Os órfãos de Nevinny
97 A biblioteca central
— "É presa hoje a acusada de torturar e amordaçar deixando inconsciente uma dona de casa a enfermeira de vinte anos Mirella Natalie. Segundo informações concedidas à polícia, Mirella seria responsável por torturar uma dona de casa na qual ela era cuidadora, deixando a mesma amordaçada encontrada inconsciente em um armário em sua própria residência ao lado de um bilhete um tanto ameaçador. A dona de casa que não terá sua identidade revelada por decisão da família também era supostamente alimentada por uma espécie de substância que a deixava sem lembrança do que tinha acontecido na noite anterior, substância essa popularmente conhecida como "boa noite Cinderela". Segundo os exames feito na vítima, não foi encontrada nenhuma substância em seu organismo, mas essa informação veio de denúncias de vizinhos e conhecidos que acompanham o caso."
— Até que enfim uma notícia boa. Vão fazer alguma coisa pra vingar o que fizeram com a dona Ami. Fico feliz que a justiça na cidade ainda vale pra alguma coisa nos dias de hoje — Lívia declara levantando as mãos em forma de alívio e agradecimento.
— É. Quem diria que uma simples enfermeira poderia fazer uma coisa dessas — você fala ainda sem saber como reagir ao noticiário mas ao mesmo tempo aliviadx pela declaração do jornalista.
— Eu nunca conheci essa enfermeira, mas eu fico super feliz que uma pessoa assim esteja longe da minha amiga.
— Bom, a notícia foi ótima mas eu preciso sair agora, senão eu vou me atrasar pro compromisso.
— Você não vai chegar tarde, não é, S/N? — Lívia pergunta — Saindo a essa hora quase no fim da tarde eu duvido muito que você esteja indo realmente estudar em grupo.
— Eu vou estudar na biblioteca central com os colegas da escola. Pode ficar despreocupada poque eu vou estar lá. Pode até ir conferir se quiser.
— E por que não estuda em casa?
— É uma pesquisa em grupo. Eu já disse.
— Tá certo. Mas toma cuidado e leva uma roupa aquecida pra se proteger do frio.
— Tô levando.
— Até mais tarde, S/N.
E assim você sai pela porta de casa se apressando para ir em direção da estação de metrô.
Não demorando muito, chegando lá, logo manda mensagem para Allison dizendo que está a caminho. Passando pela avenida do metrô você vê no outdoor de noticiários locais a respeito de teorias de Mirella estar possivelmente envolvida no roubo do banco Khanterah pelo fato de pessoas associarem a noite que dona Ami foi encontrada desacordada dentro do armário em casa ao lado do bilhete com a ameaça por parte de um miridiano.
Ao ler esses comentários, decide ignorá-los à medida que mais deles vão surgindo na tela e assim decide seguir a caminhada.
⌚️ Algum tempo depois prestes a entrar na biblioteca...
Na companhia de Allisson e com o sol já para se pôr, as portas da biblioteca já começam a acender suas luzes lhes dando boas-vindas. Porém há algo que você não pode deixar de perguntar quando não vê Lavínia a postos na localização que combinaram.
— A Lavínia não vai poder vir hoje. Disse que não 'tava apta pra seguir a investigação com a gente.
— Ela disse que não tava apta? Essa palavra? — você pergunta estranhando a afirmação.
— Não com essa palavra. Me desculpa. Mas ela falou que não pode seguir com a gente na investigação. Ela não disse muita coisa, mas parece que ela não deve estar bem. Falou muito pouco.
— Como assim? Então ela não vem hoje e abandonou de vez a investigação? Mas por quê?
— Eu não faço a mínima ideia. Mas talvez assim seja melhor. Sabemos que ela não 'tava levando a investigação tão a sério — Allison afirma.
— Mas deve ter algum motivo. Com certeza. Você falou alguma coisa pra ela na última vez que você reclamou que ela não 'tava lendo o livro?
— Não. Só comentei que ela tinha que focar mais pra poder a gente achar uma resposta rápido.
— Eu não sei. Será que ela tá assim por causa da Mirella? Você viu a notícia que saiu? Eu acabei de ficar sabendo antes de sair de casa — você diz.
— Na verdade eu sei. Desde ontem. Você acha que pode ser isso?
— Talvez. Mirella era uma pessoa que Lavínia admirava bastante. Até tinha uma amizade entre as duas. Talvez seja isso. Lavínia deve ter ficado arrasada por causa da notícia dessa prisão. Lembra que quando eu contei a história ela nem quis acreditar?
— Eu lembro. É, talvez faça sentido. Lavínia estava bastante animada e curiosa pra descobrir sobre as coisas em Miríade. O fato da Mirella ter sido presa pode ter mexido com as emoções dela de alguma forma e a ter feito desistir da investigação — Allison declara.
— Com certeza foi isso — você fala enganosamente concordando com a declaração de Allisson, porém no fundo sabendo que não trata apenas disso ao se lembrar das palavras de Lavínia quando estavam na trilha de trem em Miríade enquanto Allison tentava desvendar o enigma da parede.
— S/N, eu tenho uma coisa pra te contar.
— O que é?
— Primeiro vamos entrar. Ainda é sobre essa Mirella, mas acredito que dentro da biblioteca esteja mais aquecido do que aqui fora.

Ao adentrar o espaço tirando seus casacos, indo em direção à recepção da biblioteca, Allison não perde tempo e logo diz:
— Eu fui no endereço de Mirella outra vez. Sabe, a casa que a gente foi em Miríade na qual você disse que era o endereço dela?
— Sim, eu sei.
— Eu esperava que aquele rapaz da outra vez me atendesse ou, ainda esperançosamente, a Mirella.
— Sim, mas a gente já sabe que a Mirella não mora lá. O que aconteceu?
— O que aconteceu é que pra minha surpresa o rapaz não estava mais lá. Eu fui diversas vezes no endereço, um dia após o outro ou sempre que dava pra eu ir desde o dia que vocês me visitaram. Acontece que eu perguntei pra quem mora mais próximo e ninguém sabe notícias dele.
— Então isso mais que comprova de que ele tem alguma coisa a ver com a Mirella, não é? Ninguém ia sumir de sua própria casa sem ninguém ver.
— Isso. Faz total sentido. Ainda mais agora que essa moça foi presa. Está tudo ligado, mas a gente não pode provar — Allison declara.
— Então esse deve ser o rapaz que a vizinha de dona Ami tanto falava que via à noite. Como você nunca ouviu falar da Mirella? — você questiona.
— Eu já disse. Não tem como a gente conhecer todo mundo. Não é assim que funciona. Por acaso você sabe o nome de todos que moram no seu prédio?
Você nada responde ao ver a recepcionista lhes recebendo com um belo sorriso e um...
— Boa noite. Eu me chamo Bianca Vanilla. Sou a recepcionista da biblioteca central de Nevinny. Em que posso ajudar vocês?
— Boa noite. Eu sou Allison Padalecki. Nós somos da escola de Montreal e estamos fazendo uma pesquisa para um trabalho a respeito da linha histórica da cidade de Nevinny. Eu e S/N estamos à procura de livros que possam dar as informações necessárias que queremos adicionar à nossa pesquisa. Nós já demos algumas olhadas em vários livros da própria biblioteca da nossa escola, porém o júbilo que esperávamos não foi atingido, então, nós queremos fontes de informações precisas que possam enfatizar o que tanto a gente procura e assim deixar o nosso trabalho o mais realista possível e a gente fechar o ano com chave de ouro.
— Uau, mas que vocabulário esplêndido! Seus pais devem ter uma enorme satisfação em terem alguém tão jovem com uma mente tão culta e com o vocabulário bem afiado. Porém, Allison, poderia especificar mais que tipo de pesquisa estão fazendo e que tipos de livros está à procura? — Bianca pergunta, gratificada.
— Bem, estamos à procura de sabermos mais sobre as origens da cidade. Um pouco mais sobre a história dos fundadores, suas construções e legados que deixaram para a população dos dias de hoje.
— Entendo. Vejo que quer se destacar na pesquisa. Quanto à isso, eu posso te encaminhar pra "Ala Histórica Temporal".
— Mas lá vai ter o que eu procuro? Todas as coisas? — Allison questiona.
— Bem, acredito que há coisas que você procura que podem estar inseridas em livros de categoria julgada como confidencial. Nesse caso eu teria que te liberar para a "Ala de Confidências".
— Ótimo, então podemos começar por essa — você dispara, animadx.
— Infelizmente não vou poder permitir que vocês tenham acesso à essa área — Bianca declara.
— E por que não? — Allison pergunta.
— Pelo simples motivo que vos arremetem. Essa área só é permitida pra pessoas cujas possuem a idade necessária como um dos requisitos pra terem acesso e creio que vocês não possuem esse requisito. Vocês são menores de idade.
— Requisito pra ter acesso à uma área que só tem livros da história da cidade? Eu nunca ouvi falar disso.
— Eu acredito que não é só por causa da nossa idade. Homens de terno costumam ter acesso à essas áreas. Digo isso por experiência própria — você fala cochichando para Allison.
— Há algo mais que eu possa ajudar? — a recepcionista pergunta.
— Er... nesse caso vamos ter que ficar com a ala que você nos levar. Acho que já serve pra alguma coisa — Allison diz.
— Certo. Que maravilha. Fico feliz que tenham entendido. É sempre nosso dever manter a segurança dos nossos visitantes em primeiro lugar. Nesse caso, vou pedir pra um dos nossos colaboradores guiarem vocês até à ala que desejam.
No mesmo instante, a recepcionista Bianca começa a mexer em seu computador ao passo que você e Allison se entreolham processando as informações. Em menos de quatro segundos, ela finaliza seu processo e um rapaz chega atrás de vocês dizendo...
— Boa noite. Eu vou levar vocês até à "Ala Histórica Temporal". Por favor, peço que me acompanhem.
E assim vocês vão em companhia do tal rapaz admirando cada corredor em que passam. Revestidos de madeira da parede até à base, as diferentes salas da biblioteca sempre estão repletas de livros e decorações que arremetem a história e curiosidades da cidade. Como já era de se esperar, a maioria delas estão vazias, só com um ou duas pessoas passeando ou visitando cada sala atrás de livros para ler. Também, o que poderia se esperar de uma era onde tudo é facilmente encontrado nas mídias e arquivos cibernéticos com milhares de informações à toa?
📍 Ala Histórica Temporal
— Essa é a ala Histórica Temporal. Nós temos esse imenso acervo com os mais variados tipos de livros e cadernos de anotações, alguns deles sendo legítimos dos próprios fundadores. Vocês podem ficar à vontade para desfrutarem das informações fornecidas pelos livros, mas, nada de fotos, gravações e nem arrancar páginas. Nosso monitoramento de segurança é bem reforçado para assegurar a segurança da biblioteca e também dos visitantes. Espero que as regras tenham ficado claras. Vocês têm alguma dúvida?
— Não, dúvida nenhuma — Allison diz.
— Ótimo. Vou deixar vocês a vontade. Qualquer coisa é so chamar.
E assim o rapaz sai deixando você e Allison na sala na companhia de um senhor que está ao longe dando uma conferida em uma estante.
— S/N, eu estou imaginando coisas ou foi dito realmente o que escutei?
— Sobre...?
— A recepcionista disse que não podíamos ir pra sala restrita pra assegurar nossa segurança.
— Você ouviu? Eu também fiquei sem entender.
— Eu entendi. É como se fosse uma ameaça.
— Então quer dizer que tem alguma coisa muito importante naquela sala que ela não quer que a gente tenha acesso, muito confidencial. Ela mesmo disse que não temos requisitos pra entrar naquela sala e eu sei muito bem que ela não 'tava falando só da idade. Só pessoas importantes podem entrar ali, por isso eu disse aquilo — você afirma.
— Agora o que eu quero saber é confidencial quanto. Na verdade essa moça foi bem desatenta de ter falado uma coisa dessa pra qualquer pessoa. Se é confidencial ela não podia deixar isso tão claro.
— Talvez porque ela saiba que ninguém vai poder entrar sem permissão, então contando ou não contando só mesmo quem pode entrar que vai poder ver o que tem nos livros.
— Bom, então vamos começar até eu pensar em algo — Allison diz.
— O quê?
Passado alguns minutos folheando algumas páginas de alguns livros encontrando histórias superficiais ou praticamente idênticas às que já tinham encontrado em outros livros anteriormente, uma dúvida lhe vêm à cabeça sem mais nem menos mas que de alguma forma, localizada em alguma parte de sua mente ela vem à tona e parece que essa, por algum motivo, é a melhor hora de expor pra tentar conseguir uma possível resposta.
— Ai, ai. O que tem aqui é praticamente a mesma coisa do que a gente já leu em outros livros com exceção de alguns detalhes ou outras coisas a mais. Tem livros aqui que eu até vi pela internet. É até estranho estar com eles em mãos e saber que realmente existe de tão difícil que foi de encontrar — Allison diz, entusiasmadx.
— É, eu vi alguns desses também. Er... Allison, eu preciso te perguntar uma coisa — você inicia tomando a atenção de Allison por alguns segundos que olha para você mas logo volta a olhar para os livros devido ao fascínio que vê.
— Pode perguntar, S/N. Eu estou te ouvindo.
— Sabe a última vez que estivemos em seu bairro, a Lavínia 'tava junto com a gente e aconteceu aquela coisa das visões e o enjoo e todo o resto?
— Sim, o que tem?
— Você lembra daquela parte em frente ao galpão quando a gente 'tava tentando entrar pela entrada pra chegar no túnel antes da floresta? Você lembra daqueles homens que estavam parados bem em frente ao galpão?
— Sim, você já me perguntou o porquê deles terem deixado a gente passar assim tão facilmente e eu já disse que não sei, se é isso o que você vai perguntar outra vez.
— É, isso mesmo. Eu sei que você já disse, mas às vezes não dá pra pensar que você nao conhecia eles ou que combinaram deles deixarem a gente passar. Não que eu pense que você esteja mentindo, mas eu já pensei que isso tivesse acontecido.
— Eu já disse e volto a repetir outra vez. Eu não combinei nada com ninguém e nem conhecia eles. Talvez fossem os novos encarregados do Palooma, não sei. Também até hoje me pergunto o real motivo disso ter acontecido. Os dois pareciam nossos guardas que fizeram de tudo pra ajudar a gente.
— É, você já disse.
— E então?
— Você conhece o Palooma. Também não conhece todos os encarregados dele? — você pergunta.
— Sim, na verdade eu conheço a maioria, não todos. É porque de vez em quando ele pode trocar de encarregados quando assim ele achar que não são mais úteis pra ele. Os antigos desaparecem e vão chegando outros pra ficarem no lugar.
— Eu entendo. Não precisa explicar mais detalhes.
— Bem, eu estive pensando em algumas formas da gente acessar a sala confidencial, mas a mais provável com certeza iam pegar a gente e as outras nós íamos nos meter em encrenca.
— Quanta encrenca? — você pergunta.
— Muita. Mas esquece. Não é do meu jeito fazer isso. Aliás eu não quero ter uma ficha criminal na minha adolescência.
— E o que você tá pensando em fazer?
— A recepcionista disse que nós não temos idade pra entrar na área confidencial segundo as regras que ela falou. Mas e se nós entrarmos com alguém responsável que tenha autorização? Será que dá certo?
— Pode ser que sim. Nós não temos idade, mas entrando com alguém de maior fica mais fácil. Além do mais, se a gente não puder entrar o responsável vai poder, mas é claro!
— Exato — Allison diz dando um sorrisinho.
— Mas será que seu pai vai aceitar tirar um tempinho pra ir com a gente numa biblioteca? Você mesmo disse que ele é bem ocupado.
— Sim, isso é verdade. Por isso que eu tô na esperança de que possa ser que algum adulto que você conheça possa ser esse responsável — Allison fala — E aí, você acha que consegue?
— Eu não sei. Talvez Lívia não vá aceitar — você fala ao lembrar das ordens que Lívia vem lhe dando sobre se afastar de Allison devido às desconfianças dela com sua pessoa.
No momento, essas seriam suas duas alternativas. O senhor Padalecki, pai de Allison seria uma ótima escolha, pois, além de ser um adulto ele ainda carrega um distintivo em seu bolso e a passagem de entrada seria perfeita já que ele se trata de uma autoridade. Por outro lado, sua irmã Lívia se encaixa na categoria de ser um adulto, mas ao lembrar dos outros requisitos, na qual inclui o lado monetário na qual falara mais cedo com base nas palavras de Bianca, talvez Lívia poderia não ser aceita e ter sua passagem barrada assim que tentasse.
Porém, como mais uma alternativa, um nome seria perfeito e que se encaixaria com uma luva nas duas categorias que são requisitadas para se ter o acesso. Um fato por ser adulto e outro fato por ter uma grande abundância no quesito monetário. Além do mais, é uma pessoa próxima e que se caso você pedisse um favor com certeza ela aceitaria. É, isso parece ser perfeito.
— Allison, não precisa incomodar seu pai e fazer esse pedido e também não vai precisar envolver minha irmã nisso — você diz com um enorme sorriso no rosto.
— Não?! E como a gente vai fazer, então?
— Deixa comigo. Eu já tenho uma pessoa perfeita que vai poder me ajudar.
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