Os 7 Cristais: Em busca das 7 safiras
11 Capítulo 11: Capitã Mei
Na casa de Ayaka, Akio acabará de sair de seu banho. Já vestido, agora enxugando os seus longos cabelos com a toalha que havia pego, ainda que emprestado, com a guardiã do vento.
Já fazia algumas horas que o guardião da terra havia saído com a detetive para realizar suas pesquisas referentes aos mundos celestiais na biblioteca da cidade. Sua demora começou a provocar uma estranheza em Akio.
Desta forma o guardião das águas caminhou até a sala, onde se encontravam as guardiãs do sol e do fogo, ainda que conversando sobre o que fizeram durante esses anos sem viajar em buscar das joias. Mas logo o seu assunto foi interrompido pelo guardião:
— Ei, o Tsuchii e a Midori já voltaram? –Perguntou
— Parece que ainda não –Comentou Taiyoo –Aconteceu alguma coisa?
— Não acham que estão demorando demais? –Questionou seriamente –Já faz quase quatro horas que os dois foram para a biblioteca –Comentou preocupado
— Acho que está se preocupando demais, Akio –disse Sayo rindo –Até parece que nunca foi adolescente –Riu
— É verdade –Concordou Taiyoo –Devem estar de namorico por aí, afinal, não tem ninguém daquela agência para vigia-los nesta missão e nós não queremos perder o nosso tempo com isso –Comentou a guardiã do sol
— É mesmo –Comentou o mesmo rindo sem graça –Acho que estou me preocupando a toa
Por mais que as amigas tentassem tranquiliza-lo, tentando convencê-lo que ambos estavam dando uma volta juntos, namorando pela cidade, Akio ainda se preocupava. Era muito tempo, até mesmo para dois adolescentes, afinal, ambos só iam pegar uns livros e mesmo que fosse uma desculpa para passarem um tempo sozinhos, não levariam tanto tempo, era muito tempo para dois adolescentes da faixa deles.
Enquanto isso, na biblioteca, Tsuchii lutava contra aquelas pessoas que o atacavam na biblioteca. O mesmo apenas se defendia; mas não contra-atacava, afinal, sabia que aquelas pessoas estavam sendo controladas por um espécie de verme, ele não queria machuca-las.
— Droga! Eles não se cansam nunca! —Pensou começando a se cansar de desviar do golpes –Se continuar assim eu não terei outra escolha senão contra-atacar essas pessoas…mas…é isso que Kano quer. Droga, eu estou perdendo muito tempo —Pensou agora com o suor escorrendo em seu rosto
Logo o detetive se virou rapidamente e viu um homem avançar para cima de si com uma tesoura. O guardião estava com a guarda aberta, não tinha como se esquivar, seria atingido pela tesoura do homem.
Para a sua surpresa, antes que fosse atingido, o homem foi alvo de um bala. Não demorou para que Tsuchii o visse cair no chão, ainda baleado por uma espingarda.
— Não posso mesmo confiar em vocês –Murmurou Mei ainda apoiando o pé na cabeça na cabeça do homem, enquanto carregava a espingarda –O que pensa que está fazendo, Tsuchii? –Perguntou agora esmagando o verme que saía do ouvido do homem
— Você está tão elegante, Mei –Tentou bajular –Pintou o cabelo?
Mei era a capitã do departamento investigativo da agência. Ela era a responsável por Tsuchii e Midori; pessoa que deu a autorização para que ambos viajassem em busca das safiras sem um prazo para finalizar a missão.
A mesma confiou em Tsuchii para que executasse a sua missão de guardião e colocasse em prática tudo o que tem aprendido desde que entrou na agencia de detetives. Midori estava ali não apenas para vigia-lo; mas para ajudá-lo com algumas pesquisas.
Mas ao que parecia nenhum do dois estava executando o seu trabalho como devia, já que ambos não estavam sendo nem um pouco discretos ao realizar pesquisas tão confidencias como essas referentes aos mundos celestiais.
Ainda assim, mesmo depois de serem pegos pelo adversário, da maneira mais vergonhosa possível, o detetive ainda tinha o descaramento de tentar bajula-la? Esse tipo de comportamento imaturo do detetive a tirava do sério.
Desta forma, sem pensar suas vezes, a mesma o acertou com um forte soco na cabeça, fazendo o detetive soltar um alto grito de dor. Agora massageando a cabeça, enquanto soltava algumas lágrimas, ainda nervoso, o guardião da terra questionava:
— Por quê fez isso?! Bate na mãe para ver se quica!
— Como puderam ser tão irresponsáveis?! –Perguntou autoritária –Quantas vezes eu tenho que repetir que certos assuntos precisam ser discutido em sigilo?! Longe dos demais!
— Espera que eu estude sobre esse assunto sozinho com a Midori? É ruim hein! –Respondeu dando as costas
Ao ouvir tal absurdo, a capitã o acertou com mais três socos na cabeça, formando mais três galos, deixando-o desmaiado no chão, enquanto que a mesma terminava de enfrentar aquelas pessoas.
— Continua o mesmo moleque que entrou na agência —Pensou Mei atirando –Francamente, esse garoto não muda –Pensou apoiando a espingarda no ombro
Mei sabia da importante missão que Tsuchii tinha como guardião e como não saberia? Acompanhou pessoalmente o treinamento do detetive de perto, assim como Lin fez.
— Resolvemos isso depois –Respondeu a detetive suspirando – Midori foi avisar os seus amigos sobre o que está acontecendo. Não sei em que tipo de confusão vocês andaram se metendo, só sei que a pessoa que armou isso quer atrasar vocês –Comentou
— Sério? –Perguntou irônico –Me diga algo que eu não sei –Caminhou até a saída da biblioteca
Agora ambos corriam para fora do imóvel, mas para a sua surpresa se depararam com várias pessoas cercando-os.
— Que droga, estão sendo controlados –Comentou Tsuchii sentindo-se encurralado –Capitã, aconselho a senhora à se afastar. As coisas vão tremer um pouquinho –Disse pousando as mãos sobre o chão, ainda usando os seu poderes de guardião para causar um forte terremoto e derrubar os oponentes que lá estavam
Logo o solo se levantou, fazendo uma leve onda, derrubando as pessoas que estavam prontas para atacar o detetive com sua capitã. Aproveitando que estavam inconscientes, o guardião da terra junto de Mei, passaram pelas pessoas e seguiram em direção a casa de Ayaka.
Enquanto isso, na casa da mesma, Midori chegava ainda ofegante, chamando pelos demais. Ainda na sala, agora Tsuki a encarava, segurando um livro, se perguntando a razão da mesma estar naquele estado.
— Pessoal, o Tsuchii e a cidade estão em perigo! –Avisou
— O quê? –Questionou Tsuki sem entender –Onde está o Tsuchii?
— Ficou lutando na biblioteca –Respondeu –Precisamos ajuda-lo! Achamos informações que podem nos ajudar a chegar nos outros mundos celestiais; mas estávamos sendo vigiados –Explicou
— O que?! –Perguntou Ayaka ouvindo a conversa enquanto passava pelo corredor –Quer dizer que conseguiram mais informações? –Perguntou
— Sim –Confirmou –Mas não podemos perder mais tempo falando disso agora. Precisamos ajudar o Tsuchii e as pessoas da cidade, elas estão sendo controladas por um verme –Avisou
— Não se preocupe –Disse Ayaka seriamente – Nós vamos resolver isso. Tsuki, acompanhe Midori, eu aviso aos demais sobre o que está acontecendo. Cuidaremos das pessoas da cidade
— Obrigada, Ayaka –Agradeceu a detetive dando as costas, enquanto caminhava rapidamente em direção a porta –Vamos, Tsuki!
Logo o guardião da lua a seguiu.
Enquanto isso, a guardiã do vento reunia todos guardiões, chamando-os até a sua sala:
— Pessoal, venham aqui! Rápido!
Não demorou para que os demais guardiões comparecem na sala de sua casa, ainda se perguntando o que estava acontecendo, afinal, não era sempre que Ayaka os chamava no grito daquele jeito.
Muito embora não parecesse brava em sua entonação; mas aparentava estar um tanto nervosa no sentido de inquietude. Será que havia acontecido algo? Os guardiões não sabiam dizer; mas Akio suspeitava.
— Algum problema, Ayaka? -Perguntou Hikari seriamente ainda notando a seriedade no olhar da guardiã do vento
— Estamos com problemas –Respondeu –Tsuchii e Midori conseguiram mais informações a respeito do mundo celestial, mas estavam sendo seguidos. Agora tem alguém usando uma espécie de vermes para controlar as pessoas da cidade. Seja lá quem esteja fazendo isso, está atrás das informações que Tsuchii e Midori conseguiram, por isso precisamos ajuda-los o quanto antes
— Então não podemos perder mais tempo –Disse Sayo invocando o seu arco –Onde está o Tsuki?
— Ele já está com a Midori, foram ajudar o Tsuchii –Respondeu –Acho que seria melhor se nos dividíssemos em grupos –Sugeriu a guardiã do vento
Agora Akio tentava pensar na melhor estratégia para o grupo resolver o problema o mais rápido possível. Ayaka era médica, então certamente saberia lidar com aqueles vermes que estavam se apossando do corpo dos habitantes da cidade. O calor do fogo de Sayo poderia ser de grande ajuda para eliminar os vermes e os raios de sol de Taiyoo também. Desta forma o mesmo sugeriu:
— O que acham de Sayo, Ayaka e Taiyoo cuidarem dos habitantes, enquanto que eu e Hikari ajudamos Midori, Tsuki e Tsuchii? –Sugeriu
— Por nós tudo bem –Responderam as guardiãs
— Vamos lá, Hikari –Chamou Akio
— Vamos –Disse a mesma invocando o báculo
Logo ambos partiram em direção a biblioteca onde os demais estavam tentando ajuda o guardião da terra. Enquanto isso, o grupo de Ayaka, partia para a rua, na tentativa de libertar os habitantes da cidade daqueles vermes que estavam possuindo os seus corpos.
Agora os habitantes avançavam para cima das guardiãs que por sua vez contra-atacavam aquelas pessoas, ainda que sem feri-las. Ayaka usava pequenos ciclones para arremessa-los contra o chão. Ao ver os vermes saírem do ouvido de algumas pessoas, Sayo atirou uma de suas flechas de fogo no mesmo, reduzindo-o a cinzas.
Conforme os habitantes da cidade eram arremessados no chãos e os vermes iam deixando os seus corpos. Assim como Sayo, Taiyoo usava o calor dos raios solares para queimar os vermes no asfalto, reduzindo-os a pó.
Enquanto isso, correndo em outro trecho da cidade, em meio as ruelas, Tsuchii seguia a sua capitã, ainda emburrado, encarando-a. Afinal, o que ele estava fazendo? Não tinha razões para seguir aquela mulher, ele era dono da sua própria vida, era um guardião, responsável por si mesmo, não precisava da sua escolta como se fosse um bebê ou algo assim.
— Posso saber o que está fazendo aqui? –Questionou –Podemos fazer isso sozinhos, sabia? O que aconteceu agora pouco foi só um deslize atoa, não vai acontecer de novo
— Claro que não vai –Respondeu parando do diante do mesmo –Porque da próxima vez que acontecer, vocês não vão sobreviver para salvar a pesquisa –Se virou seriamente
— O que? Mei, acho que você…
— Capitã, detetive Chairo –Corrigiu –Sabe com o que estão se metendo?
— Melhor do que você capitã, por isso peço para que confie em mim –Pediu seriamente
— Quase comprometeu toda a investigação de vocês! E se é uma investigação de mais anos?! Você se acha muito maduro, mas continua sendo um menino! Precisa crescer, Tsuchii!
— Foi só um deslize! Qual é?! Tudo bem, não notamos o movimento estranho antes e nem os vermes, erramos; mas foi o primeiro erro em quase quinze dias de viagem! –Se justificou –Está fazendo uma tempestade por nada!
— A questão não é essa, Tsuchii –Respondeu seriamente –Você diz que conhece muito o seu adversário, não é? E como não foi capaz de prever um plano obvio desses? Abaixou a sua guarda e eu sei a razão de ter feito isso
Agora o mesmo corava violentamente, imaginando que a mesma sabia do sentimento que começará a crescer em seu peito por Midori. Isso era terrível, ela iria expor para todos da agência de detetives e ririam dele como se ele fosse um idiota, era o pior dos pesadelos.
— Eu não sei do que você está falando –Respondeu dando as costas para mesma, ainda cruzando os braços, rindo sem graça e tentando disfarçar o corado de seu rosto
— Está me chamando de idiota ou está com amnésia para ter se esquecido com quem está falando? Eu sou a sua capitã, o que significa, que eu sou uma detetive tão competente quanto você –Comentou debochada, deixando extremamente nervoso, ao ponto de suar frio –Na agência você sempre estava olhando para ela, ainda que escondido, mas quando ela se virava, você disfarçava ou a aborrecia para desviar a atenção dela. Admita, você está apaixonado por ela, está estampado na sua testa –Apontou para a testa do adolescente, deixando-o extremamente constrangido
Era inútil, não tinha como Tsuchii esconder o que sentia de sua capitã, afinal, como a mesma disse, ela era uma detetive fantástica, de qualquer forma ela acabaria descobrindo, mais cedo ou mais tarde. Ainda se sentido encurralado, o mesmo desviou o olhar emburrado, levemente corado, enquanto comentava:
— Eu não sei…como eu fui chegar nesse ponto. Nunca me deixei envolver desta forma, a ponto de comprometer uma missão ou pesquisa…
— O que quer dizer? –Perguntou sem entender –Tá certo que você está numa idade em que compromisso não é uma das suas prioridades; mas…
— Eu estou confuso! Muito confuso! Nunca me senti assim antes! –Disse desesperado –É como se as coisas fugissem do meu controle, como se eu não raciocinasse!
— Nossa…você está realmente desesperado –Comentou com um olhar de julgamento
— Eu não consigo mais ficar perto dela! O meu coração dispara, as minhas mãos ficam suando, eu começo a reparar em coisas, capitã! Coisas que eu não reparava antes de começar a sentir tudo isso!
Notando tamanho desespero do detetive, a mesma não pensou duas vezes antes de acerta-lo com um tapa em seu rosto, para que voltasse a si, enquanto dizia autoritária:
— Se controle!
— T-Tá –Disse massageando o rosto se acalmando e voltando a si
— Nossa, eu preciso de um trago –Disse sacando um maço do bolso e tirando um cigarro – Vocês dois vão me deixar louca –O acendeu
— Me dá um também, um amigo queimou os meus maços –Pediu
— É um bom amigo –Disse depois de tragar –Isso é um vício, devia se afastar deste veneno –Segurou o cigarro
— É fácil dizer isso quando está consumindo, não é?! Sua hipócrita! –Disse enfurecido
— Como é?! –Perguntou carregando a espingarda e mirando em sua cabeça
— Não, nada! –Disse amedrontado
Logo a mesma encostou a espingarda no muro daquela ruela e continuou fumando. A mesma odiava admitir, mas o detetive estava crescendo e precisava de conselhos. Será que a mesma devia exercer a sua função de “capitã amiga” naquele momento que ambos estavam sozinhos? A mesma não fazia ideia de como iniciar uma conversa com um adolescente, já que grande parte de seus amigos já eram adultos bastante vividos.
— Acho que…vocês dois são os mais novos da agência Rokutsuchii –Comentou soltando um meio sorriso –Quando Chikaku os contratou, os apelidamos de mascotes –Riu
— Que palhaçada é essa? –Perguntou enfurecido
— Estou falando sério, pensamos até em usar a figura de vocês na publicidade da agência, mas vocês cresceram muito rápido. Já são adolescentes, você está um poste –Comentou
— Que exagero –Comentou se encostando no muro emburrado –Todo mundo cresce
— Mas você cresceu da noite para o dia –Comentou –Acha que a Midori não estranhou? Aliais, isso gerou comentários, sabia? –Perguntou
— Comentários? –Perguntou curioso, ainda meio corado
— Querido, o que se comenta no vestiário feminino, fica no vestiário feminino –Deu um meio sorriso – O ponto é: isso não é uma novidade apenas para você, para ela também é. Fala sério, vocês eram crianças quando se conheceram e estão se transformando em adultos
— Adultos?! Eu tenho dezesseis e ela quinze! Falta no mínimo uns três, quatro anos para virarmos adultos definitivamente –Respondeu nervoso
— Vocês estão em uma fase de descobertas e ela é assustadora –Avisou –Mas com as coordenadas certas, vocês passaram por ela sem problemas
— Eu já estou tendo problemas, tudo está um caos! Perto da Midori, meu corpo…
— Já chega! Eu sei! Você vai aprender a lidar com isso! –Respondeu enfurecida –Acha que ela não sente o mesmo? Olha para você garoto! Mas precisa se perguntar o real motivo que faz o seu coração disparar quando você está perto da Midori
— Eu não sei…isso é novo para mim… -Comentou pensativo -…ela é inteligente e usa um shampoo muito bom –Comentou
— É isso?
— Eu não sei…eu não sei se eu gosto dela ou se é só…eu estou confuso –Disse com olhos lacrimejando, sentindo-se pressionando
— As crianças que o Chikaku foi me arranjar –Massageou a testa impaciente – O importante é que saiba das suas prioridades como detetive e que isso não afete as missões, certo?
— Claro… -Disse com a expressão ainda meio que entristecida
Não demorou para que no local, chegasse Midori, junto de Tsuki, que agora encontravam com o guardião da terra e a capitã Mei.
— Ali estão eles –Apontou Midori –Tsuchii, capitã!
— Midori? –Chamou o rapaz –Tsuki?
— Eu fui procurar por ajuda –Explicou a jovem –Que bom que estão a salvo –Suspirou aliviada
— Claro que eu estou –Respondeu soltando um risada debochada, ainda tentando disfarçar a vergonha que estava sentindo de sua capitã, pelo assunto que estavam tratando anteriormente – Quem você pensa que eu sou?
— Seu ingrato! –Gritou a mesma aborrecida –Devia ter te largado lá!
— Não foi você quem me ajudou, foi a capitã!
— Ora seu… -Disse mesma prestes a acerta-lo com um tapa
Antes que o fizesse, a capitã acertou o detetive com tapa na cabeça, fazendo com que o mesmo soltasse um grito aborrecido.
— Qual é o seu problema?!
— Quero os dois em posição –Mandou se posicionando mais adiante –Acham mesmo que acabou? Não consigo acreditar em vocês dois, como são ingênuos –Disse pegando a espingarda e carregando-a
— O que? –Perguntou Midori sem entender
— Endoidou –Comentou Tsuchii
Logo ninjas surgiram das sombras, partindo para cima de Midori com suas kunais. Ao ver que não conseguiria protege-la, Tsuchii se encontrou desesperado, afinal, aquele ninja estava mirando em seu peito, era um golpe para matá-la.
Antes que fosse atingida, Tsuki acertou o ninja com shakujõ que havia invocado, ainda que discretamente, quando sentiu a presença dos ninjas. Sem demoras, outros começaram a avançar para cima do grupo, que agora começava a se defender.
Midori se esquivava dos golpes ainda que rapidamente e acertava alguns ninjas com golpes corpo a corpo. Já Tsuki, os acerta não apenas com chutes e socos, como também usava o seu shakujõ, enquanto que Tsuchii usava as habilidades de guardião da terra, para criar diferentes níveis no asfalto daquela rua, lançando os adversários para cima. Neste momento, Mei começou a atirar nos ninjas, que agora gritavam enquanto caiam no chão.
— Acho melhor irmos –Disse Tsuki passando pelos adolescentes –Kano não está brincando de pega-pega, caso não tenham reparado –Comentou
— Pega-pega? –Perguntou Tsuchii seguindo-o
Enquanto caminhavam, ainda que discretamente, Tsuchii olhava para Midori, que por sua vez parecia pronta para qualquer contra-ataque.
— Eu não entendo a razão da capitã ter me chamado idiota—Pensou emburrado –Tudo bem que eu cresci um pouco nos últimos anos; mas falar que eu mudei tanto é um pouco de exagero. Ela mudou muito…—Pensou reparando que a mesma havia crescido um pouco e automaticamente, que suas coxas haviam engrossado –Nossa…muito…—Comentou encarando-a levemente corado
Logo Tsuchii começou imaginar algumas coisas que não se pegava imaginando antes, Midori adormecida, lavando os cabelos durante o banho. Seu rosto então começou a queimar, enquanto o mesmo se questionava o que estava acontecendo, ainda que balançando a cabeça negativamente.
— Não! Não! Eu não devia estar pensando nisso! Mas de repente eu não consigo tirar esse tipo de cena da minha cabeça… ela parece tão…!! Não! Não! Não!
Tsuki agora notava que o guardião da terra estava tendo um conflito interno, parecia nervoso, constrangido com algo, mas não sabia exatamente com o que. Logo o mesmo se aproximou do jovem, colocou a mão em seu ombro, chamando-o:
— Ei…
Neste momento, o rapaz soltou um grito apavorado, como se o guardião da lua estivesse escutando os seus pensamentos obscenos a respeito de Midori.
— Qual é o seu problema? –Perguntou Tsuki –Pela sua cara, parece que estava pensando em…
— Não! Esquece isso! –Pediu – O que está acontecendo?! Essas coisas estranhas…de novo…—Pensou extremamente corado, ainda tentando disfarçar
Logo os guardiões começaram a sentir uma estranha energia se aproximar, essa energia era conhecida para ambos; mas ainda assim não sabiam ao certo identificar de quem se tratava.
Não demorou para que alguém aparecesse atrás de Midori, puxando-a para trás, enquanto comentava:
— Se você quer um trabalho bem feito, faça você mesmo!
— Droga! Me solta! –Mandou tentando se soltar
Ao olhar para o lado, os guardiões imediatamente reconheceram a pessoa. Não era ninguém mais e ninguém menos que Kano.
O mesmo agora soltava um risada debochada, enquanto puxava Midori para mais perto de si, pressionando o seu pescoço com o antebraço, sufocando-a.
— Kano –Chamou Tsuki indiferente, ainda invocando o shakujõ
— Seu desgraçado…solte ela agora mesmo! Ela não tem nada a ver com isso! –Gritou Tsuchii enfurecido
— O que? Você não era aquele menino? Guardião da terra –Soltou um meio sorriso ainda surpreso –Nossa, eu realmente estou atrasado –Comentou debochado
— Atrasado? –Perguntou Tsuki
— Vamos, mocinha, me diga onde estão as suas pesquisas –Disse colocando suas garras de dragão em seu estomago –Não vai querer morrer agora, não é? Não sem declarar o seu amor –Sussurrou perfurando a sua blusa com as suas garras
— Não faça nada a ela, Kano! –Pediu Tsuchii –Por favor!
— Tudo vai depender de vocês –Disse provocando um corte na barriga da mesma, fazendo-a soltar um grito de dor
— Kano!
— Ryu no Mizu!
Logo Kano viu voando em sua direção um imenso dragão d’água. Logo o mesmo tirou a suas garras de Midori, saltou desviando dos dragões de Akio. Antes que atingisse o solo, Hikari a segurou, enquanto a mesma continuava perdendo sangue.
— Midori! –Chamou Tsuchii –Hikari, ela vai ficar bem, não vai?!
— Precisamos leva-la até a Ayaka –Disse seriamente –Ela está perdendo muito sangue, diferente de nós, ela não tem um grande quantidade de energia. Se não nos apressarmos…
— Não! Eu não vou deixar isso acontecer! –Disse pegando-a no colo
— Tsuchii…
— Ajude o Akio –Pediu seriamente -Capitã, mantenha-os em um lugar seguro –Pediu Tsuchii encarando-a seriamente
— Certo –Concordou, agora se virando –Tsuchii, não deixe a Midori morrer
— Não se preocupe –Disse dando as costas e correndo ainda seguindo a energia da guardiã do vento
Enquanto isso, sobre Ryu no Mizu, Akio disparava jatos de água na direção de Kano, que agora desviava rapidamente, ainda dando gargalhadas debochadas. Agora correndo pelo solo, sendo perseguido pelo animal celestial, Kano dava um alto salto e cuspia fogo na direção do guardião das águas.
Antes que fosse atingido, Hikari criou um escudo de luz, que bloqueou o golpe de fogo de Kano.
— Valeu, Hikari! –Agradeceu Akio
— Acho que vamos ter um pouco mais de trabalho que imaginávamos –Comentou segurando o báculo, ainda que em posição de batalha
— É o que parece –Soltou um sorriso confiante
Ainda correndo entre as ruas das cidades, Tsuchii com Midori sem seus braços, procurava pela guardiã do vento. Logo o mesmo via que a amiga começava a suar; mas ao mesmo tempo estava arrepiada. O sangue não parava de jorrar de seu ferimento e a mesma estava cada vez mais pálida.
— Essa não…Midori…!
— Tsuchii…
— Procure não falar, estou te levando até a Ayaka –Respondeu ainda correndo –Ela saberá como cuidar de você
— Estou cansada…sinto que a qualquer momento… -Disse fechando os olhos
— Ei! Não dorme! Procure não dormir!
— Está…preocupado…comigo…?
— Sua boba… -Disse virando uma rua – É claro que eu estou –Respondeu ainda aflito
— Seu coração está acelerado –Respondeu segurando a sua blusa –Eu consigo ouvi-lo…
— Midori…aguente só mais um pouco, estamos quase chegando –Pediu ainda temendo o pior –Eu preciso salva-la! Eu não posso deixar ela morrer!
Logo o mesmo se deparou com os demais guardiões, enfileirando corpos de pessoas inconscientes no chão. Ao ver a guardiã do vento, Tsuchii a chamou:
— Ayaka!
— Tsuchii? –Perguntou a guardiã do vento
— Por favor! Ajude a Midori!
— O que?! O que aconteceu? –Perguntou vendo o tamanho do ferimento em seu estomago – Como ela foi se ferir desse jeito? –Ajudou a deita-la no chão, ainda que com cuidado, para que seu ferimento não abrisse ainda mais
— Foi aquele desgraçado do Kano –Contou enfurecido – Perfurou o seu estômago sem mais e nem menos. Ele quer as pesquisas que fizemos –Respondeu
— Aquele canalha –Disse Ayaka abrindo a blusa de Midori, para ter melhor acesso a região onde se localizava o ferimento –Sabe onde ele está? –Perguntou seriamente
— Está lutando contra o Akio e Hikari –Comentou se virando para o outro lado, para que não visse a amiga apenas de sutiã –Ayaka, a Midori vai ficar bem? –Perguntou aflito
Ayaka notou que o guardião da terra estava bastante tenso com a situação de Midori, afinal, seu ferimento era bem fundo e a mesma havia perdido muito sangue. Ainda assim, o mesmo não era do tipo de perder a cabeça, de se desesperar, será que ele estava apaixonado pela jovem detetive? Será que não era apenas uma paixãozinha adolescente como eles estavam imaginando? Claro que não, era visível nos olhos do jovem o imenso amor que ele sentia pela companheira de viagem.
Demorou, mas enfim Ayaka caiu em si, que Tsuchii não era mais aquele menino que conheceu no templo da terra há seis anos atrás. Ainda que aos poucos, ele estava se transformando em homem, desenvolvendo os sentimentos de um. Ao notar isso, através da preocupação do mesmo com Midori, a mesma soltou um leve sorriso e respondeu:
— Farei o possível para salva-la. O ferimento é fundo, mas ela é muito forte, acredito que sobreviva. Ainda assim vai precisar de um tempo para se recuperar –Disse pegando algumas gazes de um dos bolsos de seu cinto –O importante é não deixar o ferimento infeccionar –Respondeu enquanto limpava o corte com a gaze
— Conto com você, Ayaka –Disse vestindo as suas luvas de couro –Por favor, cuide da Midori
— O quê? Espera, você não vai voltar, vai? –Perguntou seriamente – Tsuchii, o Kano não é qualquer adversário, deixe com que Akio, Hikari e Tsuki cuidem dele –Aconselhou seriamente
— Eu jamais vou perdoa-lo pelo o que fez a Midori –Respondeu seriamente –Ninguém mexe com a minha garota e saí impune –Disse caminhando em direção até onde Kano lutará contra os demais
Ainda pasma com o que acabará de escutar, Ayaka encarava fixamente o ferimento de Midori, se perguntando se não havia escutado errado. Ele havia dito “minha garota”? Se referindo a Midori como se fosse a sua namorada ou algo assim? Ele estava mesmo levando aquilo a sério.
Ao ver Ayaka estática daquele jeito, Sayo passou a mão diante de seus olhos, perguntando:
— Ayaka, tudo bem?
— Nossa, o que deu no Tsuchii? –Perguntou Taiyoo estranhando o mesmo se afastando, ainda que seriamente –E esse ferimento no estômago de Midori, afinal, quem fez isso? –Perguntou ainda impressionada com o tamanho do corte no estômago da detetive
— Foi o Kano –Respondeu Ayaka voltando a si – Ele atacou Midori, queria as pesquisas que ela fez a respeito dos mundos celestiais. O Tsuchii está enfurecido, ele disse “ninguém mexe com a minha garota e saí impune” –Comentou cuidando dos ferimentos da detetive, que sequer prestava atenção na conversa
— Ain que fofinho! –Comentaram as guardiãs com os olhos brilhando, achando fofo a forma com que o guardião da terra se referiu a Midori
— Ele está amando – Comentou Sayo deslumbrada – O nosso menininho está crescendo
— Já estava na hora –Comentou Taiyoo concordando – Finalmente
— O Tsuchii apaixonado –Comentou Ayaka com um meio sorriso, enquanto limpava o ferimento de Midori – É Midori, você deve ser muito especial, não é qualquer uma que consegue conquistar esse menino –Soltou um leve sorriso
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