Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

4 Capítulo 4: O estranho caso no vulcão das chamas azuis


Enquanto isso, em um hotel qualquer, Akio descansava sobre a cama de seu quarto, enquanto pensará no que a esposa e a filha estariam fazendo naquele momento. Será que Harumi estava comendo direito? Será que a Miyu estava tendo problemas para lidar com a filha? Ambas tinha os o temperamento bastante parecido, não era difícil uma se estressar com a outra.

Logo o mesmo se levantou da cama e agora caminhava até a janela de seu quarto, observando o movimento da rua, enquanto pensava sobre as safiras e o tal oráculo que havia tomado conta do corpo de sua filha há algumas semanas atrás.

Ainda que fosse para nos notificar sobre a situação dos cristais…eu não consigo entender…porque aquele oráculo não tomou o corpo de um adulto? Ou o corpo de Ken ou Meguri? Afinal, eles também encostaram na joia para escondê-la…

Agora o guardião ouvia alguém bater na porta, respondendo:

— Está aberta

Logo Tsuki entrou no quarto do guardião, que ainda encarava o movimento da rua. Não demorou para o guardião da lua notar a preocupação do guardião das águas.

Agora encostando na coluna da parede, ainda de braços cruzados, o mesmo perguntava:

— Qual é o problema? Está com medo por um acaso?

— Medo? –Perguntou Akio com um sorriso irônico –Acho que depois do que eu vi há oito anos atrás, mais nada me assusta

— Você é um garoto –Respondeu rindo, agora se sentando na poltrona que havia no quarto

— Como é?! –Perguntou Akio nervoso

Agora Tsuki se recordava das cenas horríveis que havia presenciado no templo Tsuki, onde se encontravam os monges Tsuki, que eram os mais reconhecidos em todo o mundo. Não apenas isso veio a sua mente, como também as suas batalhas na época em que os guardiões de sua geração ainda eram vivos, da época que se infiltrou entre os subordinados de Demon.

— Akio, você se lembra de quando exatamente recebeu estes poderes? –Perguntou seriamente

— Não –Respondeu seriamente –Eu sempre os tive –Encarou as próprias mãos

— Você deve saber –Comentou – As pessoas não nascem com estes poderes. Eles são transferidos. No seu caso, o guardião que te transferiu estes poderes, fez isso quando você ainda era recém-nascido

— E quem é essa pessoa? –Perguntou Akio seriamente –Eu sempre perguntei isso ao sacerdote, até mesmo aos meus pais e a Mayumi; mas todos eles sempre me negaram em dar uma resposta –Comentou um tanto inconformado desviando o olhar

— Entendo –Respondeu com um meio sorriso – Se fizeram isso, foi para te proteger, não apenas a você, como os demais guardiões

— Do que você está falando? –Perguntou sem entender

— Houve uma época… em Demon queria nos impedir de invocar Cristal à qualquer custo –Respondeu se recordando –Ele estava eliminando todos os guardiões, então secretamente… arquitetamos um plano. Eu me infiltrei entre os seus servos e comecei a passar falsas informações, enquanto isso, os guardiões restantes da minha geração, passavam os seus poderes para pessoas aleatórias. Para a nossa sorte, grande parte eram bebês

— Bebês?

— Você, Ayaka, Sayo e até mesmo Tsuchii…todos receberam os poderes ainda recém-nascidos –Respondeu seriamente –Hikari e Taiyoo já eram crianças quando receberam esses poderes

— E você sabe quem me passou esses poderes? –Perguntou encarando –Foi o meu pai? Algum amigo dele?

— Foi o irmão mais velho –Contou encarando-o fixamente – Mizu Michiko

— O que? –Perguntou seriamente – Eu tenho um tio?

— Tinha, infelizmente foi morto pelo conselho de guardiões –Respondeu seriamente – Digamos que… ele tenha se envolvido com a guardiã da luz da época

— A mestra da Hikari?! –Perguntou chocado – Espera, esse tipo de relação…

— Exato –Respondeu –Ambos se amavam, mas foram pegos. Não precisa ser um gênio para descobrir o que aconteceu depois. Por sorte o seu pai conseguiu adiar a morte de seu tio por um tempo, até você nascer. Até onde me contaram, assim que você nasceu, Mizu te levou até o templo e lá você se tornou guardião

— Isso é loucura! –Respondeu enfurecido, ainda achando toda aquela história do guardião da lua absurda –Por qual razão os meus pais e a própria Mayumi esconderiam tal coisa?! Não faz sentido!

— Não fique assim –Pediu debochado –Em seu leito de morte, Kazehiro passou seus poderes a Ayaka e a Reiko fez o mesmo com a Sayo

— Tsuki… por um acaso…Shiroi Hajime… tinha algum tipo de ligação com a mestra de Hikari? Quero dizer… ambos viviam no clã Shiroi, pelo menos é o que eu imagino, já que o templo está naquele território

Agora Tsuki se levantava, deixando um ar de suspense no ar. Em seguida o mesmo deu as costas ao guardião e disse antes de abrir a porta:

— Eles eram como irmãos…afinal… Kyuri foi adotada. Eu não sei explicar essa história, seria melhor perguntar a Fujiro

Agora o guardião da lua se retirava do quarto, deixando o guardião sozinho novamente.

Akio agora voltava a encarar a rua da sacada de seu quarto, pensando sobre o que Tsuki acabará de lhe contar. Então o mesmo tinha um tio que passou-lhe os poderes de guardião das águas e este foi condenado por ter se envolvido com a mestra de Hikari? O guardião não cansava de se surpreender com as informações que Tsuki revelava a cada dia.

Enquanto isso no palácio de fogo, o grupo e o atual imperador do fogo se encontravam sentados na sala de estar, agora tomando um chá, enquanto Sayo explicava ao irmão mais velho a situação do cristais que haviam se transformado em safiras.

Escutando a história atenciosamente, Ryujin sentia como se estivesse voltando no tempo, quando sua mãe recebeu a missão de proteger o cristal do fogo das garras de Demon. Aquela situação trazia tantas recordações ao mesmo, boas e ruins.

— Agora eu entendo…estão as joias se dispersaram, certo? –Perguntou o imperador após tomar um gole de chá da xícara

— Exatamente –Respondeu a irmã –Ryujin, talvez você e o papai não tenham notado nada de estranho; mas e o Akuma? Ele é um animal celestial, certo? Notou que ele tem andado estranho ultimamente? –Perguntou curiosa

Ainda pensativo, o irmão da guardiã do fogo tentava se recordar de algum sinal estranho que possivelmente o lobo possa ter apresentado. Logo o mesmo se lembrou de algo, que para ele não fazia muita diferença, mas foi baste estranho:

— Bem, há algumas semanas, há quase um mês atrás, eu levei o Akuma para brincar no campo. Mas de repente ele começou a olhar para o nada, rosnando, era como se estivesse sentindo algo estranho

— Algo estranho? –Perguntou a Sayo seriamente

— Bom, isso não passa de achismo meu –Riu sem graça –Mas pode perguntar para ele. Você se comunica bem com o Akuma

— Claro –Respondeu soltando um leve sorriso – E Ryujin, você não ouviu nada a respeito da safira do fogo?

— Não há nenhum comentário a respeito pelo reino; mas faz alguns dias que o vulcão onde Kazan está aprisionado está ameaçando de entrar em erupção. Tivemos que evacuar a área e abrigar as famílias que residiam lá, em outro pontos da cidade –Explicou

— Interessante –Comentou Midori ajeitando os óculos –Onde se encontra esse vulcão?

— Na cidade das chamas azuis –Respondeu o imperador –O vulcão estava inativo já fazia alguns anos, não entendo o que…espera…será…?!

— Provavelmente seja a safira do fogo –Comentou Midori seriamente –O grande problema é se essa joia entrar em contato com a besta celestial aprisionada nas profundezas do vulcão

— Midori tem razão –Disse Sayo seriamente –Se isso acontecer, além de ganhar mais poder, Kazan no Kemono fará de tudo para se vingar do povo que o aprisionou –Respondeu seriamente

— Mas se a safira estiver mesmo nas profundezas desse vulcão, como vamos fazer para pega-la? A temperatura é acima de 300°C. Um milésimo de segundo no fundo daquele vulcão é suficiente para uma pessoa derreter até os ossos –Comentou Tsuchii seriamente

Não demorou para que Midori se levantasse de seu lugar, ainda que pensativa, andando de um lado para o outro, ainda com o dedo indicador repousado nos lábios corados, tentando encontrar uma forma de recuperar a safira do fogo das profundezas daquele vulcão que estava prestes a entrar em erupção.

Ainda estranhando fato da detetives estar andando de um lado para o outro pensativa, sem entender no que a mesma estava pensando, Taiyoo perguntou a Tsuchii, ainda que sussurrando:

— O que ela está fazendo?

— Pensando –Respondeu esperando a amiga ter alguma solução para aquele problema – Mas não acho que encontre um forma segura de recuperar a safira –Comentou debochado

Agora a mesma se virava para os guardiões e dizia:

— Barreira

— O quê? –Perguntaram sem entender

— Precisamos criar uma barreira em volta de uma pessoa x, para que ela mergulhe naquela lava –Respondeu –Mas não pode ser qualquer barreira, ela precisa ser bastante poderosa –Respondeu seriamente

— Eu posso criar essa barreira –Se voluntariou Hikari seriamente –Minha mestra me ensinou a crias barreiras bastante resistente, andei aprimorando essa técnica

— Obrigada Hikari –Agradeceu Midori com um sorriso –Agora precisamos de um voluntário que queira mergulhar no vulcão. Tsuchii, obrigada por se voluntariar –Respondeu indiferente ao que o mesmo pensava a respeito de sua decisão

— O quê?! Ficou maluca?! –Perguntou enfurecido –Eu vou derreter naquele vulcão!

— Não se preocupe, minhas esferas de energia são bem seguras –Respondeu Hikari com um leve sorriso – Além disso, será a oportunidade perfeita para testarmos a nossa cooperatividade

— Eu não quero testar a nossa cooperatividade em um vulcão de 200°C de temperatura! –Respondeu nervoso –Escolham outro otário! Eu não vou!

— Outro otário? –Perguntou Midori debochada –Ora, pelo menos você reconhece –Riu

— O que quer dizer?! Sua cabeça de repolho roxo! –Xingou enfrentando-a

— Do que você me chamou, seu tatu enfiado em buracos? –Retrucou encarando-o seriamente, ainda ajeitando o óculos

— Está me provocando!

— Quer resolver isso?! –Perguntou enfrentando-o

Logo Ayaka se colocou entre ambos, ainda que seriamente, já farta da troca de farpas entre os detetives. Desta forma a mesma chamou a atenção:

— Prestem atenção, nós somos uma equipe, precisamos cooperar uns com os outros, certo? Precisamos arranjar uma forma segura de resgatar essa safira e ficar discutindo não vai ajudar. Por isso tratem de enrolar essas línguas afiadas e usar essa cabeça para pensar em algo

— Não há muitas opções além das sugeridas –Respondeu Midori se virando de braços cruzados, ainda que emburrada com as palavras do amigo – O Tsuchii deveria saber que o elemento dele é o mais eficiente contra a safira do fogo se algo acontecer –Comentou

Muito embora a detetive não fosse uma guardiã, mas os demais estavam impressionados com o quanto de conhecimento que a mesma tinha respeito da joias. Midori estava de fato empenhada naquela missão; mas muito se perguntavam a razão.

— S-sabe o que é…eu faltei nessas aulas –Respondeu o guardião da terra coçando a cabeça sem graça, fazendo com que todos caíssem para trás, ainda decepcionados com o mesmo

— Como pode ser tão irresponsável?! –Perguntou Ayaka autoritária –O sacerdote não te explicou isso?!

— Como pode ser um guardião? –Perguntou Hikari suspirando

— Convenhamos que estudar essa parte de energia das joias não é a coisa mais atrativa do mundo –Comentou o rapaz revirando os olhos

— Poxa, assim você não me ajuda –Comentou Sayo decepcionada –Então não sabe que há energias que lidam melhor com umas do que com outras? –Questionou

— Ah! Então é verdade?! –Perguntou empolgado –Pensei que fossem historinhas da Midori!

Historinhas?!—Perguntou a mesma impaciente com uma veia saltando da cabeça, prestes a acerta-lo com um soco – Não, não é. De fato, há magias que combinadas, formam novos elementos, que podem auxiliar em um combate, por isso dizemos que umas se dão melhores com outras –Respondeu

— Ela está certa –Respondeu Hikari calmamente, ainda carregando um leve sorriso – Por um exemplo, se Akio utilizar a sua magia de água em conjunto com a magia de vento frio de Ayaka, ambos podem formar o elemento de gelo

— Quando você montou aquela ponte de tijolos para atravessarmos o abismo, você trabalho em cooperatividade com as magias de Akio e Sayo, ou seja, água e fogo –Explicou Taiyoo –Desta forma, manipulando a terra, enquanto Akio a molhava transformando-a em lama, você a moldou, junto com as pedras e a areia. Enquanto isso, Sayo aquecia a lama, endurecendo-a, transformando-a em tijolo

— A sua magia se lida muito bem com qualquer outro elemento, com exceção da lua e vento –Explicou Ayaka -Já no caso do Akio, a magia dele não se lida muito bem com a magia de fogo e vice-e-versa

— Entendi…mas quando formamos a ponte, a terra foi um intermediário entre o fogo e a água... –Comentou pensativo

— Exatamente –Afirmou Taiyoo

— O caso é que de todos os elementos, a terra é a que se dá melhor com o elemento de fogo. Por mais que o sol seja quente e resista ao calor, mas pode impulsionar a erupção –Explicou Midori seriamente

— A Midori tem razão –Respondeu Taiyoo – O calor produzido pela magia da safira do sol é muito maior do que o calor produzido pela safira do fogo. Se a minha energia de guardiã entrar em contato com a safira do fogo, pode gerar um grande erupção no vulcão, colocando a cidade daquela região em risco

— Então, nestes caso, o melhor elemento para entrar em contato com a safira do fogo é a terra –Explicou –Você pode criar uma barreira de barro em volta da safira e pega-la

— Eu entendo –Respondeu Tsuchii –Mas se é assim, porque a Sayo não vai? Afinal, ela é guardiã desta safira, não é? Acho que de todos nós, ela é quem suportaria melhor o calor –Respondeu

— É que…na verdade eu não me recuperei do parto do gêmeos –Riu sem graça –Desde aquela época, eu tenho notado que perdi algumas habilidades, uma delas é de aguentar altas temperaturas

— O quê?! –Perguntaram todos chocados

— É que, no dia do parto, na hora das contrações, eu acabei virando um tocha humana –Riu –Eu não sei ao certo o que aconteceu, mas desde aquele dia, nunca mais me transformei assim ao passar por algum estresse

— Deve ser algo genético –Comentou o irmão se recordando que com a mãe havia acontecido a mesma coisa quando a mesma havia dado a luz a Sayo –Devia conversar com o nosso pai a respeito, quando a nossa mãe a teve, passou pelo mesmo problema

— Mesmo? –Perguntou surpresa

— De qualquer forma, ainda precisamos de um plano B de resgate, no caso da energia de Hikari se esgotar –Respondeu Midori

— Não se preocupe, na pior da hipóteses, Akuma irá resgata-lo –Disse Sayo com um sorriso confiante

Ao ver a irmã tão confiante com o fato do lobo celestial ajuda-la neste plano, Ryujin se lembrou de uma orientação de Reiko a respeito de Akuma. Muito embora este fosse um animal celestial, ainda possuía limitações, como qualquer ser vivo.

Uma limitação do lobo era o tempo que aguentava se manter em ambientes de altas temperaturas. Diferente do que todos pensavam por Akuma ser um lobo de fogo, o mesmo já tinha o seu próprio calor para suportar, por isso, havia um tempo limite para o mesmo ficar exposto a altas temperaturas, um tempo entre 10 à 20 minutos.

Se passasse deste tempo, então o lobo celestial se transformaria em uma enorme chama e sua alma seria transformada em fogo, junto com o seu corpo.

Desta forma, imperador cruzou as pernas e advertiu o grupo:

— Devo avisa-los que Akuma também tem limitações, muito embora seja um animal celestial –Explicou seriamente –Se ele passar mais de 20 minutos em altas temperaturas como a do vulcão, o seu corpo e alma serão transformados em chamas

Agora todos encaravam o imperador seriamente, pensando que seria um problema se em uma emergência, 20 minutos não fossem o suficiente para resgatar Tsuchii das profundezas do vulcão. Ainda com um silêncio incomodo, criando um clima tenso, o guardião da terra comentava confiante:

— Não precisa se preocupar, acredito que Akuma não precisará me resgatar

Após a conversa com imperador do fogo, Sayo ligou para Akio, pegando o endereço do hotel onde o mesmo e o guardião da lua estavam hospedados. Ao pegar, o grupo se despediu do irmão mais velho da guardiã do fogo e caminharam em direção ao hotel.

O grupo agora caminhava em direção ao endereço dado ao imperador das águas e ao chegarem, Ayaka comentou, ainda que se alongando:

— Eu estou exausta! Preciso descansar…

— Somos duas –Disse Midori

Não demorou para que o grupo entrasse no hotel e, no saguão, se depararam com o Akio e Tsuki sentados no sofá, aguardando por eles. Ao encontrar o restante do grupo, o imperador das águas se levantou e perguntou:

— Como foram?

— Parece que o vulcão próximo a cidade das chamas azuis está correndo o risco de entrar em erupção –Explicou a guardiã do fogo –Achamos que isso se deve por conta da safira do fogo

— Mesmo? Nesse caso, precisamos verificar para ver se não é um equívoco –Respondeu seriamente –Tem algo em mente? –Perguntou seriamente

— Sim –Respondeu a mesma –O Tsuchii vai mergulhar no vulcão, envolvido por uma barreira de luz criada por Hikari. O elemento dele é ideal para envolver a safira do fogo, já que depois do parto do gêmeos eu tenho suportado altas temperatura. Se alguma coisa der errado, Akuma mergulhará no vulcão para resgata-lo –Explicou

— Entendo, é um bom plano –Respondeu com leve sorriso –Vocês devem estar cansados, é melhor descansarem –Disse pegando o molho de chaves de seu bolso, soltando-as e entregando uma por uma cada integrante do grupo

— Hm? –Perguntou Midori vendo que estava sem uma chave –E a minha chave?

— É verdade, esqueci de avisar –Disse Akio –Não haviam quartos com camas solteiros o suficiente, então tive que pegar um com cama de casal. Desta forma, duas pessoas terão que dividir o mesmo quarto -Explicou

— Entendo –Respondeu a mesma – Hikari, tudo bem em dividirmos o quarto?

— Claro –Respondeu sorrindo

Não demorou para que todos subissem para os seus quartos, para que assim descansassem após aquela longa viagem.

No quarto em que dividia com Hikari, Midori agora avisava a guardiã da luz:

— Hikari, vou tomar um banho, tudo bem?

— Tá –Respondeu deitada na cama–Sabe, Midori, eu estou surpresa com o conhecimento a respeito dos cristais. Você está levando essa missão mais a sério que o próprio Tsuchii –Comentou dando uma leve risada

— Acho que ele só anda meio confuso –Comentou a detetive se despindo para tomar banho –Não faz muito tempo que ele foi convidado pelo meu pai para trabalhar na agencia de detetives. Ele acabou descobrindo que o próprio pai era um detetive e desde então tem escutado inúmeras histórias a respeito dele, um completo estranho para ele. -Comentou entrando no banheiro -Com tudo isso, ele sequer tem cabeça para estudar

— Acho que eu entendo ele –Comentou olhando para o teto se recordando da vida que levou sendo criada por seus pais adotivos -Deve ser horrível crescer sem saber quem são os seus pais e depois descobrir, assim, do nada…

— Você passou por isso? –Perguntou Midori do banheiro, ainda soltando os cabelos, antes de entrar embaixo do chuveiro

— Ah não! –Respondeu rindo balançando a cabeça negativamente –Meus pais me abandonaram no templo da luz quando eu era recém-nascida. Desde então fui criada por minha mestra Kyuri e o sacerdote do templo, até o dia de sua morte. Quando minha mestra foi morta, o sacerdote continuou me criando. Mas um tempo depois ocorreu o massacre no clã Shiroi e eu consegui escapar. Fui adotada por um casal de outro clã e criada por eles –Explicou

— Entendo –Comentou Midori entrando no box do chuveiro

Enquanto isso, no restaurante do hotel, Akio, Tsuki e Tsuchii jantavam para repor as suas energias. Os guardiões da lua e água notaram que havia algo incomodando o adolescente, alguma coisa deixando-o inquieto. Não demorou para que Akio questionasse:

— O que houve?

— O quê? –Perguntou o guardião da terra emburrado, agora encarando o guardião das águas

— Está com uma cara tão emburrada –Respondeu Tsuki debochado – O que foi? Perdeu outra discussão para a garota?

O guardião da terra não respondeu, apenas continuou comendo o seu jantar, só que rapidamente, fuzilando Tsuki com olhos, ainda raivoso, fazendo o ambos se perguntarem novamente o que podia ter acontecido no palácio para o mesmo ficar daquele jeito.

— Não dá para acreditar em você –Suspirou Akio inconformado com imaturidade do adolescente – O que houve dessa vez? Ela te ofuscou de novo, mestre da sabedoria? -Ironizou

— Ofuscar? O que aquela garota sabe?! Nem guardiã ela é! Como dão mais ouvido há ela do que para mim! Eu sou o guardião da terra e não aquela pintora de rodapé! –Disse revoltado

— Está falando de entrar no vulcão? Não me diga que está com medo? Relaxa, sua magia é resistente ao fogo, você não vai morrer tão fácil –Disse Akio tentando tranquiliza-lo

— Eu não estou falando disso! Eu estou falando do “Nossa Midori, você é tão incrível! Como você é informada! É tão dedicada!”. Fui eu quem passei a vida enfiada no buraco igual um tatu treinando para ser guardião! –Reclamou inconformado

— Nossa Akio, pega o lenço, minha lágrima estão escorrendo –Ironizou Tsuki indiferente as palavras do guardião da terra –Deve ser difícil ter que receber aplausos de um país após um ato heroico de ajudar a livrar o mundo das garras de um deus maluco

— Deve ser algo insuportável –Comentou Akio com o guardião da lua –Principalmente na escola. “Olhem! Lá está ele! O guardião da terra que lutou junto com os demais guardiões contra os serviçais daquele homem que queria destruir o mundo! Ele só tinha oito anos de idade!” –Imitou os colegas do guardião comentando entre si

— Qual é! Você acham que a minha vida é esse mar de rosas depois do que aconteceu? Fala sério –Colocou a mão nos bolsos emburrado –Para começar, quando eu retornei todos ficaram com medo de mim e começaram a se comportar como puxa saco –Murmurou

— Que problemão –Respondeu Tsuki irônico –Quer saber o que é um problema? Ser abandonado em um templo tsuki e ser criado como um monge tsuki, sem querer se tornar um. Seguir uma ideologia que não acredita, apenas por gratidão aos que te deram teto e comida e aceitar ser pisado e humilhados por estes, sem levantar a voz

Tsuchii agora desviava o olhar emburrado, refletindo em cima das palavras de Tsuki. Será que o mesmo estava sendo, de fato, caprichoso? Talvez se conversasse com os amigos, aquilo o ajudaria a entender um pouco sobre os seus próprios sentimentos, afinal, tanto Tsuki quanto Akio eram homens vivido e experientes, com certeza saberiam como aconselha-lo.

— É que eu estou saturado, eu não tenho mais espaço, privacidade, parece que tudo o que é meu está sendo tomado por ela –Comentou emburrado

— O que quer dizer? –Perguntou Akio sem entender –Olha, você estão dividindo uma missão juntos e ambos tem qualidades, cada um em um aspecto diferente

— Eu não estou falando disso –Suspirou –Eu e a Midori nos conhecemos desde crianças. Mas recentemente tem passado por alguns problemas em casa e agora está…morando…no abismo junto comigo…

— É o que?! –Questionaram os guardiões chocados, ainda com os olhos arregalados

— Vocês são apenas adolescentes! Sabem o quão isso é perigoso?! –Perguntou Akio apavorado – Coisas podem acontecer, Tsuchii!

— Conta mais! Conta mais! –Pediu Tsuki curioso, interessado no que o guardião da terra tinha para contar

— Antes que pensem besteiras, cada um tem o seu quarto e…existe uma pessoa nos supervisionando. Nós temos horários, então diferente do que as suas mentes poluídas pensam, não é tudo festa –Suspirou –Mas ainda assim…

— Não se sente confortável? –Perguntou Akio

— Ela mudou muito de uns tempo para cá e…às vezes…bem…eu chegou meio adiantado no banheiro, antes dela terminar de arrumar e teve um dia que eu…vi o sutiã dela…-Abaixou a cabeça corado –Eu não soube como agir mediante aquilo, foi a primeira vez que deparei com um! Saí correndo do banheiro, sem saber o que fazer! E ser fosse outra coisa?! –Perguntou encarando os guardiões

— Ai, adolescentes são tão complicados –Suspirou Tsuki levantando a cabeça pensativo, já com preguiça da daquela ladainha -Garoto, se isso fosse de todo o ruim...

— Todo esse drama por causa de um sutiã? –Perguntou Akio estranhando –Tsuchii, você precisa entender que a Midori não é mais uma menina, que ela está se tornando uma mulher. Como mulher é natural que ela use esse tipo de peça

— Para! Eu visualizei na minha mente! Ela usando! Isso nunca havia acontecido! –Disse se recordando desesperado colocando as mãos na cabeça –E-E…eu me senti bem com isso…

— Que gracinha –Comentou Tsuki irônico –Está se tornando um homem

— Não, é só um adolescente com os hormônios a flor da pele –Comentou Akio indiferente ao comentário do guardião da lua –Primeiro, não devia ter quebrado o horário estipulado; segundo, eu entendo que tenha sentido desta forma, é natural se sentir atraído. Você só está em uma fase complicada, onde tudo é uma novidade, mas precisa das coordenadas certas! –Disse olhando para Tsuki com olhar fuzilador

Tsuki agora encarava Akio, ainda mastigando o palito de dente, indiferente. Não demorou para o mesmo retirar o palito da boca e suspirar enquanto comentava com o guardião da terra:

— Te darei a minha opinião pessoal e você escute quem achar melhor. Não se apaixone, o amor é um sentimento que nos prende a uma pessoa, nos faz reféns desta. Se preza por suas liberdade, então não ame –Disse se levantando da mesa –Fujiro não me deu ouvidos e olha o que aconteceu

Agora o guardião da lua se levantava da mesa e se retirava do restaurante do hotel, enquanto Akio suspirava, não acreditando naquele conselho irresponsável que o guardião da lua havia dado ao adolescente.

— Acha que eu sou um pervertido? Ou algo assim? –Perguntou Tsuchii um tanto constrangido desviando o olhar –Quero dizer, eu não tive a intensão de olhar e me sentir assim, só estava lá…

Ao ver o rapaz confuso com o que havia sentido e com a suas reações quanto ao que havia visto, Akio entendeu perfeitamente o adolescente, afinal, ele já teve dezesseis. Passou pela mesma situação, pelas mesma dúvidas, mas não teve um homem que as esclarecesse para ele, em compensação, teve Mayumi, que foi pai e mãe para ele e Amy.

— É natural se sentir assim –Comentou naturalmente para que o mesmo não se sentisse mais constrangido –Mas precisa conter isso e respeitar o espaço dela. Você disse que ela está passando por problemas, certo? Imagina o quão difícil deve estar sendo morar em uma casa que não é dela, com um amigo da mesma idade, com quem tem dividir tudo. Você não é o único que está perdendo com isso, Tsuchii –Respondeu seriamente

— Eu não havia pensado nisso…

— Vocês precisam respeitar os espaços um do outro –Soltou um leve sorriso –Isso vale para o trabalho também. Se você ver que a Midori tem uma ideia que funciona melhor que a sua, então siga as ideia dela ou tente complementa-la com algo a mais. Não queira desenvolver tudo sozinho –Aconselhou –Há oito anos atrás, não enviamos Demon ao submundo sozinhos, não é? Trabalhamos juntos, como uma equipe. É disso que vocês dois precisam

Agora Tsuchii começava a refletir em cima das palavras do guardião da águas, agora caindo em si. Ele realmente não havia pensado na perspectiva da detetive, de que a mesma havia perdido praticamente tudo e que agora ambos precisavam trabalhar como uma dupla.

Ainda assim, algo incomodava Tsuchii, desta forma, o mesmo encarou a própria mão enquanto soltava um longo e pesado suspiro, pensando:

De qualquer forma, eu não posso pensar naquela idiota…

Neste momento, Tsuchii foi arrastado entre os corredores do hotel, chamando a atenção de Akio que agora se levantava rapidamente, ainda que assustado, se levanta da mesa do restaurante, chamando-o. O mesmo seguiu o guardião até o andar de cima do hotel, enquanto o rapaz gritava desesperado:

— Essa não… aquela idiota!!!!!!

— Tsuchii o que está acontecendo?! –Perguntou Akio seguindo-o

Enquanto isso, no quarto de Midori e Hikari, a detetive, vestindo o seu pijama de verão, ainda escovando os cabelos que estavam soltos, pensava no quão idiota era o detetive, por se aborrecer por coisas tão banais como uma ideia dela ser aceita.

Em sua mente a mesma murmurava, reclamava, o xingava, até que a mesma e Hikari, ainda que assustadas, veem a porta do quarto se abrir rapidamente. Não demorou para que Midori visse Tsuchii grudar em seu corpo, enquanto ambos soltavam um grito batendo as testas.

Akio agora entrava no quarto, junto com os demais que haviam escutado a gritaria de seus quartos. Ao ver Tsuchii e Midori praticamente abraçados, perguntaram:

— Mas…o que está acontecendo?