Oráculo

5 Capítulo 5: Fogo


Notas iniciais
Oioi bem vindos a mais um capítulo, muitaaaas novidades estão por vir. Boa leitura a todos...

Eu estava na praia, caminhava enquanto meus pés se enterravam na areia. Havia uma cabana, de madeira antiga com cortinas floridas nas janelas, na varanda continha inúmeras plantas e vasos de flores. Algo em mim dizia que eu deveria entrar, e assim fiz. O cheiro era de pétalas de rosas, algumas poltronas estavam derrubadas no chão da sala, só existia um quarto. Abri a porta e uma senhora se encontrava deitada, me aproximei e pude perceber o quanto que ela estava doente, seu rosto havia perdido a cor, era evidente o aspecto de cansaço e sofrimento. Ela segurou minha mão firmemente e me puxou para perto.

— Seu poder foi tirado de você minha querida, precisava ser uma luta justa – Sussurrou em meu ouvido.

— Não estou entendendo... – Respondi e ela sorriu

— Você precisa buscar no seu interior, precisa acreditar em si mesma, e lembre-se, você é mais poderosa do que imagina – Neste momento percebi que ela carregava em seu pescoço um colar, de ouro maciço, um oráculo.

— Espera... – Fui interrompida por um grito extremamente agudo em minha mente.

“ACORDE”

Acordei desesperada, meu corpo se debatia na cama, chorava descontrolavelmente, de repente fui enlaçada pelos braços do Isaac. Eu tremia e gritava, como se tivesse acordado de um pesadelo, mas aquela voz na minha cabeça não parava, eu estava enlouquecendo.

— Ana se acalma, eu estou aqui, vai ficar tudo bem – Ele repetia e o som da sua voz me trouxe novamente a realidade, e ali nos braços dele, pude entender o que estava acontecendo, ou ao menos tentei.

— Me dê sua mão – Pedi e as entrelacei com as minhas, era como eu conseguia ver o futuro/ memorias, como estabelecia a conexão necessária para utilizar meu poder, mas nada aconteceu.

— O que houve? – Ele me afastou delicadamente e enxugou com os dedos as lagrimas que escorriam pelo meu rosto. Seu olhar era de preocupação, ou até mesmo desespero. Às vezes me pegava imaginando como isso tudo deveria estar sendo para ele, como tudo isso o envolvia e o que ele sentia a respeito, mas como sempre, nunca deixou transparecer o que sentia.

— Eu perdi meu poder – Disse me levantando – Não consigo ver nada – Minhas mãos circulavam minha cabeça como se isso resultasse em algum tipo de resposta.

— Com o que você sonhou? – Perguntou enquanto se levantava

— Eu estava em uma praia, tinha uma cabana e uma senhora doente, ela me disse que eu tinha perdido meu poder e que eu era mais poderosa do que imaginava. Isaac, ela tinha um colar com um pingente de oráculo, não sei o que significa e nem o que estar por vir, mas acredito que não seja coisa boa. – Disse e ele colocou suas mãos em meu ombro.

— Nada que um bom café da manha não resolva, vou cozinhar enquanto toma banho – Ele caminhou até a porta e comecei a rir.

— Você cozinhar? Quando namorávamos não fritava nem um ovo – Disse e ele me olhou sarcasticamente

— Você ficaria surpresa com as coisas que aprendi a fazer – Sorriu, me olhou de cima a baixo e quando percebeu que eu estava corada, fechou a porta e saiu. Eu o odiava, mas não tinha raiva dele, qual a logica? Não sei, mas querendo ou não teríamos que conviver um bom tempo juntos.

Depois que tomei banho, abri a mala e escolhi uma roupa mais casual, prendi o cabelo com um elástico e sai. Aproveitei o tempo para me aventurar pelo “esconderijo”, na verdade parecia realmente uma base secreta, com corredores enormes, mas com certeza havia sido reformado, era bem minimalista e moderno, em uma tentativa de manter um padrão casa. Continuei andando até uma placa que dizia “cozinha”, abri a porta e ele estava de costas para mim, cozinhando sem camisa, havia várias cicatrizes em suas costas.

— Espero que não tenha queimado, estou morrendo de fome – Disse me aproximando do fogão, o cheiro estava maravilhoso assim como a comida também estava, ele fez questão de fazer meu café da manha preferido, panquecas com geleia de amora.

— Sabe lutar? – Perguntou enquanto comíamos.

— Fiz cinco anos de luta livre, mas já tem um tempo que não treino – Disse e ele arqueou a sobrancelha.

— Achei que teria que ensinar tudo, mas isso já diminui muito meu trabalho – Disse e sorriu, meu telefone começou a tocar, me levantei e sai para atender.

— Ana... – Era tia Mary, ela chorava muito.

— O que aconteceu? – Perguntei e ela continuava a chorar.

— Sua casa... pegou fogo Ana... seus pais estão no hospital, o médico disse que a situação é grave... – Minha pressão começou a baixar, minha visão ficou turva, senti que fosse desmaiar, sentei-me em uma poltrona que estava encostada na parede.

— Eu estou indo tia Mary – Disse e desliguei o celular – Arruma as coisas, minha casa pegou fogo, meus pais estão no hospital, precisamos ir – As lágrimas já rolavam pelos meus olhos, Isaac levantou e veio em minha direção.

— Eu não posso te levar, no fundo você sabe que foi uma armadilha ne? – Ele disse e eu me afastei

—São os meus pais... eu vou com ou sem você – Ele me abraçou e eu me agarrei a sua camisa.

— Nós vamos, mas não podemos ficar por muito tempo, arruma suas coisas, partimos em 10 minutos – Ele depositou um beijo em minha testa e saiu em direção ao quarto dele.

Eu não sabia o que queriam de mim, mas atingir minha família? Isso não. Se era uma armadilha, ao menos me dariam a oportunidade de acabar com a vida de quem acabara com a minha. Eu estava cansada, mas no exato momento que desliguei o telefone, prometi a mim mesma que iria encontrar o oráculo, nem que fosse a ultima coisa que fizesse. Peguei uma mochila menor e coloquei algumas peças de roupa, sabia que teríamos que retornar para cá antes de pensar em agir de alguma forma. Assim que terminei, ele bateu em minha porta e colocamos as coisas no carro.

Quando saímos o sol raiava iluminando o céu, havia apenas o nosso carro na estrada, era tudo tão quieto, coloquei uma música na tentativa de animar um pouco a viagem e tentar esquecer o que havia acontecido, até porque a viagem seria longa. Cochilei a estrada quase toda, acordei quando já era noite, ainda sim o silencio pairava, até que observamos um carro seguindo o nosso, já tinha em média quarenta minutos, e quando dobramos em uma curva, capotamos.

Acordei com a cabeça girando, minha boca estava seca, minhas mãos estavam amarradas a uma grade de ferro, eu mal conseguia abrir os olhos, um barulho ecoava ao fundo, gritos e pulsos elétricos. Tentei olhar para trás, mas a dor era absurda, não havia nada na minha frente, e foi quando percebi que o Isaac não estava lá, novamente ouvi gritos, não, não podia ser. Olhei para trás e ele estava amarrado ao teto, seus pés estavam presos separadamente, haviam dois homens com arma de choque torturando-o. Seus olhos encontraram os meus, ele estava muito machucado, no seu olhar pude mostrava o quanto de dor já havia aguentado, assim como não aguentaria por muito mais tempo. Eu precisava fazer alguma coisa, meu corpo não respondia aos meus comandos, então comecei a bater com a cabeça na grade. Um deles largou a arma e puxou o outro homem:

— Ela acordou...

Notas finais
Oio não se esqueçam de comentar e clicar em acompanhar para não perder nenhum capítulo. Até o próximo....