Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
26 Capítulo 26: A safira da lua, o incêndio no vilarejo da lua minguante
O sol já havia se levantado no país da lua, o povo do vilarejo começava a fazer os seus afazeres do dia-a-dia, que era diferente dos afazeres do países mais desenvolvidos de Jewels. De fato, aquele povo tinha muito trabalho, mas não relacionado a comércio, mas sim com produção.
Homens e mulheres trabalhavam nas hortas correspondentes a suas famílias, para que futuramente não passassem fome e tivessem material para construir as suas casas. Enquanto isso, crianças corriam até o templo dos monges Tsuki, para que assim pudessem ser educados dentro daquela cultura e alfabetizados.
Algumas pessoas faziam arranjos musicais, enquanto uma mulher cantava um doce canção, tornando o trabalho árduo mais agradável, trazendo paz aos corações dos aldeões. Dependendo do quanto que àquela melodia contagiasse aquele grupo de pessoas, estes começavam a dançar com embalo da música, elevando a energia daquele lugar.
Sobre uma laranjeira, ainda escondido entre os galhos e folhas, Masao observava aquela povo alegre, cantando aquele bela melodia, dançando, enquanto trabalhavam. Não era um clima de alegria, no sentido mágico, fantasioso, como nos livros infantis da pequena princesa Harumi, ou até mesmo de seu irmão caçula, era diferente. Era algo que de alguma forma, trazia paz àquele povo.
Ele achava engraçado como os povos de cada país eram diferentes. No país das águas por exemplo, às pessoas se preocupavam muito com a economia, levantavam cedo para trabalhar e no final do mês receber o pagamento por aqueles serviços. Já este povo, se não trabalhasse na sua produção, não teria recursos para sobreviver. De certa forma, lembra um pouco a forma de trabalhar dos Shirois, a diferença era que os espadachins eram assassinos de aluguel.
Masao estava ansioso para conhecer os demais mundos, afinal, se havia tantos povos e culturas que ele não havia visto no seu próprio mundo, imagine o que este poderia encontrar nos demais. O dinheiro que poderia faturar ao apresentar uma planta, tecnologia ou até mesmo ser de outro mundo as autoridades de cada país.
O mesmo agora estava mais determinado do que anteriormente, precisava ajudar Kano a reunir aquelas joias e pegar aqueles colares. Masao não simpatizava com o serviçal de Demon, muito menos queria saber de um ex-deus que ele sequer conheceu e serviu. Seu objetivo era acessar os outros mundos celestiais.
— Parece que estou começando a conhecer o mundo agora—Soltou um sorriso debochado –Aproveitem, seus idiotas
Enquanto isso, no alto de uma montanha, no templo dos monges Tsuki, alguns monges conversavam um pouco, enquanto degustavam um raro saquê que haviam ganhado do povo do vilarejo.
— Fukeru Tsuki ainda está ativa –Comentou –Quando descobriu que havíamos encontrado a safira da lua, não pensou duas vezes antes de arranca-la de nós –Riu
— Ele não nasceu ontem, aquele desgraçado –Debochou –Ele sabe perfeitamente que o guardião virá atrás da Safira. Meu mestre dizia que este tal guardião da lua é um miserável, filho de uma prostituta que se refugiou em nosso país
— É verdade, meu mestre também comentou isso –Riu –Dizem que ela seduziu um dos aldeões, corrompendo o vilarejo puro com a sua luxuria
— O que se comenta é que ele é um reflexo desse aldeão
Agora monge mais velhos se aproximavam dos mais jovem que comentavam sobre a vida e passado de Tsuki.
— Ei vocês –Chamou –Vão dividir esse saque? Sabem que roubar é um pecado, não sabem?
— Mestre! –Chamou um dos jovem com um sorriso
Enquanto isso, atrás de uma pilastra, Fukeru Tsuki, um senhor bem idoso, ainda com um cajado, escutava os monges rindo enquanto bebiam. Logo o mesmo deu meia volta e entrou no templo, caminhando lentamente até a sua sala.
Ao chegar, o mesmo se sentou em sua cadeira, sacou a safira de seu bolso e encarando-a pensou:
— Aquele monge rebelde e aquela garota, fruto do pecado daquele guardiões…como se atrevem a vir até o meu sagrado templo—Pensou com um meio sorriso –Agora não importa mais, que venha Tsuki, será a oportunidade perfeita para eu tomar o shakujõ de volta
O shakujõ era um objeto sagrado, deixado aos cuidado de Seiji, quando o mesmo ainda era um aprendiz, por seu mestre, que foi o primeiro guardião da lua e hospedeiro do velho oráculo, o oráculo do tempo. Aquela arma tinha o poder de um oráculo concentrado, mas isso era um detalhe que os monge não tinham conhecimento.
No entanto, sabiam que era sagrado, e que somente os monges colocados como os mais puros, tinham o direito de herdar aquele bastão sagrado. O primeiro guardião da lua passou para Seiji, que passou para Tsuki.
Este shakujõ era cobiçado pelos monge Tsuki, muitos sentiam inveja do guardião da lua ter herdado a arma de seu mestre. Afinal, era um perdido entre os monges, como conseguia encostar as suas mãos naquele objeto sagrado? Não fazia sentido.
Enquanto isso, já chegando na beira do rio, a mulher parava o barco próximo a ponto. Não demorou para que todos desembarcassem.
Já em terra firme, todos viam aquele enorme campo verde, florido. Em alguns pontos era possível ver os aldeões, trabalhando em suas hortas, plantações, forjando os próprios utensílios, o que chamou a atenção do grupo.
— Uau, que vista –Comentou Midori encantada
— Aqueles são aldeões do vilarejo? –Perguntou Ayaka curiosa
— São sim –Respondeu a mulher amarrando uma badana em sua cabeça –Eles trabalham para sobreviver. Cada um tem a sua horta, plantação e usam de seus recursos para construir utensílios
— Isso é incrível –Comentou Tsuchii –Qual é o seu nome?
— Miyako –Respondeu com leve sorriso
— Vamos logo –Chamou Tsuki caminhando em direção ao vilarejo mais próximo –Quero encontrar essa safira o quanto antes
— Ai, nos deixe admirar um pouco a paisagem –Pediu Sayo emburrada
— Nós quase não temos a oportunidade de contemplar essa vista –Comentou o guardião das águas
— Como não? Do seu “humilde” palácio não consegue contemplar o se povo trabalhando? Igual uns condenados. Ao começar pelos empregados do palácio real –Debochou
— São trabalhos diferente, e eu não comtemplo isso –Comentou emburrado –Fala como se eu fosse um carrasco
— Há! Para eles você deve ser um filhinho de papai, miserável –Debochou –É claro, que na sua frente te trataram como o imperador que tanto admiram. Como você é ingênuo –Riu
— Eu mantenho a ordem –Respondeu
— Certo, certo –Disse Ayaka separando-os e apartando a discussão –Vamos logo até o vilarejo, ouvi dizer que eles tem algumas ervas medicinais muito boas, gostaria de dar uma olhada
Não demorou para que o grupo escutasse uma alta explosão vindo do vilarejo. Após alguns segundos, escutaram outra, até que Miyako comentou com Tsuki:
— O vilarejo
— É o que parece –Invocou o shakujõ –Vamos lá! –Correu seguindo a mulher
Agora os guardiões seguiam Tsuki e Miyako, que por sua vez, seguiam em direção ao vilarejo. Chegando ao lugar, ambos viram as casas sendo tomadas pelas chamas, enquanto gritavam por socorro ainda desesperadas.
Alguns aldeões tentavam apagar aquele fogo com água, mas não era o suficiente, as chamas eram bem fortes, intensas, altas, impossível de se conter com um pouco de água de uns baldes.
Mulheres e homens, ainda tentando proteger suas crianças do fogo, presas entre os destroços da casa queimada, gritavam por socorro. Outros aldeões tentavam tirar aqueles destroços das famílias, mas não conseguiam, era muito pesado.
Tsuki agora ajudava parte daquelas famílias, enquanto os demais guardiões faziam o mesmo. Akio agora levantava as suas mãos, criando uma enorme esfera de água sobre todos, que cobria todo o vilarejo.
— Eu vou soltar, vocês vão se molhar um pouco –Avisou soltando um meio sorriso, ainda fazendo força para segurar aquela esfera de água
— Desgraçado—Pensou Tsuki emburrado
Logo Akio abaixou o braço, fazendo com que a esfera de água se desfizesse sobre o vilarejo, fazendo uma espécie de chuva, que imediatamente apagou o fogo.
Agora todos se encontravam ensopados, as guardiãs encaravam a suas roupas ensopadas, encarando o guardião das águas enfurecidas, enquanto que Midori soltava os cabelos e retirava os óculos para limpa-lo.
Ao vê-la totalmente ensopada, com os cabelos soltos, sem óculos, o coração do guardião da terra começou a disparar. O mesmo sentiu a sua face queimar, enquanto pensamentos um pouco obscenos vinham até a sua mente.
Não demorou para que a mesma voltasse a colocar os óculos e se juntar aos demais. Logo um homem do vilarejo correu até Tsuki, avisando que ainda haviam pessoas, famílias presas naqueles escombros.
Nenhum dos guardiões tinha força o suficiente para levantar aqueles escombros, afinal, havia limitações em seus poderes, tanto que precisavam trabalhar em conjunto algumas vezes. Desta forma, Midori teve uma ideia, chamando o guardião da terra:
— Tsuchii!
— Hm? –Perguntou saindo de seus pensamentos
— Acha que consegue usar aquilo que estava praticando? –Perguntou
— Eu ainda não tenho muito controle sobre isso –Suspirou –Não sei se ajudaria
— Vamos lá, tenta –Pediu
— Midori
Os guardiões não entendiam do que Midori estava falando, afinal, o que o guardião estava praticando? Será que Tsuchii tinha outro truque escondido por de baixo da manga? Eles não tinham ideia do que a detetive estava se referindo.
Ao ver que o mesmo se negaria por insegurança, Midori, desviou o olhar pensativa, tentando encontrar uma forma de fazê-lo mudar de ideia.
— Tsuchii, por favor, eu estou te pedindo –O encarou manhosa –Só você pode ajudar essas pessoas
A forma que a detetive a encarava, molhada, com aqueles cabelos soltos, com aquele olhar manhoso, usando aquele jeito doce, o fez corar imediatamente, deixando-o sem jeito na frente dos guardiões.
Ainda emburrado, o mesmo suspirava e comentava:
— Não tem outro jeito. Ei! Essa terra é fértil? –Questionou os aldeões
— Claro que é –Respondeu um
Não demorou para que o guardião da terra abrisse os seus braços e concentrasse a sua energia na terra. Em seguida, Tsuchii começou a levantar os braços e junto, caules de plantas, que davam botões e logo floresciam.
Tal visão deixou os guardiões deslumbrados, afinal, acreditavam que o jovem só era capaz de provocar terremotos e manipulas a terra. Manipulas plantas, jamais imaginaram que o mesmo fosse capaz de tal façanha.
Não demorou para o mesmo manipulas aquelas plantas, de tal forma, que o caule se enrolasse nos escombros das casas. Agora o guardião depositava a sua magia naqueles caules, de forma equilibrada e bem distribuída, levantando-as os escombros ainda com muito custo.
Aproveitando a brecha, Midori junto com os guardiões e outros aldeões, ajudava as pessoas que estavam presas, a sair daquelas casas destruídas.
Após resgatar todos que estavam presos, Akio perguntou:
— Estão todos bem?
— O meu bebê! O meu bebê não está aqui! –Disse uma mulher desesperada
— O quê? –Perguntou o guardião das águas
— Eu não vou aguentar por muito tempo! –Disse Tsuchii sentindo o suor pingar
— Aguenta ai! –Pediu Sayo procurando pelo bebê junto dos demais guardiões
— Não dá! Meus músculos…vão arrebentar! –Disse fazendo o máximos de esforço possível
— Fique tranquilo, guardião –Disse alguém segurando um bebê em seu colo –Vejam como ele dorme, mesmo com toda essa tragédia
Ao olhar para o lado, todos virão Masao com um bebê em seus braços, completamente adormecido. O mesmo encarava Akio com um sorriso debochado, enquanto o mesmo, o encarava com seriedade.
Akio se recusava a acreditar que Masao fosse capaz de tal atrocidade. Colocar fogo em um vilarejo, sem razão nenhuma, colocar a vida de aldeões em risco, por nada. Era absurdo, era desumano, quando o filho de sua governanta havia se tornado uma pessoa deste nível? Ele não conseguia nem responder essa questão para ele mesmo.
Já Tsuchii soltava os escombros, soltando um alto grito de dor, caindo de joelhos no chão. O mesmo se sentia fraco, afinal, como já havia dito para a parceira, não estava acostumado com aquela habilidade que havia desenvolvido nestes últimos anos.
Preocupada, Midori correu até o mesmo, socorrendo-o. A mesma notou que este estava ofegante, suando, como se tivesse carregado uma pilha de tijolos sozinho.
— Você está bem? –Questionou preocupada –Beba isso, precisa se hidratar, fez muito esforço depois de ter passado por aquele deserto –Disse dando um pouco de água da sua garrafa
Sem pensar duas vezes o mesmo pegou a garrafa e tomou um pouco da sua água. Ainda ofegante, com um olhar enfurecido, o mesmo encarava Masao, ainda segurando a criança.
Ainda com um grande esforço, Tsuchii tentava se colocar de pé, com muita dificuldade. Ao ver que o mesmo mal se aguentava de pé, pois parte da sua magia havia sido depositada daqueles caules, Midori o segurou e disse:
— Ei! Não faça esforço!
— E-esse desgraçado…não vale o que come –Respondeu ofegante
— Ora, senão é o guardião que eu derrubei no outro dia –Provocou –Já se recuperou dos ferimentos que eu provoquei? Claro que não –Gargalhou
— Eu vou te mostrar! –Tentou avançar enfurecido
— Tsuchiii, não! –Gritou Midori segurando-o
— Me solta! –Mandou autoritário
— Tem um bebê com ele! Se você fizer qualquer coisa contra esse covarde, será a vida da criança! Se acalme! –Mandou autoritária
Agora o guardião da terra caía em si, engolindo o seu orgulho, se calando, enquanto abaixava a cabeça, sentindo-se impotente. Midori tinha razão, apesar de tudo, eles precisavam pensar no refém e em como resgata-lo.
Não demorou para que Akio se aproximasse de Masao, ainda com indiferença, ficando frente a frente com o filho de sua governanta e babá de sua filha.
— Masao, me entregue essa criança
— As safiras, majestade –Pediu
— Acho que você não está entendendo –Disse soltando uma risada debochada –Você nasceu e foi registrado como nativo das águas. Me deve obediência e fidelidade, me entregue esse bebê! –Mandou autoritário
— Ora –Soltou uma risada debochada –Vossa majestade, tem toda a razão –Entregou a criança
Com cuidado, Akio pegou o bebê em seus braço e entregou a mãe. Logo em seguida, o mesmo viu Masao dar as costas a ele e os demais, ainda que avisando:
— Isso é só uma demonstração do que eu posso fazer
— Desgraçado –Murmurou Tsuchii
Agora Masao desaparecia, sendo tomado por um círculo preto.
Ao ver o esforço que os guardiões haviam feito para salva-los, os aldeões passaram a vê-los como pessoas boas, que não queriam o mal de seu vilarejo. Desta forma, um aldeão, com uma casa um pouco maior, onde era possível hospedar o grupo, se aproximou de Akio e disse:
— Estamos muito gratos por sua ajuda. Se não fosse por vocês, este vilarejo estaria no meio das chamas e essas pessoas mortas
— Imagina, não foi nada –Respondeu o guardião das águas soltando um meio sorriso –Estamos aliviados que ninguém tenha se machucado gravemente
— São estrangeiros, não é? –Questionou –Tem lugar para ficar? Por favor, aceitem ficar em minha humilde casa –A colocou à disposição dos guardiões
— Não podemos aceita, senhor –Respondeu Ayaka –Seria muita ousadia
— Eu insisto –Disse com um doce sorriso
— Bem, estamos cansados da viagem, acho que não tem nada de errado em aceitarmos –Comentou Sayo com os parceiros de missão
— Eu concordo –Respondeu Hikari assentindo com a cabeça –O Tsuchii também precisa se recuperar. Está sem energia até para andar
— Pois é, não vejo mal em aceitarmos –Comentou Taiyoo –O que acha, Tsuki?
— Podem ir –Respondeu dando as costas aos guardiões –Eu ainda preciso passar em um lugar. Acho que estão me esperando –Olhando para as montanhas onde se localizava o templo dos monges Tsuki, já sentindo a energia da safira da lua
Tsuki não havia comentado com o grupo, mas aquilo não passava de uma armadilha do Fukeru-Tsuki. Claro, o guardião sabia exatamente o que o mesmo queria, e já imaginou a razão para o mesmo atrair os guardiões até o templo, principalmente Hikari e Akio.
Tsuchii notou que o guardião da lua estava um tanto sério, se comparado aos outros dias onde ele era irônico e debochado. No entanto, o guardião da terra preferiu não comentar, afinal, estava fraco demais até mesmo para questionar algo.
Sem demoras o grupo, junto com o aldeão, se dirigiu a casa deste. Ao chegarem no local, se surpreenderam, pois a casa deste era quase do tamanho de um palácio. Afinal, o que ele fazia? Como conseguia produzir tanto? Era inexplicável, no sistema em que viviam, ele conseguir construir uma residência daquelas.
— Uau… o senhor construiu tudo isso? –Perguntou Midori fascinada
— Pode-se dizer que sim –Riu –De pouco em pouco fui construindo um palácio para a minha família, até que crescessem e formassem a sua própria família
— É incrível –Comentou Ayaka –O senhor construiu as ferramentas? Quero dizer, não tem como ter feito esse vitrais com madeira
— Muito bem observado minha jovem –Riu –Eu estudei com os monges Tsuki, aprendendo diversos ofícios desde muito novo. Durante a minha juventude comecei a colocar isso em prática, para construir esse palácio
— Uau –Disse o grupo surpreendido
— Mas não pretendem ficar sentado, só admirando, não é? Fiquem a vontade para explorar o palácio, usar os quartos, sintam-se em sua casa
— Muito obrigado, senhor –Agradeceu Akio
Alguns minutos se passaram, e agora em frente ao templo dos monges Tsuki, o guardião da lua se encontrava parado, ainda com um pouco de receio de entrar naquele local, onde tanto sofreu quando menino.
Não demorou para que o mesmo visse os enormes portões do templo se abrirem para ele, como se já estivessem esperando por sua visita.
Ainda indiferente, o guardião da lua entrou na área dos monges, que não era pequena, pelo contrário, era bastante ampla, pegando parte da mata das montanhas. O mesmo caminhava em um direção reta, seguindo diretamente até o templo.
Não levou muito tempo para que os monges começassem a se juntar e comentar a respeito do monge devasso, que havia partido templo da lua, ainda adolescente, para viver a vida de um boêmio, desregrado, sem futuro.
O guardião continuava indiferente àqueles olhares de rejeição que eram lançado nele, afinal, desde menino, antes mesmo deste levar essa vida fora dos padrões daquele templo, já era tratado daquele jeito, senão pior.
O único monge que lhe estendeu a mão e o disciplinou de verdade foi o seu mestre, guardião da lua antecessor a ele, Tsuki Seiji. Embora vivesse batendo o shakujõ em sua cabeça, Seiji nunca deixou de dar carinho ao mesmo, de ensinar coisas sobre a vida e sobre si mesmo.
Seiji havia sido como um irmão mais velho para Tsuki, que o apoiava a se superar e puxava a sua orelha quando estava prestes a fazer alguma besteira.
Passando entre os monges, ainda indiferente àqueles olhares de julgamento, já na porta do templo, que já estava aberta, o mesmo sentia um tomate estourar em seu braço, encarando o suco da fruta escorrer por sua roupa, ainda sem reação.
— O que faz aqui, monge boêmio?! Volte para as suas prostitutas –Jogou outro tomate
— Veio roubar o nosso saquê? Monge dos infernos! –Jogou outro tomate, só que em seu rosto
Logo os monges começaram a acerta-lo com frutas, xingando-o, ofendendo o seu mestre e seus pais. De cabeça baixa, Tsuki começava a se enfurecer com aquelas provocações, prestes a invocar o seu shakujõ, e derruba-los, um por um.
Ao levantar a cabeça, invocando o bastão celestial que havia herdado de seu mestre, prestes a avançar naqueles monges que ele considerava hipócritas, para a sua surpresa, apareceu Fukeru-Tsuki, o monge superior daquele templo e membro do conselho de guardiões.
— Já basta! –Mandou autoritário –Peguem os esfregões e limpem toda essa sujeira! Esse templo é um lugar sagrado e puro! Bando de desordeiros!
Imediatamente os monges pararam com as agressões e se curvaram durante o seu superior se desculpando.
— Tsuki, já faz uns anos que não nos visita –Riu –Venha, vou entregar uma toalha para limpar o seu rosto. Se quiser, pode usufruir das nossas águas termais. Sabe que são muito relaxantes, não gostaria de… -Perguntou entrando no templo junto do guardião da lua, até ser cortado pelo mesmo
— Onde está velho? –Perguntou enfurecido
— Sempre tão apressado, tão ansioso –Riu indiferente a sua grosseria –Me acompanha, Tsuki
Tsuki agora seguia o superior até a sala do mesmo. Após o superior convida-lo à se sentar em uma cadeira de frente a sua mesa, o mesmo assim fez, sentou-se, ainda largado na cadeira. Do outro lado, o monge sentou-se em sua cadeira.
— Ah Tsuki, você não cansa de me surpreender –Riu tossindo –Quando achamos que podemos te enganar, lá vem você e expõe os nossos planos. Será que não dá para fingir, pelo menos?
— A safira da lua, velho –Disse encarando-o com indiferença
Logo o monge tirou a safira de seu bolso e mostrou ao guardião. Enquanto isso, Tsuki se perguntava o que aquela safira estava fazendo no templo da lua? Nas mãos do Fukeru-Tsuki? Será que ele havia tirado de algum aldeão que havia encontrado a pedra? Isso já não importava, ele só queria pegar a joia o quanto antes para partir daquele país o quanto antes.
— Ela é linda, não é? Essa cor cinza, ainda transparente… é como uma pedra que ainda precisa ser lapida, entende o que eu quero dizer? –Encarou o guardião
— Não –Respondeu indiferente –Me entregue a joia –Mandou -Quanta impaciência monge, vejo que o seu mestre não o treinou como devia, claro, não deve ser fácil lapidar um diamante bruto como você. Sabe, Tsuki, eu sempre te achei muito sábio, desde menino, afinal, você expunha as atitudes erradas dos demais monges. Eu acho que você futuramente você pode até…
— Velho, vou deixa bem claro uma coisa –Disse se levantando –Eu nunca quis ser monge e tão pouco guardião. Estou atendendo a pedidos do meu mestre, nada mais. Não perca os seus poucos segundo de vida para me bajular –Debochou
— Ora, sua arrogância atingiu um outro nível –Riu debochado –O que esperar com alguém que anda ao lado de um fruto do pecado? Aprendiz de um monge que fez o parto e encobriu essa aberração, fruto da ousadia de dois guardiões
— Só ficou sabendo da fofoca agora? –Debochou –Fukeru-Tsuki, por favor, como membro do conselho achei que fosse melhor informado? O quê? Não vai me dizer que dona Shoka não te contou o que aconteceu fora do templo?! Ela te deixou por fora?! Ahh, não… -Riu debochado
— Cale-se! Prepotente! –Gritou autoritário –Mereceu ser agredido com aquelas frutas, você não passa da cria de uma prostituta! Essa vida que você leva dentro deste tipo de casa, bem que combina com a sua história
— Não tanto quanto a podridão por trás do conselho de guardiões, não é? Vamos entrar em detalhes? Começando pelos corruptos do conselho, que recebem por impor regras injustas aos guardiões a pedido do império? Quanto o membro representante do país do vento ganha? O que ele teme?
— Cala-se insolente! –Mandou autoritário
— Essa safira não deve ficar em poder do conselho, mas sim do guardião –Invocou o shakujõ de seu mestre –Me entre antes que o denuncie para os demais membros do conselho
— E se fizermos uma troca?
— Está maluco?! Eu não estou aberto à negociações!
— Calma, escute minha proposta –Riu –Tsuki, muito embora eu sinta nojo da sua existência, mas você pertence algo que me interessa, há muito tempo. Devo reconhecer, que você sabe lutar como um animal selvagem, um horror, mas uma habilidade útil para um guerreiro. Neste caso, o que acha? Eu te entrego a safira que você precisa tanto e você me entrega o shakujõ de seu mestre
— Você não entendeu, não é? Eu não estou aberto a negociações. Me entregue a safira –mandou impaciente
— Acho que precisa de um tempo para pensar –Disse estalando os dedos
Logo monges Tsuki entraram na sala, cercando o guardião da lua, que agora se colocava em posição de batalha. Estes monges eram os mais experientes, não eram monges qualquer, o que o deixou em estado de alerta.
— Não brinquem comigo! –Tentou ataca-lo com o shakujõ
Um monge desviou de seu ataque, e o segurou, enquanto outro colava um selo em sua testa, fazendo com que a sua energia caísse, se reduzindo a nada. Logo o shakujõ de Tsuki caiu no chão, enquanto o mesmo desmaiava.
Antes de atingir o chão, os monges o seguraram, prendendo as suas mãos com algemas. Logo Fukeru-Tsuki caminhou até o bastão sagrado e tentou segura-lo. Só de estar próximo a arma, o mesmo já sentia o choque daquela poderosa energia sagrada.
— Enrole essa arma em um pano –Ordenou ao monge –Leve até o meu quarto, imediatamente –Mandou guardando a safira
— Sim senhor –Saiu em busca do pano
— Fukeru-Tsuki, o que faremos com esse perdido?
— Castigue-o –Ordenou –Tsuki precisa se lembrar da vida que levava aqui, e quem é a autoridade deste templo
— Sim senhor –Responderam arrastando-o para sala de castigo
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