Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
6 Capítulo 6: Mergulho na lava
Sobrevoando a cidade, Akuma seguia em direção ao vulcão das chamas azuis. Enquanto isso, sobre o lobo, Sayo notava que Midori estava um tanto quieta, com a expressão de seu rosto um tanto emburrada. Não foi apenas a guardiã do fogo notou, as demais também haviam percebido isso. Desta forma, ainda que discretamente, a guardiã de cabelos avermelhados se aproximou de Midori, sentou-se do seu lado e perguntou:
— Está tudo bem?
— Está –Respondeu virando o rosto para o sentido oposto, meio constrangida, se lembrando que todos haviam presenciado a cena do seu primeiro beijo
Notando que a mesma ainda estava constrangida pelo o ocorrido na noite anterior com Tsuchii, Sayo soltou uma leve risada.
— Não precisa ficar assim, todas nós já passamos por isso –Comentou cobrindo os lábios –Relaxa, o primeiro beijo nunca é o idealizado
— É verdade –Comentou Hikari rindo lembrando-se do seu primeiro beijo aos quatorze
— Ela tem razão, normalmente é terrível –Riu Taiyoo se lembrando seu –Não esquenta
— Quando for mais velha vai acabar rindo desta situação –Comentou Ayaka rindo – Mas conta, o que achou? –Perguntou curiosa se aproximando da jovem
— Aproveita que estamos entre garotas –Disse Sayo dando uma piscada para a detetive –O Tsuchii beija bem? –Perguntou rindo
— Vocês viram como aconteceu? –Perguntou de braços cruzados –Aquilo não foi um beijo, só estávamos colados um no outro –Respondeu
— Ownn! –Responderam todas ao mesmo tempo
— Parem com isso! Já chega! –Pediu nervosa
Enquanto isso, atrás de Akuma, estavam os guardiões, ainda montado em Ryu no Mizu, que agora sobrevoava os céus. Tsuki estava de pé, observando a paisagem, enquanto Tsuchii e Akio estavam sentados nas costas do dragão.
Ainda notando que o guardião da terra se encontrava meio desanimado, cabisbaixo, Akio o chamou:
— Ei Tsuchii, o que houve?
— Hã? O quê? –Perguntou despertando de seus pensamento
— Não falou nada desde que levantou –Comentou estranhando –Aconteceu alguma coisa que não vimos? –Comentou em tom malicioso cutucando-o
— Não diga besteiras! –Respondeu corado –Dormimos na mesma cama porque não tivemos escolha! Não aconteceu nada demais! Nada! –Respondeu enfurecido
— Tá legal, tá legal! Não precisa ficar nervosinho –Respondeu rindo –Mas então por que está assim? Ainda foi pelo o que aconteceu ontem? –Perguntou
Ao se lembrar da palavras de Midori, Tsuchii não sabia explicar a razão, mas sentia o seu corpo gelar violentamente. Mas o mesmo podia estar se preocupando atoa, afinal, a detetive não tinha nenhum pretendente, pois ela dispensava todos. De qualquer forma, queria a opinião de alguém experiente, como os guardiões que ali estavam.
— Hoje nós tocamos no assunto, sobre o que aconteceu ontem –Comentou um tanto corado –Eu perguntei o que ela achou do nosso primeiro beijo
— Uau…isso é muita coragem –Comentou Akio surpreso
— É um idiota, isso sim –Respondeu Tsuki braços cruzados
— Eu sei…-disse abraçando o próprio corpo, ainda no canto do dragão –Eu sinto muito…
— Dá um tempo, Tsuki –Respondeu Akio emburrado para o guardião da lua –Ele é só adolescente! Continua –Pediu Akio vendo o guardião da terra se aproximar de ambos novamente
— Eu perguntei se ela tinha gostado, confessei que talvez não tenha sido do jeito que ela idealizou, mas que não deve ter sido tão ruim
— Pelo menos foi sincero –Disse guardião das águas tentando anima-lo
— Foi um idiota –Respondeu Tsuki ainda de braços cruzado, encarando o horizonte
— E o que ela disse? –Perguntou Akio curioso
— Ela disse…que como foi o primeiro beijo dela, não tinha parâmetros para comparar. Que teria que ficar com outros, para me dar uma resposta depois –Disse gelando, contaminando o ambiente
Ao ouvir aquelas palavras saírem da boca do guardião da terra, ambos ficaram chocados com a resposta da detetive. Afinal, não era qualquer garota da sua idade que tinha uma resposta daquelas na ponta da língua, a jovem era bem inteligente.
— Mas você abriu uma brecha… –Comentou Tsuki –Não tem mais volta, esquece essa garota e parte para outra. Tá cheio de mulher no mundo –Respondeu
— Ignora o Tsuki, ele é um frustrado, a verdade é essa –Respondeu Akio
— Eu sou um homem livre, é diferente –Respondeu o guardião da lua
— Tsuchii, você dois ainda são muito novos, vão conhecer muitas pessoas –Respondeu tentando consola-lo – Ela não deixa de ter razão e, de certa forma, isso serve para você também. Isso não significa, que você tenham que sair por ai passando o rodo em geral
— Como não? –Perguntou o guardião da lua –Fala sério, você tá parecendo o seu pai. Quanta chatice
— Tsuki, se você não calar a boca, eu vou te derrubar deste dragão! –Gritou o guardião das águas enfurecido – Continuando, eu não estou dizendo que algo não possa acontecer entre vocês dois, mas que se for ver por esse ângulo, vocês dois ainda são muito inexperientes e só vão adquirir experiência ficando com outras pessoas
— Aquele beijo só aconteceu por conta da fita –Respondeu corado –Não significou nada, além do nosso primeiro beijo
— Então por que está tão preocupado? –Perguntou Akio malicioso –Tsuchii, você tem que admitir, está gostando dela, não é?
— Não! Não estou! –Respondeu nervoso
— É um caminho sem volta –Respondeu Tsuki –Ele tá perdido
— Parabéns, você descobriu o seu primeiro amor –Comentou Akio com um leve sorriso
— Vocês estão dizendo isso! Eu não disse nada! Me deixem em paz! Droga! –Pediu nervoso ainda cruzando os braços, se virando para o lado oposto aos guardiões
Não demorou para que Akio visse a guardiã do fogo sinalizar para que o mesmo pousasse na mata próxima ao vulcão. Desta forma, o guardião pediu para que o seu dragão fizesse o mesmo que Akuma.
Imediatamente Ryu no Mizu o obedeceu, pousando ao lado do lobo de fogo, que já estava no solo.
Akio notou que as meninas estavam bem animadas, conversando entre si, mas que Midori parecia um tanto aborrecida. Já Sayo, que agora saltava de Akuma, notava que o guardião da terra estava com uma cara bem emburrada.
Assim que todos desceram dos animais celestiais, os guardiões dispensaram ambos, que retornaram para o mundo celestial.
Logo Sayo se aproximou de Akio e perguntou:
— Aconteceu alguma coisa com o Tsuchii?
— Coisa de adolescente –Comentou soltando um risada debochada –A Midori também não parece muito bem
— Acho que ela tem o mesmo problema do Tsuchii –Deu as costas enquanto soltava um leve risada –Mas já passamos por isso, certo?
— Tem razão –Concordou soltando um meio sorriso enquanto a seguia
Caminhando pela mata que levava até o vulcão, o grupo notava que vegetação daquela região, ao mesmo tempo que era bastante típica, era bastante atraente. Folhagens, pétalas, folhas, tudo puxava para cores mais quentes.
Ainda assim, por mais curioso e até mesmo atraente que aquele ambiente aparentasse ser, o grupo precisava se atentar, afinal, as plantas eram bastante traiçoeiras.
— Tomem cuidado com as plantas desta mata –Alertou Sayo –Há uma espécie que cospe ácido em ebulição. Se você respirar esse ácido, pode corroer os seus órgãos internos. Se virem qualquer planta emanando um espécie de névoa rosa, se afastem imediatamente ou na pior das hipóteses, cubram o nariz com um tecido –Orientou
— Ouvi dizer que a floresta do fogo é uma das mais perigosa; mas não imaginei que fosse pela vegetação –Comentou Akio –Não há rumores que Hi Yasui tinha um esconderijo por aqui? –Perguntou curioso
— Hi Yasui? –Perguntou Tsuchii –É parente da Sayo? –Perguntou encarando-a
— Segundo o meu pai é o meu tio por parte de mãe –Comentou –Mas depois que minha mãe morreu, ele desapareceu. Uns acreditam que ele esteja escondido em um dos seus esconderijos, outros que ele tenha se suicidado
— Que triste –Comentou Hikari –Nunca se preocupou em saber mais sobre isso?
— Já, mas o meu pai não gosta de tocar nesse assunto –Suspirou –Ele diz que lembranças dolorosas devem ser esquecidas e que devemos apenas recordar das boas
— Então o seu tio era uma pessoa má? –Perguntou Tsuchii –Que estranho, já li a respeito dele
— Nossa, você lê, que surpreendente –Comentou Midori, ainda que debochada
— Não enche o saco! –Mandou nervoso –Enfim, de fato, ele foi um saqueador muito temido durante a era de Diamante, mas também foi um grande guardião. Ele fez história na guerra contra o país da luz, sabia?
— A guerra da luz…—Pensou Tsuki seriamente — …se soubessem, essa guerra foi muito mais marcante do que está anotado nestes livros…
Ao notar o guardião da lua pensativo, agora com a feição seria, Taiyoo perguntou:
— Tudo bem?
— Claro –Respondeu indiferente –Só estava pensando sobre o que o garoto disse…
— Chegou a presenciar? –Perguntou seriamente –A guerra da luz?
— Não; mas o meu mestre sim –Respondeu com o olhar sério –Não é politicamente correto dizer isso; mas aquele povo precisava ser exterminado
— O que quer dizer? –Perguntou Hikari curiosa
— Se leram sobre a história deste povo, sabem que eram extremistas, fanáticos por Diamante –Respondeu –Aqueles que não seguissem o seus ensinamentos à risca, seriam considerados pecadores e exterminados
— O povo da luz acreditavam que todos fora de seus país eram pecadores –Comentou Midori –Desta forma, decidiram que a melhor forma de limpar o mundo, seria eliminando estes “pecadores”
— A segunda linhagem de guardiões foram os responsáveis pelo extermínio do povo da luz –Comentou Akio –Tentõ Tomoe, Mizu Asuya, Kaze Kazehiro, Taiyo Toshio, Tsuki Seiji, Chairo Lin e Hi Yasui
— Não apenas eles colaboraram para que isso acontecesse –Comentou Tsuki –Os Shirois contribuíram e muito
— Os Shirois?! –Perguntaram todos surpresos
— Acho melhor pararmos por aqui –Disse Tsuki passando pelo guardiões
Agora todos continuavam caminhando em direção ao vulcão, ainda em silêncio. Chegando no topo, Tsuchii começava a se equipar para mergulhar naquela lava escaldante, ainda protegido pela barreira de Hikari.
— Eu não sei porque eu preciso fazer isso –Resmungou enquanto Akio o ajudava – É ridículo
— Quer parar de resmungar? –Pediu Akio ajudando-o –É necessário, sabia?
— Necessário para quem?! Deixe essas safiras quietas!
— Escuta, pensa que o povo da cidade vai comentar o quão valente foi o agente da Rokutsuchii de mergulhar neste vulcão. Você pode até ser promovido depois disso, sabia? Afinal, de certa forma, você está em uma missão da agência em que trabalha –Sussurrou –Fala sério, vai perder a oportunidade mostrar para Midori que você pode ser mais corajoso do que ela? –Perguntou cutucando-o
— Tá! Você venceu –Resmungou –Crie logo esse escudo Hikari, antes que eu mude de ideia! –Mandou já equipado
Antes que Hikari criasse o seu escudo de força, todos sentiram um forte tremor naquele vulcão.
— O que é isso?! –Perguntou Akio se equilibrando
— Kaizan! –Gritou Sayo –Não estava selado?! –Perguntou aflita
O tremor foi ficando cada vez mais forte, dificultando para que os guardiões manter o equilíbrio sobre o solo. Em um intervalo do tremor, o guardião da terra que havia se levantado para se deslocar para um ponto mais seguro, porém, logo se iniciou um tremor mais forte, que o derrubou dentro do vulcão.
Ao ver o guardião caindo, Akio correu rapidamente, ainda com dificuldade, tentando segura-lo, enquanto chamava o seu nome:
— Tsuchii!!!
— Akio!!!
— Tsuchii!!! –Gritou Midori cobrindo os lábios com as mãos
Agora Tsuchii se via prestes a mergulhar naquela lava, ainda sem a barreira de Hikari. Fechando os olhos, já imaginando ser o seu fim, o mesmo se sentiu ser envolvido pela barreira de luz da amiga. Ao abrir os olhos, o mesmo se surpreendeu por ainda estar vivo, mesmo de baixo daquela lava.
— Funcionou! Certo, não posso perder mais tempo —Pensou nadando naquela lava, tentando chegar na parte mais funda do vulcão, onde se localizava o monstro celestial.
Quanto mais Tsuchii nadava, mais quente ficava o ambiente. O guardião da terra transpirava enquanto buscava forças para continuar.
Ainda com os olhos arregalados, o mesmo parava, diante a uma gigantesca estrutura óssea, de um ser que ele nunca havia visto, ilustrado em nenhum livro. Muito embora não houvesse ilustrações ou fotografias daquele ser gigantesco, haviam relatos, que descreviam a sua aparência, que batia exatamente com a estrutura óssea que o mesmo estava visualizando.
— Kazan no Kemono—Pensou ainda parado diante o esqueleto do monstro celestial
O mesmo agora dava a volta naquela enorme besta celestial, encarando-a ainda abismado com o seu tamanho, imaginando como foi para os guardiões da geração da era de diamante, confrontar aquele monstro gigantesco.
Enquanto o visualizava, Tsuchiii notou que em seu interior, no centro de seu estomago, um ponto vermelho brilhava.
— O que?—Se perguntou tentando identificar o que era aquilo que brilhava no estomago da besta
Não demorou para que o guardião se aproximasse mais daquele ponto luminoso no interior do monstros, passando entre aqueles gigantescos ossos das costelas, que parecia mais um monumento.
Na medida que o mesmo ia se aproximando, a luz vermelha ia ficando mais intensa e o calor ia aumentando. Não demorou para que o mesmo reconhecesse, enfim, aquele ponto de luz que estava brilhando: a safira do fogo.
Automaticamente, o mesmo tentou encostar na joia, mas imediatamente teve a sua mão direita queimada, soltando um leve gemido de dor.
Desta forma, o mesmo usou a sua magia de terra, como foi combinado com a equipe, e envolveu a safira. Com o calor, aquela terra endureceu, permitindo-o pegar a safira com mais facilidade.
Já com a mesma em mãos, o mesmo agora sentia sua pele arder, sinal que a barreira de Hikari estava começando a enfraquecer. Desta forma, o mesmo nadou rapidamente até a superfície do vulcão, ainda carregando a safira.
No topo do vulcão, ainda aflitos pelo guardião não ter retornado, o grupo aguardava. Midori, ainda ansiosa, andava de um lado para o outro, impaciente, pensando que nunca se perdoaria se algo acontecesse ao amigo. Foi ela quem teve a ideia idiota dele pular naquela lava escaldante, se ele não voltasse, ela teria que conviver com essa culpa o resto da vida.
Ao notar o quão aflita a detetive estava, Akio colocou a mão em seu ombro e tentou acalma-la:
— Eu tenho certeza que ele está bem
— Akio…e se ele não voltar…? -Perguntou tremula
— Não teríamos tanta sorte –Comentou Tsuki debochado, ainda com os braços cruzados, encostado em uma rocha –Vazo ruim não quebra
Não demorou para que Taiyoo visse algumas bolhas se formando em uma área do vulcão. Neste momento, a mesma chamou o grupo:
— Pessoal! Olhem isso!
Logo todos se juntaram na beira do vulcão e não demorou para que vissem o guardião da terra sair, ainda envolvido pela barreira criada por Hikari, que por sua vez, continuava focada em mantê-la ativa.
— Sobreviveu! –Disse Sayo surpresa
— Eu não disse? –Perguntou Tsuki com um meio sorriso – É impressionante a resistência destes guardiões…talvez eu esteja enganado a respeito desta geração—Soltou um meio sorriso ao ver que Tsuchii havia sobrevivido a uma temperatura daquelas
Agora Hikari o trazia de volta para a superfície rochosa do vulcão, onde os demais se encontravam. Já em terra firme, a mesma desfazia a barreira, enquanto o mesmo se deitava no chão ofegante.
— Nossa… sinto como se tivesse saído de uma piscina –Comentou o guardião da terra ofegante –Que loucura –Disse ainda transpirando
— A pressão no vulcão devia estar muito alta –Comentou Sayo –Estou surpresa que tenha sobrevivido! Isso é sinal que está em ótimas condições físicas
— Se não fosse a barreira da Hikari, eu teria virado churrasquinho –Riu –Valeu Hikari! Te devo uma! –Agradeceu
— Por nada –Respondeu transpirando um pouco pela quantidade de ki liberada naquela barreira, ainda soltando um doce sorriso
Agora o guardião da terra se recordava que havia conseguido recuperar a safira do fogo. Desta forma, o mesmo a pegou, ainda envolvida pelo barro seco e entregou a Sayo:
— Aproposito, acho que isso pertence a você, Sayo
— Hm? –Estranho tocando na safira
Ao encostar na joia, uma forte luz vermelha se manifestou, quebrando aquele escudo barro criado por Tsuchii. Desta forma, a guardiã do fogo sentiu o calor da joia aquecer o seu coração, como se a mesma estivesse abraçando-a.
— A safira do fogo –Respondeu abraçando-a – Tão quentinha…
— Tá mesmo abraçando essa coisa? –Perguntou o detetive estranhando – Quase queimei o meu dedo nessa negócio
— Você não a entende –Disse abraçando-a –Esse calor são as doces memórias, de todos os guardiões que as protegeram…
— Já ouvir algo a respeito –Comentou Ayaka soltando um leve sorriso – Dizem que os cristais guardam memórias de cada guardião e chegam a possuir uma alma própria
— Alma? –Perguntou Tsuchii encarando Ayaka
— Ninguém sabe onde essas almas se encontram, apenas os deuses –Explicou Tsuki – Os cristais contém a energia dessas almas que estão vagando em algum lugar. Em algum momento da história, essa energia foi transferida aos humanos, para que eles protegessem essas joias
— Espera, eu não estou entendendo –Disse Tsuchii confuso –Quer dizer que os cristais são seres celestiais
— Isso é uma lenda milenar, contada no templo Tsuki –Explicou –No início dos eras, safira possuía os seus conselheiros, conhecidos como oráculos. Não se tem o número exato de quantos eram próximos do deus. O mesmo também contava com sete guardiões dos seus filhos
— Sete guardiões? –Perguntou Akio curioso – E quem eram?
— Isso também um mistério, desde a revolução dos oráculos –Respondeu suspirando –Tudo o que se sabe, segundo os registros Tsuki, é que houveram oráculos que foram condenados. Parte destes se tornaram monstros celestiais, ou seja, Jigoku, Kazan e Kaigun no Kemono
— E os outros? –Perguntou Hikari –Tem haviam mais oráculos, certos?
— Não se sabe –Suspirou – Enfim, desde a revolução dos oráculos, a alma do guardiões sumiu misteriosamente, deixando apenas o rastro de sua grande energia. Como Safira estava construindo mundos para os seus filhos, então resolveu distribuir essas energias entre vinte e uma joias.
— Esmeraldas, Rubis e Diamantes –Respondeu Midori pensativa
— Exatamente –Assentiu com a cabeça –Porém, o humano que tocasse nestas joia, absorveria parte desta energia, tornando-se um guardião, recebendo para si a responsabilidade, não só de proteger o cristal, como de transferir os poderes futuramente há um sucessor
— Uau, isso é incrível –Disse Tsuchii
— Impressionante –Comentou Akio
— Como eu disse, é algo milenar –Respondeu –Além disso, as joias juntam memórias importantes da vida de seus guardiões, sejam elas memórias especiais ou dolorosas. Por isso, tomem muito cuidado com o que fazem na frente dos cristais –Soltou um sorriso malicioso, encarando Tsuchii e Midori
— Por que está me olhando assim? –Perguntou o guardião da terra murmurando
Agora Akio encarava Midori, notando que a mesma ainda estava assustada pelo o que havia acontecido com o amigo. Sendo assim, o guardião das águas se aproximou da detetive e comentou discretamente:
— Ei, vai falar com ele
— O quê? –Perguntou corada
— Aproveita –Aconselhou dando um piscada para a mesma –Vocês estava preocupada com ele, não estava? Ele vai gostar de saber
Ainda de cabeça baixa, meio corada, a mesma se aproximava do guardião da terra, se abaixava até o mesmo, tirava um lenço rosa de seu bolso e começa a limpar o suor que escorria em seu rosto, ainda emburrada:
— Seu irresponsável…
— O quê? –Perguntou meio corado ao vê-la limpando o seu suor – O que está fazendo?
— Como é? –Perguntou parando
— Isso é estranho, para com isso –Pediu desviando o olhar corado
Agora todos se encontravam chocados com tamanha grosseria do guardião da terra com a detetive, que estava limpando o suor do seu rosto, ainda que com carinho. Será que ele tinha problema? Ou o seu cérebro havia derretido no meio daquela lava.
A mesma agora o acertava com um forte tapa no rosto, surpreendendo, enquanto todos observavam chocado com a ousadia da mesma. Ainda enfurecido, o detetive perguntava:
— Você é louca garota?!
— E você?! Não fique se achando por ter recuperado um safira! Só sobreviveu por causa do escudo da Hikari e dos treinos constantes que faz no templo e na agencia! Quer saber, para um detetive, você tem se mostrado bastante irresponsável
— Ora, será que está com inveja? O setor de investigação já é meu! –Respondeu soltando um sorriso vitorioso –Chikaku ficará orgulhoso em sabe que eu mergulhei em vulcão para cumprir uma missão
— Você não mergulhou! Você caiu lá dentro contra vontade! Por conta do tremor e por estar distraído! –Respondeu enfurecida
— Olhaa…ela tem razão –Comentou Akio pensativo
— Razão?! Ela está viajando! –Respondeu enfurecido – Você é insuportável!
— Ei, pode parar –Mandou Akio seriamente se colocando entre ambos, ainda encarando o guardião da terra –Tsuchii está começando a passar dos limites
— Eu?! Ela me acertou com um tapa!
— E se você não calar a boca eu vou te acertar com um soco! –Gritou autoritário, calando o guardião de imediato –Você foi ótimo no vulcão, mas isso não muda o fato de que nos deixou preocupado aqui em cima, sabia? Não pode agir por conta própria, somos um grupo, devemos satisfações uns aos outros. Midori ficou aflita, enquanto você estava bancando o “herói” lá embaixo –Contou ainda que seriamente
Surpreso, Tsuchii encarava a detetive, que ainda emburrada desviava o olhar corada. Ainda sem graça, após saber da preocupação de todos com ele, o guardião da terra abaixou a cabeça, ainda se desculpando com a amiga:
— Eu sinto muito…eu não quis te preocupar…
Não demorou para que o mesmo visse os pés de todos darem as costas para ele, ainda pensando que todos estavam ignorando as suas palavras. Afinal, o que eles queriam, mais? Ele já estava se desculpando com a amiga.
— Olha, eu já pedi desculpas –Fechou os olhos, tentando buscar a sua paz interior, já impaciente
Ao olhar para frente o mesmo viu que o grupo estava cercado por saqueadores da região das chamas azuis. Já em posição de batalha, os guardiões estavam prontos para contra-atacar aqueles bandidos.
— Quem são vocês? –Perguntou Sayo seriamente, já invocando o arco e mirando a flecha nos saqueadores
— Devolva a safira –Mandou um dos saqueadores, ainda que seriamente – Ela não pertence a vocês!
— Do que estão falando? –Perguntou Sayo desconfiada –Eu sou a guardiã do fogo e estes são os guardiões das demais safiras. Nós temos autorização para retirar está safira –Comunicou
— Acho que você não entendeu moça –Respondeu o líder da gangue caminhando um pouco mais a frente e logo parando –Independente de quem tenha dado essa autorização, vocês não podem retirar essa safira do vulcão, isso é uma ordem direta do nosso líder, Hi Yasui. Dono das massas, se é que me entender –Riu com um tom de deboche
Os guardiões agora encaravam aqueles saqueadores se aproximarem deles, ainda com risadinhas debochadas. Não demorou para que um dos saqueadores começasse a batalha, partindo para cima da guardiã do fogo.
Em rápido movimento, Sayo se esquivou do golpe acertou o adversário com o arco que estava em sua mão direita, deixando-o inconsciente. Outro vinha pela frente da guardiã, que imediatamente o acertou com um chute do peito. Ao ver que Ayaka estava cercada por seis saqueadores, Sayo invocou seis flechas de fogo e mirou do adversários da amiga, acertando-os.
— Obrigada, Sayo! –Agradeceu Ayaka com um sorriso, acertando um saqueador que tentava ataca-la por trás
— Disponha –Respondeu com um meio sorriso
Ayaka agora via mais uma remeça de saqueadores partindo em sua direção. Sendo assim, a mesma invocou um de seus ciclones, que agora pegava os bandidos, que agora soltavam gritos desesperados, lançando-os para longe.
Do outro lado no topo do vulcão, Tsuki lutava contra mais uma remeça de saqueadores, utilizando golpes de combate corpo a corpo. Ao ver um se aproximar por trás, o mesmo invocou o seu shakujõ e acertou a sua cara, fazendo-o cair inconsciente no chão.
— Que perda de tempo –Comentou o guardião da lua massageando o pescoço
Enquanto isso, próximo de onde estava, Midori lutava contra aqueles saqueadores usando golpes de combate corpo a corpo. Após acertar um saqueador com um forte soco, a mesma se virou e acertou o outro com um forte chute no estômago.
De costas para a amiga, Tsuchii cuidava de outro grupo de bandidos da mesma gangue. O mesmo agora encostava as suas mãos no solo, criando um forte terremoto onde os saqueadores estavam pisando, derrubando-os no chão.
Sem demoras o mesmo correu rapidamente até o mesmos e começou a pisar na cara destes, um por um, como se fossem pedras.
— Opa! Me desculpem, eu não vi vocês ai –Respondeu debochado
Ao se virar para trás, viu que um saqueador estava prestes a agarra Midori pelo pescoço. Rapidamente o detetive correu até ambos, puxou o saqueador, acertando-o com um forte soco no rosto, deixando o mesmo inconsciente.
— Nem pense nisso –Disse seriamente
— Hm? –Perguntou Midori vendo o detetive segurando um saqueador –O que você disse? –Perguntou
— Está sendo um bom aquecimento –Riu enquanto jogava o corpo do saqueado que havia golpeado de lado, tentando disfarçar –Uma aposta? Quem derruba mais?
— Valendo? –Perguntou interessada
— Um quarto para uma pessoa no próximo hotel que nos hospedarmos – Sugeriu –Claro, no caso de não ter quartos o suficiente e um ter que dividir com alguém –Riu
— E quem vai contar? –Perguntou desconfiada
Logo mesmo olhou em volta e viu Tsuki derrubando mais um saqueador. Não demorou para que o chamasse:
— Ei! Tsuki!
— O que você quer? –Perguntou caminhando até os detetive
— Pode contar quantos saqueadores cada um de nós, derrubamos? –Perguntou a detetive confiante
— Parece interessante –Soltou um meio sorriso –Valendo a partir de agora
Logo Tsuki invocou duas luas com contadores, que agora começavam a contabilizar quantos saqueadores cada um conseguia derrotar.
Enquanto isso, no meio da mata, ainda com o seu báculo, Taiyoo o erguia para o sol, provocando um grande clarão na floresta, cegando os oponentes. Neste momento, a mesma aproveitou, correu na direção de cada um, acertando-os com chutes e socos, derrubando-os no chão.
Próximo do ponto onde Taiyoo se encontrava, Hikari lutava ao lado de Akio. A mesma acertava os bandidos com seu cetro e os cegavam usando sua magia de luz. O guardião das águas por sua vez, usava golpes de combate corpo a corpo, derrubando-os um por um no chão.
Após um tempo enfrentando aqueles bandidos, o grupo se encontrou novamente no topo do vulcão. Ainda exausto, Akio agora massageava os ombros, comentando com os amigos
— Nossa, já faz um tempo que não luto desse jeito
— Tem razão –Comentou Sayo estalando os dedo
O grupo não sabia, mas agora eram observados por alguém que mantinha a sua energia ocultada. Muito embora tentasse disfarçar, Tsuchii olhou para trás desconfiado, com se algo estivesse próximo a eles.
— Algum problema? –Perguntou Ayaka ao rapaz
— N-Não… -Respondeu ainda tentando disfarçar –A propósito Tsuki, como ficou o resultado? –Perguntou o guardiã da terra empolgado
— Resultado? –Perguntou Taiyoo ajeitando o cabelo
— Fizemos uma aposta, quem perder divide o quarto no próximo hotel que nos hospedarmos, caso não tenha quartos o suficiente –Explicou Midori – Vence quem tiver derrotado mais saqueadores
— Nossa, que brincadeira saudável –Comentou Sayo irônica –Vamos ver o placar, então
— Eu tenho certeza que venci –Respondeu Tsuchii confiante –Meu terremoto derruba vinte de uma vez
— Tsuchii, 100 –Anunciou Tsuki –Midori, 120
— Como é que é?! –Perguntou chocado – Quero uma recontagem! Essa lua deve estar quebrada!
— É bom pesquisar um hotel onde os colchões sejam bem confortáveis, Tsuchii –Respondeu a mesma soltando uma risada debochada –Já que eu vou estar dormindo em uma cama quentinha, toda pra mim
— Espaçosa do jeito que é para dormir, tem que ter uma cama só para você mesmo –Murmurou inconformado – Eu usei o terremoto…como pode? Que droga!
— Você se esquece que essas técnicas levam um tempo até serem executadas –Explicou Akio –Nestes curtos intervalos, Midori deve ter mato uns três saqueadores de uma vez. Dependendo da quantidade de vezes que você usou essa técnica, é… eu diria que de 2 em 2… ela foi chegando aos 120 –Explicou Akio rindo
— Impossível! –Gritou Tsuchii enfurecido
Não demorou para que o guardião da terra sentisse aquela estranha energia rondando-os novamente, ficando cada vez mais desconfiado, agora olhando para trás, procurando pelo portador daquela energia.
— O que foi? –Perguntou Hikari estranhando a reação do mesmo
— Nada –Respondeu passando pelos guardiões ainda contrariado com aquele resultado – É melhor voltarmos
Desta forma, Akio invocou Ryu no Mizu e Sayo, Akuma. Os guardiões montaram em Ryu no Mizu, enquanto que as guardiãs e Midori montaram no lobo celestial. Sem demora partiram em direção ao palácio real, na cidade das chamas douradas, para que se despedissem do atual imperador do país.
Chegando no local, agora dentro do palácio, na sala do trono imperial, Sayo conversava com o seu irmão, enquanto que os amigos esperavam pela a mesma, próximos a porta.
— Obrigada por tudo, Ryujin –Agradeceu Sayo –Depois apareça em Haru, os meninos sentem a sua falta
— Quando eu arranjar um tempo –Respondeu dando um meio sorriso
Quando a irmã estava se virando para juntar-se aos demais, para que assim seguissem adiante com sua viagem, Ryujin se lembrou que precisava entregar algo a guardiã do fogo.
— Sayo!
— Hm?
Agora o mesmo caminhava até a irmã e tirava dos bolsos um par de luvas de couro. Em seguida, o mesmo entregava a irmã e dizia:
— Esse par de luvas era de nossa mãe. Elas tem uma alta resistência ao fogo, será útil quando utilizar um golpe envolvendo golpes de combate corpo a corpo e magia de fogo
— Obrigada, Ryujin –Agradeceu emocionada
Agora Sayo dava meia volta e o grupo agora partia de volta a sua aventura, em busca das sete Safiras.
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