Os 12 Fragmentos Estelares
5 Capítulo 05 - O passado
Notas iniciais
“Há mil anos, os monges do zodíaco nos invocaram. Foi quando nós tomamos a forma corpórea de fragmentos, éramos grandes guerreiros, jovens e magestosos. Com o tempo, os monges começaram a tomar nosso poder através de pedras lunares, geralmente usadas por eles em anéis. A cada ritual de dispersão, éramos enfraquecidos e libertados para outro ponto do mundo, tendo que recuperar nosso poder antes do próximo ritual, para novamente ser sugado e dispersado. Mas agora, no último ritual, Serpentário acordou e se materializou como décimo terceiro fragmento. Ele disse que deveríamos encontrar humanos para fundir o nosso espírito celeste com vocês e encontrar uma maneira de conviver com eles em harmonia. Ele explicou sobre os humanos cadeados, o consentimento e aceitação humana, e que assim estaríamos a salvo até o próximo ritual.”
Sarah, que até agora permanecia quieta, observou o olhar cabisbaixo de Leo, e viu que o pior ainda estava por vir.
“O que acontece no próximo ritual?”, arriscou.
“O próximo ritual estilhaçará nossos espíritos e nos mandarão de volta para nossas constelações.”, ouvia-se certo alívio na voz de Leo. Depois de mil anos aprisionado no mundo humano servindo propósitos egoístas, é justo ter um meio de voltar para casa.
“E o que acontece com os humanos que vocês possuíram?”, perguntou temendo a resposta.
“Eles morrem.”, Sarah congelou, e olhou Áries, no corpo de sua irmãzinha, claro que no próximo ritual terá vinte e dois anos, mas mesmo assim, ainda é jovem demais para morrer.
“Deveria ter sido eu.”, disse culpada. Uma lágrima escorreu silenciosa no rosto da garota, e Leo viu, pela primeira vez, o sentimento de culpa naqueles que cometem um erro.
“Sacrificaria sua vida por ela?”, perguntou o maior.
“É o que se faz pelas pessoas que amamos. Ela é minha irmã mais nova. Eu deveria proteger ela de todos os perigos. E agora… você me diz que ela vai… droga.”, as lágrimas caíam com mais rapidez a medida que a garota falava. O medo, a raiva, a tristeza, sentimentos que não eram compreendidos pelos signos agora eram expostos. Limpou os olhos e viu que todos os signos de repente voltavam seus olhos à ela. Como se tentassem entender o que acontecia com ela, e o que ela estava fazendo, e por que.
“Isso é amor, não é?”, perguntou Ari, a pequena garotinha se aproximou de Sarah e algo mudou no olhar da pequena. Era Liz.
“Por que você está chorando?”, perguntou na voz doce de sempre.
“Liz? … Ah, isso não é nada. Não se preocupe. Vai passar.”, respondeu e puxou a pequena para um abraço. Ouviu-se um estouro não muito longe dali, e Ari estava de volta, ativa no corpo de Liz.
“O que foi isso, Leo?”, Sarah soltou Ari enquanto ela perguntava.
“Eles estão aqui.”, o olhar de Leo parecia decidido a enfrentá-los. “Aqua, avance pelos céus e veja o que está acontecendo. Virgo, crie as últimas barreiras e prepare o túnel. Áries, prepare suas cartas. Taurus, eu e você avançaremos.
“E quanto a mim?”, perguntou Gemini.
“Copie Virgo e ajude-a no que ela precisar.”, respondeu Leo e seguiu em frente. Sarah ficou perto de Gemini e Virgo, não sabia como poderia ser util.
Leo e Taurus seguiram em frente por entre as árvores. Volta e meia olhavam para cima e viam Aqua passar em zigue-zague sobre suas cabeças. Em uma clareira a frente reconheceu Scorpio, Librae e Sagi.
Sagi era uma adolescente com cabelos dourados trançados, usava um arco e flecha para tentar acertas os monges do zodíaco. Librae tinha cabelos vermelhos como o fogo e empunhava uma espada, era um pouco mais velha e dominava sozinha dois guardas que aparentemente pertenciam aos monges. Scorpio aparecia e desaparecia no ar. Tinha cabelos pretos espetados com o corpo de um jovem de vinte anos. Portava duas adagas e matava os guardas com golpes nas laterais do pescoço, cortes na jugular e até métodos mais torturantes como cortes nas pernas, nos braços e por fim um corte do queixo a testa, repartindo faces inimigas em duas partes.
Taurus avançou invocando um grande machado de dois gumes, atacando qualquer um a sua frente. Já Leo, invocou um grande leão de fogo que pulava nos inimigos e os carbonizava. Os monges bateram em retirada ao ver Aqua criando um tornado ao seu redor. Os guardas remanescentes foram eliminados um a um. E logo eles voltavam para a clareira onde os outros estavam.
Ao chegarem, os signos foram se cumprimentando e a história de Sarah era contada mais uma vez. Só faltavam três signos: Câncer, Peixes e Capricórnio. Leo parecia preocupado, mas não tanto quanto antes, estava mais confiante em relação aos três.
“Eles caíram mais além, Leo. Chegarão aqui em breve.”, disse Librae, parecia ser uma das mais sábias entre os signos. Uma guerreira nata.
“Estou ciente de sua localização na queda. Serpentário disse que não cairíamos muito longe um do outro.”, e virou-se para se juntar aos demais. Já era noite e nem um sinal luminoso era emitido, e mesmo assim, na escuridão quase total, eles se viam perfeitamente. “Espero que serpentário tenha conseguido voltar a forma celeste antes de se fragmentar.”
“Qual o problema se ele virar um fragmento, Leo?”, perguntou Gemini.
“Aí só teremos que descobrir qual parte de Serpentário ele é. Se ele é o Serpentário ou a Serpente.”, não era preciso ver, mas Sarah sentiu que todos ficaram apreensivos com o fato. Pelo que entendera, os fragmentos eram parte da personalidade dos signos, e não uma inteira. “Descansem, partiremos pela manhã. Suas cartas estão prontas, Ari?”
“Sim, estão perfeitamente alinhadas e prontas.”, respondeu Ari.
“Ative-as.”, ordenou Leo.
“Mas Leo, isso nos ocultará de Capri, Piscies e Cancri também.”, preocupou-se.
“Manteremos guarda para caso eles cheguem, agora adormeçam. Falarei com seus humanos.”, Leo parecia decidio demais em fazer com que tudo funcione. Seria ele o grande líder deles?
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