Notas iniciais
Boa leitura. ^^

À noite no quarto de Camus e Ai, o presidente estava sentado e um pouco carrancudo. Não era que ele não gostasse de visitas. Ele odiava. Ele gostava da presença dos amigos, mas não agora. Ele poderia estar lendo o seu livro, ou colocando sua matéria em dia. Ser presidente, participar das aulas e das oficinas era difícil. Queria aproveitar o seu sábado e descansar e estudar.


Não estar aqui com a barriga roncando ao sentir o cheiro do macarrão de Reiji, o vendo servi-lo e ver Ranmaru babar em Reiji. Ele era um idiota. Não via o que Ranmaru via de atraente em Reiji, ele era um garoto brincalhão demais, sorridente demais, que não levava as coisas muito a sério. Certo que ele cozinhava muito bem, mas babar porque ele estava de camisa branca bem grande e um short minúsculo preto era demais.

Aqueles dois eram realmente engraçados de observar, estava certo que desconfiava deles. Proibido relacionamentos entre estudantes, deveria lembrá-los. Tudo bem, Ranmaru era idiota demais para perceber que gostava de Reiji, ou orgulhoso. Mesmo assim aqueles dois era um casal esquisito.

Era como aqueles outros dois alunos, Syo e Natsuki. Pela ficha que tinha visto, os dois eram totalmente diferentes, seria um casal bizarro e difícil de acreditar que estavam juntos, mas ele os analisaria. Teria uma boa conversa e daria um belo susto.

Não demorou para Ai sair de seu banho, se trocou mesmo no banheiro, já que havia levado as roupas para lá. Deixou o cabelo solto, sempre o prendia, porém não estava lá afim. Vestiu uma blusa com capuz vermelho e um short preto. Se olhou no espelho, ele parecia uma garota. Sempre ouviu isto na sua infância, talvez por isso havia se fechado. Saiu do banheiro e deu de cara com Ranmaru com um olhar pidão, Reiji estava levantando a panela para ele não pegar e Camus estava sentado com uma cara nada boa.

– Ainda não está pronto? Estou com fome. — disse indo se sentar próximo a Camus, mas recebeu um fiu-fiu de Ranmaru.

Não ligou muito, Ranmaru sempre ficava fazendo coisas sem nexo.

– Ai-Ai está tão lindo... – Reiji o serviu, colocando o prato a frente do jovem. – O que acha, Myu-chan?

– Ele sempre está assim! – Camus cortou o assunto quando colocou a primeira garfada na boca e deixou de olhar Ai e suas pernas.

– Então Ai-Ai sempre está te seduzindo? – Reiji sorriu quando conseguiu fazer Camus se engasgar com a comida. – Vou aprender a seduzir com Ai-Ai... Talvez eu consiga algumas coisas. – brincou, se sentando e se servindo também. Estava faminto e queria comer rápido para eles poderem jogar.

– Não precisa Reiji, você já faz muita coisa. — disse Ranmaru pondo a primeira garfada. — Como sempre perfeito. – falou sorrindo para Reiji. — Assim como Ai... Ao falar nisso, Camus você pode piscar. — disse em tom zombeteiro. — Alias muito fofo com esta aparência.

– Se continuar a me chamar assim irá ver algo muito mais fofo. — disse Ai com um olhar cortante para Ranmaru que o fez calar.

– Você é um pervertido, Kurosaki. – Camus tirou os olhos sobre a comida e olhou para Ai. Cabelos soltos, Ai estava com os cabelos soltos realmente ao seu lado. Já não bastava todas as noites ter que fingir que lia o seu livro e olhava para as pernas de Ai, agora tinha que olhá-lo com os cabelos soltos.

Em anos nunca o viu com o cabelo solto. Era esquisito, ele sabia, mas quando via Ai, este já estava impecável e com o cabelo arrumado. Agora o via assim, tão delicado, trejeitos lindos, mas um demônio por dentro.

As vezes Ai dava medo, mas não deixava de ser lindo.

Antes que reparassem que estava olhando demais, ele voltou a olhar para o prato.

– Ai-Ai é realmente assustador quando quer! – Reiji sorriu cortando aquele clima estranho e mastigando feliz. – É tão amável!

Mikaze passou a comer ignorando os comentários alheios. Mas sinceramente estava incomodado com tantas palavras a seu respeito, como por exemplo “fofo’’, “assustador’’ e “amável’’. As pessoas sempre tinham uma definição para ele, talvez só ele não tivesse, pois não ligava para a própria aparência. Não passava tempo refletindo sobre ele mesmo.

Sua família era ocupada o suficiente para que ele pudesse afirmar que não a conhecia. Não tinha lembranças de uma mãe carinhosa, muito menos de um pai atencioso. Agora observava os três ao redor, mas sem realmente os olhar apenas pelo o que falavam. Tudo o que ele conhecia era porque eles mostravam a ele. E mesmo não parecendo era grato a eles.

Ranmaru olhou para Mikaze e dele a Camus, francamente era notável a tensão. Mas talvez Camus nunca fez nada por estar em uma zona de conforto que Ai havia criado afastando as pessoas de si. Por este motivo tinha que aproximá-los.

– Hey, Ai. Por que não entra entra em algum clube? Sabe, seria ótimo para provar ao nosso querido presidente que você sabe interagir com as pessoas. — disse o de cabelo cinza tirando uma fatia de bolo. – Tipo, o clube de natação. Você teria um fã clube com suas pernas.

Mikaze que havia terminado de comer limpou a boca em um gesto gracioso e olhou para kurosaki.

– Acredito que seria muito interessante ainda mais seu eu levar como brinde Reiji, tenho certeza que iríamos duplicar a inscrição de alunos para esta área. – ao terminar de falar se serviu de refrigerante.

Ranmaru estreitou os olhos, não queria que ninguém visse Reiji, já bastava este ser convidativo demais.

– Não o quero envolvido nisso. – falou não gostando nada do comentário, fazendo isto transparecer em suas palavras e feições.

– Muito conveniente de sua parte. – disse Mikaze vendo como Reiji havia ficado.

– Mas Ran-Ran... – Reiji ficou vermelho, mas para disfarçar ele colocou o dedo na boa e fez uma carinha ingênua, o que fez Camus ter uma veia pulsante na testa. Ele odiava quando Reiji usava da inocência para chamar atenção. – Mas e se eu quiser participar?

– O clube de natação seria arruinado! – Camus respondeu, afastando o prato de si. – Kotobuki nunca leva a sério nada que faz, nem mesmo o estágio na enfermaria.

– Que maldade, Myu-chan. – Reiji fingiu tristeza. – Agora quero participar com Ai-Ai!

– Eu não estava sério sobre isso, Reiji — disse Ai tirando um pedaço de bolo. — Tenho muito trabalho no conselho. –falava provando um pequeno pedaço. — Poderei tentar! – talvez fosse interessante sair um pouco da sala e deixar Camus se virar.

– Isso, gosto muito quando você aceita os desafios Ai, acho que será um grande incentivo no clube. Contudo, só você. Reiji tem outros trabalhos. — disse pondo o cotovelo na mesa.

– Mas eu só tenho a enfermaria! – Reiji ficou sério. Era impressão dele ou Ranmaru estava o impedindo de fazer parte de outro clube? – Vou entrar na natação.

– Seria bom você ocupar seu tempo... Você faz nada naquela enfermaria além de flertar com o médico! – Camus parecia tranquilo e agora feliz por ver Reiji questionar Ranmaru. Ele respirou fundo, contendo a imagem de Ai de roupa de banho na sua mente e cortou um pedaço de bolo. – Me sirva um chá, Kotobuki, por favor! – ele pediu e viu Reiji fazer um bico e pegar a chaleira para servi-lo.

– Então na segunda feira nós iremos lá Reiji. Porém só após as três, tenho que deixar algumas coisas resolvidas, não gosto de deixar trabalho acumulado. – Ai falara terminando de comer bolo. Sentiu alguém lhe puxar pelo pulso. – Mas o que!/ — falou olhando Ranmaru que o olhava bem perto. — Devo imaginar que o que fez foi realmente necessário não é? — disse sem uma única expressão facial.

– Isso está me deixando muito irritado, não percebe Ai? Não quero que incentive Reiji a entrar neste clube. — sussurrou dando dois passos para traz. Aquele olhar de Ai o dava medo, logo o soltou também.

– Não tenho nada a ver com a sua incapacidade de falar seus sentimentos, assim como não impedirei de Reiji entrar no clube. Se estiver tão preocupado faça algo e não peça para alguém fazer. — falava se afastando de Ranmaru e se sentando em outra extremidade da mesa.

Ranmaru realmente ficou irritado. Daria o troco. Após Camus ter terminado ele sorriu capciosamente.

– Certo, então vamos logo começar. — disse voltando para o lado de Reiji. — Trouxe a garrafa? — perguntou vendo o outro arrumar a mesa.

– Por que não traria a garrafa? – Reiji sorriu e piscou um olho ao se levantar e seguiu para a sua mochila e voltou com uma garrafa na mão. – Sentem-se separados, depois trocaremos de lugares para que a garrafa não fique repetindo os jogadores. – explicava as regras enquanto Camus o olhava com uma cara de blazer e se perguntava o porquê ainda estava fazendo isso. – Aquele que ficar com o fundo da garrafa pergunta e quem ficar com a ponta responde. – ele girou a garrafa sobre a mesa.

Na primeira rodada a garrafa anuncia Camus para fazer a pergunta e Ranmaru para respondê-la. Kurosaki olhou da garrafa para Camus.

– Pode mandar! — disse Kurosaki se sentando mais a vontade. Ele temia algo intimo, mas saberia dar o troco.

Camus cruzou o braço por um momento e encarou Ranmaru muito seriamente. Ele até fez um olhar estreito até suavizar as feições e sorrir de lado. Então descruzou os braços e o sorriso de lado aumentou.

– Por que nunca confessou para Reiji os seus sentimentos? – ele tinha sido tão direto que até Reiji se assustou e olhou para Ranmaru com alguma esperança no olhar.

Ranmaru engoliu em seco, olhou para Reiji vendo que este esperava algo, ele não sabia o que sentia por Reiji, mas prezava o outro demais, não queria passar falso sentimento e machuca-lo. Olhou para Camus e estreitou os olhos.

– Desafio. — não iria responder algo que nem ele sabia. Provavelmente Reiji o odiaria.

Reiji abaixou a cabeça e passou a mexer com seus dedos, fingindo não se importar. Camus olhou de Reiji para Ranmaru e sussurrou “você é um idiota”. Estreitou os olhos e olhou para Ranmaru mais estreito.

– Dance como uma dançarina havaiana dizendo “eu sou um idiota!” – ele falou tão sério que aquilo não parecia ser uma piada.

Ranmaru olhou para Camus mostrando o qua estava irritado, mas não poderia fugir já que escolhera desafio. “Camus irá pagar caro” pensou ao se levantar. Suspirou em derrota ao receber o olhar de todos sobre si, menos Reiji. Tomou mais um ar de coragem antes que começasse e mexer os quadris desengonçadamente em um ritmo havaiano em sua cabeça e dizendo “Eu sou um idiota!’’. Mikaze olhava de uma forma diferente.

– Viu? Foi fácil assumir, Ranmaru? — disse Mikaze.

– Tomo para mim as suas palavras, Mikaze. – Camus sorriu, mas ocultou com a mão o que estava vendo. Não esperava que Ranmaru fizesse isso de espontânea vontade. Chegou até virar o rosto para não cair na gargalhada. – Tudo bem, jamais esquecerei isso!

Ranmaru havia terminado e se sentando, era a vez dele. Girou a garrafa e desta vez quem faria a pergunta era Reiji e quem a responderia seria AI.

– Ai-Ai... – Reiji voltou a sorrir e ficou empolgado e fazer a pergunta. Chegou a colocar as mãos no queixo curioso. – Você já sentiu atração pelo Myu-chan? – ele perguntou e Camus cuspiu o chá que estava tomando no momento.

– Que pergunta idiota é essa? – Camus parecia muito alterado, mas Reiji não. O rapaz apenas sorria.

– A pergunta é para Ai-Ai, não para você! – voltou a piscar um olho.

Mikaze olhou para Camus o analisando, ele verdadeiramente não havia parado para pensar nisso nesses anos de convivência. Olhando para Camus e tirando o jeito “irresponsável’’, ele era bonito. Atraente de certa forma

– Nunca parei para reparar isso. – respondeu voltando a olhar para Reiji.

– Pelo menos eu sei que Reiji gosta de mim, Camus. — disse Ranmaru atiçando Camus.

Camus estreitou os olhos e apertou a xícara em suas mãos. Já era demais saber que a única pessoa que chamava a sua atenção nem sequer o reparava e agora Ranmaru jogava isso na sua cara.

– Quem disse que eu gosto de você, Ran-Ran? – Camus parou ao escutar a voz de Reiji. – Meu tipo é o sensei. – Reji se referia ao médico da enfermaria e fazia uma cara sonhadora. – Ou alguém que tenha o sorriso de Ren-chan... Ou o charme de Hayato-sama. – ele suspirou sonhador.

– Suas atitudes demonstram outra coisa, mas se realmente prefere eles tudo bem. – disse aceitando o que fez Ai levantar uma sobrancelha. — Vamos continuar. — não seria que ele não tinha ligado, mas havia ficado realmente chateado pelo o que Reiji dissera. — Sua vez, Ai!

Mikaze olhou a garrafa e em seguida a girou. Desta vez Ranmaru faria a pergunta a Camus.

– Então está tudo bem se Kotobuki fizer natação com aquelas roupas de banho, andar pela escola abraçado com aqueles alunos e ficar sozinho na enfermaria com o sensei? – Camus sorriu de lado ao falar, não tendo medo do que Ranmaru faria. Ele se sentiu vingado. Reparou na dor no olhar dele. Grandes idiotas.

Pelo menos ele não teria a obrigação de proibir seus amigos de se relacionarem, pois os idiotas já estavam automaticamente distanciando. Percebeu que essa brincadeira não estava ajudando eles dois a se aproximarem. Estava deixando uma má impressão para cada um.

– Isto não é da sua conta! – Ranmaru respondeu ríspido. — Apenas responda minha pergunta. — realmente estava nervoso, mas não continuaria dando gostinho.

Ranmaru olhou Camus e sorriu um pouco sacana, teria sua vingança.

– Camus, verdade que você se escondia para ver Ai se trocando? — perguntou. Mikaze olhou para Camus.

Aquilo estava realmente muito estranho. Pelo o que percebeu estavam insinuando que Camus estava atraído por ele.

Camus arregalou os olhos e ficou vermelho e virou o rosto com os braços cruzados. Ele não iria responder algo que até o presente momento ele ainda costumava fazer, se respondesse que sim, com certeza Mikaze tomaria mais cuidado ao se trocar. Ele também não queria responder porque escutou uma risada de Reiji e um sussurro “safadinho” do rapaz brincalhão. Sua imagem de presidente estava arruinada.

– Desafio. – acabou por dizer, mordendo o lábio inferior contendo a fúria.

Ranmaru sorriu maroto. Camus não teria coragem de se declarar para Mikaze.

– Muito bem então, nosso querido presidente escolhe desafio. Vejamos... — disse Ranmaru olhando para Ai. — Quero que deixe Ai constrangido durante um minuto. — disse Kurosaki piscando para Camus. — Boa sorte!

Camus ficou surpreso com o pedido e olhou para Ai. Seu vice-presidente constrangido? Aquele demônio sem coração, que fazia garotas chorarem apenas com palavras e rapazes fugirem com o olhar não ficava constrangido com nada. Ele apenas agia como uma maquina sem emoção. Sempre o criticando, achando falhas onde nem tinha. O deixando para trás nos corredores quando deveriam verificar as salas juntos.

Aquela pessoa nada sociável não tinha coração e nem alma, veja lá alguma expressão em seu rosto. Não tinha nada, tristeza, raiva, alegria. Alguns alunos o chamavam de aberração. Agora deixá-lo constrangido? Isso era impossível. Para alguém que não tinha medo de nada, que sente nada, seria difícil.

Ele mordeu o lábio contendo a raiva. O minuto estava passando e ele não gostava de perder um desafio. Odiava perdas.

O que Ai não gosta que o deixaria constrangido? Andar no meio das pessoas? Não, isso seria um tormento para ele, mas não o deixaria constrangido. Toques? Palavras? Insinuações? Como faria alguém ficar constrangido se este alguém somente o olhou hoje verdadeiramente?

– Seu tempo está acabando, Myu-chan! – Reiji sorriu.

Droga, ele não gostava de pressão. Loucamente, sem pensar direito, ele se aproximou de Ai e segurou o seu queixo. Ele tocou em Ai diretamente pela primeira vez. Isso já seria alguma coisa. Mas ele foi louco quando juntou os seus lábios e escutou um suspiro de surpresa de Reiji.

Ele pode notar que Mikaze abriu um pouco mais os olhos, sentiu uma hesitação vinda do outro.

Mikaze ficou pela primeira vez sem uma resposta, não sabia o que fazer. Nunca fora tocado desta maneira tão delicada. Camus estava muito próximo, sentia os lábios dele sobre os seus. Não gostava de toques, por ter tido trauma, mas o toque que estava recebendo era estranho. Sentiu o rosto corar levemente e provavelmente só Camus veria isso.

– Olha, Reiji, o Ai está gostando, porque até agora não o empurrou. — sussurrou olhando os dois. Ranmaru estava impressionado. Realmente impressionado por achar que aquilo combinava. — Fecha os olhos Ai! — disse Ranmaru.

O mais estranho e que Ai fechou os olhos.

A mão que estava no queixo de Ai, seguiu lentamente pelo pescoço e foi até a nuca. A outra mão foi para a cintura de Mikaze e o trouxe para mais perto lentamente. Camus se afastou um pouco, mas retornou o beijo e dessa vez inserindo a língua. Deveria aproveitar a oportunidade dada que Ai não o afastou ou nem ao menos disse algo que acabasse com o clima, ele simplesmente estava parado recebendo tudo o que fazia. Ele poderia adorar, mas queria que Ai fizesse o mesmo.

– Ai-Ai. – Reiji falou admirado com o que via. – Retribua, faz o mesmo que ele! – Reiji tinha uma vontade de pular com a tamanha felicidade que estava sentindo em ver o assustador Camus com o frio Ai!

Mikaze estava certamente confuso, seu coração que até então sempre estava calmo batia mais rápido, o sangue esquentou por isso o rubor nas bochechas. Assim como havia fechado os olhos, passou a corresponder o beijo de Camus, era estranho, porém estava se sentindo bem. Não sentia vontade de empurrar Camus deixaria ele continuar até que fosse do seu gosto.

Talvez ele não admitisse e nem transmitisse o que sentia naquele momento. Não tocou em Camus, mas continuou retribuindo o beijo o tornando harmônico.

Agora o clima estava ficando quente que até mesmo Reiji havia ficado calado e sentado observando aqueles dois. Ele poderia avisar que o minuto já tinha passado faz anos, porém não quis atrapalhar. Estava feliz que Camus conseguiu algum tipo de reação bem profunda de Ai. Demorou, mas conseguiu. Ficou um pouquinho incomodado de ter que observar aquilo.

Ainda mais quando Camus gemeu entre o beijo e puxou Ai para mais perto o possível. Foi a hora que Reiji virou o rosto por achar que estava atrapalhando. Ele coçou a cabeça sem graça e ficou olhando para um ponto especifico no chão.

Ranmaru ficou olhando como Camus podia ser safadinho e depois olhou pra Reiji se aproximou. Com um semblante enigmático. Levantou a mão e fez um carinho no rosto dele.

– Hey! O que acha de fazermos o mesmo? — perguntou se aproximando do rosto do amigo. – Vamos! Você fez tão bem na enfermaria.

Reiji o olhou por um momento e depois olhou para os outros dois, quase levanto um susto ao perceber que Camus já tinha puxado Ai para o seu colo e estava o abraçando firme. Não esperava que aquele jogo acabasse assim. Ele queria e ao mesmo tempo não queria seguir com os planos de Ranmaru.

Mas estava magoado que Ranmaru não tinha dito que gostava dele.

– É proibido relacionamento entre alunos. – sorriu virando o rosto e colocando a mão no queixo. – Que peninha...

Mikaze sentiu uma ligeira vontade de respirar. Então pôs a mão no peito do maior ia afastar, contudo sentiu alguém o puxar pela cintura o afastando de Camus.

– Chega, acabou a brincadeira! — disse Ranmaru mal humorado. Não havia se dado bem, só passou raiva e Reiji não queria beijá-lo.

– Vai embora, seu idiota. – Camus segurou Ai possessivamente e o puxou de volta. Agora que tinha conseguido tocar. Não somente tocar, mas beijar e sentir Ai em seus braços, Ranmaru atrapalhava. – Vá ficar com o Kotobuki, está atrapalhando aqui!

– Talvez seja melhor mesmo! — disse Ranmaru olhando para o jeito de Camus. — Desceu do salto, Myu-chan? — perguntou puxando fogo. Acabou por se levantar.

Mikaze olhou para Camus e se soltou.

– Não é assim que um presidente deve agir, Camus! — disse o repreendendo e se levantando também. Não é que estivesse defendendo Kurosaki, mas também não queria brigas entre eles. Podia não parecer, mas ele queria que eles fossem bons amigos.

– Aqui, nesse quarto... – Camus olhou para Ai. – Nesse momento, eu não sou o presidente. Sou somente Camus! – voltou a olhar para Ranmaru. – O seu problema, seu inútil... – o maior sorriu. – É que eu consegui o que tanto quis e você fica se fingindo de desentendido e deixando o Kotobuki livre.

– Myu-chan! – Reiji se levantou e ficou pronto para entrar no meio daqueles dois. Quando um deles ficava nervoso, parecia querer descontar a raiva um no outro. – Esquece isso e vamos dormir.

– Então você quer que esse idiota continue te tratando como um step para os desejos sexuais dele? – Camus olhou cortante para Reiji.

– Myu-chan está nervoso, não está sabendo o que está falando! – Reiji sorriu doce, mexendo as mãozinhas como se não fosse nada. Queria acalmá-lo. – Eu faço um chá e aí a gente vai dormir!

Ranmaru ficou escutando aquilo. Ele não era burro o suficiente para não perceber todas aquelas diretas que Camus estava dando. Estava explicito que Reiji gostava dele, mas e ele? Para ser algo bom deveria vir dos dois lados e o que ele sentia ele ainda não tinha decifrado. Por isso não queria dizer algo mentiroso a Reiji, pois ele o prezava muito. Tinha medo de arriscar em um relacionamento que acabasse com sua amizade.

Mesmo com a situação preta para o lado dele, ele não deixou de olhar Ai e perceber como este havia ficado calado com o que Camus havia dito, foi impressionante ter visto Mikaze perder a postura duas vezes. A primeira quando deixou Camus beijá-lo e a segunda agora. Ele jamais teria ficado calado teria dito algo quando Camus disse ser só Camus ali.

– Tudo bem. Eu acho que o clima está um pouco tenso aqui. — disse Ranmaru indo para a porta. — Valeu pela atenção! – se retirou do quarto e deixou os companheiros para trás.

Reiji ficou surpreso. Todo o clima bom estava arruinado e jogado no lixo. Ele também ficou surpreso com Camus. Naquele momento Camus se colocou no mesmo nível de qualquer humano. Praticamente mostrando com as palavras que ele também tinha sentimentos, que se importava e que sofria.

Praticamente mostrou o tanto que gostava de Ai.

– Desculpe. – Reiji fez uma reverencia. Sabia quando atrapalhava, e agora ele deixaria que os outros dois se resolvessem. Aquela noite ele não poderia dormir lá. – Tenham uma ótima noite. – desejou com sinceridade e pegou a mochila e também se retirou do quarto.

Camus suspirou se sentando no chão e esfregando as têmporas. Ele tinha se estressado e muito. Não se segurou e colocou todos os seus desejos para fora e ainda desmascarou os sentimentos dos demais. Ele não sabia o que fazer. Pela primeira vez na vida ele não sabia o que fazer ou o que dizer.

O silencio o matava. Estava acostumado com aquele silêncio. Desde sempre, quando começaram a dividir o quarto, o silêncio era o que mandava por lá. Quando acordavam não diziam bom dia um ao outro. As vezes não se olhavam.

Bem, Ai não o olhava. Ele sim olhava e muito para Ai.

Trocavam palavras necessárias. Tudo sobre o conselho ou suas tarefas ou arrumação do quarto. Nunca, em nenhum momento falavam sobre eles mesmos. A maioria das vezes cada um ficava em sua escrivaninha, estudando ou lendo algo.

O silencio era confortável, diferente de agora.

Depois do que ocorreu ele sabia que aquele silêncio nunca mais seria tranquilizante. Era assustador não saber o que Mikaze pensava. Ele dizia nada, nem mesmo com gestos ou olhares. E ele foi ridículo em não se controlar. Deixou-se levar ao tocar em Ai, o beijou e não quis mais largar.

Ficou apavorado de nunca mais conseguir essa oportunidade novamente.

O irônico disso tudo que ele sabia que tinha quebrado uma regra. Dane-se, ele uma vez na vida conseguiu fazer duas coisas que ele sempre quis. Calar a boca de Mikaze Ai e beijá-lo, mas ele não poderia se vangloriar. Ele confessou na frente de todos que ele sempre quis aquilo com Ai. Abraça-lo e beijá-lo.

– Não seria essa a hora que você fala o tão patético eu sou? – falou irônico e abafado, devido a mão no rosto. Contudo rapidamente a retirou, jogando o cabelo para trás e olhando para o outro rapaz.

Mikaze retribuiu o olhar o fitando por um longo tempo, Camus estava fora de si para se auto rebaixar. Nunca teve pena de quem se autodestruía, diziam que ele ajudava a pessoas se por mais para baixo, porém Camus era seu amigo e por ele estar ao seu lado muitos assédios pararam. Por isso foi até ele e se sentou a frente.

– Este termo não se encaixa em você! Talvez em Ranmaru, mas se continuar a por desta forma posso escrever em sua testa. — disse apontando para a testa de Camus. Ele não queria ver o outro mal, não estava acostumado a isso.

Mikaze não gostava de toques e isso era perceptível, mas sempre assistiu filmes em que se consolavam. Talvez o que ele estivesse fazendo agora, era uma forma que utiliza contato. Por não ser habituado a isso não sabia como começar, mas nunca desistia de nada que começava. Levantou a mão e tocou na têmpora de Camus que insistia em pulsar.

Por segundos Camus ficou assustado e quase se afastou. Não queria pena, mas se lembrou de um pequeno detalhe, Ai jamais sentia pena de ninguém. Ele parecia se divertir em colocar os outros para baixo, apesar que não esboçava nenhum sorriso. Assim, ele permaneceu parado recebendo este pequeno toque e se concentrando.

Ai tinha completa razão. Ele não era um idiota, e nem era de seu feitio fazer esse tipo de coisa ou dizer coisas contra ele mesmo. Fechou os olhos ficando mais calmo e respirando profundamente com o toque e sorriu. Dessa vez era Ai que o tocava.

– Tem razão, Kurosaki que é mais disso. – sorriu mais amplamente e voltou a abrir os olhos. Encarando Ai o achando bem mais magnífico de perto. – Peço-lhe desculpas por isso.

Mikaze estava querendo entender o que se passava, o que fez Camus gostar dele, talvez fosse melhor ficar sem entender. Camus estava sorrindo, não precisava mais dele.

– Melhor ir descansar. Mas qual é o beneficio em me ver trocar de roupa? — perguntou ainda sentado. Ele queria saber, pois não tinha nada de diferente nele apenas um corpo delicado, o que era motivo de varias coisas que lhe ocorreu na infância. Porém ele não se preocupava mais com isso.

Camus perdeu a compostura por um momento ao ficar surpreso e virou o rosto, tentando sorrir normalmente.

– Dá onde tirou isso que eu vejo você trocar de roupa? – ele não tinha respondido essa pergunta. Na verdade pra não responder essa pergunta ele fez o que fez com Ai.

Mikaze o olhou levantando a sobrancelha.

– Você hesitou ao responder a Ranmaru, o que há uma probabilidade de ser noventa por cento de um sim. Se não quiser não responda. – disse Mikaze voltando a não expressar nada em seu rosto. Levantou-se e se esticou um pouco, então passou a recolher a louça suja.

– Por que você é lindo! – Camus falou de repente e quando Ai o olhou, ele abaixou levemente a cabeça. Confessar que fazia algo de garotos que entrava na puberdade o perturbava. Agora que Ai falou tudo, praticamente não tinha o que mentir. – E tudo o que eu podia fazer era olhar e admirar. Afinal, tenho essa vantagem sobre todos!

Vantagem? AH, era verdade. Era com Camus que dividia o quarto. Lindo? Ele era Lindo? Camus o estava elogiando demais naquele dia.

– Entendo e eu não ia retribuir certo? — disse Mikaze voltando a olhar para o que fazia. O silencio havia de instaurado novamente, desta vez foi quebrado por Ai, este aps ter terminado de lavar a louça foi até Camus e ficou a sua frente. — O que quer que eu faça Camus? — perguntou olhando diretamente nos olhos deste.

– Que uma vez na vida você fosse humano. – os olhos de Camus estavam estreitos olhando para um canto qualquer, mesmo ele estando em pé na frente de Ai. Essa parte sem emoção de Ai era o que mais odiava, era como se tudo fosse fácil. Era bem difícil ainda lembrar que Mikaze só tinha prestado atenção nele agora. – Se eu te tocasse, você me rejeitaria?

Mikaze segurou o rosto de Camus e se ergueu um pouco ficando próximo ao outro. Ele queria que Ai fosse humano. Ele era, só não agia algumas vez como o esperado.

– Não. Você quer uma resposta! — desta vez ele mudou o tom de voz para um que quase gentil. — Pode me tocar Camus. – disse se sustentando para manter a altura de Camus.

– É assustador quando você é gentil. – ele ainda estava desconfiado desses avanços de Ai. Até a voz delicada e doce estava o assustando. Anos estava acostumado com um outro tipo de Ai, este a sua frente era um outro tipo de robô. Bem, desde criança imaginava Ai como uma maquina sem sentimentos, agora aquela sua visão estava sendo quebrada.

Lentamente abraçou Mikaze, novamente sentindo a cintura firme que tanto admirou enquanto beijava-o. Suas mãos grandes poderiam quebrar Ai, mas conseguia manter sua força. Sentia cada parte do tecido, subindo e descendo a mão, até sentir um pouco da carne de Ai em seus dedos, a cintura dele.

Macia e gelada. Aquele pequeno pedaço de pele acariciou com o polegar. Sorrindo satisfeito por ser o único a fazer isso e por Ai estar deixando. E um calor subindo em seu corpo, achando totalmente excitante fazer aquilo e saber que era errado, ao mesmo tempo que sua mente falava que era para parar antes que novamente quebrasse as regras.

Droga, ele quis tanto isso.

Abraçou mais forte, as mãos subindo até chegarem ao cabelo. Novamente era como imaginava. A seda em seus dedos, acariciando-o e dando o seu toque mortal. Os dedos adentrando nos fios soltos e descendo pela testa até chegarem a parar em cada lado do rosto.

Era definitivamente estranho estar tendo aquele tipo de relação, não era como se tivesse imaginado, pois nunca se imaginou naquele tipo de situação, beijando seu presidente do conselho. Por não saber como reagir ficou perdido a maior parte do tempo. Sentindo as mãos quentes de Camus explorar seu corpo. Perguntou-se até aondtinha sido sua forma gentil. Podia se dizer que era uma sensação boa, sentir os dedos de Camus deslizar em sua cabeça, mas soltou um barulho estranho, nunca o tinha feito, ao se sentir os dedos deslizarem para sua nuca.

Camus descobrira seu ponto sensível. Mas ele mesmo não sabia que era sensível ali, ao contrario de muito adolescentes da idade dele ele não havia experimentado muitas coisas para não dizer nada. Por impulso se afastou de Camus lhe presenteando com uma expressão confusa no rosto. Não que não tivesse gostando do beijo, mas não emitia sons antes.

– Isso foi estranho! – disse após um tempo pondo a mão na nuca. Pensando bem, ele já havia visto Camus ter feito isso durante o primeiro beijo dado, mas tinha sido pelo mesmo motivo? Estava ficando mais confuso com a situação e por isso, parecia um pouco hesitante agora.

– Por que estranho? – Camus franziu a testa. – Você parecia estar gostando. — retrucou se aproximando e voltando a tocar em Ai. Uma mão na cintura enquanto a outra ficou livre. – Ou você não sabe definir o que sentiu?

– Nunca fiz isso antes, é normal que seja estranho. — disse olhando para Camus, este parecia que estava gostando de o tocar. Mas não reclamaria, até agora não se sentia acuado como das outras vezes. — Pode ter sido porque eu senti algo ao me tocar na nuca, não sei talvez eu gostei do que fez. — colocou a mão de Camus livre na própria nuca. — Faz de novo!

Camus sorriu. Ai não tinha vergonha de dizer nada que pensava. Podia odiar esse lado dele, mas também gostava muito da sinceridade. Ainda mais agora que foi ele que pediu. Acariciou aquele ponto novamente, aplicando mais atenção que o necessário e voltou a se aproximar mais. O maior pode sentir o corpo de Ai ir amolecendo e mais alguns sons, os mesmos sons que ele havia emitido anteriormente, era um tanto diferente e mais intenso, o motivo de Mikaze ter fechado os olhos. E colado o rosto na mão que acariciava sua nuca.

– Isto realmente me agrada. – disse baixo entre os sons, mordeu os lábios tentando conte-los dentro da boca.

Não segurou muito, pois Camus voltou a beijá-lo, segurando-o pela nuca. Ele parecia não querer mais parar de tocar. Deliciava em conseguir aqueles sons. Camus conjurava a ideia de agradecer a Ranmaru e Reiji pela ajuda, mas a ideia se foi rapidamente.

Ninguém poderia saber.

Era proibido. Totalmente proibido. E logo ele, na verdade eles. Que não tinham dó de descobrir os alunos que quebravam as regras e entregavam para o diretor. E ele não pararia com isso, mesmo agora estando com Ai. Beijando, abraçando carregando o menor para a sua cama e acariciando as pernas macias que tanto admirava.

– Agora estamos namorando, mas ninguém pode saber disso. – avisou para Mikaze, o deitando e sentindo seu coração acelerar por estar realizando uma das suas fantasias. Ai em sua cama, aceitando as suas caricias, estando agradado por ser tocado por ele.

Mikaze o fitou por um momento, ele estava namorando com Camus, ele não havia pedido apenas imposto. Não reclamaria, ele gostava da ideia, mas sobre as regras seria hipocrisia deles. Mesmo sabendo das consequências negativas. Por aquele momento iria se deixar levar. Estava curioso para descobrir algumas coisas.

– Certo! — disse confirmando o “pedido’’ de Camus.

– UTA -

No jardim Ranmaru mal dizia, estava realmente irritado com o que havia acontecido. Camus estava se aproveitando porque havia calado a boca de Ai. E pensando em como Reiji havia ficado ele devia estar magoado, pelo menos ele não havia dado falsas esperanças. O melhor era se encontrar antes de tomar uma possível atitude. Andava sem destino nenhum até esbarrar em alguém.

– HEY! OLHA PO... — Kurosaki já ia xingar, porém olhou em quem havia se esbarrado. — Masato? Ren? — Kurosaki ficou sem ação, mas voltou a sua postura. — Então os pombinhos estão se dando bem. Como eu imaginei... — disse tocando na cabeça de Masato. — Estou realmente surpreso com este progresso, nunca pen...

– Ranmaru-senpai!- Masato olhou de uma forma diferente a ele, e este pareceu receber o recado.

Masato ainda não havia contado a Ren, não seria ele que iria contar. Fez um sinal com a mão e se retirou.

Ren olhou estreito para Ranmaru. Vendo-o distanciar, depois sorriu, agora o recado estava dado para Ranmaru. Com certeza ele perceberia depois de tê-los visto em pé debaixo daquela arvore se beijando. Estava certo que Ranmaru fingiu não vê-los e atrapalhou o beijo, contudo não colocaria a sua duvida em palavras. Quando Ranmaru estava mais longe, ele virou Masato e o encostou contra a árvore, colocando as mãos ao lado da cabeça de Hijirikawa e continuava sorrindo.

– Acho que com isso, ele não vai te tocar! – ele abriu mais o sorriso e voltou a beijar Masato.

Hijirikawa estava realmente feliz, seu temor seria quando isso terminasse.

– UTA -

Do outro lado da cidade, em um apartamento mais especificamente, dois rapazes riam enquanto terminavam de preparar uma refeição.

– Então Ittoki-kun, após o jantar tem algo que queira fazer? — perguntou Hayato pondo os pratos na mesa. Que era pequena para um cantor famoso. — Podemos ver algum filme? Você gosta de algo especifico? — voltou a perguntar.

– Podemos ver filme, depois jogar. – Otoya sorriu puxando a cadeira feliz. – Podemos ver algum filme de comedia romântica. – ele sorria ingênuo ao se sentar.

Hayato, ou melhor, Tokiya tombou a cabeça. Otoya estava querendo ver comedia romântica? Não era um tanto romântico demais? Enfim voltou a sorrir e passou a comer. Ouviu alguém o chamar na porta, mas não ligou.

Pouco depois um homem alto apareceu segurando um gatinho preto com olhos cinza na mão.

– T-Hayato-sama. — perguntou levantando uma sobrancelha ao encontrar um ruivo na sala com seu namorado. — Eu não sabia que estaria aqui! — disse se aproximando deles.

– Ah! – disse Hayato forçando o sorriso para o produtor, ele não tinha que aparecer. Droga! Viu seu gatinho pulando e indo para seu colo. — Obrigado por trazê-lo, este é o amigo do Tokiya. — disse olhando para Otoya sorrindo. — Ele não é fofo? — falou enquanto acariciava o gato.

– Amigo, é?! Certo, mas eu acho que não é nada aceitável trazer um amigo de Tokiya, sem avisar para o namorado, não acha Hayato? — perguntou.

– Namorado? – estava perceptível a confusão em Otoya, devido a sua cara de interrogação e o sorriso sem graça. Só não saberiam decifrar se a vergonha era por ter sido chamado de fofo ou por estar em meio a um clima estranho.

Tokiya estreitou os olhos ao olhar para seu produtor. Como Otoya não via a cara que ele fazia então fez uma expressão seria.

– Ham... Será que você poderia me acompanhar até o corredor? — pediu com uma voz gentil contrastando com sua feição. Olhou para Otoya sorrindo. — Espere aqui Ittoki-kun, acho que ele está um pouco alterado. – piscou para o ruivo e seguiu para o corredor.

O gatinho olhava Ittoki como se suspeitasse, mas após Otoya abrir um sorriso ele pulou para seu colo.

No corredor Tokiya encostou o homem na parede.

– Por que não some? Não vê que estou ocupado? Está passando dos seus limites, se continuar assim irei sair a procura de outras ofertas. – disse em tom irritado.

– Mas... -

– Mas nada, eu já lhe disse... Não me force a ser mais rude do que aparento. Agora saia! – pediu “educadamente” voltando para a sala. — I-tto-ki – kun~~... Está gostando da comida? – perguntou, sabia que tinha que esclarecer. Otoya viu o homem sair sem se despedir. – Desculpe, ele não aceita que não temos nada! – disse fazendo uma feição tristonha.

Otoya olhou para ele e se sentiu que estivesse incomodando. Ele tinha até mesmo parado de comer e estava acariciando o gato para se tranquilizar. Levantou-se da cadeira e voltou a olhar para a porta. Já estava muito lisonjeado por tudo hoje. Passear de limusine, conhecer o apartamento de Hayato e cozinhar. Já estava agradecido por Tokiya e Hayato. Somente não queria incomodar.

– Está tudo bem? – ele olhou para Hayato, estava se acostumando tanto com aqueles sorrisos que ficou triste também quando o ídolo perdeu o mesmo. – Acho que ele não gostou de mim... Melhor eu ir, não é?

Tokiya não queria deixar Otoya ir, não sem ao menos cumprir tudo o que dissera.

– Vai mesmo me deixar aqui sozinho Ittoki-kun? — perguntou fazendo uma feição pidona, ele não sabia se estava indo bem ou não, mas era a primeira vez que estava gostando de ser Hayato. – Sr. Charles quer que fique! — disse apontando para o gatinho que havia seguido Otoya. O que era estranho, geralmente Sr. Charles era hostil com quem não conhecia.

Parecia que até o gatinho havia ficado triste.

– Charles?! – o sorriso retornou ao rosto de Otoya e ele olhou para o gato afagando atrás da orelha e esfregando o rosto no bichano. – Seu nome é Charles? Senhor Charles, soa tão agradável. – riu e voltou a olhar para Hayato. – Tudo bem, eu fico, Hayato-sama. – voltou a se sentar. – E pode me chamar de Otoya!! – sorriu mais aberto.

Se não conhecesse Otoya, Tokiya juraria que ele uma criança em desenvolvimento ou uma garota em corpo errado, de certo aquilo lhe agradava. Olhou para o relógio não poderia demorar, então foi ate o quarto pegando as cópias de seus CDs e voltou a sala se sentando ao lado de Otoya.

– Bem, espero que goste, Otoya-kun~~- disse com um enorme sorriso enquanto assinava todos os CDs e DVDs, os entregando para o ruivo. – Tem algo a mais que posso fazer, neah Otoya-kun~~?

Otoya não parava de olhar para aquela pessoa ao seu lado. Na definição mais clara, ainda estava pasmo. Desde criança tinha criado uma fantasia quando conhecesse alguém famoso.

Lógico que tinha essa ideia. Quando ficava sozinho, vendo as apresentações na televisão. Os sorrisos. Os brilhos. Os holofotes. Risos. As palmas e as saudações. Aqueles ídolos pareciam felizes, ainda mais quando cantavam.

A emoção.

Foi então que passou a amar a música. Ele queria transmitir com o seu amor a alegria para todos.

Então ele enxergou Hayato. Aquele que todos falavam. Nanami era fã dele. Ren o tinha chamado de comediante. Mas Hayato não era simplesmente um comediante. Sentia que ele também tinha um amor em cantar e transmitir a calma para os corações.

Agora compreendia a admiração de Nanami Haruka.

E depois de tanto pensar sobre o que faria quando conhecesse um famoso, agora ele não sabia o que fazer. Porque tudo que vinha em sua mente não era Hayato, era Tokiya. Aquele que lhe deu aquele presente enorme por conta de alguns CDs. O seu mais novo amigo, que agora não parava de admirar. Era como estar com ele agora, porque aquela pessoa tinha o mesmo aroma de Tokiya, o mesmo timbre de voz, a mesma tonalidade da cor dos olhos. Talvez a mesma altura e peso.

E agora não parava de olhar mesmo. Só que aquele não era Tokiya. Aquele sorriso não era igual, aquela voz alegre não era de Tokiya. Seu amigo Tokiya não usava aquele tipo de roupa. Estava lidando com duas pessoas diferentes e por instinto ele levantou uma mão e tocou pela primeira vez no rosto de Hayato.

– De onde você conhece Tokiya? – perguntou do nada. – E por que vocês são tão parecidos?

Tokiya havia ficado um pouco sem reação. Sempre foi tão cauteloso que havia esquecido que até a cabecinha de vento de Otoya iria perguntar.

Porque não? Ele e Hayato eram parecidos e sempre rolou o boato de serem irmãos gêmeos, sabia que teria que explicar uma hora, Otoya já havia insistido e diversas vezes que o havia tratado mal, tudo porque não lhe convinha dizer sobre a vida dele.

Não teria outra escolha, ou teria?

– Otoya-kun ~~... Eu não posso dizer sobre isso, desculpa. — disse abaixando a cabeça para esconder a expressão triste. — Tokiya não me permite falar sobre o assunto!

– Tokiya não permite? Hum... – Otoya tirou a mão sobre o rosto e ficou pensativo. Quando Tokiya falava, ele não poderia intervir. A última vez que fez algo por causada curiosidade quase estragou tudo. Oras, mas agora estava aqui por causa de Tokiya. O pedido de desculpas de Tokiya. Ele ainda continuava achando que não merecia tudo isso. – Eu queria que ele estivesse aqui! – voltou a sorrir abertamente, apertando de leve o gatinho. – Neah, Hayato! Acho que ele iria se divertir muito com agente!


Hayato abriu a boca levemente não acreditando. Otoya realmente gostava de seu ‘’eu’’. Após um tempo esboçou em sorriso. Sim, realmente havia gostado daquele ruivo cabeça de vento.

– Ele deve estar ocupado, mas aposto que se pudesse estaria, Otoya-kun~- disse animado esboçando seu mais lindo sorriso. — Para encerrar vou fazer um ultimo pedido, já que não vai dar para vermos o filme.

– Não vai dar? – Otoya parecia muito decepcionado em não poder fazer algo a mais com Hayato além de cozinhar e conhecer a casa. Mas ele já estava muito feliz. Ele tinha até mesmo ganhado os seus CDs autografados que Tokiya tinha prometido, dessa vez das mãos de Hayato. – Qual é o pedido?

–Teria problema se eu cantar para você? — perguntou fazendo uma carinha fofa, ao mesmo tempo um gesto com a mão.

– Hayato-sama é tão engraçado! – Otoya não conteve o sorriso. Aquele era um pedido que era ele que deveria fazer. – Adoraria escutá-lo cantar.

Hayato sorriu de volta, respirando algumas vezes antes de começar a cantar. Olhava diretamente para Otoya, mas não era robótico, era alegre, piscava algumas vezes. Parecia que Otoya estava apreciando, viu os olhinhos do outro brilharem e aquilo lhe assustou, mas o havia agradado.

Otoya gostava dele. Por isso acabou se soltando mais ao cantar. Com tudo o que ele podia e apesar de ser acústico soou muito bem. Ao terminar ele fez uma reverência para Otoya.

– Gostou, Otoya-kun? — perguntou Hayato olhando para o ruivo meio tenso.

O ruivo bateu palmas e ficou com um sorriso brilhante no rosto. Era bem melhor do que Otoya poderia esperar. Hayato cantou para ele, e cantou muito bem. Não achava que conseguiria um show particular, mas conseguiu o melhor show de todos.

A musica foi encantadora, calma e romântica. Ele estava certo quando pensou que Hayato cantava lindamente.

– Dessa vez você usou o coração. – comentou e se calou. Então era isso. O que achava que faltava nas músicas de Hayato. Ele via que Hayato amava cantar, mas não colocava o coração naquilo. Era como se estivesse decepcionado ou infeliz ao cantar. Contudo, agora era diferente. Muito diferente. Entre todas as vezes que tinha escutado Hayato cantar, essa era a melhor. – Foi perfeito, Hayato-sama!

Tokiya abriu um pouco os olhos, ele realmente não havia percebido que havia feito aquilo. Não pode deixar de sorrir. Ele tivera um dia ótimo. Alguém o havia elogiado sem ser aquelas fãs cegas, nunca as destratou, mas o elogio de Otoya era tão confortante.

– Muito obrigado, Otoya-kun. Eu... – ele não pode terminar pois seu celular tocou e logo desligou. — Sinto muito, mas tenho um compromisso. Venha, eu te deixo na escola. — disse estendendo a mão para Otoya se levantar.

Otoya aceitou a mão oferecida e se levantou. Ele olhou para a mesa e depois voltou a olhar para Hayato.

– Eu posso levar? Eu mal comi... — e ele abriu um sorriso parecendo ter uma ideia maravilhosa. – Também vou levar para Tokiya, estou devendo e muito para ele.

–Claro Otoya-kun~- disse pegando o prato. Iria embrulhar para levar- tenho certeza que ele ficara muito feliz, você deve ser o melhor amigo dele.- disse terminando de embrulhar dando a Otoya.- Bem vamos não posso demorar- disse seguindo para a porta.

– Tchau, senhor Charles! – Otoya deixou o gatinho no chão e fez carinho em sua cabeça. – Foi um prazer em conhecê-lo. É pra cuidar do Hayato-sama. – sorriu para o animal. Pegou a sacola que tinha os CDs sobre a mesa, tomando o extremo cuidado para que o prato não caísse e correu atrás de Hayato.

Ele deixaria Tokiya feliz.

Demorou um pouco para que chegassem na escola e durante o caminho eles haviam conversado mais. Otoya fora deixado no portão. E assim que ele saíra e fechara a porta Tokiya se trocou, ele tinha que chegar antes de Ittoki, por isso fez o mais rápido que pode e entrou na escola pelos fundos. Se apresasse chegaria no quarto antes.

– UTA -

Em outro ponto da escola, Hijirikawa estava com Jinguji vendo as estrelas, mas já estava ficando tarde então se apressaram para voltar para o dormitório. Haviam conversado bastante, sem tocar no assunto de separação. Foi bem agradável, pois Ren estava fazendo Masato rir.

Eles estavam se apreciando, após muito tempo sem fazê-lo. Era com se estivessem se conhecendo.

Ainda do lado de fora, Natsuki e Syo estavam abraçados próximos a um jardim afastado da vista de curiosos. Estavam em um local, muito bonito e tranquilo, pareciam estar apreciando a paisagem.

– Natsuki, acho melhor irmos agora, está começando a ficar frio, e eu vim sem casaco. — disse Kurusu se afastando um pouco de Shinomiya.

Natsuki olhou para Syo e sorriu. Achava muito fofo Syo encolhido devido ao frio, e estava achando tão quentinho o corpo encolhido ao seu lado. Levantou-se e puxou Syo para os seus braços, o carregando sem dificuldade nenhuma. O corpo pequeno era tão leve. E Syo se debatendo pedindo para lhe soltar era natural, já estava acostumado.

Mas nunca deixava de ser quente.

E sorrindo sem preocupação nenhuma, mesmo sobre o aviso de Reiji para disfarçarem. Não ficou preocupado. Estava em uma noite de sábado, nenhum aluno ficaria na escola agora, eles resolveriam ou esfriar a cabeça. Sua despreocupação foi boa, pois chegaram ao quarto rapidamente, sem que ninguém os visse. Estava tão feliz que tinha uma vontade de cozinhar, faria alguns bolinhos para Syo.

O estava amando demais.

– Syo-chan me deixa tão feliz. – deixou o menor sobre a cama. – Vou fazer bolinhos para você! – avisou colocando a mão atrás da cabeça de Syo e o beijou.

Kurusu se espantou, Natsuki podia ser bom em muitas coisas menos em cozinhar, por isso foi ate ele e se pôs na frente.

– Não estou com fome que sabe depois, Na-chan. — disse o menor pondo a mão a frente de Shinomiya para impedi-lo de fazer um desastre. – Quero um beijo! — pediu, era uma forma de distração.

– Syo-chan tem que comer comida caseira. – Natsuki sorriu, abaixando-se um pouco para que o rosto ficasse próximo ao de Syo e lhe deu um selinho. – Pronto, agora vou fazer bolinhos! – voltou na postura normal e deu um passo a frente.

– Nãooo, Natsuki, eu não estou com fome. — disse abraçando o maior com medo do pior. — Já disse que não quero, vamos ver algum filme! — sugeriu pondo força para Shinomiya recuar.

Kurusu sabia que eles não tiveram nenhuma aula de culinária por isso não queria os bolinhos, já conhecia a forma de Natsuki cozinhar e poderia dizer que era um desastre.

– Mas eu queria cozinhar para você! – Natsuki parecia triste ao descobrir que Syo não estava com fome e o pegou no colo e o levou para a cama, dessa vez se sentou colocando o menor em seu colo, de frente para ele e sorriu ainda mais. – Qual filme quer ver?

–Não sei, talvez um com alguma ação... Na-chan não precisa ficar tão colado! — disse pondo as mãos nos ombros de Natsuki. — S-sobre o filme, muita luta é isso. Vou pegar uns que tenho. — disse Kurusu que estava um pouco incomodado, por sempre estarem em posições constrangedoras.

– Eu quero ver algo fofo, Syo-chan! – Natsuki o abraçou e não o soltava. – Um bem colorido e cheio de coisas fofas. – apertou mais para perto, flexionando as suas virilhas. E inconscientemente abraçou mais Syo ao sentir um arrepio diferente.

Kurusu sentiu algo estranho naquele abraço, uma sensação vinda de baixo, uma pequena vibração, por isso tentou se afastar um pouco de Natsuki.

– Não, Natsuki! Algo bem pesado e com lutas. – disse sentindo-se mais incomodado. O que estava acontecendo? Seu corpo estava estranho.

Contudo, ele parou quando Natsuki segurou a sua nuca e o olhou seriamente nos olhos. Os olhos verdes estavam mais intensos e tudo que ele falou foi um sussurro “Syo”. Antes de beijar o menor novamente, dessa vez mais intensamente como no jardim.

As mãos grandes segurando firmemente o corpo pequeno. Da mesma forma que tinha visto na enfermaria com Ranmaru. Suas mãos acariciavam as costas do menor lentamente até descer e parar no pequeno bumbum de Syo. Ele voltou a sentir aquele arrepio, aquele que Reiji tinha descrito em sua “aula”. Sentiu sua intimidade vibrar com aquilo e como o corpo quente de Syo o tranquilizava, passou a juntar mais. Flexionando naquela posição e soltando um gemido entre o beijo.

Aquilo foi o suficiente para assustar mais Kurusu, este fez muita força para sair daquele abraço intenso, aquilo não era um bom sinal, Natsuki estava ficando animado. Ele sabia disso por ter que conviver com a tia que vivia falando sobre esse tipo de coisa, ele só não sabia o que tinha que fazer quando isso acontecia. Ele também estava ficando animado, talvez por Shinomiya o estar o tocando daquele jeito.

Teria que achar uma solução. Pôs-se de pé dando dois passos para trás.

– Natsuki, acho melhor pararmos por aqui se não as coisas irão mal. — pediu Kurusu um pouco gaguejante, tinha medo de Natsuki querer continuar.

– Syo... – Natsuki sussurrou meio doloroso com a separação e ficou suando frio ao perder o calor do corpo de Syo. Ele sabia o que estava acontecendo. Tudo isso estava anotado em seu caderno.

Estava excitado e isso era muito doloroso dentro de suas calças. Reiji tinha dito que isso poderia ocorrer quando se beijassem ou ficassem muito próximos fisicamente ao namorarem. Ele tinha escutado Syo quando pediu para esperar, ele tinha aceitado isso, ele tinha escutado Reiji sobre tudo isso, mas não sabia que descobrir os sentimentos de seu corpo lhe traria problemas tão grandes como agora. Ele abaixou a mão e tocou no volume de calça, se escondendo ao se virar na cama.

Kurusu estava muito tenso agora. Natsuki parecia sentir dor ele tinha que fazer algo, iria procurar ajuda. E se não desse certo? Não conseguiu concluir ao ouvir mais um gemido de Natsuki.

– Na-chan eu já volto... Vou te ajudar. – disse saindo do quarto e seguindo para o quarto de Jinguji, por pior que parecesse foi a primeira pessoa que havia passado por sua cabeça. Talvez devesse desistir, mas se ele desistisse e acontece algo com Shinomiya? Droga, não queria ver o outro daquele jeito. Parou na porta do dormitório de Jinguji e bateu. — Ren?

A porta foi aberta depois de alguns minutos de batida. Ren abriu aporta lentamente e se escorou no batente, mostrando que sua camisa estava totalmente aberta, mostrando o peito bronzeado e ele lambeu os lábios sorrindo daquele jeito conhecido.

– Espero que seja importante, baixinho! – ele sorriu mais ainda percebendo os fios de cabelo bagunçados de Syo.

Syo olhou como Jinguji estava. Será que era com alguma garota? Não, ele dividia com Masato.

– Preciso de sua ajuda, posso entrar? — perguntou um pouco sem jeito, Jinguji era muito sem vergonha mesmo.

– Jinguji, quem é? — perguntou Masato se sentando no sofá direito, pelo jeito estava deitado. Se ajeitou um pouco e olhou para a porta quando viu Syo entrar. – Kurusu-san? — falou vendo o menor ficar mais vermelho a cada segundo.

– Ren... Eu, bem... Sabe, eu preciso... — ele estava já começando a alterar a voz toda vez que ficava nervoso. Era assim, ficava vermelho e acabava gritando. — Eu preciso que me ajude. Droga! É o Natsuki, ele... – Kurusu não sabia como perguntar, ou talvez só tivesse vergonha. — O QUE EU FAÇO? NATSUKI ESTÁ EXCITADO E EU NÃO SEI O QUE FAZER?! — disse com os olhos fechados para não ver como Jinguji o olharia.

Ele escutou uma suave risada de Ren, este que voltou a se sentar no sofá com as pernas relaxadas e a camisa ainda aberta.

– Já pensou em lhe dar uma mãozinha? – o olhar de Ren demonstrava tudo que queria falar e mordeu o lábio olhando de esguia para Masato.

Syo olhou para os dois com uma carinha de espanto, Jinguji estava muito a vontade com Masato este parecia tranquilo em estar daquele jeito.

– Ahhh... Vocês... — disse Kurusu se afastando e se acalmou. – Como assim Jinguji? Nunca fiz isso droga! — disse pondo as duas mãos na cabeça.

– Quer que eu demonstre? – Ren sorriu ao ver as feições de Syo modificarem a cada segundo. Era engraçado deixar o baixinho sem graça com insinuações. – Estou brincando. – cruzou as pernas e colocou o braço em volta do ombro de Masato, sentindo a textura do kimono que este usava, sorrindo de forma sinuosa para Syo. – Você o deixou assim, toque nele. Ajude-o se aliviar ou ele não consegue fazer isso sozinho?

Syo não estava enganado, eles estavam juntos. Masato não se movia, ele aceitou Jinguji fazer aquilo.

– E como espere que eu faça? Eu tenho que t-tocar nele? Ahh! Não está ajudando. — disse Kurusu voltando a levantar a voz, Jinguji estava tirando uma com a cara dele. — Ele não sabe fazer isso.

– Jinguji, não diga estes tipo de coisas. — disse Hijirikawa sentindo vergonha alheia, ele tinha passado por isso hoje.

– Oras... Se você já se tocou antes sabe como é! – Jinguji sorriu e sua outra mão foi até as pernas de Masato, abrindo o Kimono levemente, parando sem mostrar nada, apenas joelhos pálidos e delicados. – Mas se nunca fez isso, sabe que tem que acariciar a pessoa, tocar na parte mais sensível dele... O seu órgão... – sussurrou aproximando languidamente o corpo perto de Masato e levantando a mão em frente ao corpo de Masato, bem em cima de seu colo fazendo uma simulação de masturbação. – Lentamente se preferir.

Syo arregalou os olhos, ele sabia que Jinguji era bem para frente, mas fazer aquilo a Hijirikawa que não era este tipo de pessoa era surpreendente.

– JINGUJI! — Masato bateu na mão de Ren, ao mesmo tempo que se levantou. Jinguji fazer isso quando não tinha ninguém até que ia somente naquele dia, mas fazer isso na frente de outra pessoa era diferente. — Não me toque, nem pense em me tocar. – disse com semblante irritado se afastando e indo para seu lado.

– Ahm... Acho que já vi o suficiente, obrigado. — Syo ainda assustado com a ação de Ren , foi o que pensara Hijirikawa não era o mesmo tipo que Ren. – Tchau! – disse saindo e fechando a porta.

– Pronto! – Ren se levantou do sofá e sorriu jogando o cabelo e seguindo até Masato com as mãos no bolso. – Só fiz isso para que ele saísse logo. – aproximou mais e tocou no ombro de Hijirikawa. – Masato, você ficou bravo?

– O que você acha? Não me toque! – disse Hijirikawa tirando a mão de Ren sobre seu ombro. — Você não tem o mínimo de vergonha, eu não sou acostumado a isso. — disse olhando nos olhos de Jinguji. — Você sabe que não posso ser visto com você, droga! — disse pondo as mãos no rosto. Ele não queria que corresse o boato, porque mesmo não sabendo da historia, se Kajima descobrisse ela poderia fazer alguma coisa. Tudo que ele queria era permanecer perto de Ren.

– O que tem? – o loirinho sorriu e deu de ombros e a contra gosto de Masato, o abraçou. – Eu não me importaria. – o carregou até a cama e o sentou sobre a mesma, ficando de joelhos na frente dele. – Na frente de todos poderemos ser amigos. – ele tocou delicadamente no pé de Hijirikawa e o levantou beijando o tornozelo. – Vai ficar tudo bem!

Hijirikawa sentiu o rosto esquentar. Ajoelhou-se na frente de Jinguji e o abraçou.

– Por quê? Você não percebeu? Eu não quero me separar de você! — disse Masato com uma voz estranha, um pouco amuada talvez. — Eu sempre fui medroso e você sabe disso!

– Eu sempre gostei disso de você! – o loiro sorriu ainda mais, não segurando mais e beijou os lábios que tanto tinha amado este dia. – Não irei te perder! – prometeu, usando seu corpo para deitar Masato na cama. Tocou as pernas macias e as abriu, mostrando que Masato não usava nenhuma peça intima. – Podemos continuar de onde paramos?

Hijirikawa apenas fez um sinal positivo com a cabeça meio tímido, sentindo o rosto muito quente, logo sentiu a boca de Jinguji contra sua pele.

Continua...

Notas finais
Agradecemos quem leu até aqui, aos comentários e aos que favoritaram. XD Aceitamos sugestões e críticas. Cada comentário é um incentivo lindo. Beijos e até a próxima.