Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
8 Capítulo 8: A safira do vento
Ainda caindo no buraco, gritando, sem ver o chão daquele precipício, o trio gritava desesperado, ainda sem saber como faria para se salvar da queda. Enquanto caía, Midori notou que sua visão começava a ficar turva, até a mesma perder a consciência.
Ao ver que a amiga havia desmaiado, Tsuchii esticou o seu braço e a puxou para si, avisando ao amigo:
— Akio! A Midori desmaiou! Precisamos fazer alguma coisa, ou não sobreviveremos a essa queda! –Avisou ainda com os seus cabelos esvoaçando
O guardião das águas agora pensava em algo e logo teve uma ideia.
— Ryu no Mizu!!! –Invocou Akio enquanto caiam
Logo apareceu um grande dragão chinês feito de água, que agora apanhava Akio, Tsuchii e Midori, levando-os até o solo, ainda que em segurança.
Agora Ryu no Mizu pousava lentamente sobre o chão daquele abismo. Descendo do dragão, Akio o dispensava:
— Obrigado, Ryu no Mizu –Agradeceu
O animal celestial agora atravessava o portal que logo se fechou. Já no solo, Akio observava Tsuchii repousando o corpo de Midori com cuidado no chão, ainda preocupado com o fato da mesma ter desmaiado durante a queda.
— Ela desmaiou –Avisou preocupado ainda encarando-a –Acho que essa missão está sendo muito para ela…
— É sério que você está subestimando ela desse jeito? –Perguntou Akio pegando uma caixa de fósforo do bolso de Tsuchii e ascendendo-o
— Ei! Ei! O que está fazendo?! Tá batendo carteira ou quê?
— Fala sério, você não é o único que possuí segredos, sabia? –Perguntou se sentando no chão –Aliais, quando começou a fumar? Sabe que isso pode atrapalhar o seu desempenho nas batalhas, não sabe? –Perguntou mostrando o maço de cigarro que havia retirado do bolso de Tsuchii
— Você ouviu a Sayo, não ouviu? Eu estou em ótimas condições físicas, treino constantemente–Disse pegando o maço de volta e agora ascendendo um cigarro – São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, muitas informações de gente que eu nunca vi na vida –Tragou e depois soltou a fumaça
— Pensei que estivesse gostando da carreira de detetive –Comentou ascendendo uma fogueira –Do que está falando? –Perguntou
— Eu gosto do trabalho de investigar e prender criminosos; mas o meu pai era sócio da agência e volta e meia escuto histórias de como ele era incrível, como ele era imbatível até o dia que morreu em missão. É como se quisessem que eu me transformasse neste cara, que eu sequer lembro –Comentou emburrado –Eu gosto do ofício, mas não quero ser um fantasma do Chairo Satoru, o super detetive da Rokutsuchii –Ironizou
— Eu entendo o que quer dizer –Respondeu dando um meio sorriso –Passei pela mesma coisa, acredite
— Fala sério, você é um imperador –Respondeu debochado –Sempre teve o reino das águas te paparicando
— Acha que a minha vida foi um mar de rosas por ser da família real? –Perguntou soltando um leve risada –Caso não saiba, a última coisa que fazemos é desfrutar dos nossos bens. Depois da morte dos meus pais, o povo viu em mim o Mizu Mizuno segundo, o imperador Akio seria como o seu pai e os ministros se empenharam para que isso acontecesse. Quando lutei contra Kaigun no país das águas, usando a espada da minha avó e a farda de combate do meu pai, senti todas a expectativas do país das águas em mim, foi muita pressão –Confessou
— Eu não fazia ideia…que aquela farda e aquela espada eram do seu pai e da sua avó –Comentou sem graça –E como lidou com isso?
Agora o mesmo soltava outro meio sorriso, se recordando do apoio que teve das pessoas que o amavam, em especial, da sua irmã, Mayumi e Miyu.
— No começo, eu realmente fiquei assustado, queria fugir daquela situação –Confessou –Mas quando olhava para trás, eu via Amy, Mayumi, Miyu e todos vocês me apoiando. Eu sabia que se algo me acontecesse, estariam lá para me levantar –Respondeu
— Eu não sei se tem alguém assim naquela agência –Respondeu debochado tragando e logo depois soltando a fumaça – São todos uns puxa saco
— Tem certeza? –Perguntou olhando para Midori
— Ela…esquece… –Disse jogando a bituca de cigarro no chão, ainda que suspirando –Eu não sou forte como você, então preciso de algo para me refugiar
— Você ainda tem muito o que aprender, Tsuchii –Respondeu –Enquanto achar que tudo se baseia em força, não chegará em lugar nenhum –O orientou
— Isso é sobrevivência –Respondeu
— Não, não é –Respondeu seriamente – Há outras formas de sobreviver neste mundo sem ser por meio da força. Eu não fui forte, eu não passei por tudo sozinho, eu tive ajuda, ajuda de vocês, da minha família, da Miyu –Respondeu seriamente
— E eu vou recorrer a ajuda de quem?! –Perguntou enfurecido –Sinto muito, mas eu não tenho tanta sorte quanto você, sabia?! Eu estou sozinh…
Logo Akio o abraçou e disse:
— Você não está sozinho, entenda isso
Tsuchii se surpreendeu ao sentir aquele abraço do guardião das águas, afinal, ninguém nunca havia feito aquilo. Era estranho, mas pela primeira vez, o guardião da terra sentia como se pudesse confiar em alguém.
O mesmo começava a ver em Akio, um irmão mais velho, que talvez pudesse guia-lo, nesta fase difícil de sua vida. Talvez a guardiã do fogo estivesse certa no que disse no palácio das águas, quando sugeriu que o mesmo devesse se espelhar em Akio.
— Nós não somos apenas companheiros de batalha –Disse Akio se separando guardião e colocando a mão em seu ombro, enquanto o encarava – Nós somos amigos, vamos estar aqui sempre que você precisar. Você não precisa se refugiar nesses maços, não jogue a sua vida fora com isso, Tsuchii
Agora Akio notava que os olhos do guardião começavam a lacrimejar, enquanto o mesmo desviava o olhar, notando que o mesmo ainda escondia algo que não queria revelar.
— Tsuchii, qual é o problema? O que houve?
— Há uns dias atrás…eu estava na agência… -Respondeu soluçando – Achei uma certidão de nascimento…
— Certidão…? –Perguntou Akio –De quem?
— Minha –Respondeu revoltado –Só que não estava registrado os nomes dos meus pais e sim o nome de outras pessoas! –Respondeu enfurecido
— O que? Espera, tem certeza que era sua? Às vezes é de alguém com o mesmo nome –Tentou acalma-lo –Não está se precipitando?
— Essa certidão é minha –Respondeu – Bate com o meu tipo sanguíneo, cor de cabelo, até mesmo o sobrenome
— Sobrenome?
— É estranho… mas embora os meus pais sejam diferente; mas ambos possuem o mesmo sobrenome –Comentou pensativo –O que significa isso afinal?! E o pai da Midori sabe! Essa certidão estava na sala dele! –Respondeu
— Olha, eu sei que neste momento você deva estar cheio de perguntas –Tentou acalma-lo –Vamos passar pelo país da terra depois, certo? Podemos aproveitar a oportunidade para desvendar esse mistério todo
— Vai me ajudar nisso? –Perguntou encarando-o surpreso
— Vou, mas tem que me entregar o maço -Esticou a mão –Temos um acordo?
— Feito –Disse entregando nas mãos do guardião
— Todos –Mandou
Não demorou para que ainda contrariado, Tsuchii ainda entregasse mais três maços para o guardião das águas, que agora jogava tudo na fogueira, enquanto comentava:
— Que absurdo
Passados alguns minutos, Midori enfim despertou, ainda que lentamente. Agora se levantando, a mesma esfregava os olhos, sem reconhecer o ambiente. Ao ver que a mesma havia despertado, Tsuchii se aproximou da amiga e perguntou:
— Você está bem?
— Sim… -Respondeu ainda meio confusa –Onde estamos?
— Caímos naquele buraco e você desmaiou –Explicou o guardião das águas –Acha que consegue andar? Precisamos encontrar uma saída
— Sim –Respondeu se levantando
— Vamos nos manter perto uns dos outros, certo? O ambiente é bem escuro, propício para nos perdemos –Avisou se levantando também –Tsuchii, consegue criar 3 tochas? –Perguntou Akio
— Sim –Respondeu
Logo Tsuchii começou a criar tochas de madeiras e em seguida entregou uma para cada um. O grupo agora começava a caminhar, tentando achar uma saída naquele buraco que parecia mais um tipo de túnel.
— Nossa…lembra bastante o túnel que tem por baixo do templo da terra –Comentou Tsuchii
— Não foi você quem montou aquele túnel? –Perguntou Akio
— Está maluco? Que bebê montaria aquele esquema de armadilhas? Seja lá quem tenha montado esses túneis, deve ter colocado uma armadilha em todos, com certeza para proteger algo
— Pode parecer besteira; mas não acham meio estranho aquele vento repentino que nos derrubou? –Perguntou Midori seguindo-os –Quero dizer, era como se alguém quisesse que estivéssemos aqui em baixo
— Não sei o Tsuchii, mas eu senti uma forte energia naquela ventania, parecia até a energia de um guardião
— Eu tive essa mesma impressão –Respondeu Tsuchii pensativo –Mas é impossível, a Ayaka é guardiã agora, certo? Não tem como um espírito fazer esse vendaval
— Ao menos que não seja o espírito do guardião –Comentou Midori –Talvez…alguém quer que encontramos algo. E se for o espírito de Kazehiro?
— Mesmo? –Comentou Akio pensativo, ainda não acreditando nesta possibilidade – Eu não acredito que o espírito deste cara esteja vagando por esta cidade como conta aquele lenda. Acho que foi só um ciclone mesmo
— Faz sentindo, mas um ciclone tem menos força do que aquela ventania. Aquilo não chegou a ser um ciclone e nem um tornado. Foi algo para nos empurras propositalmente –Respondeu Tsuchii – Será que esse espírito quer nos mostrar algo? –Se questionou pensativo
— De qualquer forma precisamos focar em sair desse túnel –Comentou Midori –Nossa, isso parece um labirinto
— Tem razão –Concordou o guardião das águas ao ver o caminho se dividir –Que maravilha, qual caminho seguimos? –Perguntou
Enquanto isso, acima, os guardiões pensavam em uma forma de resgatar os amigos que haviam caído naquele abismo.
— O que vamos fazer? –Perguntou Sayo preocupada –Não sabemos com tira-los de lá
— Aquela ventania foi normal –Comentou Hikari seriamente –Era como se estivesse nos puxando para aquele buraco
Ayaka por sua vez não parava de pensar na angustia que havia sentido no momento que aquela ventania soprou. Afinal, o que era aquilo? Era como se o desespero de alguém fosse transmitido para a mesma. Não demorou para que a mesma começasse a escutar em sua mente:
— Ayaka…Ayaka…
— Quem é você?—Perguntou ainda em estado de meditação – O que fez com Akio, Tsuchii e Midori…
— Há túneis abaixo de seus pés—Avisou –Encontre a entrada—Pediu
— Pessoal! –Chamou Ayaka abrindo os olhos imediatamente –Tsuki, já escutou algo a respeito de túneis?
— Túneis? Ficou maluca? –Perguntou o guardião da lua não entendendo –E o que tem isso?
— Por de baixo das cidades! –Respondeu impaciente
— Agora que você mencionou… nossa… mas isso eu não era nem nascido –Respondeu coçando a cabeça
— Não importa –Respondeu a mesma
— Bem, na era de Diamante a imperatriz de Haru, mãe de Kagami, entrou em acordo com todos os países do mundo, ganhando autorizações para construir túneis de fuga com saída para cada templo
— Túneis? –Perguntou Taiyoo
— Eles eram secreto há muitos anos atrás –Respondeu – O país da luz estava para iniciar um massacre no mundo e a imperatriz criou esses túneis secretos para que não apenas o seu povo, como o povo dos demais países se refugiassem até os templos de forma mais rápida. Desta forma, os túneis se começam de um ponto A e terminam no ponto B que seriam os tempos.
— Está dizendo que o Akio, o Tsuchii e a Midori estão andando por esses túneis? –Perguntou Taiyoo
— Exatamente –Respondeu –Se seguirmos até o templo do vento, talvez encontremos alguma passagem que de acesso à esses túneis. O único problema é que são bem antigos e as sinalizações devem estar um tanto apagadas –Explicou
— Sinalizações? –Perguntou Sayo
— No total são 10 túneis –tentou explicar – 3 desses túneis partem dos países: Haru, Neve e Trovão. O de Haru, parte do palácio, o da Neve abaixo do antigo palácio Shiroi e o do Trovão, abaixo do lago Ryu no Raiden*
* Ryu no Raide: Ryu no japonês significa dragão, enquanto que raiden significa trovão.
— Se pelo menos tivéssemos o mapa que pudesse nos guiar por de baixo desses túneis –Comentou Taiyoo pensativa
— Não existem mapas –Respondeu Tsuki –Só as sinalizações –Explicou
— Então teremos que procurar a passagem no templo do vento –Suspirou Hikari –É melhor nos apressarmos. Quanto mais demorarmos, mas nos afastaremos dos demais
— Sou de acordo –Concordou Taiyoo
Enquanto isso, nos túneis, Akio, Tsuchii e Midori caminhavam tentando achar alguma saída. Já fazia um tempo que o grupo estava caminhando por aquele lugar, era como se estivessem andando em círculos.
— Droga Tsuchii, eu falei para seguirmos pela direita –Disse Midori convencida que estavam mais perdidos do que antes
— Cala a boca! Independente do caminho, vai demorar para chegarmos em algum lugar, então dá um tempo, tá? –Retrucou o guardião da terra
— Por favor, não comessem com as suas discussões agora, tá? –Suspirou Akio impaciente –Estou sentindo uma forte energia, não muito longe de onde estamos. O que acham de segui-la? –Propôs
— Por mim tudo bem –Respondeu Midori
— Se eu fosse você não confiava nele, tem um péssimo senso de direção e intuição –Sussurrou para a jovem
— Do que está falando?! Estamos aqui perdidos por sua causa! –Disse Akio agora nervoso
— Me erra! –Mandou Tsuchii nervoso –Devíamos pelo menos ter trago a Miyu para essa viagem, ao menos ela manja de sobrevivência nesses lugares
— Alguém precisava ficar para cuidar da Harumi e como eu sou o guardião, ela achou melhor eu viajar –Explicou –Sem contar que é a primeira vez que ela vai passar tanto tempo com a Harumi
Enquanto isso, no país das águas, na cidade real, Miyu se encontrava na escola de Harumi, agora sentada em frente à mesa da diretora. Não demorou para que ainda emburrada a princesa entrasse na sala e se sentasse ao lado da mãe.
— O que houve?
— Pegamos Harumi tentando matar aula, outra vez –Disse a diretora
Agora Miyu encarava a filha com repressão e ainda tentando se controlar, respirou fundo e perguntou:
— Harumi, por quê fez isso?
— Porque a escola é um saco –Respondeu a menina desviando o olhar
— Acha a escola um saco?! E o que acha de estudar com a Kaguya?! –Perguntou impaciente
— Não! –Gritou a menina assustada
— Imperatriz, não quero interferir na educação da sua filha; mas acredito que ela esteja fazendo isso para suprir alguma carência –Comentou a diretora –Pode ser que esteja um tanto deprimida
— Cuida da sua vida… –Mandou Harumi emburrada
— Harumi! –Chamou Miyu autoritária
— Eu lamento imperatriz, mas teremos que suspende-la por três dias, conforme manda o regulamento da escola –Suspirou –Esperamos vê-la em 3 dias, Harumi
— Eu não –Se levantou e deu as costas
— Eu lamento pelo comportamento dela –Se desculpou Miyu se curvando –Eu garanto que ela voltará dessa suspensão mais comportada
Chegando no palácio, Miyu encarava Harumi enfurecida, enquanto a mesma encarava a mãe, ainda dando passos para trás.
— Nem pense…
Agora a garota saia correndo em direção ao seu quarto, mas Miyu era mais rápida. Não demorou para que a espadachim a pegasse pela blusa e a menina começasse a gritar:
— Mayumi! Papai! Socorro! Socorro!
— Chega de show! –Mandou Miyu autoritária fazendo-a se calar –Quero que entre no seu quarto, agora!
— Não!
— Harumi!
Agora ambas se encaravam enfurecidas. A espadachim nunca havia notado; mas sua filha tinha o seu temperamento. Miyu sempre a achou parecida com o pai; mas quando se falava em atitudes, eram idênticas as suas. Ela precisava admitir, Harumi tinha o pulso firme.
A grande questão era como lidar com esse jeito da filha? Nem Mayumi conseguia fazer isso, o único que conseguia acalma-la, de alguma forma, era Akio. Desde que ela era um bebê, quando tinha as cólicas, Akio sempre conseguia acalma-la de alguma forma.
— Harumi, entre no seu quarto –Pediu Miyu tentando se controlar –Agora!
Aborrecida a menina entrava, sentava-se na cama, agora agarrada ao gatinho de pelúcia que havia ganhado do pai.
— Qual é o problema? –Perguntou Miyu fechando a porta –Você nunca foi de matar as suas aulas, tão pouco de responder os mais velhos desse jeito
— Sou sim!
— Não, não é –Respondeu –O que quer? Harumi, pagamos o melhor colégio do país para você estudar, muitas crianças da sua idade queriam ter essa oportunidade, sabia? Eu não quero ser uma mãe chata para você, mas não posso deixar você mandar e desmandar na sua vida desse jeito
— Não é a mesma coisa sem o papai –Disse a mesma encostando a cabeça no joelho –Ele sempre ia me buscar no colégio, me ajudava com a lição de história e depois do meu treino comíamos os biscoitos da Mayumi juntos –Disse entristecida
— Harumi…
— Ele disse que ia voltar logo…quanto tempo ele ainda vai demorar? –Perguntou encarando Miyu ainda chorando –Ele vai ficar fora para sempre?
Ao ouvir a filha falar daquele jeito, Miyu se comoveu, afinal, não imaginava que o marido faria tanta falta a sua filha. Logo a espadachim se sentou ao lado da menina e a abraçou explicando:
— O seu pai foi para um missão importante junto com os demais. Eu não sei dizer se ele vai demorar ou não; mas posso afirmar que ele voltará
— Promete? –Perguntou a filha encarando a mãe
— Sim –Prometeu soltando um leve sorriso –Mas precisa se comportar bem, afinal, quando o seu pai voltar, quero dizer a boa menina que você foi e como se comportou bem –Acariciou a cabeça da filha
— Não vai contar de hoje? –Perguntou
— Será o nosso segredo –Disse com um doce sorriso
Logo Miyu notou que havia um origami totalmente amassado sobre a mesa da filha. Então a mesma se levantou e o pegou perguntando:
— Harumi, o que aconteceu com o seu Tsuru? –Perguntou a espadachim desdobrando-o
— Eu sou péssima em fazer origamis –Murmurou olhando para o lado –Sempre saem amassados
Logo Miyu se recordou de quando fazia origami junto de sua mãe e seu irmão mais velho. Os três se sentavam em volta da mesa que havia na sala de sua casa no clã Shiroi e começavam a dobrar vários origamis. Isso trazia boas lembranças a espadachim, arrancando um leve sorriso de seus lábios.
Durante muitos anos Miyu se preocupou tanto com a sua vingança e com a dor que Fujiro havia lhe causado, que havia se esquecido de um dos momentos mais doces de sua vida, onde o irmão e a mãe a ensinavam a dobrar origamis.
— Quer que eu te ensine? –Perguntou a espadachim com um leve sorriso, ainda encarando o origami
— Você consegue?! Nem o papai conseguiu… -Se lembrou do péssimo origami que o pai havia dobrado
— Pediu ajuda para o seu pai? –Perguntou Miyu soltando um sorriso debochado –Isso explica muito. O Akio nunca foi bom com essas coisa
— Mesmo? –Perguntou a filha vendo a mãe pegar alguns papéis
– Vamos para a sala de jantar, vou te ensinar –Chamou caminhando até a porta com os papéis em seus braços
— Tá –Respondeu a menina seguindo-a
Enquanto isso, no país do vento, andando por aqueles túneis, o trio começava a ficar preocupado, pois já haviam se passado horas desde que caíram naquele túnel, que por sinal, se parecia mais com um labirinto.
— Parece que quanto mais andamos, mais nos perdemos –Comentou Midori preocupada
— Parece um labirinto –Comentou Tsuchii começando a se preocupar –Akio, você ainda está sentindo uma presença estranha? Uma energia? –Perguntou o rapaz
— Sim –Confirmou –Acho melhor seguirmos essa energia, talvez ela não queira que a gente saia, pode ser que tenha algo para nos mostrar
— O que acha, Midori? –Perguntou o guardião da terra
— Por mim tudo bem; mas precisamos tomar cuidado com armadilhas ou coisas que possam nos confundir –Respondeu –Já estamos bastante perdidos
Agora os três eram guiados pela energia que Akio e Tsuchii disseram sentir. Era uma energia estranha, algo que ambos nunca haviam sentido até então, porém extremamente poderoso.
Não demorou para que o grupo se visse em uma sala repleta de tesouros, deixando Tsuchii e Midori de olhos arregalados, afinal, ambos nunca tiveram contato com tantas preciosidades.
— Estamos ricos… -Comentou Midori soltando o um sorriso não acreditando
— Chegou a nossa hora! –Disse Tsuchii prestes a pegar parte aqueles tesouros
— Espera ai vocês dois! –Mandou Akio puxando-os para trás – Nunca ouviram a lenda da gruta de Diamantes?
— Acredita em contos de fadas agora?! –Perguntou Tsuchii –Você não se importa porque é imperador; mas nós, meros mortais, damos muito valor ao dinheiro, sabia?! –Gritou Tsuchii ainda sendo segurado pelo guardião da águas
— Ele tem razão! Imagina tudo o que eu poderia pagar, só com três pedras!
— Seus idiotas! –Gritou autoritário lançando-os contra o chão –Isso é uma prova! A gruta de diamantes é um lugar sagrado! Se roubar qualquer coisa daqui de dentro, passará a eternidade vagando neste buraco
— Isso não faz sentindo, Akio! -Disse o guardião da terra –Estamos no país do vento e a gruta de diamantes fica no trecho do país da terra e vai até o país do sol
— Mas acho que andamos tanto, que estamos no trecho da terra –Respondeu pensativo –Veja a sua volta, milhares de cadáveres sobre estes tesouros. Com certeza tentaram roubar esse diamantes e passaram o resto da vida presos neste lugar –Comentou
— Fala sério –Disse Tsuchii revirando os olhos enquanto se levantava –Isso não passa de uma lenda. Além disso, Diamante não tem mais poder para castigar ninguém, por isso essas belezinhas podem vir conosco –Disse pegando um diamante
No momento em Tsuchii tocou na pedra, desencadeou-se um forte tremor, fazendo com que o trio perdesse o equilíbrio. Autoritário, Akio mandou:
— Larga esse diamante agora!
— Tá! Tá! –Disse aborrecido largando-os, fazendo o terremoto parar imediatamente –Eu hein, para deuses, até que o povo do mundo celestial é bem egoísta –Murmurou
— Se eu fosse você, eu enrolava essa língua –Mandou Midori amedrontada depois do que havia visto
— Não toquem em nada –Mandou o guardião das águas seguindo a diante –Só vamos continuar seguindo a energia que nos trouxe até aqui
Agora o trio seguia a energia, até que se depararam com uma espécie de sala. No centro havia um trono de ouro e sobre ele uma caveira com uma grande coroa. Em sua mão estava uma pedra verde, que brilhava no meio daquela escuridão, aparentemente, era uma safira.
— A safira do vento –Disse Akio seriamente
— Vamos pegá-la –Disse Tsuchii caminhando na direção do trono
Logo a safira abriu uma tela de holograma, mostrando ao trio, um jovem guerreiro, que aparentemente estava envolvido em uma guerra. O mesmo lutava bravamente ao lado de seus companheiros, quando de repente foi sugado por um buraco negro junto de seus companheiros de batalha. No final, só mostrou-se os diamantes caindo no chão.
Não demorou para que o cenário se transformasse em um templo e agora o diamante do vento estava dentro do templo. Ao seu lado, um homem alto de cabelos castanhos, ainda com a expressão serena. Ao abrir os seus olhos, o trio viu do reflexo de seus olhos, Hariken, partindo para cima dos soldados da luz. No reflexo dos olhos do soldado, estava Kazehiro, lutando contra um enorme dragão, protegendo o cristal do vento. O mesmo agora caminhava até um bebê, transmitindo os seus poderes de guardião, formando um enorme clarão. Desde saiu Ayaka.
Logo a tela se fechou, deixando o trio pasmo, afinal, o que foi aquilo que haviam visto? Guardiões do vento antecessores a Ayaka? Estavam chocados demais para fazer análises. Logo Akio e Tsuchii começaram a escutar uma voz em suas mentes:
— Se acham merecedores da safira do vento?
— O que?! –Se perguntou Akio se virando
— O que foi? –Perguntou Midori à Akio – Akio?
— Podem ser guardiões; mas isso não lhes dá o direito de tocar na safira do vento sempre que quiserem. Precisam ser dignos de tê-la!
— Dignos? –Perguntou Tsuchii –Onde você está?! Apareça! –Mandou Tsuchii enfurecidos
Midori observava Akio e Tsuchii em posição de batalha, como se estivessem procurando ou esperando algo ataca-los naquela sala. Apenas ambos podiam escutar voz que vinha em suas em suas mentes.
Claro, ambos eram guardiões, possuíam uma forte ligação com as safiras, fazia parte de seu treinamento criar essa ligação com as joias que estariam protegendo. O que era um enigma, era quem não estava permitindo eles encostarem na joia, de onde estava vindo aquela energia, aquela voz, certamente não era daquela caveira que ali estava. Não importava, a principal questão, era o motivo de poderem encostar na safira. Seria por não serem os seus respectivos guardiões? Ambos não sabiam dizer; mas sabiam que precisavam levar aquela safira de qualquer jeito.
Uma forte ventania começou a soprar na direção do trio, ainda mais forte do que antes. Agora esse vento adentrava na caveira sentada ao trono, fazendo com que a mesma criasse músculos, vasos sanguíneos e pele. Órgãos começaram a se desenvolver no naquele corpo, enquanto o esqueleto, que agora tinha a forma de homem fechava a mão onde estava a Safira.
Logo o mesmo encarou os três e sorriu cinicamente. Soltando uma leve risada, o mesmo comentava:
— Se acham dignos da safira do vento? Não me façam rir
— É o homem que apareceu no holograma! –Comentou Midori surpresa
— Olha, não temos tempo! Entregue logo essa safira! –Mandou Tsuchii impaciente
— Calma –Mandou Akio –Não queremos problemas, seja lá quem você seja. Meu nome é Mizu Akio…
— Sei quem você é –Respondeu encarando-o com indiferença –Descendente de Umi, entidade dos mares e um dos guardiões celestiais -Respondeu
— Do que ele está falando? –Sussurrou Tsuchii para o guardião das águas
— Eu sei lá, nunca fui bom em mitologias… –Sussurrou de volta –Com licença, mas eu sou um guardião, eu protejo a safira das águas e o meu amigo a safira da terra. Precisamos da safira do vento, então se puder nos ajudar…
— Já disse que já sei quem são –Respondeu se levantando –O meu nome é Kazehiro e sou o guardião do vento do início da era de Cristal. Fui morto ao lado do meu mestre tentando proteger está safira das garras de Demon. Falhamos e hoje os nossos espíritos não encontram paz. Acreditamos que vocês seriam capaz de derrota-lo; mas ao invés disso, condenaram Cristal ao submundo. O que te faz pensar que confiaremos em vocês novamente? –Se colocou em posição de batalha
— Não enviamos ninguém ao submundo –Respondeu o guardião das águas seriamente –Me escute, por favor!
— Não tenho o que escutar –Partiu para cima do guardião das águas com um soco de vento cortante –Agora Safira está comandando o nosso mundo! Ele está em total desequilíbrio!
Ao ver que o guardião do vento do início da era Cristal estava descontrolado, lutando contra Akio, Midori viu que não teria jeito, que teriam que confrontá-lo. Logo a mesma pegou as luvas de combate do bolso e as vestiu.
— Não tem dialogo com ele –Disse Midori se colocando em posição de batalha –Vamos ter que enfrenta-lo
Midori agora correu em direção ao adversário, enquanto que Tsuchii a chamava, temendo que a mesma se precipitasse. A parceira do guardião da terra saltou e tentou acertar aquele corpo com um chute no rosto, porém teve o seu golpe bloqueado, sendo arremessada contra as rochas.
Agora Tsuchii criava uma enorme rocha pontuda, onde o guardião do vento pisava, tentando acertar aquele corpo, usando isso como distração, para que assim Akio ganhasse tempo para invocar Ryu no Mizu.
— Ryu no Mizu!!! –Invocou Akio, enquanto Tsuchii agora saltava se desviando do dragão de água
O Kazehiro agora desviava dos golpes de Ryu no Mizu, soltando um sorriso debochado. Logo o mesmo criou um forte ciclone e lançou no dragão que agora em meio ao vento, perdia totalmente o controle de seus movimentos.
— Estou surpreso que consiga invocar um animal celestial desses –Comentou Kazehiro –Mas esse truque já é velho –Disse vendo o dragão recuar
— O que…? –Perguntou Akio chocado ao ver o dragão abrir o portal por conta e recuar – Ryu no Mizu?
— É…Asuko tinha razão quando dizia que quando reconhecem um companheiro, nunca se esquecessem de seus rostos –Comentou jogando a franja para trás –O animais celestiais são muito justos e leais
— O quê? –Perguntou sem entender –Asuko era o meu avô…
— Eu já te disse, assim como você, eu já fui um guardião e esse dragão celestial sabe. Desista, você não podem contra mim e o meu poder –Mandou com um ar superior –Você não tem força o suficiente para enfrentar os serviçais de Demon, desistam desta missão!
— Não nos subestime! –Disse Midori se levantando e voltando a se colocar em posição de batalha
— Acha que força é tudo? –Perguntou Tsuchii de cabeça baixa, ainda soltando uma risada debochada –Akio, agora eu entendo o que você quis dizer, agora que eu escutei esse idiota falando
— E um adolescente como guardião –Disse com um tom deboche –Volta para a escola moleque!
— Sabe, até uns minutos, eu também acreditava que força e poder eram fundamentais para se obter sucesso em uma missão; mas agora vejo que isso é um estupidez. Talvez tenha sido por isso que você e o seu mestre tenham sido mortos durante a batalha contra o Kano –Respondeu seriamente
— Como se atreve?! Garoto insolente! –Partiu para cima do guardião da terra que agora bloqueava o seu golpe
— Você age com puro impulso, não pensa antes de atacar –Respondeu –Partir para uma batalha sem uma estratégia é derrota na certa. Sempre é preciso estar preparado, certo? Você tentaram agir sozinhos, talvez, se tivessem unido suas forças, teriam derrotado Kano
— Não fale com propriedade do que desconhece! –Gritou acertando com um forte golpe no estômago, fazendo-o cuspir um pouco de sangue –Moleque atrevido! –O acertou com um golpe no peito, arrancando o seu ar
— Tsuchii! –Chamou Midori segurando-o, enquanto o mesmo tossia
— Está tudo bem –Respondeu ofegante
Enquanto isso, Kazehiro partia para cima de Akio, que agora desviava de cada golpe do guardião, ainda saltando de um lado para o outro.
— Será que não entende?! –Perguntou Akio desviando de seus golpes –Cristal fez a escolha de nos proteger e foi condenada por conta dessa escolha. Em retribuição, estamos reunindo as safiras, para liberta-la! –Tentou explicar bloqueando o soco
Ao ouvir aquelas palavras saírem da boca do guardião das águas, Kazehiro se lembrou das histórias que o seu mestre lhe contava a respeito do ocorrido durante as guerra no país da luz. A pedido de Tomoe, Diamante havia dado a oportunidade dos guardiões refugiarem fora daquele país, antes da destruição.
Será que Cristal havia feito o mesmo pelos guardiões daquela geração? Será que os eu amor por aquele guardiões poderia se igualar ao amor que Diamante sentia por Tomoe? Ao ponto das mesma se sacrificar daquela forma.
— Foi por livre e espontânea vontade? –Questionou Kazehiro parando o golpe
— Sim…ela…tomou o corpo da minha esposa e enfrentou Demon –Explicou –Ou se preferir, Diamante, sem ser invocada, tudo para que não fossemos mortos por ele
— Para nos proteger do próprio irmão, Cristal quebrou as regras do mundo celestial –Respondeu Tsuchii –O mínimo que podemos fazer é juntar as vinte e uma joias, invocar Safira e pedir para que ele a liberte!
— Nós devemos isso a Cristal –Respondeu Akio seriamente –Ela sacrificou-se por todos nós, por este mundo
— Entendo –Disse Kazehiro ainda com a cabeça abaixada – Acho que já tenho o que precisava –Deu um meio sorriso
— O que? –Perguntaram os três sem entender
Não demorou para que o guardião do vento sentisse a joia pulsar em seu bolso, com sua energia transbordando, como se tentasse dizer algo. O mesmo agora fechava os seus olhos, tentando se comunicar com a safira, até que entendeu o que a mesma estava tentando lhe dizer.
— Vocês são incríveis –Comentou abrindo os olhos lentamente –Acho que vocês são dignos de levar a safira do vento
— O quê? –Perguntou
— Faz tempo que a energia dela não emana desta forma –Comentou com um meio sorriso – Aqui está –A entregou a Akio
Logo ambos viram o corpo se transformar em poeira, enquanto um suave vento deixava aquele esqueleto. Desta forma, Akio guardou a safira do vento em uma sacola e comentou:
— Acho melhor voltarmos –Comentou seriamente – Obrigado por nos entender…Kazehiro—Agradeceu Akio com um meio sorriso, ainda olhando para o alto
Fale com o autor