Os 7 Descendentes
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Havia se passado duas semanas desde que Melissa e Jackson encontraram Connor e Nate – e depois daquilo, eles não se viram mais. Antes de se separarem ao sair da casa, ambos disseram que tinham que ir na outra cidade (que fica além da floresta onde existe guardas camuflados e bases secretas do exército; ninguém podia passar de uma cidade para outra).
Harley não aparecia nas aulas, o que fez Melissa se perguntar se ela estava bem ou não. Não teve nem a chance de falar com ela sobre Nate e Connor.
Jackson acordou Melissa que pediu mais alguns minutos, enquanto isso, o irmão ia para a cozinha ajudar a mãe no café da manhã.
A menina abriu a janela e se espreguiçou. Tirou o lençol de cima dela e calçou os chinelos e andou até o banheiro e tomou um banho relaxante.
Ao sair do banho, colocou a saia colegial que era obrigatória para garotas – no colégio militar onde Melissa estudava –, meia 34, sapatilha preta e a camiseta branca com o logo da escola e pôs um casaco na cintura. O tempo andava bem estranho nos últimos dias.
Melissa penteou o cabelo e puxou o cabelo para trás e prendeu com uma fita branca.
– Irmã, vai se atrasar – Jackson disse da porta do quarto.
– Ok.
Ela saiu do banheiro com a mochila e andou até a cozinha e deu um beijo na bochecha da mãe e do pai que estava tomando café e lendo o jornal da cidade.
Ele usava uma roupa do exército – serviu desde quando completou 18 anos e agora era muito importante para o exército. Se ele descobrisse com quem ela anda e o que ela fez naquele dia na casa, ele certamente se lamentaria e a entregaria para as autoridades.
– Bom dia querida – disse ele sem tirar o olho do jornal.
– Bom dia – Melissa puxou uma torrada e comeu pedaço por pedaço.
– Com essa lerdeza, você chegará no colégio amanhã à noite – Jackson disse enquanto calçava o tênis.
Melissa escovou os dentes, despediu-se dos pais e seguiu Jackson que já estava a metros dela.
– Ei! Me espera – Melissa protestou e só viu Jackson a olhar e sorrir como se estivesse rindo, depois ele olhou para frente. – Mas que droga – Melissa parou no meio do caminho.
Ela sentiu um frio na espinha – como se estivesse sendo observada – e olhou ao redor. Além dela e do irmão, não havia ninguém naquela hora da madrugada. Os outros alunos pegavam outra rua, não aquela.
Quando Melissa olhou para frente, Jackson já não estava lá.
– Droga, irmão.
Ela continuou andando pelo caminho que fazia para a escola. Ainda tinha a sensação de estar sendo seguida.
Ela praguejou ao lembrar que o irmão a tinha deixado ir sozinha para a escola. Ela completaria dezesseis anos em quatro dias, mas ela não se comportava como uma adolescente. Ela era realmente infantil demais, até mesmo para ela isso era chato, mas ela não sabia se controlar ou mudar.
– Preciso não depender mais do meu irmão – Melissa disse para si mesmo, até que sentiu uma presença mais forte atrás dela e ela deu meia-volta em um segundo.
Não havia ninguém.
– Quem está aí? – Melissa perguntou sabendo que alguém a observava, mesmo que ninguém aparecesse.
Ela sentiu agora uma presença atrás dela novamente e no mesmo instante que se virava, ela estendeu a mão na direção da frente dela e sem perceber, a sombra ao redor dela que as árvores faziam, estavam sendo controladas por ela e um garoto estava sendo enforcado pelas sombras.
Se um guarda a tivesse vendo ou aquele garoto fosse um guarda, ela estaria ferrada.
O menino estalou um dedo e Melissa ouviu um som bem agudo e forte, fazendo perder o controle da sombra e o garoto ser liberado e ela cair no chão de joelhos e tampar o ouvido.
– Faz isso parar! – Melissa implorou e logo o som sumiu.
Ela achou que fosse ter um colapso pelo som ou perder a audição. Ela ainda conseguia ouvir o barulho na sua mente.
– Se continuar mostrando seus poderes na rua – a voz do garoto disse perto do ouvido dela. – Você vai ser levada por eles. É seu pior medo, estou certo?
Melissa ergueu o rosto. O garoto estava inclinado na direção dela e agachado para ficar na mesma altura que ela – já que a menina estava de joelhos no chão.
– Você não sabe do meu pior medo.
O menino sorriu como se a desafiasse – o que combinava com o jeito dele. O menino tinha cabelo preto na altura do ombro, olhos negros assustadores e vestia calça preta e uma camiseta azul-marinha com um boneco enforcado e um anel de caveira em um dos dedos. E usava uma mochila em um dos ombros.
– Eu sei os piores medos de todos – disse ele ficando de pé.
– Você é um deles? – Melissa se levantou.
– Você também é – o garoto disse. – Não deveria ficar assustada ou surpresa se encontrasse alguém como nós.
Melissa ficou pouco à vontade e o menino olhou ao redor.
– O que está procurando? À essa hora não tem ninguém nessa rua. É a “Rua da Assombração”, você sabia?
Ele a observou.
– Eu sei sobre as lendas. Principalmente dessa rua. Eu moro aqui.
– Nunca te vi aqui.
– É o meu objetivo – o garoto afirmou. – Sou Derek Stiles.
– D-Derek? – Melissa perguntou. O nome era bem familiar.
Ele pareceu inquieto.
– Desculpa, Derek Stiles – Melissa disse, ainda franzindo a testa e tentando se lembrar o motivo do nome ser familiar. – Tenho aula agora e meu irmão vai ficar preocupado.
– Seu irmão... Preocupado? – Derek ergueu uma das sobrancelhas. – Eu conheço seu irmão, Melissa Miller, e uma coisa é certa: se ele se preocupasse realmente com você, estaria agora aqui e não na escola.
Melissa mexeu na mochila, pouco à vontade.
– Isso não é da sua conta.
– É sim. A questão é: encontre-me na casa abandonada após suas aulas. Tem algo que eu preciso lhe contar. E não venha com seu irmão, você não gostará do que acontecerá com vocês dois se ele te seguir.
Melissa franziu o cenho, mas Derek moveu o anel e logo desapareceu da frente dela – a fazendo olhar para os lados e se perguntar como ele fez isso.
Ela ajeitou a alça da mochila rosa e andou até a escola.
Ao sair da escola, o irmão a acompanhou até o portão da saída onde tinha um guarda com um fuzil em mãos e observando se algo aconteceria. Melissa não podia fazer aquilo de novo, seria levada por eles para um lugar onde não tinha conhecimento.
– Melissa? – Jackson mexeu a mão na frente do rosto dela, fazendo-a despertar dos seus pensamentos.
– Ah, desculpa. O que você estava dizendo?
– Você me disse que iria ir por um outro caminho. Por quê?
– Ah... Vou comprar umas coisas para mim – Melissa mentiu.
Ele franziu o cenho.
– Eu vou contigo.
– Não – Melissa apressou-se em dizer. – Estou bem, é sério. Preciso depender menos de você. Vai na frente para casa que depois eu vou.
Jackson suspirou.
– Ok. Só hoje.
– Ok. Até mais – Melissa acenou e esperou Jackson virar na rua que dava para o bairro dela e caminhou pela rua oposta, onde dava para a casa abandonada.
Melissa não podia confiar em Derek e ficar sem seu irmão, mas ela queria saber o que o garoto contaria à ela. A menina ficou se perguntando se estava fazendo a coisa certo.
Quando chegou à casa abandonada, ela estava perfeita – do mesmo jeito antes de ser atingida pelos militares.
– Mas, o que... ?
– É uma habilidade de Harley – a voz de Derek soou atrás de Melissa e ela não se virou, o garoto parou ao lado dela. – Vamos.
– Harley? A menina igual à nós?
– Isso – Derek abriu a porta da casa e esperou Melissa entrar e verificou se alguém tinha seguido-a ou não e fechou a porta. – Vamos até o bunker.
Melissa o seguiu e quando entraram no bunker, ela teve mais uma surpresa. Estava muito direrente de duas semanas atrás. Ela se perguntou como Derek e Harley tinha feito aquilo.
A parede continuava de como qualquer bunker, mas agora em vez de tochas, havia energia e duas das quatro lâmpadas estavam acesas. Havia sete camas com sete baús ao lado e estavam arrumadas. Tinha uma porta de ferro que Melissa se perguntou o que tinha ali. Também havia uma mesa no meio com sete cadeiras, ármarios, fogões e uma pia – como uma cozinha improvisada.
– Para quê isso tudo?
– Pros sete descendentes. Aqui é um lugar que nem mesmo o pessoal do exército sabe que existe.
– Mas é um bunker – Melissa disse.
Derek esbanjou um sorriso desafiador.
– Não só existe magias em nós, Melissa. O mundo todo já é uma magia.
Ela não disse nada, ele explicou que ela ficaria em uma das camas que se quisesse – afinal, ela era uma das Sete. Também explicou que aquela porta dava à um banheiro.
Melissa se sentou em uma das camas enquanto Derek se apoiava em um balcão e observava.
– O que você queria me falar?
– Vou explicar desde o inicio. Algumas pessoas não sabem quem são as Sete Casas.
Melissa ficou confusa.
– Você sabe?
– Sei. Os sete descendentes estão reunidos, e quando se reúnem, sabemos que são as Sete Casas. A casa Miller, onde reina os poderes mais obscuros; a casa Stiles, onde o som e a mente caminham juntos; a casa Springwolf, onde a água e o gelo reinam; a casa Raymond, onde o teletransporte é um ótimo plano de fuga e onde os descendentes dessa casa são ótimos com armas diversas; a casa Mandison, onde o fogo e o ar reinam; a casa Claire, onde reina a criação e destruição; e por último a casa Randstorm, onde a tempestade reina.
Melissa se levantou num pulo.
– Isso não faz o mínimo sentido. Casa cada tem uma própria... Habilidade? Isso não faz o mínimo sentido.
– Por que precisa fazer sentido? – Derek perguntou se afastando do balcão e se aproximou de Melissa.
– Porque precisa fazer sentido. Isso é loucura.
– Uma menina que evoca esqueletos e tenta me matar usando a sombra diz que isso é loucura?
– Eu não fiz isso! – Melissa protestou.
Derek com uma das mãos ergueu o rosto de Melissa na direção do dele e a menina engoliu em seco. Ela não deveria ter ido ali sozinha.
Ela afastou a mão de Derek e deu um tapa em seu rosto e se afastou dele.
– Idiota.
– Concordo – uma voz surgiu na sala e Melissa virou o rosto na direção da entrada do bunker.
Nate estava de pé ali com uma adaga dourada em mãos e uma expressão séria e ao mesmo tempo uma expressão como se tivesse visto algo que não gostou.
Derek sorriu como se risse e depois se virou na direção de Nate.
– Bem-vindo de volta, Nate.
– Não sou muito bem-vindo aqui – o garoto disse entrando na sala e colocando a adaga sobre o balção onde Derek tinha se apoiado antes.
Ele olhou para Melissa e continuou assim por um tempo, até perguntar:
– O que você faz aqui?
– É isso? – Melissa perguntou. – Nem um “Que bom ver você?” ou algo do tipo?
– Por que eu diria isso?
– Sei lá – Melissa disse em um tom baixo. – De qualquer jeito, esse garoto me disse sobre as Sete Casas e o que reina nelas. Isso é idiotice, né Nate?
O garoto riu de Melissa.
– Idiotice? Disse a garota que consegue evocar caveiras.
– Você acabou de dizer igual à ele – Melissa disse com uma cara emburrada e cruzando os braços.
– Então, Nate – Derek disse. – Conseguiu algo importante?
Nate tirou a jaqueta jeans e jogou sobre uma das camas e sentou à mesa.
– Mesmo com nós seis reunidos – Nate disse. – Será mais fácil de entrarmos no centro de pesquisa e resgatarmos Stephanie. Eu consegui resgatar Connor com Harley, isso porque ele ainda nem tinha entrado lá. Também achei um mapa do centro de pesquisas.
– Como? – Melissa perguntou.
– Eu tenho meus meios, ok? – Nate a olhou. – Harley e Connor vão chegar daqui a pouco.
Nate olhou ao redor.
– Ótimo.
– O quê? – Melissa perguntou.
– Seu irmão não está aqui.
Melissa bufou.
– O que vocês têm contra meu irmão, caramba? É “não deixe ele te seguir” ou “seu irmão não está aqui, que ótimo”. O que ele fez?
– O que ele ainda vai fazer – Nate levantou e se aproximou de Melissa, ficando próximo demais dela e Melissa tendo que encostar na parede. – Você não conhece sua própria família?
– O que quer dizer com isso? Me dê espaço! Parece que vocês gostam de me deixar sem respirar – Melissa desviou de Nate e se afastou dele, fazendo-o virar-se na direção dela.
– Seu pai, sua mãe e seu irmão. Todos eles estão prontos para matá-la – Derek disse antes de Nate.
– O que você quer dizer com isso? Eles nunca fariam uma coisa dessa.
– Eles não sabem sobre o passado deles e nunca imaginaram porque eles não herdaram o que você herdou – Nate respondeu. – Quando Jackson descobriu o que você fez, as coisas vão piorar para você. Seu pai trabalho no exército, assim que aquele idiota do seu irmão contar à ele sobre você e nós, vamos todos morrer. Eles não vão hesitar em nos matar.
– Perai. Se fosse assim, vocês não contariam nada à Jackson sobre vocês.
– Porque achamos que ele fosse o escolhido, não você.
– Por que seria ele e não eu?
– Porque você é medrosa, chora por tudo e pergunta sobre tudo.
Melissa fez uma expressão emburrada.
– Uau. Isso realmente doeu.
– Agora que sabemos que ele não é o escolhido, também descobrimos durante essa semana o que ele realmente é. Ficamos observando-o e ainda estamos. Se ele ousar pensar em dizer sua verdadeira identidade, vamos matá-lo sem hesitar.
Melissa agarrou a mochila.
– Eu cansei de ouvir essas histórias de bruxos, matar meu irmão e que minha família vai querer me matar. Vou embora.
Ela apressou o passo até a porta, mas foi interrompida por uma enorme dor de cabeça e um agudo barulho que a torturaria até a morte. Ela sabia que era Derek causando isso.
Ela se deixou cair de joelhos e tentou não gritar pelo barulho.
– Pare – Melissa disse em um tom baixo.
– O quê? Não estou ouvindo – Derek disse com um tom provocador.
Melissa o olhou e gritou:
– Pare!
No mesmo instante que disse isso, o chão abriu e novamente dois esqueletos ergueram-se do chão com fuzis em mãos e vestindo roupas militares.
Derek sorriu.
– Precisa depender menos do seu poder – disse ele quando o barulho sumiu para Melissa, mas ela continuava com a dor de cabeça.
Derek se aproximou dela e a obrigou a levantar, pegando-a pelo braço mesmo ela ainda tampando os ouvidos.
– Você precisa aprender mais como não usar seu poder à toa – disse ele. – E também como não chorar por tudo, não perguntar tudo e não ficar com medo de tudo. Deixar de ser criança.
– Vocês querem me matar? – Melissa perguntou quando largou os ouvidos, mesmo um dos braços sendo segurado por Derek.
– Não. Quero ensiná-la a ser menos criança. Caso contrário, você vai morrer nas mãos dos militares.
Melissa o fitou com um olhar ameaçador.
– Nós não temos medo de um olhar ameaçador de uma garotinha. Cão que ladra não morde – Derek disse com um sorriso desafiador.
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