Os 3

6 Liberdade e seu preço árduo.


“No começo é sempre assim, você não consegue distinguir uma cor, de outra. Um som grave de um agudo. Um pedaço de rosto se confunde com uma nuca tatuada. O cabelo de um, se mistura com a orelha de outro.”

Amanhecera. O destino parecia continuar a rir da vazia vida dos três.

Jane viajara pra cidade natal para ajudar no zelo ao pai. Julian estava em um bar qualquer se embebedando de whisky e logo em seguida colocaria alguns chicletes de menta na boca pra saborear a fumaça de seu cigarro no caminho de volta para casa. Oliver por sua vez, continuara ali. Não no mesmo lugar de sempre. Dessa vez ele estava na inescrutável presença de Rennato .

Ainda sobre efeito de todas as doses Julian dava passos largos e ríspidos pelas ruas de Porto Alegre enquanto olhava desconfiado para tudo e para todos. Como um excelente predador no auge da juventude faria. Uma vez ou outra ele encontrava com um dos vizinhos, mas logo virava o olhar pra fingir de desentendido e não ter que cumprimentá-los.

No apartamento, ainda desnudos Oliver e o amigo cochilavam sobre o sofá. O cheiro masculino excretado não fora disfarçado pelas velas perfumadas e incensos que Oliver fazia questão de ter em casa. Aquele cheiro inconvincente lembrava o mesmo cheiro presente nos motéis mais fuleiros de Porto Alegre.

Algumas horas daquela manhã já haviam se passado. Jane não havia deixado nenhuma mensagem de texto avisando que estava bem, Julian não havia dado sinal de vida e Rennato continuava a dormir.

Oliver por sua vez estava na cozinha trajando apenas uma cueca branca que mesmo larga, delineava seu corpo. O jeito que os raios de sol penetravam pela janela e batia na sua pele deixava o tom negro de sua pele ainda mais encantador.

Distraído, o rapaz fazia panquecas recheadas com chocolate e cappuccino. Algo dizia que seu namorado podia chegar a qualquer momento, então preparou uma porção a mais.

Enquanto esperava o leite esquentar, o rapaz sentou-se em uma das banquetas de estofado cinza que combinavam com o granito do balcão e apoiou os cotovelos sobre o móvel, expressando o desanimo causado pelo sono.

Quando ele começou a ouvir o borbulhar do leite, sentiu algo encostar em sua barriga. Era uma das mãos de Rennato que o acariciara. Assim que o rapaz sussurrou um “bom dia” em seu ouvido, Oliver o afastou empurrando com as costas. Ele sentia certo desconforto naquilo. Ele estava a tanto tempo trocando caricias apenas com Jane e Julian que qualquer contato físico com outra pessoa se tornou algo estranho.

Rennato desde que chegara a casa do amigo tentara entender como ele conseguia amar duas pessoas. Para o rapaz, quando se ama alguém você já perde sua liberdade e fica completamente preso a ela. Com censura. Relacionar com mais de uma pessoa aos olhos do rapaz era uma forma de indecisão. “Quando se ama mais de uma pessoa, na verdade você não ama nenhuma delas”.

O silêncio havia tomado conta do apartamento.

Enquanto Oliver punha a mesa ele percebera a inquietude no olhar de Rennato olhando pelas fotos Dos 3 espalhadas pela casa.

— O que você está pensando ai todo calado? — Questionou Oliver.

— Nada. — Rennato sorriu. — É que não consigo entender como você consegue amar duas pessoas, e bem, isso nem é o pior. Elas aceitam isso.

— Você ama sua mãe. Da mesma forma que ama sua irmã. E da mesma forma que ama seu pai, pelo menos eu suponho. — Disse o garoto enquanto enchia a boca de panquecas.

— Sim! Sem sombra de dúvidas, mas eu não comeria nenhum dos três. — Rennato deu de ombros.

— E desde quando o amor tem a ver com sexo? — Oliver franziu o cenho.

— E não tem? Qual relacionamento não tem a ver com sexo?!

— Um relacionamento bem ruim.

Ambos caíram na gargalhada.

Antes que e recompusessem ouviram o barulho da porta abrir fazendo os dois garotos arregalarem os olhos.

— Tem alguém em casa?! — Gritou Julian.

— Estamos na cozinha. — Respondeu Oliver.

Julian tirou o sapato, largou sua jaqueta sobre o sofá e foi para cozinha.

Oliver o indicou um lugar para sentar e se levantou para pegar mais um prato. Quando se sentou Julian o questionou.

— Não está se esquecendo de nada? — Julian fechara a cara

— Ah, uma xícara.

— Não é isso. — Julian tinha a mesma expressão.

— O que é então muléstia? — Oliver estava sem entender.

— Meu beijo. — Julian abriu um sorriso largo. Algo raro.

— Nossa! Eu já estava quase ligando pra policia pensando que ia rolar uma agressão aqui — Rennato se intrometeu.

Os namorados encararam o menino com espanto por tamanho exagero e em seguida se aproximaram e deram um beijo.

— Que merda de cheiro de cigarro é esse? Se Jane estivesse aqui você sabe o que aconteceria né?

— Quando a gente se conheceu ela já sabia do meu vício. E outra, ela não gosta que você fuma porque alguém tem uma saúde maravilhosa.

— Ai, quero nem saber onde você passou a noite. — Oliver cuspiu as palavras.

— É melhor mesmo. — Julian deu um gole no café — Posso saber por que as donzelas estavam rindo quando eu cheguei?

— O Rê estava me questionando sobre nosso relacionamento. Ele não consegue entender o Poliamor.

— Já usou o exemplo dele amar a família?

— Sim.

— Ué, vocês tem um repertório de argumentos?

— Sim. Acredito que sim. Somos questionados por isso desde que morávamos em Minas e a Jane no interior de São Paulo. Além de ser um relacionamento poliamoroso, era à distância porque víamos a Jane no máximo quatro vezes no mês e Oliver e eu somos primos.

— Desculpa. Sei como isso é chato. Quando eu estava morando com minha irmã todos a questionavam porque ela e o marido não queriam ter filhos e eu conseguia perceber o quão incomodo isso era. Acho que é uma questão muito pessoal e só cabe as pessoas a decidir.

— Exatamente. — Disse Julain.

— Só não entendo o sentido disso. Se entregar a mais de uma pessoa. — Rennato manifestou sua dúvida.

— Não há sentido nenhum em limitar o amor. Se há um mar de possibilidades de amores e formas de se amar para se descobrir e viver, por que você vai se prender em relacionamentos ruins? O mundo, a vida, é um mar de experiências, viva-as. — Explicou Oliver.

— Acho que entendi. — Disse Rennato tentando achar as palavras certas — Ame-se. Ame as pessoas. Ame o amor. Ame.

— Ou apenas foda muito. É uma escolha sua. — Julian se levantou e fora em direção ao banheiro.

— Essa parte do foder muito é mentira, até mesmo porque não lembro a última vez que... — Antes que terminasse de falar Julian o interrompeu.

— Estou indo tomar banho agora, venha cá que resolvemos isto agora.

— Não posso recusar esse convite. — Oliver sussurrara para o amigo.

O rapaz que estava apenas de cueca, a deixou na cozinha e fora caminhando para o banheiro com o peito cheio de desejo.

Sem ter o que fazer Rennato limpara a cozinha.

Quando acabou, os namorados não haviam dado nenhum sinal de vida.

Impaciente, o rapaz resolveu andar pela cidade. Pegara sua bolsa tira colo e deixara um bilhete sobre a única cama daquele apartamento.

“Aproveitem a 2 aquilo que há muito tempo é a 3. Estarei por aí. Não se desesperem se eu simplesmente desaparecer. — Rê ”

***

Anoitecera.

Rennato ainda não havia voltado.

— Azeitona, tu não deveriam pelo menos ligar pro seu amigo pra ver se ta tudo bem não?

— Que preocupação é essa?

— Não foi eu que foi atropelado no primeiro dia nessa cidade.

— Não tenho idade pra ter filho do tamanho dele não.

— Está tudo bem, mas se tiver acontecido algo já adianto que não quero ouvir lamentações suas.

— Deixa eu ligar de uma vez porque o jeito que tu fala é bem provável que ele seja atropelado por um caminhão fora de estrada no centro de Porto Alegre.

O telefone tocou. E tocou. E tocou. E nada.

— Ele não atende. — Disse Oliver já ficando preocupado.

E então ele sentiu seu celular vibrar. O amigo estava retornando a ligação.

“Oliver?”

“Aham. Onde você está maldito?”

“Estou em um parque bem grande, não sei o nome, está tendo uma roda de música aqui. Também tem gente recifrando poesias e outros expondo quadros... Ta bem legal.”

“Parque das Redenções. Ah, está tudo bem então. Só queria saber onde você estava. Tchau”

Quando Oliver ia desligar o celular escutara um grito no telefone.

“ESPERA! Por que você e o Julian não vêm pra cá? Vocês são a cara de humanas, vão adorar.”

“‘A cara de humanas’ vou levar isso como um elogio.”

Ambos riram.

“Não sei se o Julian vai querer. Ele passou a noite fora, está cansado já.”

— Ir aonde? Se tiver bebida estou dentro. — Julian se entrometeu.

— No Parque das Redenções. Segundo o Rê está tendo um evento de humanas que é a nossa cara.

— Ah, bora. Melhor que ficar nesse maldito apartamento fazendo nada.

“Bem...”

“Eu escutei. Estarei esperando vocês aqui. Beijos.”

***

Quando chegaram ao parque não tiveram muita dificuldade pra encontrar Renato. O rapaz estava sentado embaixo da árvore perto de uma roda de violão. Com o olhar distante ele nem percebera a chegada de Oliver e seu namorado.

— Quer um gole? — Julian estendeu a mão em direção ao rapaz.

— Ah? Não. Obrigado. — O rapaz tinha a voz ríspida

— Está tudo bem?! — Oliver sentou de frente para o amigo.

— Acho q-que... — O rapaz gaguejara e escondera o rosto atrás da mão.

Julian revirou os olhos e sussurrou “pelo menos eu trouxe bebida” e se sentou ao lado do namorado.

— O que está acontecendo? — Insistiu Oliver.

— Nada.

— Está sim. — Julian encarou o rapaz com seu olhar de predador. — Desembuche.

— Não sei nem por onde começar. Nem sei tenho coragem de tocar no assunto.

— Comece pelo inicio, oras. — Oliver colocou a mão na coxa do amigo como um sinal de apoio.

O rapaz tirou a mão do rosto, o que deixou o casal de namorados assustado pelo quão vermelho seu rosto estava.

— Oliver, lembra que eu disse que vim pra Porto Alegre atrás da minha felicidade? — O amigo acenou com a cabeça — Na verdade eu vim pra cá para fugir desse problema. Eu não queria passar por isso, não queria lidar com isso. Pelo menos não perto da minha família, dos meus amigos de infância.

— Pegou dinheiro emprestado na mão de agiota? — Julian que já estava ficando alterado, pra variar, questionou o rapaz.

— Antes fosse. As coisas seriam mais fáceis.

— Então o que aconteceu? — As mãos de Oliver estavam soando de ansiedade.

— Eu estava namorando e... e meu namorado me traía.

— Você mudou de estado por causa de uma traição? — Julian riu.

— DEIXA ELE FALAR. — Exclamou Oliver que estava prestes a cuspir o coração.

— Ele só me contou dessa traição porque tinha contraído AIDS e como algumas vezes a gente transava sem preservativo, e segundo ele, como ele queria meu bem achou melhor me contar. — O rapaz voltou a chorar

Oliver o dera um abraço demorado. Aquele silêncio deixara Julian impaciente.

— E você já foi fazer o exame pra ter certeza? — Questionou Julian.

— E você acha que tive coragem? — O rapaz estava soluçando de tanto choro. — Tenho medo da resposta.

— Tenha certeza que a dúvida dói muito mais. — Julian deu um sorriso sem mostrar os dentes. — Jane, Oliver e eu sempre fazemos o teste. Tem um que fica pronto em alguns minutos. Se quiser podemos te levar a um pronto atendimento agora.

— Ah, não sei. Estou me sentindo fraco... até com um pouco de tontura.

— Pudera! Está fora de casa desde manhã e duvido que tenha comido algo.

— É, só tomei o café da manhã...

— Pois então vamos. Oliver te paga um crepe no caminho.

Os três rapazes se levantaram. Rennato ainda vermelho abraçara os meninos e dissera um “obrigado” bem baixinho tentando evitar o choro.

***

Ao chegarem no hospital uma enfermeira que apresentava seus vinte e poucos anos viera atender trazendo um copo na mão.

— Senta meu querido, essa água vai te ajudar a acalmar. De longe vi que não estava bem.

“Mesmo com Oliver e Julian me dando essa força me sinto tão só. Essa tempestade de pensamentos que me aflige parece não ter fim” pensara Rennato.

— Está mais calmo? — Disse a enfermeira com uma voz serena.

— A-acho que sim! – O rapaz gaguejou.

— Então me conta por que você veio aqui.

O rapaz olhou perdido. Além daquele peso, teria que contar sua vida íntima. Não obstante, ela era uma enfermeira e o rapaz não deveria temer os profissionais da saúde, pois ela tem o dever de cumprir com o código de ética.

— Eu fui traído e... meu ex-namorado contraiu o HIV.

A enfermeira parou para refletir e não emitiu uma só palavra.

— Ele está onde agora?

— No inferno. Eu espero.

— Você tem certeza que quer fazer seu exame agora? Não quer conversar com nossa psicóloga antes? Você parece muito desamparado. — A jovem enfermeira encarou Oliver e Julian com um olhar de “vocês não estão fazendo direito o papel de amigo”

— Não, tem que ser agora. Não vou carregar esse peso por mais tempo. Eu estou com medo!

— Mas você tem medo de quê? — Sua voz doce e suave não se alterava.

— Medo da minha mãe. Medo da minha irmã e seu esposo. Medo dos meus amigos. Medo de não conseguir conquistar meus objetivos. Medo de tomar remédio a vida toda e depois ter que morrer!

— E quem te disse que quem tem HIV tem que já começar tomando remédio?

— Como assim? Claro que tem. Todo mundo tem que tomar remédio senão morre.

— Não, não tem. Quase todo mundo que descobre só começa a tomar os remédios muito tempo depois. — Explicou.

— Como assim?

— E que precisa de uma série de fatores pra já começar tomando os remédios de cara. Tem que ter uma combinação de algumas coisas, que se você tiver paciência eu explico. Se não tiver essa combinação de coisas não precisa. Temos muitos pacientes que não tomam nenhum remédio, apenas se cuidam!

— Isso é verdade ou está apenas me dizendo isso pra me sentir melhor?

— É verdade garoto. E tem gente que mantém uma vida tão saudável que nunca precisa tomar remédio!

Rennato a olhou debaixo dos olhos com uma expressão tímida e triste.

— E fica calmo rapaz, nem sempre o casal tem o vírus. Pode acontecer de um ter e o outro não!

— Mas não tem como. Nós transamos várias vezes sem camisinha e pelo que ele me disse, ele estava me traindo há meses!

— Guri, tenta ficar tranquilo. Hoje com os remédios ninguém mais morre. Mesmo que você tenha, não precisa se preocupar porque você não vai morrer por causa disso!

O rapaz a olhou de novo, perdido. Sem resposta, ela continuou.

— Quantas pessoas você já ouviu falar que morreram de Aids hoje em dia?

— É verdade!

— Não precisa ter medo mais. Precisa apenas se cuidar.

A menina transmitia tanta paz e segurança que Rennato sentiu vontade de debruçar sobre seu colo.

— Qual é o seu nome?

— Laura, e o seu?

— Rennato!

— Pois então Rennato, você está se martirizando por algo que nem sabe ainda. Vamos fazer o exame?

— Ah, não sei. Isso demora tanto a ficar pronto que eu não sei se vou aguentar toda essa angústia da espera.

— Olha, se você quiser nós temos o teste rápido. É tão eficaz quanto o que vai para o laboratório!

— Como assim? Eu fico sabendo na hora se tenho Aids?

— Sim, em cinco minutos!

Rennato sentia suas mãos soarem. Sua voz nunca tinha temulado tanto. Ele gaguejou, mas não saiu nada inteligível. Laura o olhava compreensiva. Olhares de quem já estava acostumada a ajudar quem se encontrava naquela situação indesejável. O rapaz olhou para a janela do pronto atendimento. Lá fora os carros zanzavam. Uma brisa inquietante soprava meu rosto. Alguns morcegos tentavam concorrer seu barulho contra o barulho da cidade. Eles não se preocupavam com o rapaz. As pessoas lá na rua também não. Cada um absorto em sua vida jamais teria tempo para ouvir o grito de desespero que pulava no peito do rapaz.

Em cinco minutos vou saber se essa desgraça me atingiu também! — O garoto olhou pra Oliver que o dera a mão.

— Você vai querer fazer o teste rápido ou quer o de laboratório?

O rapaz não queria fazer nenhum dos dois.

— Não vou aguentar carregar esse peso por mais quinze dias. Seja o que Deus quiser!

— Então vá naquela pia e lave as mãos e se sente naquela cadeira que eu vou buscar o kit.

— Laura, tem como ser rápido? Eu to quase tendo um ataque cardíaco!

— Você quer tomar uma água antes?

— Quero sim!

Agora com o copo nas mãos ela se assentou na mesa branca de metal à minha frente e dispôs alguns materiais que o rapaz não conhecia.

— Me dê o dedo!

A ponta foi desinfetada com álcool e uma espetada lancinante provocou um pequeno sangramento que ela agora pingava sobre um buraquinho pequeno, num dispositivo de plástico retangular. Por fim pingou a gota de um líquido sobre o sangue e olhou para Rennato.

— Pronto, agora é só esperar reagir.

— Como é que funciona? – Rennato perguntou com uma ardência na garganta e uma palpitação cardíaca que o era audível.

Ele não conseguia esperar e com o copo perambulava de um lado ao outro da sala.

— Fique calmo Rennato!

E o coração do rapaz batendo cada vez mais forte, chegando à garganta e palpitando na boca.

— O líquido que eu pinguei vai reagir com seu sangue. Se encontrar traços de anticorpos compatíveis com o do HIV irá mostrar!

— E ele mostra o quê?

— Se aparecerem duas barrinhas você tem o vírus. Se aparecer somente uma, não tem nada!

— E é confiável?

— É 99,9% confiável. É a mesma coisa do teste de laboratório, só que com muito mais rapidez!

Sobre a mesa Rennato via o dispositivo avermelhar-se na primeira barrinha. Logo seu sangue subiria um pouco mais e a segunda barrinha seria acendida e toda a sua vida apagada.

— Vou sair daqui, não quero ver!

— Isso, venha para cá, vem aqui pra fora tomar um ar. Vamos!

Um enorme relógio girava lentamente. O tempo havia parado e aqueles cinco minutos foram os mais longos da vida de Rennato.

— Não aguento mais esperar, Laura. Olha aquele negócio para mim, por favor!

— É, já deu o tempo mesmo!

O coração de Rennato o arrebentava o peito nesse momento. Nunca mais ele precisaria de um laudo cardíaco, pois antes de mais nada passara com louvor por todos os testes que um coração poderia aguentar.

Laura se ajeitou atrás da mesinha, tomou o dispositivo, olhou de lado, parecia não ter o que dizer.

Por fim, com a mesma voz calma de quando o atendeu melodiou aos ouvidos do rapaz a resposta.

Ele caíra no chão e começara a chorar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.