Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras

29 Capítulo 29: O colar que leva até Rubricos


Alguns dias após à exaustiva batalha contra Fukeru no Tsuki, os monges do templo, e Tsuki se recuperar de seus ferimentos, o grupo agora se preparava para seguir viagem.

Não demorou para que agradecessem ao aldeão por hospeda-los em sua casa, e partiram em direção ao país das neves, em busca da safira da luz.

Já na estrada, o grupo agora caminhava em silêncio. Akio agora observava que o guardião da terra observava, ainda que emburrado, a detetive. Na verdade, já fazia uns dias que o Tsuchii estava um tanto emburrado, e ninguém sabia dizer ao certo a razão.

Midori também não fazia questão de falar com ele, tendo em visto, que o detetive estava subestimando as suas habilidades de detetive.

— Quem ela pensa que é para estar desse jeito? Eu é que devia estar bravo. Ela não está exercendo a sua função como deve, além disso, eu devia protege-la –Pensou o guardião da terra

— Ei, Tsuchii –Chamou o guardião das águas discretamente –O que há com vocês dois? Desde que voltamos não tem se falado –Comentou

— Com ela não tem diálogo –Respondeu emburrado

— O que quer dizer? Tem a ver com o que aconteceu no templo dos monges Tsuki? –Perguntou –Nossa, que sufoco, quando o Tsuki disse que eles eram pessoas ruins, não imaginei que eram naquele nível –Se recordou

— Exatamente! Akio, era para eu estar lá, não a Midori! Eu sou o guardião, não ela! Foi arriscado!

— Do que você está falando? –Perguntou seriamente, agora encarando o guardião da terra

Tsuchii agora desviava o olhar, ainda sentindo-se frustrado por não estar lutando contra aqueles monges no lugar de Midori, que era apenas uma pesquisadora. Se ele não tivesse gastado tanta energia com aqueles aldeões, talvez ela não precisasse lutar daquele jeito.

— Ela se arriscou muito, Akio –Respondeu ainda desviando o olhar –Ela sequer é uma guardiã. Era para eu estar lutando contra aqueles monges Tsuki, ela não tem treinamento suficiente para isso

— É só isso mesmo? –Questionou seriamente

— Como assim? Claro que é!

Akio sabia que havia um pouco de inveja nas palavras de Tsuchii, afinal, atitudes precipitadas tem as suas consequências, e a dele foi ficar impossibilitado de lutar contra os monges Tsuki, sendo obrigado a deixar Midori ir em seu lugar.

— Você é um invejoso –Comentou debochado –No momento que usou a sua magia para salvar os aldeões, você sequer pensou se precisaria enfrentar algo depois, gastou toda a sua energia sendo que não precisava de tudo aquilo para salvar aquelas pessoas –Comentou

— Se eu não tivesse feito aquilo…

— Você quis exibir a sua técnica enquanto salvava aquelas pessoas, não poupou energia e as consequências são essas –Comentou –Além de gastar energia enquanto estava ferido, teve que ver alguém de cargo inferior ao seu executar o seu trabalho de guardião

Ao ouvir aquelas palavras do guardião das águas, Tsuchii desviou o olhar novamente, levemente emburrado, afinal, quem Akio pensava que era? Ele achava que o conhecia, mas não conhecia, só estava fazendo especulações ao seu respeito.

— Você não sabe de nada! Não tem nada a ver uma coisa com a outra!

— Ah não? –Perguntou indiferente a agressividade do guardião da terra –Então me explica

— É só que…

— Estou ouvindo –O encarou seriamente

— Ah não enche, Akio! –Respondeu nervoso –Não sei porque ainda te dou satisfações do que faço ou penso –Suspirou enquanto se colocava andando a frente do guardião das águas

Ainda seguindo a estrada que daria até o país da neve, Akio notava que Tsuki estava um tanto sério, o que não era nenhuma novidade, já vivia de cara amarrada. No entanto, ele não estava emburrado, mas sim preocupado.

Já Tsuki pensava no trajeto que fariam para chegar até o país da neve. Pelo caminho que estavam traçando, seriam obrigados a passar pelo território Shiroi. Aquilo podia ser um problema, afinal, abaixo daquele solo haviam segredos que foram escondidos por Shiroi Hiroi.

O guardião da lua agora se recordava de uma conversa que havia tido com o seu mestre, isso algumas semanas depois de se tornar guardião:

— Escute bem, Tsuki…

— Que história é essa de me transformar em guardião do nada?! Ficou maluco, Seiji?!

— Quieto! –Acertou a sua cabeça com o Shakujõ –Preste atenção, Tsuki. Agora você é um guardião, no entanto, o meu único discípulo. Sendo assim, preciso te manter a par de algumas coisas

— Lá vem você com os seus rolos de novo –Massageou a cabeça, ainda murmurando –Eu não tenho interesse nenhum nisso! –Reclamou

— Ninguém pediu a sua opinião –O acertou novamente com o Shakujõ –Agora preste atenção, vocês, guardiões, terão um grande trabalho pela frente, que está muito além de reunir as joias para impedir Diamante de destruir este mundo

— Do que está falando? –Perguntou sem entender, massageando a cabeça –Pirou velho? O que pode ser mais ameaçador do que um deus?

— Tsuki, já ouviu falar na revolução dos oráculos? –Perguntou com a expressão séria

— Não, não me interesso por contos de fadas –Respondeu desinteressado

Não demorou para que impaciente, Seiji acertasse o seu aprendiz com o Shakujõ novamente, e logo depois continuou pacientemente:

— A revolução dos oráculos é uma lenda que se pendura há milênios. A lenda diz que três oráculos provocaram uma revolução contra o sistema de Safira –Explicou –Esses três oráculos, lideraram outros oráculos, que se tornaram seres do submundo

— Sim –Se recordou seriamente –Kazan, Kaigun e Jigoku no Kemono

— Exatamente –Afirmou com a cabeça –Imediatamente estes foram condenados por Safira, sendo aprisionados cada um em um ponto de Jewels. No entanto, não sabendo se os guardiões de Safira eram inocentes, ou não, o deus supremo os condenou, mandando-os para outra dimensão, junto com mais três oráculos

— Isso não passa de lenda, Seiji! Quanta besteira, oráculos, guardiões de Safira

— Preste atenção, Tsuki! –Mandou com um tom autoritário, fazendo com que o garoto se calasse imediatamente –Reza a lenda, de que os três oráculos que foram mandados para a outra dimensão, são a chave para despertar o oráculo das dimensões. E esse oráculo, Tsuki, junto de três humanos de dimensões diferentes, serão os responsáveis por impedir uma enorme devastação

— Criada por aquele oráculo que estão atrás do senhor Hiroi?

— Não, a minha visão não me mostrou tal coisa, mas temo que tenha mostrado àqueles oráculos… -Respondeu seriamente –Se isso aconteceu e eles se apoderarem do oráculo das dimensões com a ajuda de Diamante, eu não quero pensar no que pode acontecer

— É tão grave?

— Dentre os herdeiros de Safira, Diamante é o mais forte, depois de Rubi –Disse seriamente –Tsuki, um dia você irá me substituir e terá que guiar a futura geração de guardiões

Saindo de suas lembranças, Tsuki continuava caminhando, ainda que seriamente, enquanto se lembrava da carta enterrada por Hiroi no terreno de sua casa. Ainda não era o momento apropriado para o mesmo revelar a existência desta carta, afinal, Demon se encontrava na mesma situação que Cristal.

Kano também não sabia da existência da carta, e se descobrisse, no caso de Demon despertar, não pensaria duas vezes antes de contar sobre o conteúdo desta.

— Ei Tsuki! Acorda! –Mandou Akio – O que você tem?

— Ele tem razão – Comentou Sayo, dando razão à Akio –Está tão distraído

— Não é nada –Se mostrou indiferente –Vamos ter que passar pelo território Shiroi para seguirmos viagem. Por isso, para quem não está acostumado com energia pesada, eu recomendo que pegue outro caminho –Mandou uma leve indireta para Midori

— Idiota –Murmurou a detetive –O que você quis dizer com isso? –Perguntou perdendo a paciência com aquelas piadinhas

— Mas ele está certo –Concordou Hikari seriamente –Um clã inteiro foi assassinado da forma mais brutal que pode existir. Por de baixo da neve, ainda à esqueletos daqueles que foram assassinados

— Não limparam? –Perguntou Akio surpreso

— Acredito que Demon tenha proibido –Respondeu Tsuki –De qualquer forma…procurem não focar no que aconteceu no local. Para não focar na energia

— Ele está certo –Respondeu Hikari –O clã Shiroi, apesar de ser um clã de assassinos, mas era composto por pessoas que se apoiavam, no caso da nova geração e pessoas que atacavam essa nova era…

— É verdade, você viveu no antigo templo da luz, não é? –Perguntou Tsuchii –Então sabe como era a vida lá

— Sei bem –Respondeu com um doce sorriso –Eu cresci naquele templo e quando ocorreu o massacre, o sacerdote fez até o impossível para me manter segura. Sacrificou a sua própria vida

— Isso é muito triste –Comentou Midori

Enquanto isso, próximo ao território Shiroi, em sua casa, ainda na sala, sentado em frente à mesa, Fujiro tomava um pouco de chá que havia preparado. Enquanto isso, o mesmo se lembrava do dia em que ocorreu o massacre no clã Shiroi.

Ainda não saia de sua mente a imagem de sua mãe encarando-o, ainda questionando com o olhar, a razão de ele, seu próprio filho, estar cometendo tamanha crueldade. Com o seu olhar ela implorava por uma justificativa.

Ao lembrar disso, as mãos do espadachim tremiam, pensando em como pode ser tão tolo em acreditar em Demon que se passará por seu pai? Como pode conceber a ideia de assassinar aquela que tudo o que fez, foi dar-lhe carinho, amor incondicional, colo, em todos os momentos.

Não demorou para que revoltado consigo mesmo, Fujiro lançasse o copo contra a parede, quebrando-o, enquanto o chá quente escorria pela parede.

Atrás da porta, Kotaki o espiava. Ao ver que o filho se aproximava, já com a intensão de questionar o que havia acontecido, a mesma o parou e pediu silêncio.

Ao notar que ambos estavam atrás da porta, Fujiro limpou as lágrimas que havia derramado e questionou, ainda que autoritário:

— O que estão fazendo aí?

— Fujiro, eu escutei alguma coisa –Riu Kotaki sem graça –Nossa, o que aconteceu com o copo? –Perguntou se fazendo de desentendida

— Nossa! Que legal! Posso jogar também?! –Perguntou Fuji pegando um dos copos e mirando na parede

— Coloca isso na mesa, agora –Mandou o pai autoritário

Amedrontado, ainda que chateado, o menino colocou cuidadosamente o copo sobre a mesa. Ao notar que Fujiro estava um tanto impaciente, Kotaki mandou:

— Fuji, por que não vai ver se o tio Akio está chegando com os demais? Se o encontrar, traga-os até aqui, está bem?

— Certo –Respondeu ainda preguiçoso, caminhando até a saída

Enquanto isso, Kotaki sentava-se de frente para o marido, que agora a ignorava, ainda tentando se recompor.

— O que anda acontecendo com você, Fujiro? –Perguntou a mesma seriamente –Eu sempre estive ciente dos seus pesadelos, desde o massacre ocorrido no clã Shiroi; mas perder o controle desse jeito…

— Você não tem noção… o que é viver com essa culpa… -Respondeu seriamente –Eu acabei com a vida da minha própria mãe! Tudo por um ex deus egoísta que tomou o corpo do meu pai!

— Exatamente! Fujiro, você era um menino naquela época, não tinha como diferir o Demon do seu pai!

— Se eu levasse os meus treinos mais a sério na época, se eu não tivesse sido tão egoísta por querer seguir um caminho diferente dos meus avós ou do meu pai…

— Fujiro, não pode se culpar por isso. Tudo o que aconteceu foi uma fatalidade… Você era um menino quando Demon tomou o corpo do senhor Hajime

— Kotaki…

— Não se torture mais por conta disso –Pediu pegando em suas mãos –Já basta, você já está tentando compensar todo o mal que fez

Enquanto isso, no país das águas, caminhando em meio a principal mata, Miyu seguia em direção a casa de Hazuki, ainda pensativa.

— Hazuki é uma Shiroi, assim como eu, Fujiro, Kaguya e Renji… -Pensou seriamente –Se ela contribuiu para que de alguma forma o Demon tomasse o corpo do meu pai, isso significa que durante um período ela foi aliada dele… será que ela sabe de algo a respeito do colar de Rubricos?

Não demorou para que Miyu avistasse a casa de Hazuki. Ainda confiante, a espadachim caminhou até a casa da Shiroi.

Agora em frente a porta, a imperatriz das águas batia na mesma, anunciando a sua chegada.

Não demorou para que Hazuki abrisse a porta. Ao se deparar com a sobrinha, ainda surpresa, questionou:

— Você?

— Como vai, Hazuki? –Perguntou seriamente

Agora a Shiroi recebia a imperatriz em sua humilde casa. Após servir um chá para a mesma, questionou:

— O que traz a imperatriz à minha humilde casa?

Agora a espadachim soltava um sorriso de canto, ao notar que a mestra de seu marido não havia mudado nada nestes últimos anos.

— Estou surpresa que ainda carregue consigo os costumes Shiroi –Respondeu debochada –Esse tipo de recepção é típico

— Assim como sermos diretos –Respondeu com o mesmo deboche –Não veio me fazer uma visita, não é? Está aqui pelo Akio, não é? –Perguntou

— Fico feliz que não precise encenar uma preocupação –disse seriamente –Nunca teria empatia por uma Shiroi que traiu o meu clã e causou tantas mortes. Ainda mais quando essa foi a responsável por meu pai ter sido tomado por um deus renegado –Comentou a espadachim antes de degustar o chá servido pela mestra do marido

— O que você sabe? –Perguntou debochada –Era apenas uma menina quando o massacre aconteceu. Sequer sabia a situação deplorável que o clã Shiroi se encontrava

— E a melhor solução era um massacre? É isso o que está me dizendo, Hazuki?

— Veio até a minha casa para discutir sobre o passado? –Perguntou indiferente –Se foi para isso, perdeu o seu tempo

— Está enganada –Respondeu seriamente –Não vim falar do clã Shiroi, mas sim do colar de Rubricos –Respondeu

— É mesmo? –Perguntou meio surpresa

— Onde ele está, Hazuki?

— O colar que leva à Rubricos… -Respondeu após tomar um gole de chá — … já faz tantos anos…ficaria surpresa se ainda estivesse localizado no mesmo lugar –riu

— Onde ele está?

— Você está correta, está no país da neve. No entanto, não está no território Shiroi, mas no alto de uma montanha. Enterrado à frente de uma montanha

— Montanha?

— Pergunte ao Tsuki –Soltou um meio sorriso –Ele sabe perfeitamente de que caverna eu me refiro

— Tsuki? –Questionou seriamente

Enquanto isso, o grupo de guardiões chegava ao país da neve. Ao chegar, todos se recordavam o que havia acontecido há exatamente seis anos naquele país. No entanto, Tsuki se recordava do que havia acontecido há vinte e três anos atrás, quando ocorreu o massacre do clã Shiroi.

— Chegamos –Comentou Tsuki seriamente

— Parece que sim –Comentou Akio indiferente –E que caminho vamos tomar?

— Fujiro sabe algo a respeito do colar de Rubricos? –Perguntou Sayo seriamente

— Acho difícil –Comentou Tsuki suspirando –Quando esse colar foi enterrado, ele sequer tinha nascido. Mas talvez…com certeza…ela deve saber algo –Comentou pensativo

— Ela? –Perguntaram todos ao mesmo tempo

Enquanto isso, no território que pertencia ao clã Shiroi, em frente à um rio, Kaguya jogava pétalas de flor de cerejeira no rio, enquanto derramava algumas lágrimas.

— Sinto muito…mamãe, papai, Yasuo…não consegui honrar o sobrenome que carrego, proteger o meu clã, os meus amigos…empunhando a espada de vocês –Comentou vendo as milhares de caveiras no fundo daquele rio

Toda vez que a espadachim se recordava das cenas que havia presenciado, desde o assassinato dos seus pais, até o assassinato da sua melhor amiga, a mesma se perguntava como tinha a coragem de empunhar a katana pertencente a sua mãe e a Yasuo. Ambos eram dois espadachins honrados, enquanto que ela sequer conseguia libertar Hajime da possessão de Demon.

Ao se levantar, a mesma sentiu uma forte energia se aproximando. Quem seria? Naquela região, os aldeões ao redor tinham medo do território Shiroi, consideravam assombrado.

— Seja quem estiver ai, saía! –Mandou autoritária –Eu não sei quem é; mas é corajoso o bastante para vir até aqui

— Ora, ora, Kaguya –Riu –Nós sabemos que não existe assombração, não é? Apenas milhares de cadáveres soterrados por de baixo desta neve, destes escombros. Hein…aquele não é o kimono da Haruka?

Sem pensar duas vezes, Kaguya se virou, acertando a pessoa com um soco na boca. A mesma agora ria, limpando o sangue, enquanto a espadachim dizia:

— Lave essa boca imunda, antes de pronunciar o nome da minha mãe, Kano

— Uau… mesmo depois de velha, continua com uma força e tanto –Comentou rindo

— Desgraçado –Comentou –Pensei que estivesse morto

— Como dizem? Vaso ruim não quebra, estou certo?

— Que sujeito irritante –Deu as costas para o serviçal de Demon –Estou cansada demais para discutir com você –Continuou andando

— Ué? Não vai lutar contra mim? –Perguntou –Por um acaso, se esqueceu quem ajudou Demon com toda essa tragédia?

— O que aconteceu no passado, está no passado –Respondeu ignorando-o

Logo a mesma viu o serviçal se colocando diante de si. A mesma agora o encarava de baixo pra cima, como quem pedia licença.

— Onde está o colar de Rubricos? –Perguntou

— Como é que eu vou saber –Respondeu com uma risada debochada, ainda passando por Kano

— Eu te fiz uma pergunta, Kaguya! –A segurou pelo braço

— Kano, eu vou dizer apenas uma vez, é melhor me soltar –Mandou encarando-o

— Eu matei quase todos os guardiões da era de Diamante –Respondeu rindo –Acha mesmo que pode contra mim? –Perguntou criando escamas de dragão em seu pescoço

— No entanto, ainda está ferido da luta contra o Tsuchii, não é? –Perguntou debochada –Será que é capaz de derrotar uma Shiroi nestas condições? Vamos, transforme-se naquela fera que matou Asuya, isso é…se você conseguir –Desafiou

— Miserável! –Gritou acertando-a com um soco

— Kaguya! –Chamou Fuji correndo até a mesma que estava estirada no chão

Agora o menino escutava Kano gargalhar, mudando o seu timbre de voz. Sua pupila redonda tomar a forma de fenda. Ele nunca havia visto algo parecido com aquilo, chegava a paralisá-lo.

— O que ele é? –Perguntou o menino assustado

— Fuja, Fuji –Mandou se levantando –Procure o seu tio e avise-o sobre Kano. Diga que ele está aqui…

— Certo!

Não demorou para que o menino se levantasse e corresse na direção da energia dos seu tio. Enquanto isso, Kano voltava a sua forma normal, enquanto debochava dando as costas para a espadachim:

— Não faltará oportunidade para nos confrontarmos, Kaguya

— Um adversário como você não vale a pena –Respondeu limpando o sangue da boca –Seria desonrar as espadas que eu empunho –Respondeu seriamente

— Os Shirois sempre tem as respostas na ponta da língua, não é? -Questionou partindo

Agora Kaguya partia na direção oposta, seguindo na direção da casa de Fujiro.

Enquanto isso, passando pelo território Shiroi, os guardiões sentiam uma energia muito pesada emanar de baixo daquele solo. Midori sentia uma tristeza muito grande ao passar naquele local.

Ao notar o incomodo da jovem, Tsuki a lembrou:

— Lembre-se: Procure não focar no que aconteceu aqui. Foque no que precisamos fazer

— Tem razão -Respondeu seriamente

O grupo estava passando por uma região familiar para Akio, onde o mesmo começou a ter pequenos flashs de memória, dele pequeno, correndo na direção dos seus pais. Logo o mesmo viu uma casa em ruínas, e se recordou do mesmo acariciando uma recém-nascida, enquanto o bebê era segurado pela mãe.

— O que são essas memórias? -Se questionou sem entender -Será que eu já estive aqui com os meus pais?

Não demorou para que Akio escutasse a voz do seu sobrinho, chamando-o, tirando o mesmo de seus pensamentos:

— Tio Akio! Tio Akio!

— Fuji? -Perguntou o guardião estranhando o menino estar naquele lugar –O que está fazendo aqui? A energia desse lugar é muito pesada, o seu pai não te proibiu de vir até aqui? -Perguntou seriamente

— A Kaguya me mandou –Respondeu ofegante –Tio, ela mandou dizer que Kano já está aqui

— O que?! -Perguntaram ao mesmo tempo

— Claro que ele não perderia tempo –Respondeu Tsuki pensativo -Não podemos perder mais tempo. O melhor que temos a fazer agora é seguir até a casa de Fujiro.

— Concordo –Respondeu Sayo –Akio, Tsuchii, Midori, Tsuki, Hikari é importante que vocês se recuperem na casa de Fujiro. Deixem que eu, Ayaka e Taiyoo vamos atrás da Safira luz

— Mas só eu posso localiza-la –Disse Hikari

— Neste caso, você nos passará as coordenadas –Disse Ayaka — É importante que vocês se recuperem agora. Ainda precisamos localizar os colares. Não sabemos o que pode acontecer daqui pra frente –Respondeu

— Eu concordo com a Ayaka –Respondeu Midori

— Certo, então vamos para a casa de Fujiro –Disse Akio

Agora o grupo seguia até a casa do Shiroi, ainda que em silêncio. Após um tempo de caminhada, já próximos a casa do espadachim, Fuji perguntou ao tio:

— A Harumi não veio com você tio?

— Desta vez não – respondeu com um leve sorriso –Mas prometo que da próxima vez eu a trago para brincar com você

— Tá! -Respondeu animado

— E vejo que você está seguindo os caminhos do seu pai –Comentou Akio notando a Katana nova do menino –Já está usando a katana? -Perguntou

— Sim, apesar não de eu não gostar muito do estilo Shiroi –Suspirou –Mas o meu pai disse que um dia esse estilo servirá para eu me proteger e proteger pessoas próximas a mim –Suspirou

— E ele tem razão -Respondeu Akio –Mas você deve estar se saindo muito bem nos treinos

— Minha meta é vencer a Harumi que é treinada pela tia Hazuki –Respondeu suspirando –Mas ela não se esforça muito, tem que pegar no pé dela tio –Suspiro

— Pode deixar –Disse Akio dando uma leve risada, achando engraçado como um garoto tão novo já era tão disciplinado, diferente de sua filha, que só estava vivendo a infância

Ao chegar na casa do pai do garoto, Fuji abriu a porta, retirou os sapatos e entrou na sala de sua casa, chamando os pais:

— Mamãe, papai, o tio Akio e os outros estão aqui

O casal que estava na sala, sentados em volta da mesa, junto com Kaguya, encaravam o grupo entrando.

— Como vocês estão? -Perguntou Akio

— Demoraram –Respondeu Fujiro dando um meio sorriso – Sente-se

— Eu vou preparar um chá para vocês -Disse Kotaki se levantando –Fuji venha me ajudar –Pediu

— Tá bom

Não demorou para que todos se acomodassem na sala, para começar uma breve reunião, sobre como se organizariam para a busca da safira da luz e do colar de rubricos.]

— Precisamos nos planejar –Disse Akio seriamente — Já sabemos que Ayaka, Sayo e Taiyoo iram atras da safira da luz. Já ficou certo que Hikari passar as coordenadas exatas para vocês. Hikari, você consegue localizar a safira daqui? -Perguntou o guardião das águas

— Eu preciso estar no ponto mais alto do país -Respondeu seriamente -É necessário que eu fique em isolamento total. Localizar a safira em um único ponto não é fácil, é preciso muito foco para encontrá-la.

— Isso é muito arriscado – Ayaka preocupada – Se acontecer qualquer coisa, você ainda não está recuperada para se defender

— Não se preocupe com isso –Respondeu Fujiro –Eu posso escolta-la até o pico de uma montanha. Acho que é o ponto mais alto do país.

— Hein? Vai ter coragem de voltar naquele lugar depois de tantos anos? -Perguntou Tsuki com um tom irônico

— Me poupe –Respondeu Fujiro indiferente – Ao invés de ficar me atazanando, porque não conta a eles aonde está o colar que o seu mestre escondeu?

— Cala essa boca –Mandou autoritário

— Do que ele está falando, Tsuki? -Perguntou Akio seriamente

— Está escondendo mais alguma coisa de nós? -Perguntou Sayo desconfiada

Logo todos começaram a questionar Tsuki sobre o que ele estava escondendo, deixando-o impaciente. Não demorou para que Kaguya intervisse nas perguntas, fazendo com que todos se calassem:

— Já basta! Tsuki, Miyu acaba de ligar. Hazuki disse que você sabia a localização do colar, que estava em uma montanha –Respondeu –Isso é verdade?

— Aquela linguaruda…

— Tsuki, por quê escondeu uma informação tão importante de nós? -Perguntou Akio paciente

— Porque é um egoísta! É isso! -Respondeu Tsuchii nervoso –A gente se arrebentando e ele rindo nas nossas costas!

— Não sei onde a Lin estava com a cabeça ao te escolher como sucessor –Respondeu indiferente a acusação do jovem guardião

— Eu não sei onde o seu mestre estava com a cabeça ao te escolher!

— Você é só um menino! O que sabe?! -Perguntou autoritário

— Que não se traí um grupo! Não se oculta essa informação! Ainda mais em uma situação como essa!

— Você não sabe e não viu metade das coisas que eu vi –Respondeu se contendo -Então pega a sua opinião de garoto e enfia no…

— Já chega vocês dois –Pediu Akio parando a discussão — Tsuki, você tem noção da gravidade da situação, tanto quanto nós, e é visível que Kaguya e Fujiro também sabem a razão de você ter escondido isso de nós. Mas agora precisamos saber, as razões e onde se encontra esse colar. Chegou a hora de você revelar isso

— Assim que eu me tornei um guardião, antes de uma reunião que teríamos no palácio das águas, meu mestre me colocou a par das minhas responsabilidades e do que estava se passando. No entanto, ele também me informou deste colar, que estava escondido em uma caverna, no alto de uma montanha. A montanha mais alta do país -Contou –No entanto, esse colar tem um selo que apenas o guardião da lua pode anular. Ele colocou esse selo justamente para que a energia do colar não fosse emanada. Se eu desfizer esse selo, Kano saberá imediatamente onde se encontra o colar

— De qualquer forma ele vai descobrir –Comentou Midori –Precisamos pegar a Safira e o colar

— É um risco muito grande –Disse Sayo –Tsuki está muito ferido

— Eu posso escoltá-lo –Disse Kaguya seriamente –Assim como Fujiro fará com Hikari

— O importante é conseguir o colar e a safira –Disse Taiyoo

Enquanto isso, no país das águas, Miyu voltava ao palácio após uma missão. Do hall a espadachim já conseguia escutar a filha, pedindo algo a governanta do palácio:

— Por favor, Mayumi, deixa eu ir!

— Eu não tenho autorização para te deixar sair, Harumi –Disse a empregada supervisionando o preparo do jantar –Ótimo trabalho pessoal. Venha Harumi, não vamos atrapalhar o trabalho do pessoal da cozinha –Chamou a menina

— Ahh Mayumi, não tem nada para eu fazer no palácio!

— Já treinou? Olha que se você não melhorar o seu desempenho a Hazuki vai pegar no seu pé -Fez cócegas na menina, que agora ria

— Eu não ligo –ria –Eu só quero uma vida normal, como a vida das minhas amigas. É muito chato ser princesa

— Ahh não diga isso –Disse Miyu soltando um meio sorriso –Se o seu pai escutar isso ele vai ficar triste

— Mamãe! -Chamou a mesma abraçando-a, enquanto Miyu a abraçava de volta

— O que aconteceu? Precisa deixar a Mayumi trabalha, filha –Disse fazendo carinho na sua cabeça

— Mamãe, eu queria sair com as minhas amigas e a Mayumi não deixou –Disse olhando para a mãe

— Porque eu não autorizei –Explicou –Harumi, estamos passando por um momento delicado, e todo cuidado é pouco. É só uma fase, mas as suas amigas podem vir até o palácio se quiserem

— Elas não se sentem à vontade aqui mamãe! -Respondeu –Porque eu não posso ter uma vida normal? Eu quero me divertir com elas!

— Por enquanto você não pode sair sozinha, na situação em nos encontramos é perigoso para você. Você ainda não tem preparo para se defender sozinha, Mayumi não poderá te socorrer e eu estou ocupada e sua tia também

— Quando o papai volta? Você disse que ele voltaria logo –Disse entristecida

— Seja paciente –Pediu –Ele também sente muita falta de nós duas –Respondeu

— Com licença, majestade –Disse Mayumi interrompendo a conversa –O jantar está servido

— Obrigada Mayumi –Agradeceu Miyu –Vamos jantar Harumi –Chamou

— Majestade –Chamou Mayumi

— Pois não?

— Chegou uma carta para o Imperador –Avisou discretamente

— Tudo bem, deixe no escritório -Pediu

— Alteza, pode ser do interesse de todos vocês -Comentou –O remetente é da família por parte de mãe -Disse discretamente

Não demorou para que Miyu parasse no meio no meio da sala de jantar, ainda pensativa. A família por parte de mãe, pertencia a Alpha. O que aquilo significava? Sem pensar duas vezes a mesma, pediu a Mayumi:

— Me encontre no escritório daqui há 15 minutos –Pediu — Após jantar com a Harumi, eu vou para lá

— Como quiser, imperatriz. Com licença -Se retirou

Não demorou para que Miyu e Harumi se sentassem a mesa para jantar. Enquanto jantavam, Harumi conversava sobre o seu dia na escola, sobre a lição de casa, sobre como foi o seu dia no palácio. Ainda pensando sobre a tal carta, a espadachim interagia com a filha, dando a atenção que a mesma tanto precisava.

Ao terminar de jantar, ambas se retiraram da mesa. Não demorou para que os demais empregados retirassem a mesa, enquanto Harumi se dirigia ao quarto e Miyu ao escritório. Ali, a Shiroi já se deparou com Mayumi, que agora entregava a carta:

— Sem dúvidas, é o remetente de Alpha

— Não sei se é prudente abrir essa carta agora –Respondeu indecisa -Não gosto de violar a privacidade do Akio, uma carta de família é algo extremamente pessoal…

— E se for a respeito do tal colar, alteza?

— É sobre isso que eu estou pensando

— Alteza, acho que vossa majestade devia ler o que está escrito –Sugeriu –Se for sobre o colar, é melhor vossa alteza chegar antes dos demais. Aquele Kano, pelo visto ele não está perdendo tempo

— Você tem razão, Mayumi… -Disse abrindo a carta e lendo

Ao ler a carta, Miyu se surpreendeu com o conteúdo. Era uma carta escrita por tritão, avô de Akio, convocando-o para um treinamento especial. E não era só isso, este notificava que estava sobre posse do colar que os levariam até Alpha e que para consegui-lo, Akio precisa passar por uma prova.

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