Os 7 Reinos
1 Capítulo I
Notas iniciais
– Sabes o que dizem por aí, Malcom? — Um velho claramente bêbado tinha entrado na taberna e por muito que se insistisse recusava-se a sair.
– O que é Alfred? — perguntou o jovem de cabelos negros que servia naquele estabelecimento.
– Há rumores que o Reino Esquecido ainda existe e que os seus habitantes vão interferir com os planos do maldito Reino do Fogo.
O olhar embaciado do rapaz ficou rapidamente com uma chama de raiva.
– Isso é blasfémia Alfred! Pode ser preso por andar a espalhar mentiras dessas e a criticar os nossos generais.
– Espera até veres as jovens do reino, vais mudar logo as tuas ideias. — A risada seca do velho ecoou próxima da cara de Malcom deixando-lhe no nariz um cheiro a vinho misturado com rum.
– Vá para casa antes que os guardas o ouçam a espalhar tais coisas. — disse-lhe o jovem apontando com o olhar para uma mesa cheia de homens com olhares de cães famintos olhando para cada mulher que passava com um apetite enorme.
– Vais ver, meu filho. Quando eles chegarem é melhor estares preparado porque o pior ainda está para vir. — E com isto Alfred arrastou a velha carcaça para fora da taberna para ir pedir mais moedas. Malcom abanava a cabeça em desaprovamento. O velho tinha noção que se os guardas não estivessem tão bêbados o espancavam sem dó por blasfemar mas este não se importava, tinha uma própria família para cuidar.
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As patas da cavalariça ecoavam na lama causando um barulho meio que incómodo mas nada comparado com a melodia que um bardo bêbado tentava compor para se entreter. Os oficiais do Reino estavam todos nuns cavalos mais à frente discutindo formas de abordar o Reino do Fogo, visto que este era o mais envolvido na questão.
– Falta muito tempo para chegarmos papá? — perguntou uma criança que não deveria ter mais do que 6 anos puxando a manga de -um homem de cabelos grisalhos.
– Como é que já estás cansada? Ainda não passámos o vale de Alpana. — resmungou entre dentes o homem abanando a mão violentamente.
Sina observava tudo conservando o seu corpo robusto dentro da armadura que carregava. Ela notava que os habitantes tornavam-se cada vez mais frios em relação a uns aos outros pois as regras dos oficiais eram para ser cumpridas e evitar contacto com outros reinos era uma delas. Sina comprimiu os lábios apertando-os um no outro soltando um suspiro de seguida, as consequências do que podia acontecer quando chegassem ao Reino do Fogo eram devastadoras. Iam perder muitos homens isso era certo mas não os suficientes para ficar sem um exército. Enquanto os pensamentos vagueavam livremente da cabeça da jovem esta atrasou o passo sem se aperceber e quando o fez deu uma pequena corrida fazendo a armadura chocalhar.
[...]
O acampamento tinha sido montado numa clareira perto do vale de Alpana. Era longe o suficiente para não entrarem em territórios do Reino do Fogo ou invadirem a floresta dos elfos e causarem mais confusão da que estava prestes a acontecer.
O calor que se sentia era quase insuportável o que dava o reconforto a alguns de saber que estavam perto de chegar. Na verdade, a única razão pela qual tantos habitantes tinham querido acompanhar as tropas e os chefes de maior calibre era o facto de precisarem de vender os seus produtos desesperadamente. O dinheiro no Reino Esquecido era pouco pois o facto de não poderem existir as Trocas da 4º Lua tornavam muito difícil ganhar o pão.
Sina tinha ficado de guarda pois sono era uma coisa que teimava em não vir o que lhe causava problemas terríveis tanto fisicamente como psicologicamente. Uma gota de suor desceu pela cara saliente da jovem. Os seus cabelos esbranquiçados começavam a ficar húmidos e os olhos percorriam o local esperando encontrar alguma possível ameaça. Quando o fez pela quarta vez um barulho vindo de uns arbustos próximos chegou-lhe aos ouvidos fazendo-a desembainhar a espada que trazia à cintura. Ao se aproximar sentiu uma brisa quente percorrer-lhe a espinha e soube exatamente quem era.
– Já faz algum tempo, Sina.
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