto, porém se mantiveram em frente à porta aberta.
––– É temporário, recebi férias e uma licença emendada, por isso decidi sair do país. ––– explicou.
Renesmee suspirou e assentiu compreensiva. Ela fitou os olhos claríssimos de Nahuel e interessada e simpática perguntou o mais ameno possível:
––– Por que Alícia não pode saber?
Nahuel puxou o ar fortemente e esclareceu:
––– Poderá, mas não diga que será uma viagem longa, ela ficará triste.
––– Por quanto tempo ficará longe?
––– Ainda não sei.
Renesmee então estreitou os olhos, desconfiada.
––– Uma licença de tempo indeterminado? ––– seu tom soou irônico, exatamente como ela pretendia. ––– Nahuel isso está estranho. ––– pontuou ––– O quão longa será essa viagem? ––– colocou as mãos nos quadris de forma exigente.
––– É bem complexo, não sei explicar, só queria me despedir e pedir para que não conte a Aly tudo, apenas que irei viajar e logo voltarei. ––– Nahuel replicou de forma rápida como se já estivesse ensaiada aquela resposta.
E de fato havia ensaiado por vezes. Como dizer a Renesmee que iria para longe por muito tempo? Que se afastaria de Aly?
Não era pelo emprego, sobre a licença ele havia pedido para viajar e fazer alguns cursos com especialistas. Nahuel não queria estar por ali nos próximos meses, estava difícil até ali.
Demonstrando ou não, ele tinha sentimentos além da amizade por aquela mulher, mas também tinha consciência e um coração bom, não se amarguraria por um amor não correspondido. Já era homem maduro o suficiente para isso e jovem demais ao mesmo tempo para se isolar e se bloquear para um novo amor.
––– Quer que eu minta. ––– Nessie concluiu e cruzou os braços, duas vezes mais zangada.
Primeiro porque sabia que Nahuel não teria porquês plausíveis para sair do país e segundo por não querer que Alícia saiba, provavelmente ––– imaginou ela ––– por que ele não tinha pretensões de voltar tão cedo, talvez nem em um ano, o que a fez pensar no primeiro ponto.
Nahuel não iria viajar a trabalho e sim por motivos pessoais.
––– Não, só omitir o fato que não sei quando voltarei. ––– Nahuel rebateu em tom macio. ––– E isso não será em breve, mas não tire esperanças dela. ––– acrescentou.
––– Por quê? ––– Renesmee indagou fervorosamente.
––– Preciso ir. ––– Nahuel demarcou, fitando-a ligeiramente com súplica.
Renesmee sabia que era por causa dela, viu isso quando os olhos claros de Nahuel escureceram e adotaram um brilho a mais ao fitar todo o rosto dela.
Ele a amava e queria fugir disso.
Renesmee tragou a saliva a seco, umedeceu os lábios e assentiu. Não se permitiria ser egoísta ao ponto de pedir Nahuel para ficar, talvez fosse melhor assim.
––– E para onde vai?
––– Europa, talvez. ––– Nahuel deu um sorriso enviesado e acrescentou: ––– Eu voltarei, só preciso relaxar. ––– assegurou.
Renesmee lhe deu um sorriso solidário e aquiesceu e tão cedo os dois foram interceptados por uma Alícia tagarela e uma Bella muito hospitaleira que os fartou de suco e biscoitos.
Um Ano depois
À noite em Seattle estava confortavelmente fria e belamente estrelada. No grande salão de festas no centro da cidade o som era terrivelmente alto, a festa realmente estava animada com a banda que tocava.
O pequeno público vibrava com as canções que tanto tocavam nas rádios e que eram entoadas ali ao vivo.
Quil, Jacob, Paul, Seth e Sam, a banda do momento fazia um pocket show para as crianças e seus pais muito empolgados no salão.
Embora fosse uma festa para a comemoração do primeiro ano de Willian, o próprio aniversariante estava radiante e batendo palminhas enquanto a banda de seu pai se exibia com a finalidade de uma maior animação na festa, uma vez que os animadores contratados estavam já exaustos àquela altura e curtiam mais que satisfeitos as músicas ao vivo.
Entre os convidados, Emily, Rachel, Leah, a namorada de Seth estavam lá, espalhados pelo recinto cumprimentando e conversando com os conhecidos, que eram bastantes, tendo em vista que quase toda La Push havia sido convidada.
Os Voltures estavam lá, Aro e Sulpicia enganchados em uma conversa com Bella em uma extremidade do salão, em outra Jane e seu namorado, Alec e Cora aproveitavam dos quitutes e da música.
Cora desde alguns meses havia se apegado bastante aos Voltures e era recíproco o afeto, o que foi bom para a jovem, mesmo ainda tendo o seu cantinho e sua vida independente e tranquila, agora tinha uma família, amigos com quem contar.
––– Mãe me deixa segurá-lo? ––– Alícia pediu encarecidamente à mãe que levava seu irmão nos braços.
Alícia não mudou muito em um ano, mas estava crescendo preservando seu talento, simpatia, encanto e amor por aqueles que a cercavam.
––– Tá pesado Aly. ––– Renesmee que mantinha o filho sorridente nos braços argumentou
Para ela Alícia não havia crescido nada e ainda era aquela garotinha.
– Só um pouco. eu aguento. Alícia replicou conforme o pequeno bebê de pele clara e cabelos negros lutava se mexendo para ir ao colo da irmã.
Billy não tinha os olhos amendoados e graciosos como Aly ou sua mãe. Mesmo pequeno sua face era masculina, marcante como a de seu pai, apesar dos encantos infantis, seus olhos eram profundos capazes de prender atenção de qualquer um por fitá-lo e seu sorriso infantil e aberto um dia chegaria a ser tão caloroso e contagiante como o de seu pai. Por fim Renesmee soltou o filho e coincidentemente a banda parou de tocar nesse instante voltando a tocar musicas infantis na festa temática sobre os carros.
Billy adorava carros. A decoração era toda em vermelho e azul, pneus e outros carrinhos coloridos, mas na mesa em destaque no fundo ostentava um relâmpago Macquen, o personagem adorado e favorito de Billy. O pequeno estando afoito deixou ser levado por Aly para a piscina de bolinhas que tinha o formato de carros e estava mais ao fundo do salão.
––– Nessie! ––– exclamaram as costas da mãe protetora que observava os filhos se afastarem.
Renesmee virou-se no mesmo segundo ao conhecer a voz.
––– Sua bandida! Achei que não viesse, o Quil chegou sozinho...
––– Eu me atrasei no estúdio. ––– Claire justificou passando a mão direita na testa como se para limpá-la, no entanto, um brilho no anelar chamou a atenção da amiga.
––– Claire Young o que é isso no seu dedo? ––– Renesmee perguntou com a voz em um tom mais alto, quase agudo e praticamente arrancando a mão da amiga para ver de perto o objeto dourado que reluzia.
––– Ah você reparou? ––– Claire indagou fingindo um espanto. ––– É minha aliança de noivado. ––– respondeu simplesmente como se fosse algo obvio.
––– Quê? ––– Renesmee esbugalhou os olhos e deixou um sorriso languido nascer na face.
Ela realmente não acreditava naquilo. Na verdade era algo que nunca esperou ouvir da boca de Claire.
––– O Quil me pediu ontem, assim que cheguei ele me levou para jantar, foi super fofo e romântico, pensei que fosse desmaiar amiga. ––– ela contava contente e apaixonada e Renesmee permanecia atônita.
––– Pra quem não queria se casar, você está muito empolgada. ––– Renesmee brincou e emendou diante uma careta divertida de Claire. ––– E eu estou muito feliz por você. ––– ela por fim a abraçou fortemente.
––– Oi Claire. ––– Jacob falou se aproximando das duas recém-separadas e abraçou Renesmee por trás deixando um beijo em seu ombro nu.
––– Olá Jake. ––– Claire o cumprimentou.
Renesmee virou-se de frente para Jacob e noticiou com um largo e alegre sorriso, bastante empolgada:
––– Amor a Claire está noiva.
––– Eu sei amor.
Nessie guardou o sorriso e cruzou os braços abaixo dos seios, ostentando uma face confusa.
––– Sabe como?
Jacob deu um sorriso enigmático e exagerado enquanto Claire resolvia sair de fininho tendo em vista a cara de zangada de Renesmee, além de estar observando o noivo caminhar para ela.
––– Quem você acha que deu a ideia do noivado, anel e jantar? ––– Jake falou simulando um segredo ao ouvido de Nessie e ela logo riu compreendendo. ––– Mas não conta para a Claire, o Quil queria mesmo, eu só o incentivei.
––– Poderia ter me dito. ––– ela reclamou manhosa abraçando-o outra vez, repousando a cabeça em seu peitoral bastante amplo.
––– Segredos de amigos, esposa. ––– Ele retrucou divertido, Renesmee somente fez um bico e virou-se de costas para ele.
Renesmee ––– em toda sua baixa estatura e corpo delicado ––– vestia um vestido longuete verde em renda, salto curto e seus cabelos soltos muito bem arrumados com ondas nas pontas. Jacob por sua vez manteve o seu contraste ao lado da esposa, os cabelos sem penteado definido, o seu jeans impecável e folgado, a camisa de manga curta grafite e as botas pretas.
––– Cadê o Billy? ––– Jacob sondou vasculhando o salão com os olhos e não vendo o seu caçula.
––– Foi brincar com a Aly. ––– Renesmee informou também o procurando. ––– Ali, perto da piscina de bolas. ––– ela apontou assim que os localizou.
Jacob sorriu orgulhoso e ficou por dois minutos inteiros somente admirando os filhos se divertirem com os desenhos feitos com bexigas, eram bonitos, saudáveis e espertos. O homem agradecia todos os dias por tê-los.
––– A Aly está crescendo tão linda e Billy está um forte garoto. ––– Jacob comentou sorrindo bobo.
––– Ele será um grande homem como você, eu tenho certeza. ––– Nessie seguia olhando o mesmo quadro.
––– Eu te amo, obrigado. ––– o moreno disse e finalmente a olhou, atraindo o olhar dela para si.
––– Pelo que exatamente? ––– ela rebateu.
––– Por tudo, por existir, me dar filhos maravilhosos e me fazer feliz a cada dia. ––– Jacob esclareceu e lhe deu um selinho.
––– Eu amo você. E te deixar feliz me faz feliz Jacob, aprendi com você isso. ––– ela pontuou ––– Eu tenho muito que agradecer por ter você, ninguém me faria melhor ou mais feliz. ––– acrescentou carinhosa lhe deixando um beijo nos lábios em seguida.
––– PAI. –––Aly gritou ––– MÃE. ––– chamou aos berros também, todavia a voz de Alícia parecia se aproximar do casal.
Alícia ria caminhando atrás do irmão que ia em direção aos pais.
––– Olhem. Afoita a menina referia-se a Billy que andava sozinho (mesmo estando um pouco cambaleando), ninguém o segurava.
O pequeno então foi até os pais que o abraçaram muito felizes pelo progresso do filho e emocionados também.
Jacob e Renesmee faziam de cada etapa alcançada por Billy e Alícia algo memorável, eram pais atentos e sensíveis e ver o desenvolvimento dos filhos era algo muito significativo para ambos. Assim como Alícia que prezava cada minuto em casa com sua família, por tanto tempo esteve longe que agora a cada minuto era precioso, ela valorizava.
Por fim, Billy só queria saber de ir de um lado a outro do salão, encantando os convidados com suas passadas vacilantes.
Logo os parabéns foram cantados e lá estava a família Black, completa e feliz.
Nada mais os perturbaria outra vez.
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