Os Acordes Do Amor

24 Enlaço - Parte I


Notas iniciais
Olá amores. Demorei? Não né. rs Como vcs estão d e carnaval? Não vou demorar aqui, só uns pontinhos para dizer. Esse é o maior capitulo que já escrevi hehe e o proximo será na quinta ;) Viram, demorei mas vocês terão dois capitulos essa semana. Agora sem enrolação, música do capitulo: http://www.youtube.com/watch?v=3itqF3eoXaY - Capitulo betado pela lindissima Raquel Duarte, obrigada flor. E obrigada aos lindos reviews :) Boa leitura

Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.

Martin Luther King

O silêncio era torturante na delegacia — por uns instantes apenas os Volturi, Cora, Nahuel, Renesmee e o investigador estavam na recepção. Somente o som do ventilador de teto e das folhas esvoaçantes no mural informativo era ouvido, até o momento em que Shane interrompeu aquele estado de meditação por parte de todos sentados em sua frente.

— Conforme os relatos a jovem que estava com a menina saiu a deixando no apartamento, correto? — O investigador inquiriu com voz pacífica.

— Sim, foi uma proposta de emprego que eu já esperava há meses, mas quando cheguei lá ninguém havia me ligado — Cora explicou imediatamente.

Shane deu uma breve avaliada em Cora e retrucou em seu tom imparcial.

— Não quero parecer pretensioso, senhorita, mas uma chamada de emprego em um sábado pela manhã ainda mais de um colégio é bem estranha, não concorda?

— Sim, mas eu estava eufórica pelo emprego e nem pensei direito. — defendeu-se nervosa.

— Compreendo. — O homem disse inexpressivo. — Não acha muita coincidência receber um falso chamado e ao retornar a menina não está? — Especulou centrando o olhar intimidador para Cora.

A menina engoliu um bolo amargo e encolheu os ombros logo os abraçando. Estava constrangida, era a segunda vez que a acusavam no mesmo dia.

— O que esta insinuando? — O tom de Nahuel era rude e sua face muito séria fitando o investigador.

— Nada Senhor. — Respondeu tranquilamente para o homem já em pé a sua frente. — Entretanto, depois dessa situação contada e um tanto suspeita, acredito que sim foi um sequestro planejado. — pontuou. — Quanto a culpados nada posso afirmar, no entanto amanhã mesmo a menina estará na lista de desaparecidos e me organizarei para começar a investigação na segunda...

— Segunda, por que não agora? — Renesmee cortou-o protestando chamando o olhar de todos para ela — em pé ao lado de Nahuel —, porém só o investigador a fitou com a arrogância e somente o assistente a contestou calmamente:

— Essas coisas levam tempo Nessie... — Ele tentou tranquilizá-la, contudo ela somente cruzou os braços, aflita.

Um sentimento de impotência cingiu seu corpo fazendo-a amolecer e cambalear até sentar novamente no banco de madeira atrás de si.

— Acabei de solucionar um caso, essa semana mesmo poderei começar no caso da menina, peço que aguardem e espalhem cartazes pela cidade inteira, suponho que já tenham procurado nos arredores. — Disse o investigador olhando para todos.

— Sim faremos isso. — Aro contestou.

— Começarei o interrogatório por vocês e para isso precisarei de alguns dados além dos fornecidos. — Ele dirigiu-se a Aro e sua esposa.

— Porque nós? — Suplicia perguntou alarmada.

— São os guardiões, não? — a resposta foi dada em tom audacioso. — Em seguida interrogarei todos. — Ele então fitou Nahuel e passou o olhar para a mulher sentada logo atrás.

— Conhece a menina?

Renesmee o encarou, assustada, porém a ofensa nublava seus orbes escuros.

— É minha amiga, estava comigo quando vim para cá. —Nahuel contestou como se o fato fosse irrelevante.

Ele realmente queria que o investigador pensasse isso. Renesmee reprovou a atitude do assistente com o olhar, e recebeu um olhar duro de Nahuel em troca.

O investigador estreitou os olhos, nada convencido, no entanto precisaria começar as investigações para formar uma lista oficial de suspeitos.

Assim que o investigador saiu, Renesmee levantou-se e agarrou o braço de Nahuel.

— Nahuel, estou com medo... — falou apertando mais ainda o braço do assistente com suas mãos trepidantes.

O assistente fitou seus olhos chorosos e a abraçou acariciando levemente seus cabelos.

— A Aly ficará bem, ninguém fará mal a ela, eu prometo. — Ele a embalou nos braços e ela permitiu-se ser acalentada.

Suas lágrimas molhavam a camisa dele, mas Nahuel não se importou e Renesmee nem mesmo notara, apenas sentia as mãos calmas e delicadas de Nahuel lhe afagar a cabeça. Com ele ali ela sentia-se segura, mas não menos tensa com todo aquele cenário.

— Me leva embora. — Renesmee murmurou e Nahuel apenas assentiu e afrouxou os braços até liberá-la totalmente.

Renesmee já tinha as lágrimas controladas, fitou o amigo que lhe ofereceu um sorriso solidário.

Aro já impaciente colocou-se entre Renesmee e Nahuel, impondo sua presença ali.

— Por que ela está aqui Nahuel? — sua entonação agressiva exigia uma resposta.

— Isso não é da sua conta Aro. — Nahuel retrucou ríspido.

Aro soltou um riso prepotente.

— Como não Nahuel? Ela é mãe da menina que adotei e ela está aqui com você, claro que é da minha conta quando isso é contra a lei. — Ele replicou enfurecido.

Nahuel cerrou as mãos em punho e Renesmee como os outros assistiam a discussão com olhos assombrados.

— É só uma coincidência ela estar aqui Aro, não se meta no meu trabalho. — Respondeu aguerrido.

— Claro. Você planejou isso desde o inicio não foi? — indagou com seus olhos em fenda e acusatórios para o assistente — Lembro-me que fez de tudo para o juiz não nos dar a guarda, você nunca quis que adotássemos a Aíicia porque queria entregá-la para essa desalmada arrependida que largou a menina ao relento quando ainda era um bebê. — ele cuspia cada palavra na face de Nahuel enquanto seu indicador ia em direção à mulher abismada e colérica a dois passos atrás do assistente.

Renesmee sentiu seu sangue ferver em ira, seus olhos foram cobertos por fúria imensurável, sensações causadas pelas palavras infames proferidas por Aro.

— Escute aqui Senhor — Nessie apontou o dedo para a face dele — eu nunca abandonei a minha filha, ela foi tirada de mim, dos meus braços e eu nem sabia que ela estava viva — demarcou com veemência em suas palavras. — Passei anos da minha vida chorando e lamentando uma filha que pensei estar morta e quando descobri não perdi nem um dia para ir atrás dela e encontrá-la, pois eu a amei desde o momento em que soube da minha gravidez. — Renesmee resfolegou sem tirar seus olhos impetuosos de cima de Aro, ela cerrou os punhos controlando sua carne que tremia. — E agora estou muito perto de ter a minha filha tão amada nos meus braços e não permitirei que um arrogante e prepotente como você, além de irresponsável julgue-me dessa forma e muito menos permitirei que acuse Nahuel de qualquer coisa. — disse taxativa, respirou fundo e emendou. — Não se engane, pois não ficarei quieta. Assim que minha filha aparecer, colocarei na justiça todo o caso e você com certeza não mais terá a guarda sobre ela por que eu lutarei até o fim dos meus dias para consegui-la, portanto Senhor não acuse Nahuel ou a mim quando nenhum de nós deixou que a levassem e que ela desaparecesse como mágica. — esbravejou.

Olhares sobressaltados e corpos estáticos permaneceram virados para Renesmee. Aro tinha seus olhos arregalados e seu estado em alerta por ter a mulher tão raivosa em sua frente flamejando a ira pelos olhos centrados nele e o corpo trêmulo e enervado.

O homem então se recuou lentamente, mas não quebrou o contato visual e tão pouco permitiu ser vencido apenas calou-se por hora com receio de Renesmee realmente cumprir a promessa denotada em seus orbes. Atacá-lo com garras felinas.

Nessie por sua vez passou as mãos nos cabelos, agitada, não percebeu quando as lágrimas desceram, mas essas já molhavam seu rosto. Ela deu volta no próprio corpo, estava totalmente sem direção e logo experimentou o corpo ser amparado por Nahuel.

O assistente — ainda aficionado pela bravura da mulher — a envolveu em um abraço protetor deixando a face da garota escondida em seu peito.

— Espalharemos cartazes amanhã. — Nahuel anunciou.

Aro ainda com a expressão contrariada assentiu.

Nahuel então pousou os olhos na jovem menina encolhida no canto com seus olhos assustados.

Ele suspirou e afrouxou os braços em torno de Renesmee, libertando-a suavemente e em seguida caminhou até Cora.

— Quer uma carona? — perguntou cordial.

A menina o olhou – temerosa — no entanto Nahuel tinha a face tranquila para ela.

Cora umedeceu os lábios e balançou a cabeça afirmando lentamente.

Fora da delegacia Nahuel, Cora e Renesmee seguiram para esquerda adentrando no carro do assistente enquanto a família Volturi seguia em direção oposta, no entanto Alec não tirava os olhos chorosos do outro carro, sentia-se um tanto deslocado ali. O clima estava pesado e além disso, no outro automóvel havia pessoas bem mais análogas à doçura de Alicia. Em sua própria casa — sombria e opaca — acomodaria uma aura ainda mais entristecida sem a alegre presença de Aly por lá.

No mais absoluto silêncio Nahuel chegou com o carro até o centro de Seattle. Renesmee repousava sua cabeça no respaldo do banco carona, estava um pouco inerte e lânguida, sua noite foi o completo oposto do que esperou. Cora mantinha seus olhos na estrada através da janela, sua mente trabalhando inutilmente tentando achar uma explicação para todo o ocorrido, a sensação de pesadelo a rondava e a fazia fechar os olhos por diversas vezes esperando abri-los e despertar em casa com Alícia ao seu lado, constatando que o terrível dia não havia passado de um sonho ruim.

Mas tão logo despertou. Nahuel a deixou em casa e com um aceno amigável despediu-se dela que lhe ofereceu um singelo sorriso em agradecimento.

Passando por alguns bairros o sedan foi estacionado em frente a um simples prédio em meio a uma avenida secundária.

Nahuel e Renesmee se desfizeram dos cintos de segurança simultaneamente. Renesmee suspirou, umedeceu seus lábios e proferiu com sua voz um pouco entalada:

— Foi uma noite difícil, agradeço por estar comigo, Nahuel. — Ela esboçou um leve sorriso com seus lábios.

— Vai dar tudo certo. Eu tenho certeza. — Pronunciou Nahuel afagando quase imperceptivelmente o braço de Renesmee.

— Obrigada. — Renesmee disse um pouco débil diante do olhar contemplativo de Nahuel sobre ela.

— Não precisa agradecer. — Ele balbuciou e Renesmee só o percebeu mais perto quando uma das mãos elegantes e macias de Nahuel chegou a seus cabelos e os acarinharam com a mesma devoção de seu olhar sobre sua face cansada.

Renesmee se encontrava enfadada e vulnerável, o carinho que Nahuel fazia era mais que bem-vindo. A mão do homem foi escorregando levemente e chegou à nuca, tateando-a com esmero. Nessie abaixou as pálpebras vagarosamente à medida que a segunda mão de Nahuel alcançava seu rosto.

Nahuel estava enlevado pela fragilidade e carência de Renesmee, a notou tão entregue quando a mesma aconchegou-se em sua mão repousada em sua face, que ele sorriu fraco conforme seu coração acelerava.

O homemaproximou-se da mulher a sua frente que preguiçosamente, abriu os olhos cintilantes, sendo assim o assistente parou e logo se surpreendeu. Renesmee sorriu, um sorriso singelo e afável incitando o peito de Nahuel a trotar.

As mãos de Nahuel arderam por estar na pele atrativa de Renesmee. De súbito e sem reflexões sobre seu anseio, ele não protelou em encurtar a distância restante e embeveceu-se no macio dos lábios de Nessie.

Ela por sua vez sobressaltou-se, levando seu coração a uma batida mais violenta, no entanto não teve coragem de afastá-lo. Sentiu-se amolecida com os lábios gentis de Nahuel delicadamente sobre os seus. Causou-lhe acalento de certa forma.

Para Renesmee não era um beijo, era um carinho — mesmo estranho e inesperado —, era um mimo e ela permitiu-se por segundos desfrutar desse afago. Todavia, Renesmee não se movia, seus músculos apenas descansaram. A sensação foi a mesma de um banho morno; era relaxante e cômodo.

Um mínimo movimento Nahuel permitiu-se no beijo casto, apenas sorvendo mais do lábio inferior da garota. Suas mãos não se mexiam, o homem sentia-se tão ébrio que se proibiu de causar algum mal-estar na mulher em suas mãos.

Contudo sua vontade era arrastar as mãos pelo corpo de Renesmee e parar em sua cintura com o intuito de junta-la mais e ter mais de seu calor e experimentar mais de seu aroma inebriante. Mas Nahuel sabia onde estava pisando, ele sabia que corria o risco, ou melhor, tinha total certeza que aquele seria o primeiro e último beijo dado naquela mulher.

Já Renesmee estava prestes a abdicar de seu aconchego repentino. Era bom, mas os lábios do assistente não era o suficiente para ninar sua alma, seu coração mantinha-se brando, mas ainda doía. Não era ali que encontraria cura para suas angústias, o refrigério de seu âmago. Gostaria que fosse, pois pouparia mais amarguras, entretanto não era.

O abandono dos lábios de Nahuel ao seu a fez abrir os olhos encontrando o mar azul de ressentimento que era os olhos do assistente.

— Renesmee eu... — Nahuel apreensivo abaixou o olhar, indeciso quanto ao que dizer.

— Nahuel. — Renesmee o chamou em tom glacial.

Ele engoliu uma porção de saliva e receoso fitou-a. Os olhos de Renesmee sobre ele eram enigmáticos. Nahuel só soube que estavam negros, mas não era raiva ele sabia que não, mas eram sentimentos indecifráveis.

Por outro lado Renesmee estudava a face do assistente. Hesitante. Temeroso. Pedinte. Mas não arrependido.

— Por que fez isso, Nahuel? — ela indagou mansa.

Nahuel respirou fundo e levantou uma mão para coloca-la no rosto inexpressivo de Renesmee, contudo ponderou por um segundo internamente e somente respondeu:

— Desculpe, eu sei que não devia. Entendo completamente se... — Ele palavreava nervoso. — Se afastar-se de mim, fui compulsivo. Perdoa-me. — pediu esperando uma compreensão.

Renesmee manteve-se abismada, avaliando a situação. O beijo, seus sentimentos e nos orbes anil de Nahuel ela tentou entender os sentimentos passionais denotados ali.

— E por que se deixou levar? — Nesse ainda tinha seu tom pacifico.

Nahuel passou a mão pela face e concertou a postura no banco. Olhou para a estrada escura à frente e soltou o ar bruscamente, mas não grosseiro. Apenas exausto.

— Eu não quero ter que nominar meus sentimentos por você Renesmee. — Informou ele de forma cadenciada e deixou uma pausa silenciosa e extensa dentro do carro.

Renesmee não iria quebra-lo, mesmo querendo resposta para o beijo descabido, não estava em condições de se exaltar, afinal ela o deixou fazer isso não?

— Há muito você me encanta, me comove, me faz querer ser sempre melhor pra você, sua felicidade é a minha e eu não suporto vê-la chorar ou triste, hoje foi o estopim. Tudo o que eu quis durante a noite inteira foi coloca-la em meus braços e nina-la fazendo-a sentir que tudo ficará bem, eu estarei sempre com você. — Ele declarou sem fita-la, mirando as mãos nervosas da mulher.

Todavia, Renesmee tinha uma trava na garganta que não a deixava proferir uma só palavra. Seu corpo estava vacilante e ela negava-se a aceitar as palavras que ouvia.

— Nessie... — Nahuel arrastou o nome dela em sua boca virando-se de lado e fazendo a mulher aturdida lhe olhar. —Eu sempre estarei lá por você, eu tenho um apreço por você aqui dentro de mim que tenho medo de medi-lo ou denomina-lo, eu só sei que tem horas no dia que me pego pensando em você e sinto que não devo, quando olho pra você me sinto um intruso na sua vida, como agora. — Sua voz era sufocante, ele baixou brevemente o olhar para em seguida ergue-lo e o findar nos orbes chocolates a sua frente. — Não devia ter te beijado não é meu direito, mas me permiti ser levado pelo desejo que me consome de protegê-la e de acalmá-la sempre.

Renesmee que há muito tinha sua respiração presa, soltou o ar e se perdeu no homem aflito a sua frente.

— Não deveria sentir essas coisas Nahuel... — particularizou em voz tão baixa que ficou na duvida se o assistente ouviria.

— Eu sei, mas você conquista qualquer um. — retrucou sorrindo débil.

Renesmee desceu o olhar para suas mãos e continuou a ouvir as palavras do assistente.

— Feliz é o homem que tem seu coração. Ele é um homem de muita sorte. — Demarcou sorridente e então Renesmee o encarou surpresa, sua boca abria e fechava sutilmente demonstrando que ela tentava formular uma pergunta coerente.

Como ele poderia dizer isso com tanta veemência? Era a pergunta estampada em seus olhos.

Nahuel então sorriu mais uma vez, o seu típico sorriso gentil e respondeu:

— Hoje mais cedo enquanto admirava a foto da Aly eu percebi todo o amor que você tem pelo pai dela.

Renesmee arregalou os olhos como alguém que é pega no flagra.

— Nahuel eu sinto que isso tenha acontecido, não queria despertar essas coisas em você... — Nessie declarou contrariada.

O assistente colocou uma das mãos sobre as delicadas de Renesmee.

— Você não tem culpa querida, sabe você só foi você mesma, maravilhosa, determinada, bondosa, forte... Eu confesso! Sou culpado por me apaixonar tão facilmente. — proferiu docemente.

— Não queria que as coisas ficassem estranhas entre nós Nahuel. — Renesmee noticiou serena.

— E não irá, eu sei que fiz algo errado. Não farei outra vez, eu prometo. — Falou deliberadamente e Nessie sacudiu a cabeça em concordância. — Preciso que me perdoe e me deixe ajuda-la nessa fase difícil. — Pediu ele. — Não faço só por você, mas por Aly também, prometi as duas. —Esclareceu e Renesmee adotou um semblante reflexivo.

Não sentia raiva de Nahuel tão pouco atração, somente um incômodo, pois não gostaria de vê-lo sofrer por ela. Renesmee conhecia Nahuel o suficiente para saber que ele sufocaria seus sentimentos ao máximo se isso a fizesse melhor.

E era exatamente esse o pensamento do assistente. A mulher via o quão verdadeiro e puro eram os sentimentos dele por ela, estavam explícitos em seus olhos. Ele faria qualquer coisa para vê-la feliz.

— Obrigada Nahuel, por cuidar da minha filha... — declarou Renesmee em sua voz terna.

Nahuel ofereceu um sorriso afetuoso.

— Sempre tive por Aly um carinho especial. — Contou. — É como se ela fosse minha filha de verdade. Ela é uma criança encantadora, Nessie. É impossível alguém não se apegar e querer cuidar dela. — Acrescentou.

— Por isso a sequestraram Nahuel? — perguntou inconformada. — Por ela ser boa demais?

Seus olhos brilhavam em descontentamento outra vez.

— Não... — Nahuel proferiu determinadamente. — Não pense mais nisso, acredito que ela esteja bem, e quem fez isso, quem causou esse mal, pagará. — Assinalou fitando os olhos expressivos a sua frente.

Renesmee tinha a cabeça erguida, o coração apertado, mas a alma se fortalecendo. Nahuel em lentidão a chamou para um abraço, Renesmee mais lutava para não derramar lágrimas que hesitava para aceitar o abraço do assistente. Entretanto, diante da relutância da garota, Nahuel afagou lhe o rosto e aproximou-se para em seguida deixar um beijo leve em sua testa.

*****

Já beirava às dez da manhã de domingo nos arredores de Tacoma, um tanto longe de onde Renesmee se encontrava.

— Prontinho. Bolinhos fresquinhos. — Anunciou a garota que chegava aos seus dezessete anos.

Ela depositou a bandeja quadrada — com bolinhos, biscoitos, torradas, leite, e uma jarra de suco de laranja — sobre a mesa de vidro envolta por palha sintética assim como eram as quatro cadeiras.

Logo duas crianças sorridentes irromperam a varanda, uma menina ruiva de cabelos lisos e ralos — havia sardas em sua bochecha — e atrás dela vinha um menino sapeca que possuía também 10 anos de idade — seus cachinhos eram ruivos e também como a irmã seus olhos eram arregalados e verdes—. Sentaram-se a mesa de palha, faceiros logo se servindo.

— Onde está Alícia? — A jovem esbugalhou levemente seus olhos castanhos e sentiu umas batidas aceleradas por não ver a moreninha á mesa.

— Já está vindo, Liza. — Respondeu o menino impaciente com sua boca cheia de biscoito.

Liza contrariada o fitou e sentou-se a sua frente.

— Não fale de boca cheia — ela ralhou.

— A Aly estava molhando a grama. — A ruivinha comentou enchendo seu copo de leite.

E no minuto seguinte Alicia veio exultante, balançando o vestido verde e florido que Cassie havia lhe emprestado.

— Bom dia. — Disse jovial primeiramente indo até Liza e dando-lhe um beijo na bochecha e depois se sentou ao seu lado.

— Dormiu bem, meu anjo? — Liza perguntou servindo o leite à Alicia.

— Muito bem Liz, obrigada. — A menina pegou um bolinho experimentando um pedaço. — Isso tá bom Liz, foi você quem fez? — Aly perguntou pegando o copo de leite oferecido pela garota.

— Não, foi a Dayse antes de ir à feira.

Alícia apenas assentiu mordendo mais uma vez o pequeno bolo e dando um sorvo no leite.

— E o tio Mark, onde está? — A moreninha inquiriu deixando à vista um bigode de leite.

— Foi com a Dayse.

— Ele ligou pro Aro? — Alicia perguntou entretida na escolha entre o biscoito de chocolate ou a torrada com pasta de amendoim.

Liza pensou por um instante até recordar-se da resposta que deveria dar.

— Sim, ontem à noite e está tudo bem, ele deixou você ficar.

— Alec não quis falar comigo? — A menina enrugou a testa suavemente.

Liza refletiu por uns segundos e inventou:

— Acho que ele não estava quando o Mark ligou.

Alícia esboçou um sorriso e deu de ombros. Liza sutilmente respirou de alivio. Mark era seu pai adotivo e realmente ela o via como um verdadeiro, porém ele era bem claro em suas regras e embora tivesse dado poucas explicações sobre Alícia foi explicito quando disse que em hipótese alguma a criança deveria saber que ninguém a sua sabia onde estava ou para onde iria.

A mais velha observou as crianças se fartarem no dejejum enquanto tagarelavam, no entanto Alícia tornou a fazer perguntas.

— Eles virão ver o meu teste, Liza?

A jovem lhe ofereceu um sorriso amistoso.

— Sim querida, Mark disse que virão agora relaxe por que amanhã precisará de muita energia. — Contestou Liza.

Alícia aceitou de bom grado a resposta e logo após o café da manhã já estava novamente correndo pelo gramado sem brilho e recém-molhado, e em seguida brincando no balanço junto a Cassie e Corry.

A semana seguiu ensolarada. Agitada para uns, abatida para outros. Alec e Jane só foram à escola na terça, por obrigação de Aro. O investigador – Shane – estava empenhado na tarefa de conversar com todos que conheciam Alícia, mas ele se alertava àqueles conhecidos de Cora, afinal o culpado soube exatamente como tirar a jovem de casa.

Alícia passou no teste do instituto tocando piano, uma exímia da música não poderia ser diferente. No entanto, seus olhinhos lacrimejaram ao final quando nenhum de seus amigos estava lá, nem mesmo Alec que jurou ir caso Mark a levasse. Magoada, retornou a casa do homem tentando mostrar o máximo de animação por poder participar do próximo recital.

Mark, por sua vez preocupava-se por observar Shane todos os dias no Cornish. Ele já pensava em como ludibriar o investigador quando chegasse sua vez de ser interrogado.

*****

— Era o Edward outra vez? — Claire perguntou assim que Bella desligou o telefone.

— Sim, ele quer que eu vá porque esta com problemas sérios na empresa e está muito estressado. — Bella contou desanimada esfregando as mãos e colocando as unidas em sua face, em uma expressão pensativa.

— E você vai? — Inquiriu Claire receosa.

— Não, Renesmee mais do que nunca precisará de mim. — Respondeu categórica.

E antes de Claire contestar a porta se abriu e estranhamente por ela entrou uma Renesmee serena carregando uma capa protetora de vestidos de festas nas mãos. Bella e Claire se entreolham perplexas com o comportamento incrivelmente calmo de Renesmee.

— Filha o que é isso? — Bella indagou com um meio sorriso observando Nessie tranquilamente depositar as chaves e a bolsa no aparador.

— O quê? — Nessie retrucou com um sorriso amistoso logo depositando um beijo rápido na face de sua amiga e depois em sua mãe.

— Esse embrulho, amiga. — Claire respondeu cruzando os braços, curiosa.

— Ah isso? — Renesmee olhou ligeiramente para o vestido em suas mãos. — É a roupa do recital de sexta. — Explicou em voz branda abrindo o zíper frontal da capa sob os olhares especulativos de Claire e sua mãe.

— Achei que não fosse querida. — comentou Bella.

— Porque eu não iria? — replicou Renesmee tirando cuidadosamente o vestido da capa.

— Disse que não iria. — Claire contestou terminantemente.

— Filha admita você não está em condições, sua mente está voltada para Alicia. — Bella assinalou.

Renesmee soltou um muxoxo conforme alisava a peça em suas mãos. Um vestido de seda azul claro, longo com uma alça grossa, frisado no busto e pedrarias por toda a cintura estendendo-se em ramo até as costas, onde a seda partia das pedras em sua lombar.

— O vestido é lindo. — Claire comentou encantada com a roupa.

— Mas Nessie não precisa fazer isso... — Bella disse suave acarinhando os ombros de sua filha.

— Eu decidi que vou. — Renesmee pronunciou as palavras, decisiva. — Não posso ficar sentada esperando minha filha aparecer, já fiz muito isso, agora chega. —Deliberou.

— Renesmee e o que fará? — Claire indagou.

— Eu não sei... — ela murmurou caindo sentada no sofá ainda segurando o vestido. – Mas eu sinto que devo ir... — ela mirou a roupa em suas mãos e logo fitou os olhares ansiosos de sua mãe e sua amiga. — Vou seguir meu coração, e é isso que ele quer, que eu toque. — Informou com vigor.

Era compreensível a sede de Renesmee em resolver tudo aquilo. Já passara muitos anos em angústia por duas perdas de grande importância, ver a chance de ter a tão merecida felicidade escorrer por seus dedos como água era sufocante.

Ela sentia as palmas formigarem e o peito rugir, era a ansiedade pelo recital, já havia sonhado com ele por três noites seguidas.

Sua filha vinha em sua direção ao passo que ela entoava a canção tocando perfeitamente as teclas do piano branco com seus dedos trêmulos. Ela chorava no sonho enquanto tocava, Alícia subia no palco e quando Renesmee finalmente abria os olhos, lá estava à moreninha do sorriso largo e olhar fulgente. E quando Nessie soltava do piano para tocar suas bochechas coradas, não existia recital, Alícia ou piano apenas um campo seco e vazio enquanto a mulher nele sentada tinha o rosto lavado por lágrimas impetuosas.

Renesmee não sabia por que, mas entendeu que não podia deixar de tocar, caso contrario permaneceria mergulhada nas lágrimas amargas sem tocar o rostinho angelical de sua menina.

*****

A sexta chegou e com ela um frio não programado. Renesmee precisou de um sobre tudo preto para conseguir manter-se na rua sob o vento imperioso e gélido naquele fim de tarde onde as nuvens acinzentadas dominavam o céu ainda claro.

Chegar a Univerity Place fez sua cabeça girar. Era como está em um sonho vívido em que coisas semelhantes aconteciam, porém menos animadoras e coloridas. Tudo não passa de um borrão na mente de Renesmee.

Os alunos concentrados na saleta ao lado da sala de eventos. O salão cheio. A orquestra de abertura preparada. A plateia ansiosa. As luzes vibrantes ao redor e Renesmee viu-se rodeada por velhos conhecidos que falavam sobre coisas banais.

As luzes cederam um pouco e Renesmee junto a Claire seguiram para uma antessala de preparação para a apresentação. No entanto, Renesmee não tocou em nenhum piano, tão pouco participou de alguma conversa sentou ao lado da amiga que praticava a afinidade de sua voz.

Já a quilômetros dali, a neblina estava assustadora. Na parte de dentro da casa alugada o frio era confortável e todos ali se acomodavam, pois acabavam de chegar. Pelo menos Emily, Rachel e Sam faziam isso. Paul e as crianças distraíam-se com um filme na sala e os outros três permaneciam no quarto.

— Mas o quê Seth? — Quil irrompeu o quarto com a mesma rispidez de suas palavras. — Quantas vezes eu pedi pra ninguém mexer no meu violão? — Bufou — Caralho Seth desafinou tudo. — Reclamou rodeando o quarto e sentando-se na beira de sua cama enquanto Seth estava desolado na soleira da porta segurando debilmente o violão cor de palha nas mãos.

— Desculpa irmão. — O mais novo murmurou entrando no quarto.

— Cara, você sabe como eu odeio ter que afinar isso, o fiz ontem. — Resmungou ranzinza. — Caramba Seth, não faz mais isso. — Ralhou com o olhar duro focado no amigo ao passo que aceitava o próprio violão oferecido por Seth.

— Eu só queria treinar mais... — Defendeu-se em um muxoxo sentando-se na cama de Jacob e só aí o pequeno foi percebido.

Jacob fechou o caderno que usava para compor suas canções, largou o lápis e cruzou os braços olhando o primo de forma divertida.

— Seth quando quiser treinar pega o meu emprestado, sabe como Quil é fresco com as coisas dele. — Alfinetou encarando pela primeira vez o amigo na cama ao lado.

— Vai se ferrar Jacob. — Quil disse mal humorado afinando as cordas de seu violão.

Seth e Jacob compartilharam risos baixos pela rabugice de Quil.

—Toma Seth. — Disse Jacob pegando o seu violão ao lado da cama e abrindo a capa para retirar o instrumento. —Pega o meu. — Ele entregou-o a Seth com um sorriso amigável.

Assim que Jacob voltou-se a capa do violão contemplou a foto que há anos estava presa ao fundo da capa negra.

Renesmee sorria tão avidamente que Jacob sempre ao fitar aquela fotografia sentia um fogo arder em seu peito e um fraco desenho de um sorriso brotar nos seus lábios.

Seu coração batia forte em sua caixa torácica e ainda enlevado pelo sentimento arrebatador que culminava seu ser, — mesmo que moderadamente —ele nunca poderia ignorar aquele sentimento e tão pouco a dor ou as lembranças.

Jacob admirava aquele rosto alvo emoldurado por longas madeixas onduladas, esvoaçando e com tom de chocolate, a boca rosada e levemente carnuda que abrigava o sorriso favorito dele. O moreno continuou varrendo a foto com seu olhar apaixonado, os traços, nariz mãos — que levavam um leve casaco — braços delicados, rosto jovial e olhos....olhos chamejantes e marrons claros e ainda mais fulgentes ao sol.

O olhar — alegre e fulgurante — da mulher incendiava-o mesmo não estando em carne e osso ali.

Quando Jacob sentiu o peito doer pela ausência ardente daqueles olhos em sua vida, arfou e desviou o olhar para o caderno sobre a cama.

Seus amigos estavam alheios ao furacão de emoções em sua alma e só quando retornou o olhar a foto seu coração parou.

Olhos cintilantes que expressavam exatamente o amor e contentamento de estar ali. Os orbes tão brilhantes e cativantes como os... De Alícia.

— Jacob... — Rachel entrou intempestiva no quarto sorrindo carregando uma camisa nas mãos, porém ao perceber que seu irmão ao menos pestanejou ao seu chamado aproximou-se e então notou o olhar alarmado e flamejante de Jacob junto a seu rosto completamente absorto.

— Jacob! — Ela berrou e puxou o braço de Jacob simultaneamente fazendo-o olhá-la enfim.

— O que houve meu irmão?

Jacob nada respondeu apenas respirou fundo e levantou-se ao passo que Rachel sentava-se na beira da cama. O moreno zanzou de um lado a outro com seu olhar reflexivo, suas mãos passeavam por sua face e arrastavam-se por seus cabelos sem pudor, ele fitou a janela de onde a brisa passava e balançava as cortinas.

— Jacob? — Rachel tornou a chamá-lo e então seu irmão sentou-se a seu lado com uma expressão impotente, lânguido.

Rachel bufou irritadiça pela inutilidade de seu irmão, fitou os meninos perguntando com o olhar o que estava acontecendo, porém ambos ergueram os ombros e sacudiram a cabeça demonstrando que não sabiam de nada.

A morena torceu os lábios, confusa, percebeu pela visão periférica Jacob deixar o dorso cair na cama e ele passou a mirar o teto com a expressão meditativa. Rachel pensou, portanto seu irmão estava louco, levantou-se para brigar, porém olhou a foto largada no colchão.

No primeiro momento Rachel estreitou os olhos e teve uma repreensão na ponta da língua. Jacob estava outra vez se auto mutilando? Entretanto ela focou na foto e seus olhos se arregalaram.

— Jacob ela me lembra tanto a ...

— Alícia. — Jacob completou em um tom glacial.

— Não acho que seja filha de Renesmee. — Rachel citou debilmente.

— Você acha que ela teria coragem... — Ele engoliu em seco. — Disso?

Rachel meditou por dois segundos.

— Não Jake, Renesmee é muito integra pra isso. — Assegurou.

Jacob sentou-se.

— Eu espero que não. — demarcou.

Jacob exalou com brusquidão, tentando relaxar.

— O que houve, Jake? — Seth indagou curioso.

Jacob e Rachel resumiram o episódio com Alícia.

— Ah por isso quando passamos por lá você vasculhou aquela praça com os olhos... — Quil refletiu. — Ei, vocês falam daquela menina que estava tocando no canteiro semana passada. — concluiu.

— É Quil, ela mesma. — Rachel afirmou.

Quil juntou as sobrancelhas e ficou pensativo com sua cabeça repousada no respaldo da cama.

— Ela é uma graça, mas não parece tanto com você Jake. — Ele comentou e relaxou os ombros.

— Não, mas o suficiente para me tirar o sono pensando na possibilidade de ser minha filha. — Jacob respondeu tranquilo.

— E se for? O que fará? — Seth inquiriu.

Jacob suspirou e apoiou as mãos nas coxas enquanto fitava o assoalho.

— Recuperar o que perdi. — Disse e lhe mostrou um sorriso amargo.

— Como descobrirá a verdade? — Rachel perguntou olhando a foto, no entanto sua atenção não estava na fotografia.

— Isso eu ainda não sei..., um exame talvez. — Cogitou.

— Pode fazer isso? — Seth encrespou as sobrancelhas por sua falta de entendimento.

— Ninguém precisa saber, pegue uma amostra de cabelo e pronto. — Rachel proferiu rapidamente.

— Exatamente isso que farei. — Decidiu ostentando um meio sorriso no rosto.

O olhar que Jacob lançava aos presentes naquele quarto era esperançoso, revigorado.

Até a pele de Jacob tinha um rubor a mais. No fim das contas resolveu enfrentar seus medos e vencer a tormenta. Buscou uma coragem escondida, Jacob sabia das responsabilidades que teria e da força que deveria ter para suprir todas as necessidades daquela menina e principalmente encontrar sua paz. Pois o homem sabia que demoraria muito até se conformar com toda a perda caso a paternidade fosse confirmada.

*****

Música

A plateia fez silêncio, as luzes se apagaram e por fim Renesmee com suas pernas bambas e coração desenfreado subiu ao palco. Ela tentava a todo instante regular a respiração, mas era inútil. O ar continuava saltando suas narinas sem controle, seu pulmão o forçava a sair. Seu rosto queimava á medida que suas pernas enfraqueciam mais e Renesmee optou por sentar-se logo de uma vez antes que caísse.

Nessie agora em frente ao piano branco respirou fundo por três vezes antes de seus dedos relutantes tocarem com maestria e suavidade as primeiras notas.

Quando a única coisa que você procura

Não se encontra em canto algum

Durante o inicio da apresentação de Renesmee, Jacob e os meninos chegavam ao Café de todas as semanas.

E você intensifica de volta todos seus passos tentando descobrir

Você quer alcançar

Você quer desistir

Sua cabeça está presa com o que está em torno da próxima curva

Você deseja poder encontrar algo seguro

Por que está tremendo de frio

Assim que Jacob desceu do carro seu coração trotou ao vislumbrar o cartaz de desaparecido no poste a frente.

É a primeira coisa que você vê quando abre seus olhos,

A ultima coisa que você disse como se estivesse dizendo adeus,

Algo dentro de você está chorando e te guiando.

Conforme tocava Renesmee baixou as pálpebras sentindo os cílios sendo umedecidos pelas lágrimas contidas, memórias vinham chicoteando sua mente e ao fundo o rosto de Alícia, a única imagem concreta que tinha da menina amada.

Enquanto Jacob permanecia parado sob o céu escuro, envolto pela brisa gélida e apavorado pelo cartaz à frente.

Pois se você não tivesse me encontrado

Eu teria encontrado você

Eu teria encontrado você

— Jacob o que... — Seth perguntava, mas vislumbrou o mesmo cartaz que o primo e até seu coração deu um solavanco.

— Sinto muito Jacob.

Mas Jake puxou o ar com violência e sentiu um furor no corpo junto a formação de uma grossa lágrima que não hesitou em cair intempestiva. Seus amigos sem nada a dizer adentraram no estabelecimento e Jacob ficou processando a informação por mais um minuto. Alícia desaparecida.

Tanto tempo você esteve correndo em círculos

Em volta do que está em jogo

Mas agora o tempo vem até seus pés para ficar parado em um único lugar

Seu coração não batia, trotava. Ali Jacob percebeu que amava aquela menina independente de ser sua ou não.

Você quer alcançar

Você quer desistir

Sua cabeça está presa com o que está em torno da próxima curva

Você deseja poder encontrar algo seguro

Por que está tremendo de frio

Renesmee abriu seus olhos lacrimejados e castigou as teclas com o ímpeto de seu toque.

Ela soltava o ar lentamente, mas seu coração não se acalmava, dava trancos por segundos. Nessie controlou-se para não arfar, estava sufocando a vontade de correr, mas ela sabia que não podia, deveria esperar. E o seu sonho veio à tona fazendo a música ir a galope acompanhando seu coração.

É a primeira coisa que você vê quando abre seus olhos,

A ultima coisa que você disse como se estivesse dizendo adeus,

Algo dentro de você está chorando e te guiando.

Renesmee desceu as notas quase parando o som, tocava calma por projeção da música e não por seus sentimentos que estavam fúlgidos aquela noite.

Pois se você não tivesse me encontrado

Eu teria encontrado você

Eu teria encontrado você

E de repente uma brisa de paz a envolveu a fazendo sorrir e voltar ao ritmo acelerado e alto causando um pequeno alvoroço na plateia satisfeita.

Jacob foi ao banheiro lavou o rosto e a nuca, a fim de apartar aqueles olhinhos brilhantes de sua mente que vez ou outra o fazia lembrar-se do rosto da mulher cravada em seu coração.

Foi o seu primeiro gosto do amor

Vivendo sobre o que você tinha

No entanto, Quil o chamava incessantemente, estavam atrasados já. O moreno esforçou-se para subir no palco e colocar um sorriso enquanto cantava, era uma luta para não se esquecer das canções à proporção que sentia algo o impelindo a descer dali.

Aquele arrojo não era estranho, contudo Jacob se fez forte e permaneceu fincando-se ao palco, tentando seguir a razão. Mas ao passo que as músicas decorriam, ele sentia-se sucumbir ao ímpeto.

Renesmee ao menos notou os aplausos ou que estava ao fim da música, ela tocava absorta e (agora) sorrindo, pois como há muito tempo ela sentiu que cada sentimento expresso naquelas notas chegava a algum lugar.

Ao descer cambaleando do palco ela recebeu os parabéns dos coordenadores, velhos professores e por último seus amigos.

— Amiga, foi perfeito. — Declarou Claire com lágrimas nos olhos.

— Não exagere Claire, eu nem sei como consegui, pois minha cabeça estava longe. — Renesmee contou com a voz apresada.

— Mas estava divina. — Mike declarou contente e de repente chegando por trás dela.

Renesmee virou-se e imediatamente deu um abraço no amigo que subiria ao palco em seguida.

— Obrigada e uma boa apresentação. — Ela desejou amparando as próprias lágrimas emotivas com a ponta de seus dedos.

Mike depositou um beijo em sua bochecha e Claire a abraçou outra vez.

— Combinamos de ir a um bar no centro da cidade pra comemorar, não será nada de mais, o Mike também irá Renesmee seria perfeito se fosse. — Claire revelava eufórica.

Renesmee deixou os ombros caírem.

— Não sei Claire, não estou no clima. — Respondeu desanimada.

— Nessie, vai ser legal você pode se distrair e rir dos velhos tempos. — Claire persuadia sorridente, esperando frenética que Renesmee cedesse.

— Claire, eu pego um táxi e vou para casa, sério eu... — ela suspirou cansada — Não estou boa, vou acabar estragando a noite de vocês. — Ponderou.

A morena do vestido preto lhe deu um sorriso compreensivo.

— Você nunca estragaria nossa noite, mas eu te entendo você está passando uma fase difícil e eu faço qualquer coisa para te ver melhor. — Retrucou.

— Obrigada, amiga. — Renesmee abraçou a morena outra vez — E tenho que dizer que esteve impecável, outra vez. — Ela elogiou a amiga que ostentou um largo sorriso.

— Eu sei. — disse Claire convencida e risonha.

Caminhando lentamente até o ponto de táxi Renesmee foi. Apesar de reconhecer seu estado um tanto vazio e doloroso Nessie tinha um singelo sorriso nos lábios. Desde a apresentação sentia-se assim. Talvez fosse esse o propósito de estar ali: Acalmar-se, experimentar a sensação de estar mais leve e esperançosa, ela pensava.

Ao mesmo tempo em que Renesmee refletia sobre o tumulto de suas sensações estando dentro do táxi e segura do vento frio no exterior, Jacob percebeu que era hora de parar.

— Quil, segura aí pra mim, eu vou tomar uma água sei lá. — Jacob disse ao ouvido do amigo em um intervalo entre as canções.

Quil assentiu e Jacob saiu sorrateiramente no piscar das luzes. No primeiro minuto apenas seus amigos perceberam sua ausência. Quil através de sinais disse que Jacob voltava depois, tranquilizando os outros enquanto entoavam uma canção energética e contagiante. O moreno foi até uma pequena sala no final de um corredor escuro e pegou uma água no frigobar. Bebeu meia garrafinha e sentou-se no sofá de três lugares macios que havia ali, precisava pensar um pouco.

Chegando ao centro após minutos Renesmee passou a contemplar inúmeros cartazes com a foto de Alícia espalhada pela cidade. Aquilo lhe doeu à alma, seu sorriso desmanchou.

Ela decidiu não olhar para canto algum, porém seus olhos se abriram e foram chamados por um Café luminoso o qual também tinha um cartaz no poste a frente.

Renesmee desceu do táxi — ainda aborrecida pelo anuncio, — não por estar ali, mas sim pelas emoções que ele á implicava. Todavia respirou fundo e soltou o ar lentamente.

Entrou no café e notou um rebuliço. Uma música alta e animada tocava. Era tão contagiante que debilmente Nessie sorriu.

O que estava fazendo ali? Ela pensou embaraçada por sua própria atitude. Não pensava direito no momento em que entrou, apenas queria sair de onde estava.

Assentou-se no bar e rolou os olhos ao seu redor.

Era grandioso e havia feixes de luzes que jaziam do palco cortando todo o ambiente. Apesar das pessoas aparecerem cobertas pela baixa luminosidade, o palco concentrado de luz não estava tão nítido.

A multidão era imensa, tampava lhe a visão perfeita do palco já que pulavam e gritavam, mas isso não impediu que o agitado som adentrasse em seus ouvidos e lhe fizesse sorrir, enlevada pelas notas.

Após o solo de uma guitarra estridente, o som parou e Renesmee alargou o sorriso seguindo as pessoas nos aplausos.

Virada para o balcão, Nessie pediu ao garçom um destilado.

Assim que suas mãos agarraram o copo as notas saídas do palco lhe atingiram como laços que a enredaram a impedindo de emprestar sua atenção a qualquer outra coisa que não fosse a música.

Aquelas notas chegavam a seu âmago em uma magnitude que a assustou tremendamente. Suas mãos formigaram e seus olhos cintilaram. Seu coração antecipava as batidas. No primeiro momento Renesmee não teve coragem de virar-se para o palco, seu coração estava descompassado demais era como se caso fitasse o palco, suas batidas cessariam de repente.

Segurou o copo com sua bebida e tomou um sorvo grande. Suas mãos trêmulas não abandonaram o copo, pela visão periférica via as pessoas calmas e podia sentir o silêncio da plateia e aquele som ainda lhe envolvia em um sopro de paz como aquele que a envolveu há uma hora. Porém ao mesmo tempo era perturbador, fazendo sua respiração um pouco mais pesada.

Quando a única coisa que você procura

Não se encontra em canto algum

Ao soar a voz de Jacob nos seus ouvidos, Renesmee perdeu totalmente o ar já escasso, seus pés não sentiam mais o chão, seu corpo oscilava à medida que uma dose alta de adrenalina percorria seu sistema e seu coração retumbava golpes em seu peito.

E você intensifica de volta todos seus passos tentando descobrir

Você quer alcançar

Você quer desistir

Seus dedos estavam brancos devido a força que fazia agarrando-se ao copo de vidro, seus olhos marearam instantaneamente e sua boca tornou-se uma secura que nem o conteúdo do copo aliviou. Seu coração falhava constantemente para logo bater violentamente e fora de frequência.

Jacob cantava sufocado. Seus olhos permaneceram fechados e úmidos, ele só notava a melodia lhe enredar e lhe levar para seu interior. O coração gritava absurdamente como se batesse por dois.

O homem chegava a sentir o peito doer, pois tamanha era à força dos galopes de seu coração. Entretanto em nenhum momento ele largou o microfone ou diminuiu a tenacidade em sua voz.

É a primeira coisa que você vê quando abre seus olhos,

A ultima coisa que você disse como se estivesse dizendo adeus,

Algo dentro de você está chorando e te guiando.

Renesmee mesmo insegura desencostou-se minimamente do balcão e virou-se em câmera lenta, não era como se quisesse realmente virar, era uma corda invisível que a puxava até conseguir avistar o palco com perfeição e confirmar o que seu coração já sabia.

Pois se você não tivesse me encontrado

Eu teria encontrado você

Eu teria encontrado você

Involuntariamente as lágrimas caíram, a voz de Jacob a levava da órbita enquanto aquela visão focada apenas nele lhe causava um frenesi e Renesmee podia ter a sensação de haver apenas eles ali.

Ela suspirou na tentativa inútil de manter um ritmo na sua respiração. A agitação que lhe corria forçou suas pernas para frente e ela passou a intrometer- se entre as pessoas queria comprovar se não era mais um sonho, se realmente não estava fantasiando, mas à proporção que se aproximava ela tinha certeza que era ele. Jacob Black.

O homem que sonhou por anos, que esperou por anos, o amor de sua vida.

Tanto tempo você esteve correndo em círculos

Em volta do que está em jogo

Mas agora o tempo vem até seus pés para ficar parado em um único lugar

Jacob tinha a face serena enquanto cantava, seu olhar estava perdido nas lembranças que aquela letra lhe remetia, rolou seus olhos perante a multidão, mas sua visão estava completamente nublada por uma única imagem.

Nos olhos amendoados e brilhantes, no sorriso puro e terno, no rosto de anjo, só enxergava o que seu coração queria encontrar.

Renesmee parou no meio da multidão que estava extasiada com a música. Ela viu os olhos negros e nostálgicos de Jacob varrer o lugar, mas ela percebeu que ele não tinha foco, a luz era pouca, e era provável que Jacob não achasse nada ali.

É a primeira coisa que você vê quando abre seus olhos,

A ultima coisa que você disse como se estivesse dizendo adeus,

Algo dentro de você está chorando e te guiando.

Jacob cantava com a alma e emocionava a plateia, Renesmee sorria em meio às lágrimas. O moreno de repente sentiu outra vez uma vontade imensa de correr, mas não sabia para onde. Suas pernas aspiravam sair dali, porém ele não entendia aqueles impulsos em sua carne que o induzia a buscar por algo.

Diferente da primeira vez que teve essa urgência de chegar a algum lugar, sendo a noite em que conheceu Renesmee, agora ele sabia o que tinha que procurar. De novo.

Notou seu coração se abrandar, e um sorriso saudoso brotar em seus lábios, ele estava no caminho certo.

Foi o seu primeiro gosto do amor

Vivendo sobre o que você tinha

Quem sabe a sorte não estava à seu favor e dessa vez encontraria sua amada?

Renesmee percebeu um alento lhe agarrar apenas pelo sorriso de Jacob, ela evolveu-se em seus próprios braços e embalou-se na musica esquecendo as pessoas a seu redor. Em sua boca havia um singelo sorriso deleitoso, seu rosto úmido por lágrimas silenciosas que molhavam seus lábios.

Pois se você não tivesse me encontrado

Eu teria encontrado você

Eu teria encontrado você

Renesmee percebeu Jacob se afastar no final do show, reconhecendo Quil quando ele tomou o microfone e encerrou o show. Logo só havia ele no palco e quando desceu algumas meninas eufóricas chegaram até ele que rapidamente ia em direção a um corredor.

Só aí Nessie deu atenção ao fundo do estabelecimento onde sombras passavam e ela conseguiu ver quando Seth sumiu por aquele fundo. Renesmee seguiu o mesmo caminho do garoto, chegando a uma porta em um corredor escuro.

Não podia ser o banheiro, pois esse estava claramente ao seu lado direito. Parou ali frente aquela porta, havia poucas pessoas por ali e mesmo com o som ambiente que começava podia ouvir risadas e vozes do outro lado da porta, mesmo não ouvindo a voz de Jacob, ela sabia que ele estava ali.

—Jacob está tão quieto o que houve? — Perguntou Seth verdadeiramente preocupado.

— Não é nada só estou pensativo. — Respondeu Jacob oferecendo um sorriso para o primo.

A verdade era que desde o palco que os olhos cintilantes e o sorriso estonteante de Renesmee não saíam de sua cabeça, era como se tivesse sonhado com ela ali mesmo acordado e no palco.

Quil e Sam estavam sem a jaqueta já, sentados despreocupados no sofá. Paul arrumava as coisas, pois só levariam o violão de Jake — esse estava com Seth no sofá. — Jacob estava impaciente consigo mesmo por estar atormentado com as lembranças de Renesmee fortes e límpidas em sua cabeça serpenteando por ali lhe causando a louca necessidade de vê lá.

Resolveu então ajudar Paul para se distrair de pensamentos insanos. Queria procurar por ela e encontra-la, mas Jacob reprimiu aquela exigência dentro de si, e deu atenção a seus amigos.

Eles conversavam animadamente sobre banalidades quando duas batidas foram dadas contra a porta. Imediatamente a lata de refrigerante que Jake levava nas mãos foi apertada fortemente pelo moreno. O martelar desenfreado e caloroso de seu coração denunciava que estava à beira de um fatídico fato em sua vida. Formou-se um silêncio torturante.

Mais batidas soaram e os rapazes olharam para porta assombrados exceto Jacob e Paul que estavam em pé e de costas para a mesma.

O motivo de curiosidade para os meninos era que se fosse o proprietário ou o contratante ele não bateria. Ninguém nunca batia naquela porta.

Jacob fechou os olhos, seus membros estavam gélidos e trepidantes impedindo-o de se mover. Sua cabeça girava mesmo com os olhos fechados. No fundo de sua consciência sabia que finalmente tinha chegado o fim de suas lamúrias.

Do lado de fora daquela porta Renesmee levou uns minutos para raciocinar e por fim puxou o ar com brutalidade, suas palmas suavam e seu coração emitia um bombear fraco e irregular enquanto seu pulmão era forçado a trabalhar para mantê-la respirando.

Mas Renesmee bateu na porta sem ter muita certeza do que estava prestes a fazer, só precisava ver aquele rosto sereno e amável mais de perto, sentir seu calor apaziguador, precisava de um abraço somente daqueles braços.

O medo da rejeição a assolou por segundos. Tudo poderia ter mudado, mas ela sentiu o peito bradar, levou ambas as mãos a ele e logo ignorou a dúvida cruel recém-chegada.

O silêncio foi desconfortável, mas uma de suas mãos inseguras segurava a bolsa com demasiada força e a outra fechada na mesma intensidade açoitava a porta mais uma vez e esperou. Esperaria por horas, entretanto não sairia dali, seus pés embora com as pernas fracas estivessem, fincaram ao chão. Seu coração a obrigava ficar ali sabia que tudo que precisava estava atrás daquela porta.

Era Jacob e sempre seria ele a lhe abrir um caminho e a leva-la a um desconhecido prazeroso ao qual lhe traria felicidade, não adiantaria negar, precisava vê-lo. Sempre precisou, ela reconheceu.

O ranger da porta se abrindo foi uma tormenta para todos que ouviram. Não foi somente o rosto de Renesmee que empalideceu com o abrir da porta. Paul também se apoiou na madeira da porta, equilibrando-se. Nada o deixaria mais impressionado naquele momento.

Os rapazes lá dentro arregalaram os olhos sobressaltados, mas nada disseram. Jacob ligeiramente abriu seus olhos já mareados e juntou suas sobrancelhas com força e obrigou-se a respirar. O silêncio formado e o enorme aroma feminino e remotamente conhecido para ele lhe causou uma breve tontura, era ela que estava ali.

O moreno arfou ao constatar e abriu mais os olhos. Seus amigos tinham os olhos pregados na porta aberta.

A porta não estava escancarada, porém suficiente aberta para Renesmee contemplar as costas do homem que forçava o equilíbrio de seu corpo assim como ela.

Com a garganta seca e olhos fixados naquelas costas largas lembrava-se a todo instante que não podia cair, precisava ir em frente. Renesmee não conseguiu pronunciar uma palavra, seus olhos aflitos não saíam da figura de costa lá dentro.

Então seu olhar tornou-se pedinte e apunhalou Paul que saiu do transe e virou-se para dentro ainda um pouco zonzo:

— Jacob, eu acho que é pra você. — Revelou baixo e atordoado, pensou que se ele havia ficado em estado tão assombrado por vê-la imagine Jacob que esperava há anos por aquela mulher.

Jacob apertou os lábios em uma linha tênue e sentiu seu coração parar assim como sua respiração. Todos os rapazes levantaram à medida que Jacob forçava seus calcanhares a virarem para a porta.

Os joelhos de Renesmee fraquejaram e ela apoiou-se na soleira da porta. Jacob estava lindo ainda mais do que ela se relembrava.

Era claro que seu peito estava mais largo, ele subia e descia de modo eminente, sua barba por fazer e seu cabelo sem corte o deixava mais sexy e atraente do que ela se recordava. O olhar dele – sempre — impetuoso estava focado no seu.

Jacob estava petrificado diante daquela mulher, correntes passavam loucamente por todo seu corpo. Ela estava divina no vestido azul que fazia alusão a um anjo. O homem fechou preguiçosamente os olhos grudando aquela imagem fascinante, caso fosse outro sonho atroz.

No entanto a voz fraca, receosa e melodiosa de Renesmee lhe atingiu provando que estava errado.

— Jacob... — Assobiou débil em um fio de voz.

Aquilo despertou o homem medroso.

Os olhos de Jacob se abrirão causando tontura em Renesmee por tanto ardor, ela não esperava que Jake ainda a fitasse daquele jeito abrasador como antes.

Em um silêncio esmagador Jacob analisou a mulher a sua frente. O corpo coberto pelo vestido estava encantadoramente mais delgado, os cabelos que na memória do moreno eram desordenados e ondulados emoldurando o rosto sublime e alvo (agora) eram uma cortina lisa penteada e acobreada que estavam de um lado em um rosto cansado.

Jacob focalizou o olhar letal de Renesmee que gritava por ele. O chamavam com paixão, desespero e necessidade, tanto como antes. Jacob mergulhou no chocolate dos olhos de Renesmee e repuxou os lábios em um meio sorriso, perdido naquela grandiosidade flamejante.

Ah, como sonhava com aquele olhar fulgente sobre ele. Preso naquele mar de sensações que eram os olhinhos de Renesmee, Jacob percebeu que apesar de não ter mudado seus sentimentos pela mulher em sua frente ela havia mudado. Fisicamente estava mais atraente e instigante, porém sua face séria e ansiosa denunciava marcas de sofrimento e Jacob sentiu o peito doer por isso.

Ele daria um passo e a pegaria no colo lhe ninando e afirmando que estaria tudo bem.

Sam assim como os outros vendo todo o enlaço particular de Jake e Nessie fez sinal para os outros se encaminharem para fora. Jacob não notou e nem Renesmee percebeu os homens passarem por ela, deixando-os no recinto.

O olhar do homem estava vidrado na figura feminina que estava estancada na porta ainda. Sozinhos ali, uma energia assolou a ambos e em uma amplitude externa e invisível os dois se moveram, estavam oscilando e débeis, no entanto quando os corpos se encontraram fizeram apoio ao corpo um do outro.

Renesmee apreciou um deleite violento ao ter o corpo envolvido pelos braços possessivos e fortes de Jacob, esse experimentou um regozijo por tê-la o abraçando com a mesma intensidade e urgência que a dele.

Não restava um espaço entre eles. Os corações trotavam juntos, os olhos deles estavam fechados e a sensação que tinham era que não havia passado um dia se quer desde a última vez que se tocaram, pois a paixão e impetuosidade estavam lá. O aroma inebriante de Jacob causava tontura em Renesmee e o calor dele lhe queimava a pele mesmo coberta pelo tecido fino, mas ela estava segura naquele corpo de músculos.

As lágrimas de Jacob molhavam o vestido de Renesmee assim como as grossas lágrimas dela encharcavam a jaqueta jeans dele. Jacob subiu suas mãos do dorso de Renesmee até seus cabelos onde ele afagou, trouxe para mais perto e enterrou seu rosto ali se embebedando daquele aroma adocicado que tanto lhe fizeram falta.

Notas finais
Amores é isso, a próxima parte postarei na quinta. Dividi porque se não seria um capitulo muuuito extenso e eu não ia quebrar no ápice né ;) Para quem queria saber mais sobre o paradeiro da Aly, aguardem depois do reencontro focarei mais o capitulo nela. - O que acharam?? Até o próximo gatinhas. beijinhuuus